O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2010/10/11

A ARTE DE VIVER DA FÉ

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 09:27

Nem bem estreou e “Tropa de Elite 2” já começa a chamar a atenção internacional para o Brasil.
O “The New York Times” de hoje traz uma reportagem de duas páginas louvando o trabalho das Unidades de Polícia Pacificadora que atuam na Cidade de Deus.
A chamada para a matéria – acompanhada de uma foto de policiais sentados brincando com bebês – está em destaque na capa do site.
O relato diz que anos de ódio e maus-tratos estão desaparecendo em uma das mais violentas favelas do Rio. A fim de aliviar as preocupações com a violência às vésperas de dois grandes eventos internacionais – a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 – os policiais cariocas iniciaram um plano ambicioso para tirar o controle da favela das mãos dos traficantes que comandam o local há anos.
Segundo a matéria, a polícia pacificadora é a principal arma no combate aos criminosos – depois que a polícia militar “limpa” as ruas das favelas com tiroteios que podem durar semanas.
Esse trabalho, explica o jornal, “é parte policiamento tradicional, parte trabalho social. Eles se dedicam a vencer a resistência dos moradores aterrorizados por décadas de violência – alguns deles pelas mãos da própria polícia”.
Em tom otimista, a reportagem diz que por muitos anos a Cidade de Deus – “cujo passado brutal foi imortalizado num filme em 2002” – foi um bairro medonho. Tão perigoso que raramente a polícia aparecia por lá.
“Mas esses dias parecem ter ficado para trás. Os traficantes permanecem no local, mas pessoas de fora podem ter acesso a algumas áreas se pedirem permissão para os jovens que patrulham a favela”.
E novamente o jornal frisa que os homens com armamento pesado se foram – ou pelo menos não ficam tão expostos – e a vida retorna às ruas.
“As crianças agora brincam na rua sem medo de bala perdida. Elas pulam cordam e jogam pingue-pongue com raquetes feitas a partir de pisos de madeira. Partidas de futebol – antes violentas – se tornaram mais civilizadas, com oficiais às vezes se juntando aos times”.
Continua a reportagem: “Quase dois anos depois que as novas unidades policiais chegaram ao local, muitos moradores desta comunidade de 120 mil habitantes ainda lutam para aceitar os cerca de 315 policiais que se revezam 12 horas por dia.
Alguns dão boas-vindas à calma com uma certa desconfiança pois temem que as autoridades abandonem o lugar assim que as Olimpíadas terminarem”.
“Ninguém gosta da gente por aqui”, diz o oficial Luis Pizarro durante uma patrulha noturna. “Algumas vezes é frustrante”.
Acompanhado de dois colegas, Pizarro percorre uma rua que margeia um córrego cheio de lixo. Famílias se juntam em torno de fogueiras. Mulheres dançam samba e homens tomam cachaça, a bebida brasileira feita à base de cana-de-açúcar. Quase ninguém acena ou cumprimenta os policiais – que andam por um beco tomado por papeizinhos coloridos usados para embalar crack e cocaína.
De acordo com o “The New York Times”, durante os anos de ausência policial os serviços sociais ficaram prejudicados. Médicos e outros profissionais se retiraram da favela por questões de segurança.
“Ninguém tinha coragem de recuperar os favelados”, diz José Mariano Beltrame, que tomou posse como secretário de Segurança Pública do Rio em 2007. “As pessoas preferiam jogar a sujeira para debaixo do tapete para não encarar o problema”.
“Mesmo com milhares de desafios a enfrentar, muitos moradores torcem pelo programa. Dilma Rousseff – a candidata-líder para ser a próxima presidente do Brasil – propôs expandir o modelo para outras cidades. Os milhões de dólares doados por empresas como Coca-Cola e por empresários bilionários como Eike Batista estão sendo usados para a compra de novos equipamentos”.
Segundo o jornal, é visível que a presença da polícia melhorou a vida da comunidade da Cidade de Deus. A frequência às aulas aumentou, o caminhão do lixo passa três vezes por semana e a quantidade de crimes decresceu: 6 homicídios no ano passado contra 34 em 2008.
O capitão José Luiz de Medeiros – que comanda as unidades policiais na Cidade de Deus – diz à reportagem que eles estão trabalhando duro para conquistar a confiança dos moradores.
“Recentemente uma dúzia de oficiais visitou um novo centro de atendimento. Enquanto eles seguravam chupetas entre os dedos, as crianças brincavam com os rádios comunicadores e passavam por suas pernas e coldres. Alguns policiais foram inclusive tirados do patrulhamento para dar aulas de violão, piano e inglês aos menores”.
Torçamos para que o otimismo do “The New York Times” contamine também os moradores.

Vejam a matéria AQUI

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