O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2010/12/03

A VIDA COMO ELA É

Filed under: Cri-crítica — trezende2013 @ 09:27

Comemoremos os 75 anos de Woody Allen – completados nesta quarta-feira – prestigiando seu mais recente trabalho: “Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos”.
No início, uma frase de Shakespeare citada pelo narrador dá uma pista do que virá na próxima hora e meia: “A vida é cheia de som e fúria e no final não significa nada”.
Mas Woody Allen nem precisava nos avisar. Quem conhece sua filmografia sabe que a afirmação de Shakespeare parece ter sido criada com o propósito único de definir suas histórias – inevitavelmente cheias de som e fúria e sem a pretensão de qualquer lição de moral.
Se fosse necessário traçar o perfil cinematográfico de Woody para um ET, talvez uma explicação plausível fosse: “Imagine um Nelson Rodrigues um pouco menos anjo pornográfico, com uma mão mais leve na tragédia grega e igualmente realista”.
O cineasta pretende tão somente falar dos absurdos da vida, dos imprevistos, das fraquezas do ser humano e, principalmente, de suas neuroses. Ele escreve e dirige pensando na vida como ela é.
“Você Vai Conhecer o Homem dos Seus Sonhos” é mais um conto cotidiano de Woody. Não o melhor, mas ainda assim preferível a vários blockbusters em cartaz.
Novamente ele retorna ao seu tema preferido: os relacionamentos. O enredo gira em torno de uma família inglesa cujos dramas são os mesmos de qualquer outro clã familiar no mundo. Após separação, pai de família resolve virar tio Sukita, para desespero da ex-mulher – que passa a se consultar com uma cartomante. A única filha do casal enfrenta dificuldades financeiras porque o marido, médico, abandonou tudo para virar escritor de uma obra só. Enquanto vê seu pai formar uma nova família, ela se dá conta de que não construiu a sua própria. Haja Prozac.
O elenco sempre surpreende. Woody é mestre em misturar famosos, anônimos e novos talentos. Desta vez junta Anthony Hopkins, Antonio Banderas, Naomi Watts (de “King Kong”), Freida Pinto (a mocinha de “Quem Quer Ser Um Milionário?”) e Josh Brolin.
A brasileira Monique Alfradique bem que tentou fazer parte da turma, mas não foi aprovada nos testes.
Se a história é surpreendente, imprevisível e pertinente, por outro lado, desta vez Woody marca o passo. Do meio para o final parece perdido e prolonga situações que poderiam ter sido resolvidas sem o risco de prejudicar o ritmo do filme.
Mas é aquela coisa: mesmo quando ele é ruim, é bom.

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