O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2010/09/30

LIE TO ME

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:51

Estamos na reta final das campanhas políticas e chega o momento de escolhermos o menos mentiroso – ou o que mente melhor.
Para nos ajudar nessa missão democrática, um livro que foi alvo de reportagens na revista “Forbes” e no jornal “The Washington Post”: “Liespotting: Proven Techniques to Detect Deception” (“Detecção de Mentiras: Técnicas Comprovadas para Identificar Trapaças”), de Pamela Meyer.
Segundo a autora, algumas pessoas são tão boas quanto um chimpanzé (ou têm os olhos tão abertos quanto o John Lemon acima) para se darem conta de uma lorota. Portanto, podemos nos treinar para melhorar nosso detector de mentiras interno.
Nossas mentiras são de duas categorias: as ofensivas e as defensivas. Dentre as do primeiro tipo, as que contamos para conseguir algo que não está acessível e as que inventamos para passar uma boa impressão. Já as defensivas são criadas para evitar alguma punição, situação embaraçosa ou para proteger alguém.
Além da linguagem corporal, há vários sinais verbais aos quais podemos prestar atenção quando desconfiamos de alguém: 1) Mentirosos se prendem a detalhes irrelevantes da história ou em descrições minuciosas; 2) Repetem a pergunta para ganharem tempo e formularem uma boa resposta; 3) Outra pista, mais sutil, é que eles não contraem as palavras e usam uma linguagem distanciada (por exemplo: em vez de “com Joaquim Roriz” eles preferem “com aquele Joaquim Roriz”).
A ideia de que os homens mentem mais é um mito. Segundo a autora, a diferença está no tipo de mentira que cada um de nós conta.
Enquanto eles inventam histórias em causa própria, as mulheres mentem para proteger alguém.
Outro ponto interessante é que geralmente as pessoas extrovertidas não só contam mais lorotas do que as tímidas como também persistem mais tempo no caô e se sentem confortáveis com isso.
Os bons mentirosos são ótimos observadores de si mesmos. Intuitivamente, sabem como os outros os enxergam. Essa capacidade de saber decifrar o outro faz com que lidem melhor com suas emoções e consigam provocar sua “vítima”.
Segundo Pamela, há sinais não-verbais que são clássicos: tocam ou coçam os olhos; ficam rígidos na parte inferior do corpo; forçam contato visual para tentar acabar com o mito de que o mentiroso não fita o olho da vítima; e remexem objetos que estão em cima da mesa ou em suas bolsas, formando barreiras.
No site da autora há um quizz para testarmos a quantas anda nossa capacidade de identificar uma peça dessas. Façam o teste e usem as últimas horas do horário político como método de treinamento.

Vejam o teste AQUI

2010/09/29

IMAGEM E AÇÃO

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 09:16

Atenção solteiras desesperadas por um marido: hora de arrumar as malas rumo à Tailândia.
Segundo uma reportagem do “The New York Times”, a onda de americanos e europeus que se encaminham para aquele país em busca da alma-gêmea é a tendência.
No entanto, em vez de levá-las para os Estados Unidos, a maioria deles tem preferido se mudar para lá – mais especificamente para a região nordeste, numa das partes mais pobres do país, Isaan.
Atualmente, cerca de 11 mil maridos importados vivem na área. Entre os lugares que frequentam está a “Rua do Genro Estrangeiro”.
Além do baixo custo de vida, os homens que optaram por esse estilo de vida se justificam com o argumento de que as tailandesas são como as mulheres americanas de 50 anos atrás.
As residências de estrangeiros são facilmente identificadas no meio da paisagem pobre. “Há vilas em Isaan que estão tomadas por casas compradas por americanos para suas esposas”, diz Phil Nicks, autor de “Love Entrepreneurs: Cross-Culture Relationship Deals in Thailand” (“Empreendedores do Amor: O Relacionamento Transcultural na Tailândia”).
Durante a Guerra do Vietnã os casais se conheciam em Udon Thani – que servia de base americana – e geralmente os homens levavam as tailandesas com eles.
Agora a presença de americanos e europeus voltou a crescer. “No nordeste, onde isso é mais forte, milhares de mulheres solteiras estão à procura de um namorado ou marido estrangeiro. E algumas delas são bem agressivas nessa perseguição”, conta Phil Nicks.
Enquanto os homens – a maior parte aposentada e com um histórico amoroso pouco feliz – buscam conexão emocional, as mulheres são motivadas por razões econômicas. Só querem ascender socialmente.
A diferença de idade entre os noivos não é problema, mas o mesmo não se pode dizer da linguagem: grande parte dos estrangeiros não sabe falar tailandês.
Além disso, os homens enfrentam um outro drama: quando se casam com uma tailandesa, precisam sustentar toda a família. O resultado é que esse choque de expectativas faz com que mais da metade dos casamentos termine em divórcio.
E aí, quem topa viver de mímica na Tailândia?

2010/09/28

O FATOR X

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 09:34

 

Susan Boyle foi o maior motivo de orgulho para os ingleses no ano passado. A cantora – que se tornou célebre por sua participação no programa de calouros “Britain´s Got Talent” – viu sua vida mudar em questão de segundos graças ao preconceito.
A aparência que fugia aos padrões do showbizz foi vista pelos jurados e pelo público com uma ponta de sarcasmo. No entanto, bastou Susan abrir a boca e entoar seu “I Dreamed a Dream” para ser absolvida.
Talvez até inconscientemente para compensar tanta maldade, os britânicos saíram de casa ávidos em busca do CD de Susan. Seu disco de estreia atingiu o título de álbum mais vendido do ano em um único mês.
De acordo com o site da revista norte-americana “Billboard”, o segundo trabalho de Susan, “The Gift”, já bateu novo recorde histórico de pré-reservas no site da “Amazon”.
Refeitos do “efeito Susan”, os britânicos agora acompanham um novo reality show musical, o “The X Factor”. O programa é um dos de maior audiência nas noites de sábado – o último foi visto por quase 13 milhões de pessoas.
A polêmica da vez é o oposto de Susan: jovem, magra, descolada e bonitona, ela atende pelo nome de Chloe Mafia.
A questão é que Chloe – cujo nome verdadeiro é Chloe Heald – é uma prostituta de 19 anos que já foi presa 140 vezes e tem uma filha de 2 anos.
Simon Cowell – que foi jurado no “Britain´s Got Talent” e também está no “The X Factor” – diz que eles não proíbem ninguém de participar. “Se uma pessoa se inscreve no X Factor, é óbvio que ela quer mudar de vida”, explica.
Num site que agencia prostitutas, os preços de Chloe são 250 libras (cerca de R$ 680) por uma hora ou 1.600 libras (R$ 4.300) pela noite. No entanto, depois que entrou para o reality show, turbinou os valores: 400 libras a hora (R$ 1.080) e 2.400 libras a noite (R$ 6.500).
Mas os ingleses não foram tão condescendentes com Chloe como foram com Susan. Na noite deste domingo ela foi eliminada do “The X Factor” – ajudada pela divulgação de fotos suas cheirando cocaína.
Para quem quase gongou uma solteirona escocesa, até que Chloe foi longe demais.
Mas o que a história de Susan e Chloe tem a ver conosco? Mais do que vocês imaginam. Estamos prestes a trocar um senador romântico que cantava “Blowin´ in the Wind” para as fãs por um que entoa “Ana Tanajura” e bate em mulher.
Como será a convivência de ambos no Senado?
Esse é o nosso “X Factor made in Brazil”.

