O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2010/08/14

SAQUINHO DE MALDADES

Filed under: Cri-crítica — trezende @ 10:34

“Meu Malvado Favorito” é a segunda melhor animação do ano – só perde para “Toy Story 3”.
O trabalho de estreia da “Illumination” – uma parceria entre a “Universal” e a “Fox Animation” – se dá em grande estilo graças a uma conjunção de acertos. É um filme curto, inteligente, sem lições de moral e que desperta nas crianças – e em nós – o instinto mais primitivo: a crueldade.
Portanto, não espanta que no fim-de-semana de estreia tenha ficado em primeiro lugar nas bilheterias nacionais.
O mérito também reside na decisão corajosa de colocar um vilão carrancudo como protagonista (Gru, diminutivo de “gruesome”: “repugnante”). Os “Minions”, criaturas amarelas extremamente simpáticas, servem como contrapeso.
O surrealismo da premissa de “Meu Malvado Favorito” garante que certos pais chatos e xiitas acusem o filme de louvar o mal ou incitar à criminalidade (aguçada ainda mais pela música-tema interpretada pelo rapper Pharrell Williams).
O tom politicamente correto está assegurado num argumento tão absurdo quanto a imaginação dos pequenos: os vilões-protagonistas têm como alvo de seus roubos importantes pontos turísticos mundiais. Um deles subtrai a pirâmide de Gizé, no Egito, e a substitui por um inflável gigante. Daí em diante eles “partem pras cabeças”: o objetivo passa a ser roubar a Lua.
Assim como na maioria das animações, há diversas piadas e ironias só captadas pelo público pagante: os pais. A certa altura, Gru precisa de um financiamento para bancar sua viagem à Lua e procura o “Bank of Evil” (“Banco do Mal”), cuja placa indica: “antigo Lehman Brothers”.
Triste é ter de suportar tantos filtros. O primeiro, o próprio título: “Meu Malvado Favorito” é, na verdade, “Despicable Me” (ao pé-da-letra, “Eu, Desprezível”). O segundo, confirmando uma tendência, é a dificuldade de encontrar salas com cópias legendadas. Perde-se assim uma das grandes atrações do filme: Steve Carell como Gru.

O site do filme vale uma navegada. Cliquem em “Enter the site” AQUI

Há também o “Grugle”, o genérico do “Google”. Vejam AQUI

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4 Comentários »

  1. Minha querida cri-crítica Tati, pois é, eu vivo esse dilema. Será que é recomendável para minha pequena? Até onde esconder a violência das crianças no mundo de hoje é importante? Eu prefiro acreditar que o mundo do faz-de-conta, do fantástico, da fantasia vão prevalecer. Enfim, acho que a violência está presente do interior de cada um de nós.Cabe aos pais conscientes, educarem seus filhos para a não violência, para um convívio harmônico entre os seres viventes nesse planetinha azul. O futuro nos dirá se acertamos ou erramos. E vamos ao cinema… vida que segue…

    forte abraço

    C@urosa

    Comentário por caurosa — 2010/08/14 @ 11:41

  2. Eu, fã de novelas e seriados japoneses, aprendi uma coisa: quem não quer filtros é melhor se valer dos downloads ou ir morar no país de origem das coisas que gosta.

    Porque, sem filtro cultural, as coisas não vendem (uma pesquisa sobre toda a história por trás da franquia Power Rangers e sua contraparte japonesa, os Super Sentai, dão uma ideia muito boa disso).

    Além do mais, para quantas pessoas é relevante a voz do Steve Carrell nesse filme? Eu chuto que apenas para cri-críticos de cinema. O grosso do público pagante só quer um filme divertido (e, sinceramente, é uma preferência bem legítima).

    Lógico, tem também um pessoal mais metido que iria A-D-O-R-A-R esfregar na cara de quem viu a versão dublada “Ah, não sei como tem gente que suporta ver isso sem a voz de garbo do Steve Carrell”.

    O problema não é a falta da voz do Steve Carrell em si (só para me ater ao exemplo do post), e a falta de OPÇÃO. Nessas situações eu sempre viro pra quem reclama e digo “É chato pra caramba, né?”, porque eu sei bem. Antes a situação era oposta, vários filmes eram distribuídos somente com cópias legendadas e quem prefere cinema dublado ficava chupando dedo. A diferença é que a imprensa fazia questão de nem se lixar para isso (por razões óbvias).

    E, sendo bem sincero, o que você chamou de “filtro” eu chamo de marketing. Quantas pessoas teriam sua atenção despertada por um título tão insosso quanto “Eu, Desprezível”? Acho que só esse pessoal que bate ponto nos circuitos de cinema alternativo…

    Comentário por Feliipe Nasca — 2010/08/14 @ 13:15

  3. Caro Feliipe,
    eu, fã de cinema, aprendi uma coisa: o principal problema nos filmes dublados não é a falta da voz “de garbo” de Steve Carell (e não Carrell, como você escreveu acima), mas no fato de que neste processo de adaptação várias piadas “intraduzíveis” perdem a graça. Sem falar que o próprio áudio (oco) provoca uma sensação de vazio.
    E, sendo bem sincera, o que você chamou de “marketing” eu chamo de filtro.
    Abraços,
    Tatiana.

    Comentário por trezende — 2010/08/15 @ 10:52

  4. Oi!
    Parece interessante o filme, estou numa fase de apoiar tudo que esteja contra a maré (ou tsunami) do “politicamente correto”. Valeu a dica.
    Bjão,
    Adh

    Comentário por Adh2bs — 2010/08/16 @ 12:29


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