O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2010/08/26

O SERTÃO VAI VIRAR MAR

Filed under: Cri-crítica — trezende @ 10:10

O cinema brasileiro parece ter descoberto um novo filão: o dos filmes para adolescentes. Cientes de que os vampiros estão dominando geral e que a novelinha “Malhação” é sucesso a cada nova temporada, os diretores e roteiristas têm voltado os olhos para essa nova temática. Sem deixar de lado a violência – que é nossa escola.
O saldo tem sido favorável. Podemos dizer – até com uma certa ponta de alegria – que temos realizado filmes adolescentes de qualidade superior aos violentos. Três exemplos recentes confirmam a tendência: “À Deriva”, de Heitor Dhalia; “As Melhores Coisas do Mundo”, de Laís Bondansky; e este “Antes que o Mundo Acabe”, da diretora gaúcha Ana Luiza Azevedo.
A história se passa na fictícia Pedra Grande, no interior do Rio Grande do Sul, e é jocosamente narrada por Maria Clara, a irmãzinha do protagonista Daniel. A menina passa boa parte do tempo em casa, entre lápis de cor, maquiagens e bonecas, mas sua sensibilidade a transforma no olho que tudo vê.
“Antes que o Mundo Acabe” é uma história sobre a confiança – ou a quebra dela.
Daniel tem 15 anos e começa a se dar conta de que a namorada pode não ser tão namorada assim e que o melhor amigo pode ser amigo-da-onça. Para completar, um pai ausente resolve renascer das trevas. Ou melhor, da Tailândia.
Enquanto “As Melhores Coisas do Mundo” mostrava todos os “gadgets” tecnológicos da nova geração e seus dramas característicos – como o “bullying” –, “Antes que o Mundo Acabe” passa à margem de tudo isso. Parece parado no tempo. É bem mais fresco, interiorano e, nesse sentido, se aproxima mais de “À Deriva”.
Daniel é um adolescente comum que se locomove de bicicleta e tem diversões tão simples quanto jogar jabuticabas em quem navega pelo rio Caí ou ajudar o padastro a fazer pão caseiro.
Além da linda paisagem – das cidades de Taquara, Rolante e Santo Antonio da Patrulha – o filme tem diálogos inteligentes e se desenrola com naturalidade. Mas “Antes que o Mundo Acabe” inova mesmo é na montagem – misturando cenas às fotografias tiradas pelo pai do protagonista na Tailândia.
O título do filme é o mesmo do livro em que o longa se baseou, de Marcelo Carneiro da Cunha.
Na obra do autor gaúcho, o projeto de um grupo de fotógrafos de todo o mundo – do qual o pai de Daniel participa – é registrar o mundo como ele é, antes que tudo acabe. “Antes que a globalização faça tudo virar shopping. E quando o mundo virar shopping, um plantador de arroz no Mekong, um garoto de subúrbio em Shangai ou em São Paulo, uma dona de casa no México, em Los Angeles ou na Malásia, todo mundo vai vestir a mesma coisa, comer o mesmo tipo de fast food, chorar vendo o DiCaprio afundar com o Titanic”.

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1 Comentário »

  1. Olá!
    Boas novas, adoro cinema e ando meio “atrasado” com a produção nacional! A conferir.
    Abção,
    Adh

    Comentário por Adh2bs — 2010/08/27 @ 15:30


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