2010/09/27

O NOVO CAVIAR

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 09:30

A notícia de hoje vem do “The New York Times”: “Told to Eat Its Vegetables, America Orders Fries” (“Incentivado a comer vegetais, americano pede batatas-fritas”).
O jornal nos conta que a semana que passou foi cansativa para frutas, verduras e legumes.
Mesmo após duas décadas de iniciativas da área de saúde pública e propagandas como a da primeira-dama Michelle Obama – que criou uma horta orgânica nos jardins da Casa Branca – os americanos continuam comendo pouquíssimo vegetal.
De acordo com um estudo feito este mês pela agência do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, apenas 26% da população adulta ingere hortaliças três ou mais vezes ao dia.
Portanto, o desafio de mandar um agrião goela abaixo ultrapassou as fronteiras da saúde e virou assunto para a economia do país.
A indústria das cenouras-baby está tentando associar sua imagem à “junk food”. Além da embalagem – que lembra muito a de um “Doritos” – os fabricantes estão investindo pesado numa campanha publicitária cujo custo inicial é de 25 milhões de dólares.
A série de comerciais de 30 segundos – com um heavy metal rolando ao fundo – relaciona a aquisição da cenoura-baby a algo radical.
Além disso, a indústria alimentícia tem feito de tudo para tornar mais fácil o consumo de vegetais através da venda de legumes embalados ou bandejinhas com hortaliças já higienizadas e fatiadas, prontas para serem levadas ao micro-ondas.
Frutas, verduras e legumes – especialmente as produzidas a partir de sementes que são relíquias de famílias de agricultores tradicionais – estão se transformando em obras de arte.
Na quinta-feira passada uma das casas de leilões mais famosas do mundo – a Sotheby’s – promoveu um evento inédito: o “The Art of Farming” (“A Arte da Agricultura”), o primeiro do tipo na Sotheby’s de Nova York.
Depois do coquetel, das apresentações de chefs e de um jantar, o ponto alto foi o leilão de vegetais raros e exóticos.
Entre as estrelas do pregão, vegetais como a abobrinha “Lady Godiva”, o alface “Veado da Língua Vermelha”, o tomate do “Homem do Mar Preto” e a abóbora “Pink Banana”.
Os nomes são tão surreais quanto os preços: 1.000 dólares a caixa.
A festa arrecadou cerca de 250 mil dólares, que vão ajudar organizações de combate à fome, agricultores imigrantes e crianças sem acesso a vegetais.
Parece piada, mas o paradoxo é que cada vez mais vegetais e frutas são alimentos para poucos. Em São Paulo, na melhor das xepas, os mamões Papaya estão pela hora da morte: 1 por R$ 1.
Em breve também serão comercializados em butiques.

Assistam a um comercial das cenouras-baby AQUI

2010/09/26

A SETE PALMOS

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 09:37

Baseada em fontes como a revista “Newsweek”, a agência de notícias “Associated Press” e os jornais chilenos “La Tercera” e “El Mercurio”, a rede americana “Msnbc” publicou um relato interessantíssimo sobre como é um dia típico na vida dos 33 mineiros que desde 5 de agosto estão vivendo quase no centro da Terra.
A reportagem conta que uma das primeiras providências tomadas após o acidente foi enviar camas dobráveis – maleáveis o suficiente para deslizarem pelo buraco. Além disso, para manter o ambiente menos carregado, ao invés de fones de ouvido – que poderiam levar ao isolamento – foi providenciado um sistema de som.
Graças a uma linha de fibra ótica, são projetados filmes, notícias e partidas de futebol numa parede com cerca de 1,20m que faz as vezes de “telão”.
Os mais intelectuais encontram à disposição revistas, bíblias, livros e diários para escreverem.
Os cuidados com a saúde incluem exercícios físicos regulares – às vezes com a ajuda do vídeo de um personal trainer, às vezes sozinhos – e o envio de amostras de urina para análise.
Apesar disso, assim que o sistema de ventilação da mina foi aprovado, os fumantes receberam alguns cigarros.
Um dos soterrados foi eleito para ser uma espécie de gerente geral, outro está encarregado dos assuntos de saúde e um terceiro é o líder espiritual – Mario Gomez, de 63 anos, geralmente conduz as orações após o almoço.
As roupas sujas são enviadas à superfície pelo santo tubo. É por ele também que os familiares mandam cuecas limpas, camisetas e calças. Necessidades fisiológicas são feitas numa área separada da do trabalho e do dormitório.
Segundo Alberto Zamora – coordenador de saúde das equipes de resgate – o contato com a família através de cartas ou de vídeos é a hora mais sagrada para eles.
As refeições também são momentos de alegria. Curiosamente, a necessidade de adequar o cardápio ao tubo acabou restaurando a saúde de alguns deles.
Alguns precisam perder peso, outros engordar. Portanto, os nutricionistas têm elaborado uma dieta entre 2.000 e 2.500 calorias em cinco refeições – os mineiros são obrigados a tomarem quatro litros de água por dia.
Aos dois diabéticos é servido um menu especial.
No quesito trabalho, os mineiros se dividiram em três equipes – cada uma fazendo um turno de oito horas por dia. Em cada um desses times eles realizam as tarefas em duplas.
Segundo o psicólogo Al Holland – que presta serviços à Nasa e foi chamado para aconselhar os soterrados – é crucial para eles ter um afazer, e não um trabalho braçal.
Desta forma, os mineiros gastam seu tempo entre a manutenção do maquinário que lhes fornece eletricidade, melhorias dentro do “abrigo” e limpeza do cano que lhes proporciona contato com o mundo.
Apesar do aparente conforto, os mineiros nem sempre conseguem tudo o que pleiteiam. Em 18 de setembro – dia em que se comemora a Independência chilena – eles solicitaram uma garrafa de vinho. Não colou, mas valeu a tentativa.

