O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2010/09/15

O CÉU É O LIMITE

Filed under: Diário de bordo — trezende @ 10:14

Se Caracas é quase o Rio de Janeiro, o Monte Ávila é seu Pão de Açúcar. Porém, ao contrário do ponto turístico carioca, o passeio pelo “Warairarepano Sistema Teleférico” é muito mais emocionante.
Em vez de um único bonde, cerca de 65 carrinhos realizam o percurso de 2.150 metros até o topo da montanha. Não é apenas a altura que impressiona, mas a distância percorrida.
Durante o trajeto de 3,5 km, a certeza de que o Pão de Açúcar é genérico do Ávila – e não o contrário.
O sistema original do Warairarepano – inaugurado nos anos 50 – contava com cinco estações. Após um abre-e-fecha entre as décadas de 70 e 90, voltou a funcionar há dez anos com a ajuda do governo.
A paisagem estonteante pode ser apreciada com calma porque a subida é íngreme e longa – dura entre 15 e 18 minutos – chegando a causar pressão nos ouvidos.
Lá embaixo, uma extensa vegetação e vestígios de trilhas percorridas por aventureiros a pé ou de bicicleta. A sensação de frio vai aumentando a cada metro – algumas pessoas, mais prevenidas, sobem com casacos.
Já  no alto, a visita às atrações nem é tão necessária – a subida é bem mais radical e interessante – mas quem quiser pode conhecer a pista de patinação, tomar um café, petiscar algo nas diversas barraquinhas de comidas típicas, levar as crianças ao parquinho ou visitar as instalações do antigo Hotel Humboldt.
Dentre as opções de guloseimas, está a arepa, um bolinho com o formato do nosso sonho feito a partir de uma farinha de milho típica da Venezuela. Assada ou frita, salgada ou doce, a arepa é tradição.
O Monte Ávila abriga a filial de uma das “areperas” mais tradicionais da Venezuela: a “Arepa Socialista”. O nome não é jogada de marketing – a marca realmente pertence ao governo. A ideia é vender produtos a preços justos e ao alcance da população para resistir à especulação capitalista.
A “Arepa Socialista” tem dois preços: um para os socialistas (7,5 bolívares) e outro para capitalistas (20 bolívares).
Para quem ainda pensa que se trata de piada, uma informação: no caixa, a atendente solicita o número da cédula de identidade do comprador.
O motivo só ficaria claro hoje, após consulta a um blog chamado “Código Venezuela”. O autor conta que além de o cupom fiscal sair com o nome completo do cliente, as informações vão para a base de dados do “Registro Eleitoral Permanente”.
No rodapé do cupom, uma frase de Karl Marx: “A cada quien según su necesidad. De cada quien según su capacidad”.
Será que dentro de pouco tempo teremos a “Feijoada Socialista”? O “Churrasco Grego Socialista”? A “Caipirinha Socialista”? O “PF Socialista”?
Que Deus nos proteja.

Vejam algumas fotos AQUI

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