O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2010/09/14

DÉJÀ VU

Arquivado em: Diário de bordo — trezende @ 11:42

Pensem num Rio de Janeiro sem a Marina da Glória, o Cristo Redentor e as praias. Assim é Caracas.
A capital da Venezuela é quase o Rio. Igualmente abafada, montanhosa, violenta e com morros tomados por grandes favelas – ambiente propício para despertar em turistas e habitantes a mesma sensação de insegurança.
Esse quase Rio é um lugar peculiar. Ao mesmo tempo em que respira o ambiente tenso da criminalidade e enfrenta a carência de itens básicos – apagões são constantes devido à falta de manutenção na rede elétrica – oferece algo impensável para nós, brasileiros. Na terra de Chavez é mais barato encher o tanque do carro do que comprar um litro de água.
(A foto acima indica: 50 litros de gasolina por menos de 5 bolívares. Cerca de R$ 2).
O reflexo do preço do combustível é visível nas ruas: ônibus caindo aos pedaços, trânsito complicado, motoristas nervosinhos, estacionamentos a cada esquina e táxis sem taxímetro.
Portanto, vencer a longa distância que separa o aeroporto da capital é uma missão que requer paciência.
Mais de 20 quilômetros separam o Aeroporto Internacional Simón Bolívar da capital – que localiza-se no litoral. A paisagem da subida é muito parecida com a da Serra do Mar paulista. Após dois longos túneis e a visão de uma favela espalhada num morro, chega-se a Caracas.
Outra peculiaridade da cidade é que cada bairro tem suas próprias leis. Em áreas mais nobres e comerciais – como Chacao ou Sucre – é proibido falar ao celular ao volante, andar sem capacete, buzinar ou atravessar fora da faixa de pedestres. Mas basta cruzar uma linha imaginária e se dirigir para a região de Petare que a história ganha outros contornos.
Petare é a maior favela da cidade e, dizem os habitantes, é também a maior da América Latina.
Além de ter sua Rocinha, Caracas conta também com uma versão genérica do Pão de Açúcar: o teleférico do Monte Ávila, um dos poucos passeios turísticos que a cidade oferece (e que será mais explorado no próximo capítulo).
De fato, a paisagem da capital venezuelana é um déjà vu para basileiros que já visitaram o Rio. Resta-nos torcer para que essa sensação não se estenda ao cenário político. E que venha 3 de outubro!

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