Leiam a matéria completa AQUI

2010/09/25

ERRO DE CÁLCULO

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 10:50

Acaba de ser identificado um novo enigma na questão da luta contra a balança: a ordem em que os pratos são apresentados a uma pessoa faminta tem influência na avaliação calórica que se faz deles.
Não só isso. Quando um item saudável – como uma folha de alface ou um galhinho de brócolis, por exemplo – é acrescentado a um prato com hambúrguer e batatas-fritas a tendência é subestimarmos o número de calorias ali contido.
É o que o autor – o professor Alexander Chernev, da Universidade de Northwestern e da Kellogg School – define como o “Paradoxo dos Dietéticos”.
O estudo será publicado na edição 2011 do “Journal of Consumer Psychology”.
Chernev começa sua pesquisa com a seguinte pergunta: “Por que após 20 anos de protestos contra a obesidade nós continuamos a engordar?”. Uma das razões, segundo ele, é que “as pessoas pensam que comer uma maçã lhes dá o direito de atacar um pacote de batata-frita depois. Como é menos provável que uma refeição saudável promova o ganho de peso, as pessoas erroneamente acham que incluir um item natural diminui o poder engordativo do prato”.
O curioso é que essa impressão equivocada é mais recorrente entre os que têm mais cuidado com a sua dieta.
Numa das experiências, Chernev concluiu que a impressão dos participantes sobre o valor calórico de um cheeseburguer dependia do prato que havia sido mostrado anteriormente.
Os que viram o cheeseburguer primeiro pensaram que ele continha 570 calorias. Já os que viram uma salada antes foram mais cruéis e disseram que o cheeseburguer tinha 787 calorias.
Em outro experimento, Chernev pediu que 934 voluntários estimassem o conteúdo calórico de quatro refeições. Para cerca da metade deles foram mostrados pratos pouco saudáveis, como sanduíches com bacon e queijo e bife à parmegiana. Para a outra metade, os mesmos itens com o acréscimo de uma maçã ou de um pedaço de aipo.
Os do primeiro grupo estimaram sua refeição como tendo algo em torno de 691 calorias. Já a segunda turma, em 648.
Complicou, não? Triste descobrir que a fome e a vontade de comer andam mesmo juntas.

2010/09/24

CAÇA ÀS BRUXAS

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 09:53

São cada vez mais preocupantes as críticas de Lula à imprensa.
Enquanto na Venezuela até a arepa é administrada pelo governo e na Argentina tenta-se controlar a imprensa simplesmente sumindo-se com o papel-jornal, no Brasil vivemos tal Regina Duarte tempos atrás.
No mesmo dia em que cerca de 300 militantes se reuniram para um “ato contra a imprensa golpista” na sede do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (!), Lula voltou a bater nos jornalistas nesta quinta-feira em entrevista ao portal Terra.
Além de fazer com que fiquemos de antenas em pé no quesito liberdade de expressão, Lula deu declarações que devem ser lidas com um nariz de palhaço.
Abaixo, os trechos mais inacreditáveis da conversa com o Terra seguidos de breves comentários:

“Na campanha passada, os caras diziam porque o avião do Lula… porque o Aerolula… (Estavam) disseminando umas bobagens… vai despolitizando a sociedade”
Resposta: Se tem alguém aqui com pretensões de despolitizar a sociedade é o senhor, presidente. Já ouviu falar em “pão e circo”?

“Eu quero até que vocês coloquem em negrito isso aqui: eu duvido que exista um país na face da Terra com mais liberdade de comunicação do que neste país, da parte do governo”.
R: Claro, claro. Interessante falar em liberdade de imprensa. Mas só quando ela defende o governo, não é mesmo? Para louvar seus feitos o senhor já tem a TV Brasil.

“A imprensa brasileira deveria assumir categoricamente que ela tem um candidato e tem um partido. Seria mais simples, seria mais fácil. O que não dá é para as pessoas ficarem vendendo uma neutralidade disfarçada”.
R: Melhor não, presidente. O resultado pode não agradá-lo. Os milhões que votam no senhor não são jornalistas.

“Só existe uma possibilidade no meu governo de alguém não ser investigado. É não cometer erro. Se cometer erro, tem de ser investigado”.
R: Investigado ou afastado? Sempre que estamos diante de acusações – geralmente com provas – fulano é afastado. Erenice está aí para não me deixar mentir. Cite-me, presidente, as investigações feitas até o momento. E as condenações?

“Todo o mundo deveria agradecer a Deus o Brasil ser do jeito que ele é, o Brasil ter o governo que ele tem e ter o povo que tem. Eu lembro que o João Roberto Marinho, quando voltou da eleição do México passada, numa conversa que teve comigo falou: ‘Ô presidente, eu estava no México e foi de lá que eu aprendi a valorizar a democracia no Brasil. Porque, aqui no Brasil, todo mundo acata o resultado. Lá no México, eu vi um milhão de pessoas na rua contra o resultado eleitoral’”.
R: Que triste. Nossa sociedade é desmobilizada (ou enfeitiçada). E isso não é algo para se gabar, presidente.

“Deixa eu lhe falar… o Tiririca é um cidadão que representa uma parcela da sociedade brasileira. (…) Ele pode surpreender, sabe… Eu acho legal o Romário estar entrando na política, acho legal o Bebeto estar entrando na política, o Marcelinho (…) Todo mundo tem que se apresentar e o Congresso estará melhor representado”.
R: Então tá. E o gambá é que se vire.

Ajudado ou atrapalhado pela imprensa, a versão 7.0 do “Pai dos pobres” elegerá a “Mãe do Pac” no primeiro turno em 3 de outubro.
Sei lá, mas às vezes preferiria que o Brasil fosse órfão.

