O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2010/10/22

PARE EM NOME DA LEI

Filed under: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 09:46

À medida que as investigações sobre a morte de Mércia Nakashima avançam, seu ex-namorado, o ex-PM e advogado Mizael Bispo de Souza vai se revelando, no mínimo, um péssimo advogado.
Se conseguir se safar da prisão, vai morrer de fome. Mizael terá muita dificuldade para arranjar clientes. Não por seu caráter e inocência terem sido colocados à prova, mas por pura incompetência.
(Apesar da série de evidências, ainda não podemos classificá-lo como assassino. A Justiça exige que o teatro vá adiante e que o consideremos “suspeito” ou “acusado”.)
Pois bem. O “acusado” já sumiu, apareceu, caiu em contradição várias vezes, se disse vítima de “armação”, deu declarações típicas de um Trapalhão – a de que vai investigar o crime por conta própria – e não para de produzir provas contra si mesmo.
Uma das diversas pistas foi divulgada pela família de Mércia: um email que Mizael enviou para a namorada cerca de um mês antes de ela aparecer morta. Na correspondência ele diz: “Deus está no céu e tá vendo tudo que faz e fez comigo, e certamente você acertará as contas com ele”.
Que profeta.
Em outra ocasião, indagado se costumava praticar tiro, ele respondeu: “Eu atiro muito bem, mesmo com um problema” (ele teve a mão machucada após um choque elétrico que o transformou num reformado da PM).
Mas segundo a perícia feita no corpo de Mércia, ela levou um tiro de raspão no queixo.
Prova de que Mizael não é o assassino? Muito provável que não.
Mais palhaço do que Mizael têm sido os juízes e promotores que acompanham o caso.
Durante uma das audiências, o juiz perguntou se Mizael achava que o crime fora cometido “com requintes de crueldade”, mas o “acusado” disse que não saberia dizer. Então o juiz refez a pergunta descrevendo a forma como Mércia foi assassinada e ele respondeu que “sim, com certeza”.
Ontem, durante depoimento do ex-PM, o momento mais surreal até agora:

– O senhor matou Mércia Nakashima?
– Nunca, jamais.

É certo que em casos que mobilizam a mídia as “otoridades” veem uma ótima oportunidade para se exibirem diante dos holofotes – e quem sabe até se candidatarem como deputados federais nas próximas eleições. Mas nem num filme de quinta categoria ouviríamos um diálogo tão inverossímil quanto esse.
Será que esse homem da lei acreditou, de fato, que conseguiria a proeza de uma confissão em rede nacional? Que Mizael admitiria o crime com uma pergunta tão inocente quanto essa porque, de repente, poderia ir com a sua cara?
Agora me contem a do papagaio. A do português eu já conheço.

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1 Comentário »

  1. Minha jurídica amiga predileta Tati, realmente, o nobre “jurisconsulto” e meio fraquinho. Você tem todo a razão, se provada a culpabilidade, esse cidadão enrolado vai acabar no tribunal do júri. E lá o julgamento parece um verdadeiro “teatro” ou um “picadeiro”, também, quem chega lá, é porque fez por onde!

    forte abraço

    C@urosa

    Comentário por caurosa — 2010/10/22 @ 10:30


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