O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2010/10/12

PILOTO AUTOMÁTICO

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 10:57

Quando éramos pequenos sonhávamos em ter uma vida como a dos Jetsons. Eles apertavam um botão e a comida estava pronta. Apertavam outro e a cama estava arrumada. Saíam para o trabalho numa cápsula – que apesar de moderna e espacial alimentava nossa ingenuidade infantil soltando uma fumacinha pelo escapamento.
Vivíamos ansiosos para que esse amanhã tecnológico pintado pelos Jetsons chegasse logo.
Mas estamos muito próximos disso. Vira-e-mexe são publicadas reportagens sobre as casas do futuro, nas quais será possível encher a banheira ou regular a temperatura da água do chuveiro com um simples toque de celular. Até os carros andarão sozinhos.
Carros autônomos: este é o tema de uma matéria publicada nesta semana pelo “The New York Times” que trata dos automóveis inteligentes que estão sendo testados pela equipe do Google.
Apesar de o projeto ser mantido em segredo, os veículos estão sendo experimentados às claras por ruas e rodovias americanas. Eles chegaram a percorrer mais de 1.600 km sem a intervenção humana.
Segundo engenheiros e cientistas envolvidos no estudo, esses carros estão longe de serem produzidos em série, mas eles sonham em transformar a sociedade da mesma forma que a Internet.
Graças a um software de inteligência artificial capaz de identificar qualquer movimento ao redor do carro e imitar as decisões do motorista, os automóveis se guiam sozinhos. Necessitam apenas de alguém atrás do volante para o caso de algo sair errado. Além dele, um técnico no banco do passageiro monitora o sistema de navegação.
Sete carros já foram testados. São dois modelos: um Toyota Prius e um Audi TT – ambos equipados no melhor estilo Dr. Brown de “De Volta Para o Futuro”.
Um “se dirigiu” sozinho pelas ruas de São Francisco – uma das cidades mais íngremes e curvilíneas dos Estados Unidos. O único acidente, relatam os engenheiros, aconteceu num farol, quando o Google Car foi batido na traseira enquanto aguardava o sinal verde.
Apesar do imprevisto, segundo os engenheiros, os robôs-motoristas reagem mais rapidamente do que humanos, têm uma percepção 360 graus e não se distraem por causa do sono ou por ingestão de bebida alcóolica.
Os carros circulam no limite de velocidade – a velocidade máxima de cada via já está incluída no banco de dados. O equipamento em cima do veículo produz um mapa detalhado de cada lugar percorrido.
Durante o percurso, uma voz feminina narra todas as manobras realizadas e avisa o motorista sobre o que vem pela frente: “aproximando-se da faixa de pedestres”. A mesma voz alerta o piloto no caso de o sistema central detectar algo errado.
Outro ponto positivo ressaltado pelos profissionais é que a tecnologia dobra a capacidade das estradas porque permite que os automóveis circulem mais próximos uns dos outros. Sendo menos passíveis de batidas, eles poderiam ser construídos com materiais mais leves, reduzindo o consumo de combustível.
Segundo os cientistas que participaram dos test-drive, os veículos chamam a atenção nas ruas, mas a maioria das pessoas acha que se trata da próxima geração de carros do Google Street View.
Além de uma tecnologia que vai demorar, no mínimo, mais oito anos para ser desenvolvida, o advento dos veículos autônomos esbarra em questões legais. De acordo com as normas de trânsito, um humano deve estar sempre no controle do carro. E outra: no caso de um acidente, quem leva a culpa: o “motorista” ou o criador do software?
Ainda segundo os pesquisadores, para serem totalmente seguros os carros precisam ser muito mais confiáveis do que nossos computadores – que ocasionalmente dão pau ou se infectam com vírus.
Mas a cerejinha do bolo é que os automóveis podem ser programados para motoristas de diferentes personalidades. As opções variam entre “cuidadoso” e “agressivo”.
A reportagem informa ainda que cientistas e engenheiros têm trabalhado em projetos de veículos autônomos desde a década de 60, mas a inovação crucial veio em 2004, com o “Grand Challenge”, desafio de corridas organizado e patrocinado pelo Pentágono.
Realmente o projeto é ambicioso, mas se até as cápsulas dos Jetsons precisavam de piloto, o que dizer de um carro circulando entre as faixas estreitas da 23 de Maio? Ou de um que se espreme entre caminhoneiros e motoboys educados na Marginal Pinheiros? E daquele que fica – na melhor das hipóteses – sem estepe após uma rápida passada por Guaianazes ou Capão Redondo?
Por mais esperto que o carro seja, ele não estará preparado para se desviar dos malucos e criminosos que andam por aí. Precisaremos de um software “made in Brazil” capaz de nos informar coisas do tipo: “trombadinha se aproximando”, “ladrão em fuga dando ré à frente”, “automóvel sem seta”.
Já a possibilidade de programar o perfil do motorista seria de extrema utilidade. Entre as opções, “mode lesma”, “tiozinho”, “tiazinha”, “feirante à paisana”, “boyzinho com som alto”, “falando ao celular”, “twitando” e “mandando torpedos”.

Vejam a matéria completa AQUI

O tema de hoje foi sugestão da leitora Angelica

O tema Rubric Blog no WordPress.com.