2010/09/23

MIND THE GAP

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 10:05

Ter os dentes da frente separados como Alfred E. Neuman – o famoso personagem da revista “Mad” – não é uma característica da qual seus portadores se orgulham. Há quem recorra ao uso de aparelhos ortodônticos ou até se submeta a uma intervenção para tampar o buraco com resina.
Geralmente vista como um defeito estético, a diastema (o termo “odontologicamente” correto) não é mais problema – especialmente no mundo da moda.
Segundo uma reportagem do “The Wall Street Journal”, agências de modelos, estilistas e diretores de casting começaram a enxergar nos modelos diastêmicos um diferencial.
“É o amor pela imperfeição e pela autenticidade”, diz Stefano Tonchi, editor-chefe da “W Magazine”. “Neste mundo altamente digitalizado, alguns valores são cada vez mais importantes para as gerações mais novas, como a originalidade e a autenticidade”.
Outras características que estão sendo consideradas “in” são tatuagens, piercings, cicatrizes e modelos albinos.
Em editoriais das revistas “Vogue” e “W”, bem como em anúncios de marcas famosas como “Chanel” e “Marc Jacobs”, dominam modelos com dentes separados.
Na nova campanha do jeans “Hudson” a garota-propaganda é uma representante da turma de “dentes aerados”: Georgia May Jagger – filha de Mick e Jerry Hall.
Até mesmo Lauren Hutton – uma supermodelo nas décadas de 70 e 80 – está trabalhando mais. Ela ilustra a capa da edição de setembro da revista “Condé Nast U.K. Love”.
A reportagem do “The Wall Street Journal” conta ainda que em muitas culturas africanas o dente separado é sinal de beleza.
Além disso, de acordo com as “leis medievais da Fitofisionomia” – que crê que os traços faciais de uma pessoa dizem muito sobre sua personalidade –, o espaço entre os dentes era um sinal de que a mulher era libidinosa e libertina.
O assunto passou das passarelas às galerias de arte. Atualmente está em cartaz na Sotheby’s de Nova York uma exposição de fotografias da modelo Lindsey Wixson feita pela fotógrafa Gabrielle Revere.
Apesar do oba-oba do mundo fashion em torno da diastemia, o Dr. Sheldon Peck – historiador e professor-adjunto de Ortodontia da Universidade da Carolina do Norte – afirma que a característica ainda é vista pela maioria como uma falha estética a ser corrigida, e não celebrada.
É verdade. Num mundo de Madonnas, Brigittes Bardot e Willians Dafoe é bem mais difícil ser Ed Motta ou Neusa Borges.

2010/09/22

A ÁRVORE DA FELICIDADE

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 10:12

A realidade nos mostra que dinheiro não dá em árvore. Mas não para alguns felizardos de Chicago.
Graças a uma experiência realizada por Amy Krouse Rosenthal, cerca de cem pessoas tiveram a oportunidade de colher um dos frutos mais raros (e saborosos) de que se tem notícia.
Amy é autora de livros infantis e teve a ideia de produzir o vídeo “Money Tree” só para notar a reação das pessoas ao passar por uma árvore carregada com notas de 1 dólar.
Em cada uma das notas Amy prendeu uma etiqueta com mensagens como “Ei, veja, dinheiro grátis!”, “É como um centavo achado – mas multiplicado por cem!”, “Não pergunte. Apenas aproveite!”, “Você não está orgulhoso de ter andado pela rua?”, “Algumas coisas simplesmente não têm explicação”, “Há bondade por todos os lados”.
Depois de pregar as cem cédulas aos galhos da árvore, foi o momento de se esconder e espiar o comportamento dos passantes.
Amy imaginava que a planta seria rapidamente atacada por pessoas que, sorrindo, encheriam os bolsos. Mas as reações foram variadas.
Uns tiram fotos e outros pegam o celular para dar a boa notícia a um conhecido. Uma dupla chegou inclusive a parar em frente à árvore para alertar os que percorriam a calçada.
A maioria, no entanto, simplesmente se desvia do “obstáculo” abaixando a cabeça. Outros nem chegam a reparar os frutos – como uma menina que estava com o carro estacionado ao lado da árvore. Ela abre a porta, quase engancha o cabelo no galho e não olha para cima.
O filminho – que tem duração de cinco minutos – parece ter sido realizado num bairro classe média / média alta, mas ainda assim merece comentários.
Erro mesmo apenas um: em certo momento é possível notar o microfone no alto da tela, o que sugere que se o cenário não estivesse montado a atitude das cobaias teria sido outra.
Como vocês reagiriam se encontrassem uma árvore de dinheiro pelo caminho? Colocariam tudo na cueca?

Assistam ao vídeo AQUI

2010/09/21

BANHO DE GATO

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 08:45

Falta de tempo não é mais desculpa para deixar de lavar roupa – ou no caso, a calça jeans. O álibi perfeito acaba de ser dado por especialista.
Numa reportagem para o “The Wall Street Journal”, Carl Chiara – diretor conceitual da marca e de projetos especiais da “Levi Strauss & Co.” – revela que o melhor para o jeans é ser lavado o mínimo possível. “O brim se molda ao corpo das pessoas. Quando você o lava, você perde parte dessa forma”.
O diretor pode até exercer um cargo com um nome pomposo, mas tem um espírito bem hippie: a matéria diz que ele lava sua calça duas vezes ao ano.
Carl prefere não usar a máquina de lavar. Segundo ele, além do desbotamento, a lavagem agita o tecido e causa um inchaço nas fibras do cottom. “É isso o que torna o fio tenso e curto, encolhendo o jeans e estragando seu aspecto”, explica ele.
É ainda em nome da qualidade do tecido que Carl evita o aquecimento – tanto através do enxague em água quente quanto na secadora.
Lavagem a seco também não é o caso. Carl não gosta de que a calça volte dura – e provavelmente com um vinco no meio. A justificativa: “O jeans deve ser usado no dia-a-dia e se parecer com a pessoa”. O dele, por exemplo, é desgastado no bolso da frente, onde ele costuma colocar chaves.
Mas, frisa a reportagem, “isso não quer dizer que o sr. Chiara nunca lave sua calça. Ele limpa pequenos pingos com a ajuda de uma esponja molhada debaixo da torneira da pia. No fim de cada dia ele pendura a calça no banheiro. Quando toma banho, o vapor renova o jeans”.
Após seis meses de uso Carl realiza uma limpeza geral. Ele enche uma bacia de uns 15 centímetros com água em temperatura ambiente, acrescenta duas colheres de sopa de sabão líquido, mergulha a calça sem dobrá-la e a deixa de molho por 20 minutos.
Carl tem sempre o cuidado de não esfregar o tecido. Enquanto a calça seca – pendurada pelas alças por onde passa o cinto – ele esfrega um sachê perfumado.
No caso de jeans escuros, ele acrescenta um pouquinho de vinagre à água. “O vinagre fortalece o índigo e previne o desbotamento”.
Quando o tempo está bom, Carl veste o jeans levemente seco e se senta sob o sol. “Essa fase final de secagem no corpo ajuda o jeans a tomar a minha forma”, explica.
Dizer que a calça de Carl anda sozinha não seria força de expressão.
Tão chocante quanto o pensamento e os métodos do diretor da “Levi Strauss” é uma reportagem realizada em Washington pelo mesmo “The Wall Street Journal”.
Questionados sobre em que ocasiões eles usam jeans, alguns entrevistados ainda acreditam que esse não é um tipo de roupa com o qual se deva ir à igreja ou ao teatro. Um conta que só veste jeans para dirigir seu trator na fazenda. Já outro crê que “para ir à casa de Deus é preciso usar algo mais formal”.

