O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2010/10/02

BRIDGET JONES ENCONTRA PAULO COELHO

Filed under: Cri-crítica — trezende @ 10:49

Se Bridget Jones não tivesse se empanturrado de sorvete seria Elizabeth Gilbert. E seu diário viraria o best-seller “Comer Rezar Amar”, que já vendeu 8 milhões de cópias pelo mundo.
Portanto, quem não leu o livro já sabe do que se trata a história do filme homônimo estrelado por Julia Roberts e Javier Bardem: mulher sofredora e recém-separada joga tudo para o alto em busca do autoconhecimento.
Liz Gilbert viaja à Itália para comer, à Índia para rezar e à Indonésia para amar.
O filme de Bryan Murphy é o paraíso dos estereótipos. Ou alguém não sabe que na Itália o povo fala com as mãos e que para ganhar na Megasena é preciso, primeiro, comprar um bilhete?
É nessa linha que vão as lições aprendidas por Liz (Julia Roberts).
Ela ainda vai ouvir que “para chegar ao castelo terá de atravessar o fosso” – “sabedoria” que lhe é ensinada por um amigo que conhece durante um retiro espiritual na Índia.
Também vai descobrir que os americanos entendem de entretenimento, mas não de prazer. Os italianos, esses sim, é que sabem curtir a vida. Dormem depois do almoço e não contam calorias porque preferem comprar a calça num número maior.
Em meio aos clichês, há também equívocos – como a informação de que no Brasil os pais se despedem dos filhos com um beijo na boca.
A sabedoria do lugar-comum se arrasta por quase duas horas e nos lesa por dois terços do filme – e nada de Javier Bardem. O pouco de ânimo que sobra o aproveitamos nos minutos finais, quando a protagonista encontra o amor em Bali – o brasileiro Felipe (enfim, Javier Bardem).
Sentimo-nos em casa com o “Samba da Bênção” na voz de Bebel Gilberto, palavras e expressões tipicamente brasileiras (como “falsa magra”) e a participação de uma brasileira chamada Armenia (vivida pela desconhecida Arlene Tur).
Nem a constatação de que o Brasil está mesmo na moda alivia o “semblante Paulo Coelho” que alguns espectadores exibem na saída da sessão.
Mais útil do que assistir ao filme é conhecer a definição que a autora faz de casamento. Numa entrevista por ocasião do lançamento da versão cinematográfica de sua obra, Liz constata que o casamento é um ato subversivo. Segundo ela, são duas pessoas que se fecham para a sociedade, criam seu mundo, sua língua, sua ética e sua privacidade. Algo tão “perigoso” que levou governos e as tiranias a sempre suspeitaram dele.
E você, suspeite do filme.

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8 Comentários »

  1. Minha cinéfila, crí-critica simpática e preferida TaTi, não dá prá brincar com o Sr Paulo Coelho, ele é imortal: Ha!Ha!Ha! E o Javier Bardem, brasileiro? só mesmo no cinema:Ha!Ha!Ha! E a Julia, falsa magra e ganhadora de oscar: Ha!Ha!Ha! só mesmo o cinema!

    forte abraço e um bom sufrágio…

    C@urosa

    Comentário por caurosa — 2010/10/02 @ 11:01

  2. Tati, eu já suspeitava do livro (fiz questão de não comprar e não ler) e do filme – faço questão de não assistí-lo. Depois de ler sua crônica, confirmei minhas suspeitas. Valeu!! Mil beijos, Vaninha.

    Comentário por Vaninha — 2010/10/02 @ 11:07

  3. Endosso cada palavra da Vaninha. Ponto e virgula tambem.

    Comentário por picida ribeiro — 2010/10/02 @ 11:15

  4. Não curti o livro. Forma e conteúdo a desejar. Ainda impliquei com a tradução.
    Pretendo assistir ao filme para não sucumbir de todo à má vontade… Vejamos.

    Beijocas cívicas!

    Espero ansiosa sua cricrítica sobre o filme da Helen Hunt – “Quando me apaixono”. Nada direi.

    Comentário por Selma Barcellos — 2010/10/02 @ 11:43

  5. Depois da crônica e das opiniões acima, cheguei à conclusão que não li o livro, não vi o filme e não gostei da história!
    Abç,
    Adh

    Comentário por Adh2bs — 2010/10/03 @ 19:43

  6. Ah, sim, nesse caso diz-se “história” ou “estória”?
    Adh

    Comentário por Adh2bs — 2010/10/03 @ 19:44

  7. Tati, não li o livro, mas pretendo assistir ao filme, mas só porque assisto até coisa ruim!!! kkkkkkkkkkkk

    E o Javier, por enquanto, caiu no meu conceito, BRASILEIRO, só falta ele falar espanhol ao invés do Português!!!

    Beijos

    Comentário por Dani Vantini — 2010/10/04 @ 10:39

  8. como sempre suas crônicas são ótimas. não vi o filme, talvez leia o livro.
    um grande abraço.
    mauro andrade.

    Comentário por mauro andrade — 2010/10/07 @ 12:48


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