O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2010/09/27

O NOVO CAVIAR

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 09:30

A notícia de hoje vem do “The New York Times”: “Told to Eat Its Vegetables, America Orders Fries” (“Incentivado a comer vegetais, americano pede batatas-fritas”).
O jornal nos conta que a semana que passou foi cansativa para frutas, verduras e legumes.
Mesmo após duas décadas de iniciativas da área de saúde pública e propagandas como a da primeira-dama Michelle Obama – que criou uma horta orgânica nos jardins da Casa Branca – os americanos continuam comendo pouquíssimo vegetal.
De acordo com um estudo feito este mês pela agência do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, apenas 26% da população adulta ingere hortaliças três ou mais vezes ao dia.
Portanto, o desafio de mandar um agrião goela abaixo ultrapassou as fronteiras da saúde e virou assunto para a economia do país.
A indústria das cenouras-baby está tentando associar sua imagem à “junk food”. Além da embalagem – que lembra muito a de um “Doritos” – os fabricantes estão investindo pesado numa campanha publicitária cujo custo inicial é de 25 milhões de dólares.
A série de comerciais de 30 segundos – com um heavy metal rolando ao fundo – relaciona a aquisição da cenoura-baby a algo radical.
Além disso, a indústria alimentícia tem feito de tudo para tornar mais fácil o consumo de vegetais através da venda de legumes embalados ou bandejinhas com hortaliças já higienizadas e fatiadas, prontas para serem levadas ao micro-ondas.
Frutas, verduras e legumes – especialmente as produzidas a partir de sementes que são relíquias de famílias de agricultores tradicionais – estão se transformando em obras de arte.
Na quinta-feira passada uma das casas de leilões mais famosas do mundo – a Sotheby’s – promoveu um evento inédito: o “The Art of Farming” (“A Arte da Agricultura”), o primeiro do tipo na Sotheby’s de Nova York.
Depois do coquetel, das apresentações de chefs e de um jantar, o ponto alto foi o leilão de vegetais raros e exóticos.
Entre as estrelas do pregão, vegetais como a abobrinha “Lady Godiva”, o alface “Veado da Língua Vermelha”, o tomate do “Homem do Mar Preto” e a abóbora “Pink Banana”.
Os nomes são tão surreais quanto os preços: 1.000 dólares a caixa.
A festa arrecadou cerca de 250 mil dólares, que vão ajudar organizações de combate à fome, agricultores imigrantes e crianças sem acesso a vegetais.
Parece piada, mas o paradoxo é que cada vez mais vegetais e frutas são alimentos para poucos. Em São Paulo, na melhor das xepas, os mamões Papaya estão pela hora da morte: 1 por R$ 1.
Em breve também serão comercializados em butiques.

Assistam a um comercial das cenouras-baby AQUI

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