Assistam à matéria AQUI

2010/09/20

OSSO DURO DE ROER

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 09:21

Quem assistiu a “Tropa de Elite” deve se lembrar da cena em que Matias (André Ramiro) chega a uma oficina habitada por viaturas velhas e semiabandonadas. Apesar de capengas, ainda eram utilizadas pelos policiais.
Triste é reconhecer que nem precisávamos da ficção para saber que nossa polícia é desequipada e nossos heróis ultrapassados – tanto que Capitão Nascimento virou um semideus.
Enquanto as “otoridades” da lei brasileiras recauchutam motores e vivem pedindo para sair, as americanas se transformam em heróis de verdade. No caso, em Batman.
Batman – abreviatura para “Battlefield Air Targeting Man-Aided kNowledge” (algo como “Inteligência para Identificação e Apoio de Pessoal no Campo de Batalha”) é o nome do programa militar que tem como objetivo modernizar o equipamento usado pelas Forças Especiais dos Estados Unidos em missões secretas.
A ideia surgiu em 2004 e vem sendo desenvolvida na Base Aérea de Wright Patterson, em Ohio. Algumas novidades já estão em uso, outras são protótipos.
“Um soldado de elite carrega mais de 73 quilos de equipamento durante as missões”, diz Reggie Daniels, engenheiro na base de Wright Patterson.
A tralha inclui aparatos de comunicação como capacetes com display, um “headset” e um computador – além de diversas baterias para manter tudo funcionando. “Em muitos casos, os equipamentos obsoletos deixam os soldados carregados, o que os impede de tomar decisões importantes ou mesmo realizar tarefas manualmente”.
Daniels não entra em detalhes, mas conta que num caso particular, no Afeganistão, uma peça mal-inicializada matou diversos soldados. “O Departamento de Defesa não queria que incidentes do tipo acontecessem novamente. Assim nasceu o Batman”.
A versão militar da “Batcaverna” é o laboratório da Base Aérea de Wright Patterson. É lá que Daniels e seus colegas planejam, testam e integram tecnologia para turbinar as Forças Especiais.
Já o collant do superherói se transformou no que Daniels chama de “Chassis Humano”, que ajudou a reduzir em 25% o peso das baterias. Os soldados também receberam um computador que funciona preso ao peito. Ele propicia informações logísticas e táticas em tempo real e segue as instruções de seu usuários através de um reconhecedor de voz.
Segundo Daniels, o tempo gasto no campo geralmente é limitado pela duração das baterias. Pensando nessa limitação, eles adaptaram o gancho que Batman carrega no cinto. Essa espécie de “Bat Hook” permite que os soldados usem o cabo para conseguir energia na rede elétrica mais próxima. E mais: ele é capaz de converter corrente alternada em contínua.
Esses sim são os verdadeiros “osso duro de roer”.

2010/09/19

VIAGEM AO CENTRO DA TERRA

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:17

O drama dos mineiros chilenos soterrados há um mês e meio vem sendo acompanhado de perto pelo mundo.
Além de assistirmos à situação extrema e delicada em que eles se encontram, ficamos por dentro das fofocas – briga de ex-mulher com a atual e o nascimento de um bebê.
É o BBB do (sub) mundo real.
Tudo se torna ainda mais espetacular quando nos lembramos de que eles estão a quase 1 quilômetro de profundidade. Como respirar num ambiente desses?
Os pacientes de uma clínica situada numa mina de sal na Ucrânia podem dar seu testemunho.
A clínica de Solotvyno – localizada a mais de 300 metros de profundidade – oferece um tratamento para pessoas que sofrem de problemas respiratórios como asma ou bronquite e é considerada única no mundo porque a temperatura se mantém estável nos 22° C durante todo o ano.
O local recebe entre 3 e 5 mil pessoas anualmente e tem até fila de espera. Dos cerca de 200 pacientes que é capaz de hospedar de uma só vez, um terço é composto de crianças.
O tratamento dura em média 24 dias.
A mina começou a funcionar na década de 70 e desenvolve uma terapia baseada num método conhecido como “Speleo-therapy”, uma forma alternativa de cuidar de doenças do aparelho respiratório.
A “Speleo-therapy” foi descoberta nos anos 50, na Polônia, quando notou-se que os trabalhadores de uma mina de sal raramente sofriam de tuberculose.
Baseados nesta informação, cientistas descobriram que o ar impregnado de sal ajudava a dissolver os mucos dos brônquios e também matava micro-organismos que poderiam causar infecções.
Desde então, este tipo de tratamento se tornou comum no Leste e no Centro da Europa.
Segundo o relato do fotógrafo Kirill Kuletski publicado pelo site “Wired”, “a atmosfera é calma e relaxada – apesar das pavorosas condições. A presença de crianças usando capacetes de segurança e lençóis de plástico barato para protegê-las das goteiras torna tudo ainda mais surreal”, diz ele.
Situado a poucos passos da fronteira com a Romênia, o local emprega funcionários que falam três idiomas: russo, ucraniano e romeno.
Apesar de os médicos da clínica estarem convencidos dos benefícios do ar salgado, o site “Wired” menciona que especialistas ouvidos pelo jornal “The Guardian” em 2005 têm dúvidas sobre a eficácia da terapia.
Tão surpreendente quanto a situação dos mineiros chilenos é a pergunta feita pelo fotógrafo: para quê um espaço destinado a fumantes numa caverna que recebe pessoas que tentam se curar de problemas respiratórios?

