O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2010/11/07

AQUI NÃO TEM BOI NA LINHA

Filed under: Folheando — trezende @ 12:32

Após passar um ano lendo o dicionário Oxford – que resultou no livro “Reading the Oxford English Dictionary” (“Lendo o Dicionário Oxford de Inglês”), o autor Ammon Shea resolveu superar seus limites. Ele acaba de lançar “The Phone Book: The Curious History of the Book That Everyone Uses But No One Reads” (“Lista Telefônica: A História Curiosa de Um Livro que Todo Mundo Usa, Mas Ninguém Lê”).
A publicação – sem data de lançamento por aqui – traz diversas curiosidades sobre um objeto que aparentemente não renderia nem uma redação de colégio.
Dentre os pontos pitorescos, Ammon conta que as primeiras listas telefônicas continham instruções – com mais de uma página – sobre como usar o telefone: “Para ligar, pressione o botão e gire a manivela uma vez. Tire o telefone do gancho e o coloque sobre o ouvido. Quando o Escritório Central pedir o número, dê o número da pessoa com quem quer falar e depois de ouvir a resposta, espere até a campainha tocar”.
O primeiro catálogo telefônico foi publicado no município de New Haven, em Connecticut (EUA) em 1878.
Além do uso-padrão – localizar pessoas e lugares – o livro costuma ter outras utilidades, como servir de banquinho ou cama para gatos.
Além disso, vários políticos em Washington usavam as listas telefônicas ou as Páginas Amarelas para encher linguiça durante seus discursos e obstruir votações.
Ammon também relata usos artísticos, como o de uma mulher que fez um vestido a partir de um catálogo.
Mas o mais espetacular dos usos de que se tem notícia aconteceu em 1935. Para se livrar das balas lançadas por bandidos e evitar ser saqueado, o trem de uma companhia de frutas americana utilizou listas telefônicas de Manhattan nas laterais dos vagões para blindá-lo.
Apesar de fascinante, Ammon duvida da veracidade da história.
Segundo Ammon, praticamente ninguém nunca se importou em preservar seus catálogos, mas há exceções. O exemplo favorito do autor é um catálogo telefônico cubano de 1958, “provavelmente o último livro antes da Revolução Cubana. Inexplicavelmente, alguém que fugia da revolução decidiu que deveria levar consigo seu catálogo. Hoje ele está nos arquivos da Universidade de Miami e é um importante documento porque é um registro do que se passava lá naquela época”.
Além dessas histórias saborosas, Ammon diz que os catálogos quebraram barreiras. Antes da invenção do telefone, muitas cidades americanas compilavam dados de seus habitantes listando nome, emprego e endereço. As pessoas se mantinham isoladas umas das outras. Para contatar alguém era necessário uma carta de apresentação – facilidade restrita a quem tinha mordomos ou secretárias.
No fundo, os catálogos telefônicos foram os precursores “da nossa longa jornada em direção à pandemia da autovigilância do Facebook: ‘Oi, estranhos! Aqui é possível me achar quando quiserem – mesmo que não tenham ideia de quem eu sou’”.

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