O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2010/07/25

O POTE DE LEITE

Filed under: Matutando — trezende @ 09:07

Uma frase atribuída a João Saldanha diz: “Se macumba ganhasse jogo, o Campeonato Baiano terminaria empatado”.
Pensamento semelhante acontece quando o assunto são as pesquisas de intenção de voto. Se elas definissem alguma coisa, não precisaríamos realizar eleições.
Há censura, soy contra, mas as pesquisas bem que poderiam ser proibidas. Não porque influenciam o voto de indecisos, desinformados, desiludidos ou indiferentes, mas porque agem como instrumento de tortura para quem lê jornal ou zapeia pelos noticiários.
Não somos obrigados a ouvir praticamente todas as semanas, durante meses, frases como “a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos”.
Curiosamente, mesmo com o bicho pegando nas editorias que cobrem violência, a maioria das publicações dá amplo destaque aos levantamentos do Ibope, Datafolha, Vox Populi e outros. Nos jornais, são páginas e mais páginas envolvendo números nos maiores Estados do país, gráficos, “avatares” coloridos dos candidatos, explicações sobre a metodologia, quantas pessoas foram entrevistadas, enfim, um verdadeiro dossiê do voto.
Há ainda outro detalhe nessa praga: as simulações de segundo turno. Não contentes em colherem uma INTENÇÃO de um cidadão, os institutos fazem todos os cruzamentos possíveis para chegarem a um resultado tão fantasioso quanto os quadros que pintaram e apresentaram às vítimas.
O trabalho dos institutos de pesquisa lembra muito a história da menina e do pote de leite: ela vai vendê-lo para comprar ração para a vaca produzir mais, vender mais leite, comprar galinhas que vão botar tantos ovos por dia… Tudo acertado. Só falta combinar com o Fluminense.
Tão torturante quanto as pesquisas são os debates – apresentados como um grande espetáculo pelas emissoras de TV.
Os candidatos poderiam ser os mesmos das últimas eleições para prefeito, governador ou presidente que nem notaríamos. Nenhuma novidade, tudo politicamente correto e chatíssimo. Um fala, o outro “replica” e o um “treplica”. A gente só “tremelica”.
Terminado o debate, novas pesquisas são feitas a fim de descobrir o vitorioso e o derrotado.
E assim fecha-se o ciclo.
Que outubro chegue logo.

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9 Comentários »

  1. Não tenho dúvidas de que, no Brasil, o resultado de pesquisas tem influência sobre o voto dos indecisos. Há 2 motivos:
    “Se a maioria pensa que é a melhor opção, então deve ser mesmo”
    “Eu só voto em candidato vencedor!”
    Matematicamente:
    Falta de personalidade + falta de informação = falta de competência para votar

    Comentário por Ricardo Rezende — 2010/07/25 @ 09:55

  2. Perfeito. Essas estatísticas são um “torturante band-aid no calcanhar”. Além de previsíveis, dependendo do Instituto.

    SE AS ELEIÇÕES FOSSEM HOJE… Tati estava eleita. Blog querido!

    Beijocas.

    Comentário por Selma Barcellos — 2010/07/25 @ 10:17

  3. Ba! Falou tudo! É simplesmente insuportável!!! Dá calafrios só de pensar.

    Comentário por Letícia Costa — 2010/07/25 @ 11:00

  4. Não tenham dúvida,se votar tivesse que pagar,candidatos morreriam de fome.

    Comentário por Juventino — 2010/07/25 @ 11:40

  5. Sou absolutamente contra a divulgação de pesquisas. Elas poderiam ser feitas, mas apenas para consulta interna dos próprios canditados, sendo proibida a sua divulgação. A razão, óbvia, é a influência dos resultados na inteção de voto da MAIORIA das pessoas. O que ocorre é uma polarização dos votos, uma vez que muitos deixam de votar no seu candidato, não para eleger um, mas para evitar que o “outro” seja eleito.

    Na minha opinião, pesquisas eleitorais prejudicam bons candidatos, mas porque não estão bem nas pesquisas, perdem inclusive o voto dos seus simpatizantes. É um ciclo VICIOSO que só faz mal à democracia.

    Comentário por Wesley — 2010/07/25 @ 12:31

  6. Correndo o risco de ser chamado de “alienado” (e não dando a menor importância para isso), eu sempre digo que pesquisas de intenção de voto e debates entre candidatos são coisas completamente inúteis. E aqui eu pinto “utilidade” como sinônimo de “benefício”, porque serventia essas coisas têm, mas para poucos… e para fins não benéficos, aposto.

    Comentário por Felipe Nasca — 2010/07/25 @ 12:50

  7. Ler novamente comentario da Selma. Faço delas, minhas palavras, na integra

    Comentário por picida ribeiro — 2010/07/25 @ 17:50

  8. Olá, Tati.
    49,2% dos leitores deste blog acham ele o máximo; 50,8% acham superbe. Ja 37,3% adoram você, 62,7% idolatram. E não tem margem de erro!
    Tá vendo, pesquisa não é tão chato assim…
    Abração, ótima semana!
    Adh

    Comentário por Adh2bs — 2010/07/25 @ 22:46

  9. Ótimo texto, Tatiana! Parabéns!
    Também questiono a influência das pesquisas nas intenções de voto e nos resultados dos pleitos. Não sou simpático à censura, mas não descarto a proibição de suas publicações.
    Na verdade, muita coisa precisa ser debatida em relação à nossa jovem democracia representativa: as pesquisas, a obrigatoriedade do voto (sou contra! voto facultativo já!), os critétios que estabelecem o número de vereadores, deputados estaduais e federais, as distorções da representatividade em diferentes UF’s etc.

    Comentário por Eduardo Magera — 2010/07/26 @ 20:57


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