Vejam as fotos AQUI

2010/09/18

OMBRO ONLINE

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 11:24

É crescente o número de páginas na Internet que prestam serviços pessoais, psicológicos ou afetivos aos leitores.
As opções vão desde deixar o número de telefone para receber uma ligação dizendo que você é o máximo (como o “Awesomeness Reminders”) até contar segredos anonimamente (caso do  “Compassion Pit” e do “PostSecret”, ambos já citados neste espaço).
Solidão, falta do que fazer, necessidade de desabafar ou de contar uma mentira, enfim, há uma série de possibilidades para o fenômeno.
Às vezes o ombro online vira até livro. Esse é o caso do “Secret Regrets”, que acaba de ser lançado.
O livro é resultado da compilação dos desabafos de um blog homônimo que começou em 2007 com as seguintes perguntas: “Qual o seu maior arrependimento na vida? Se você tivesse uma segunda chance para mudar algo ou fazer diferente, o que seria?”.
Kevin Hansen – o autor, um executivo da área de Marketing – conta que os mais de 500 mil visitantes renderam cerca de 10 mil posts ao blog.
A maioria dos desabafos tem como tema brigas de casais, casamentos desfeitos e mau relacionamento com os pais, mas alguns fogem do tradicional:

- “Se eu tivesse uma segunda chance não teria zombado da minha irmã por ela ser gorda quando éramos crianças. Agora eu é que sou a gorda. Acho que é o jeito que Deus encontrou para me punir”.
- “Se eu tivesse uma segunda chance arriscaria mais, viajaria, largaria o emprego, tentaria de tudo mais arduamente”.
- “Eu me arrependo do jeito que reagi quanto te vi no Walmart a primeira vez depois que paramos de nos falar. Em vez de ter fugido, deveria ter me aproximado de você e, na frente do seu melhor amigo, ter te dado um tapa na cara”.

O caso mais impressionante é de uma menina de 16 anos narrado na introdução do livro.
Kevin explica que a intenção da garota era se matar com uma overdose no Reveillon de 2010, mas voltou atrás após receber diversas respostas em sua postagem. Várias pessoas deixaram telefones e emails pedindo que ela entrasse em contato e desistisse da ideia.
O suspense durou 48 horas e culminou com um “Eu estou aqui”.

Segundo Kevin, o objetivo do blog é mostrar às pessoas como é importante olhar para trás para seguir em frente.
Nesses assuntos “Lair-Ribeirísticos” minha eleita ainda é a música dos Titãs, “Epitáfio”.

Ouçam AQUI

2010/09/17

TEM GENTE TIRIRICA POR AÍ

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 10:57

O auê em torno da candidatura de Tiririca está bonita de ser assistida de camarote.
Tiririca está conseguindo o que nem CQC, nem Pânico e nem Casseta & Planeta foram capazes: provocar a fúria dos candidatos através de uma reles piada.
A ideia de que um palhaço profissional possa vir a dividir com eles as cadeiras acolchoadas, beber do mesmo cafezinho e desfilar pelo mesmo tapete tem despertado os instintos mais primitivos.
Por quê? Primeiro porque a própria figura de Tiririca é repulsiva, mas especialmente porque ele representa o que 90% da população do Congresso é: um amontoado de chucros tentando posar de bacanas – negar Tiririca é negar sua própria existência.
A diferença talvez esteja no detalhe. Em vez da peruca mal-ajambrada exibida pelo palhaço, o cabelo pintado de acaju. Já o despreparo e o semianalfabetismo são mais difíceis de serem mascarados – basta uma enquete do CQC perguntando qual é a capital da Argentina.
Além do Ministro da Cultura – que disse que Tiririca “não está prestando um bom serviço à democracia” – vários candidatos se declararam contrários à possível presença do palhaço em Brasília. Entre eles, João Paulo Cunha: “O povo precisa entender que ser deputado não é brincadeira. Um sujeito dizer ‘vote em mim que depois eu te conto’, é uma zombaria com o povo”. E Mensalão é o quê, João Paulo?
No início da campanha foi difícil não se sentir frustrado e agredido com a campanha de Tiririca. Mas aos poucos a sensação de ultraje está dando lugar à expectativa. Afinal, o misto de humilhação e revolta que a vitória de Tiririca provocará em Brasília não terá preço.
Os políticos vão ter de engolir a comparação real a um palhaço – e desta vez, não por obra de humoristas.
De acordo com a assessoria do Ibope, uma pesquisa não divulgada aponta a vitória de Tiririca em São Paulo. Segundo o jornal “O Globo”, o resultado não foi publicado porque as pesquisas de intenção de voto para deputado não são registradas nos tribunais eleitorais.
Se isso é democracia, que o povo arque com as consequências. Porque pior do que tá, fica.

2010/09/16

O ÚLTIMO DOS MOICANOS

Arquivado em: Matutando — trezende @ 11:02

Neymar é o Ronaldo Fenômeno desta geração. Depois dos assobios, as vaias.
De algumas semanas para cá, só dá Neymar. Ele se desentendeu com colegas, adversários, xingou o técnico, rebolou para provocar, fez firulas, chegou atrasado à concentração e por aí vai.
Milton Neves chegou a dizer que “estamos criando um monstro no futebol brasileiro”, mas infelizmente Neymar apenas segue o caminho natural de nossos ídolos – especialmente os do futebol.
Basta uma breve passeada pelo Twitter do jogador. A maioria das mensagens vão na seguinte linha: “Acabou o treino e já jantei estou muito cansado! Hoje dormir logo após o lanche”; “Tudo feito …descanso , almoço , lanche… jaja hora do jogo !!”; “Acabei de jantar … agora no quarto vendo novela e arrumando o itunes!”; “Acabei de tomar café, vou voltar a dormir beijo galera!”.
Só um adolescente centrado e com uma base familiar e cultural estruturadas não piraria com uma rotina dessas. No caso de um menino que saiu do nada para o tudo, é previsível que o resultado seja esse.
Num dia, a realidade da favela. No outro, carros de milhões de dólares. Parece óbvio.
Com a cabeça “boladona”, a espinha acaba saindo por algum lugar: um pega travesti, outro se envolve com traficantes, outro tem fantasias sexuais com anões, outro mata (ou é acusado de matar) a namorada. Com o “Menino da Vila” não seria diferente.
No entanto, Neymar conta com um diferencial – o pai presente. Dizem que ele teria procurado ajuda de um psicólogo – fato negado pelo próprio jogador – e que estaria tentando contratar um assessor para controlar o Twitter do filho. Pelo que vimos acima, esse profissional parece não ter entrado em ação.
Sem o pai, a espinha já teria estourado há muito tempo e, talvez, revelasse um quadro bem mais feio. Por ora, Neymar está se rebelando dentro de campo.
Enquanto aguardamos os próximos capítulos, uma coisa é certa: nos bastidores, nosso ator vai levar uma chamada do papai e tomar umas boas palmadas no bumbum.
Começo a achar que Neymar deveria ter ido jogar no exterior – sair de cena no auge o deixaria imaculado como sonham a torcida e a opinião pública.

2010/09/15

O CÉU É O LIMITE

Arquivado em: Diário de bordo — trezende @ 10:14

Se Caracas é quase o Rio de Janeiro, o Monte Ávila é seu Pão de Açúcar. Porém, ao contrário do ponto turístico carioca, o passeio pelo “Warairarepano Sistema Teleférico” é muito mais emocionante.
Em vez de um único bonde, cerca de 65 carrinhos realizam o percurso de 2.150 metros até o topo da montanha. Não é apenas a altura que impressiona, mas a distância percorrida.
Durante o trajeto de 3,5 km, a certeza de que o Pão de Açúcar é genérico do Ávila – e não o contrário.
O sistema original do Warairarepano – inaugurado nos anos 50 – contava com cinco estações. Após um abre-e-fecha entre as décadas de 70 e 90, voltou a funcionar há dez anos com a ajuda do governo.
A paisagem estonteante pode ser apreciada com calma porque a subida é íngreme e longa – dura entre 15 e 18 minutos – chegando a causar pressão nos ouvidos.
Lá embaixo, uma extensa vegetação e vestígios de trilhas percorridas por aventureiros a pé ou de bicicleta. A sensação de frio vai aumentando a cada metro – algumas pessoas, mais prevenidas, sobem com casacos.
Já  no alto, a visita às atrações nem é tão necessária – a subida é bem mais radical e interessante – mas quem quiser pode conhecer a pista de patinação, tomar um café, petiscar algo nas diversas barraquinhas de comidas típicas, levar as crianças ao parquinho ou visitar as instalações do antigo Hotel Humboldt.
Dentre as opções de guloseimas, está a arepa, um bolinho com o formato do nosso sonho feito a partir de uma farinha de milho típica da Venezuela. Assada ou frita, salgada ou doce, a arepa é tradição.
O Monte Ávila abriga a filial de uma das “areperas” mais tradicionais da Venezuela: a “Arepa Socialista”. O nome não é jogada de marketing – a marca realmente pertence ao governo. A ideia é vender produtos a preços justos e ao alcance da população para resistir à especulação capitalista.
A “Arepa Socialista” tem dois preços: um para os socialistas (7,5 bolívares) e outro para capitalistas (20 bolívares).
Para quem ainda pensa que se trata de piada, uma informação: no caixa, a atendente solicita o número da cédula de identidade do comprador.
O motivo só ficaria claro hoje, após consulta a um blog chamado “Código Venezuela”. O autor conta que além de o cupom fiscal sair com o nome completo do cliente, as informações vão para a base de dados do “Registro Eleitoral Permanente”.
No rodapé do cupom, uma frase de Karl Marx: “A cada quien según su necesidad. De cada quien según su capacidad”.
Será que dentro de pouco tempo teremos a “Feijoada Socialista”? O “Churrasco Grego Socialista”? A “Caipirinha Socialista”? O “PF Socialista”?
Que Deus nos proteja.

Vejam algumas fotos AQUI

2010/09/14

DÉJÀ VU

Arquivado em: Diário de bordo — trezende @ 11:42

Pensem num Rio de Janeiro sem a Marina da Glória, o Cristo Redentor e as praias. Assim é Caracas.
A capital da Venezuela é quase o Rio. Igualmente abafada, montanhosa, violenta e com morros tomados por grandes favelas – ambiente propício para despertar em turistas e habitantes a mesma sensação de insegurança.
Esse quase Rio é um lugar peculiar. Ao mesmo tempo em que respira o ambiente tenso da criminalidade e enfrenta a carência de itens básicos – apagões são constantes devido à falta de manutenção na rede elétrica – oferece algo impensável para nós, brasileiros. Na terra de Chavez é mais barato encher o tanque do carro do que comprar um litro de água.
(A foto acima indica: 50 litros de gasolina por menos de 5 bolívares. Cerca de R$ 2).
O reflexo do preço do combustível é visível nas ruas: ônibus caindo aos pedaços, trânsito complicado, motoristas nervosinhos, estacionamentos a cada esquina e táxis sem taxímetro.
Portanto, vencer a longa distância que separa o aeroporto da capital é uma missão que requer paciência.
Mais de 20 quilômetros separam o Aeroporto Internacional Simón Bolívar da capital – que localiza-se no litoral. A paisagem da subida é muito parecida com a da Serra do Mar paulista. Após dois longos túneis e a visão de uma favela espalhada num morro, chega-se a Caracas.
Outra peculiaridade da cidade é que cada bairro tem suas próprias leis. Em áreas mais nobres e comerciais – como Chacao ou Sucre – é proibido falar ao celular ao volante, andar sem capacete, buzinar ou atravessar fora da faixa de pedestres. Mas basta cruzar uma linha imaginária e se dirigir para a região de Petare que a história ganha outros contornos.
Petare é a maior favela da cidade e, dizem os habitantes, é também a maior da América Latina.
Além de ter sua Rocinha, Caracas conta também com uma versão genérica do Pão de Açúcar: o teleférico do Monte Ávila, um dos poucos passeios turísticos que a cidade oferece (e que será mais explorado no próximo capítulo).
De fato, a paisagem da capital venezuelana é um déjà vu para basileiros que já visitaram o Rio. Resta-nos torcer para que essa sensação não se estenda ao cenário político. E que venha 3 de outubro!

2010/09/08

PROCURA-SE

Arquivado em: Diário de bordo — trezende @ 17:47

VOU DE TÁXI

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:12

Adoro gente que faz. Layne Mosler é mais uma que entra para a lista.
A jornalista e viajante americana poderia tranquilamente servir de personagem para a antiga propaganda do Bamerindus: “Layne é gente que faz”.
Há cerca de três anos ela criou o “Taxi Gourmet”, blog que um desavisado classificaria como  “gastronômico”. No entanto, o “Taxi Gourmet” é uma mistura de jornalismo, turismo e comportamento, já que a autora descreve suas incursões por restaurantes de várias cidades do mundo a partir de dicas dos taxistas.
Layne é da Califórnia e nasceu numa família de açougueiros, padeiros, “fazendeiros falidos” e ótimos cozinheiros. Aos 17 anos já trabalhava num restaurante e tinha a ideia de abrir o seu próprio.
Após a primeira viagem internacional para a Rússia, seu interesse antropológico por comida aflorou. Mas foi quando se mudou para Buenos Aires que surgiu a ideia do blog.
Um dia, saindo de uma casa de tango, acenou para o primeiro taxista que passou e pediu que ele a levasse ao seu restaurante preferido – acabou frente a frente com um prato de filé mignon.
Layne gostou da brincadeira e descobriu que os taxistas conhecem a cidade melhor do que qualquer guia de gastronomia. “Percebi que eles sabem comer bem pagando pouco e em lugares que não constam nos guias”.
Após alguns anos vivendo na capital argentina – e já com uma certa dificuldade de encontrar palavras para descrever um bife –, Layne mudou-se para Nova York no ano passado.
A variedade de restaurantes da cidade a conduziu a dar uma turbinada no projeto: dentro de pouco tempo ela se tornou motorista de táxi em Nova York.
Através das experiências em Buenos Aires, Nova York e Berlim (onde Layne está atualmente), ela conclui que nem sempre o taxista indica um restaurante de sua nacionalidade. Outro dado curioso é que eles nunca entram para comer – alegam falta de tempo.
No início Layne também tinha um critério para a escolha do motorista: geralmente selecionava os mais velhos, os que portavam uma barriguinha ou os que tinham cara de que sabiam comer bem. Mas depois chegou à conclusão que podia se arriscar, embarcar no carro de um garoto de 20 anos e saborear um ótimo hambúrguer.
Atualmente, além de estar num processo de transformar o blog num livro, Layne planeja estender suas aventuras para outros países e está em busca de colaboradores em cidades como Nova Orleans, Montreal, Tóquio, Paris e Melbourne. A ideia é tornar o blog interativo, com pessoas narrando suas experiências por texto, podcast ou vídeo.
Quem se anima?

Conheçam o blog de Layne AQUI

P.S.: nos próximos dias estarei em Caracas. Algum recado para o nosso amigo Chavez?
Novos posts a partir de 14/09. Até!

2010/09/07

TE CUIDA, JUSTIN BIEBER

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 09:59

Nem mesmo a histeria em torno da escapulida do peito de Janet Jackson no intervalo do “Super Bowl” em 2004 foi capaz de acabar com o moralismo americano.
Uma matéria publicada no site do jornal “San Francisco Gate” mostra que a busca pelos “bons costumes” segue firme e forte.
O texto “Afghanistan’s dirty little secret” (algo como “O Segredinho Sujo do Afeganistão”) conta que os soldados ocidentais estão chocados com certas cenas que têm presenciado nas ruas afegãs e com o resultado do estudo de uma cientista social sobre a sexualidade dos “Pashtun”, a mais importante tribo do país.
A reportagem diz que tem sido comum os soldados encontrarem homens mais velhos de mãos dadas com garotos. O comportamento deles, no entanto, sugere algo mais do que uma relação entre pai e filho.
Encucado com a história, o Departamento de Defesa contratou AnnaMaria Cardinalli para examinar o mistério. O relatório “A Sexualidade dos Pashtun” revelou que há séculos os homens afegãos da tribo dos Pashtun em Kandahar e em outras cidades do sul usam meninos entre 9 e 15 anos como amantes.
Segundo a pesquisa, esses senhores têm até nome: são os “bacha baz”, termo que literalmente significa “boy player”.
A repulsa ocidental só seria justificável se nos Estados Unidos ou mesmo na Inglaterra não existisse homossexualidade ou atores sendo presos em banheiros públicos por atos “impróprios”.
“Ter um garoto se tornou um costume para nós. Quem quer se mostrar precisa ter um”, diz Enayatullah, um homem de 42 anos a uma repórter da Reuters.
Em Kandahar, festas dançantes são frequentes. Nelas, os garotos se vestem como mulheres – usando maquiagem e sinos nos pés – e dançam para seus senhores, que jogam dinheiro e os levam para casa.
Sociólogos e antropólogos não tiveram dificuldades para identificar o origem deste comportamento: a interpretação das leis islâmicas transforma as mulheres em seres inacessíveis. Os homens não podem se comunicar com uma que não tenha parentesco com eles – a não ser que a peça em casamento. Antes disso, não conseguem olhar sequer para o rosto ou o tornozelo delas.
“Como se apaixonar se não podemos ver nem a face? Pelo menos podemos ver a dos garotos”, diz Mohammed Daud, um jovem de 29 anos.
A expressão preferida destes afegãos é que “mulheres são para ter filhos, meninos são para o prazer”.
Os líderes religiosos fundamentalistas exageram na passagem bíblica sobre a menstruação e ensinam que as mulheres são impuras e desagradáveis.
As leis islâmicas proíbem a homossexualidade, mas os “boy players” têm uma explicação na ponta da língua: não se trata de viadagem porque eles não se apaixonam pelos garotos.
A matéria termina com a frase de um menino à Reuters: “Quando eu crescer, vou ser dono e terei meus próprios garotos”.
Esse mundo está perdido? Não sei, mas os americanos têm uma ferida no nariz e precisam tratar de cheirá-la.

Leiam a matéria completa AQUI

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