O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2010/07/24

POBRES E LIMPINHOS

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 09:31

Pode ser injusto traçar o perfil de um povo só pelo o que dizem dele. Há inúmeros interesses envolvidos – dos econômicos às “lendas urbanas” – além de uma desinformação geral.
Da mesma forma, podem ser falsos ou tendenciosos os dados oficiais – por motivos óbvios.
Estrangeiros que nunca estiveram no Brasil podem traçar um perfil do nosso povo com a ajuda de duas ferramentas: as pesquisas comportamentais e as nossas frequentes reações acaloradas.
Quem seria o brasileiro? Segundo esses dois critérios, um ser pobre, limpinho e que não suporta ouvir uma verdade.
Vamos aos fatos:
Uma pesquisa feita em dez países por uma empresa internacional de consultoria mostrou que o brasileiro é o povo que mais toma banho no mundo. São 19,8 banhos por semana – cerca de 2,8 por dia.
Já o recém-divulgado relatório sobre desenvolvimento humano elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) constatou que o Brasil é o terceiro mais desigual do mundo. Concentração de renda pior só na Bolívia, em Camarões e Madagascar (1º lugar) e no Haiti, na Tailândia e na África do Sul (em 2º).
Outro fato da semana que acabou dominando o Twitter foi Sylvester Stallone. O ator gerou a tag  “Cala a boca Sylvester Stallone” depois de suas declarações sobre o Brasil durante entrevista para divulgação do filme “Os Mercenários” (quanta ironia):
“Gravar no Brasil foi bom, pois pudemos matar pessoas, explodir tudo e eles (os brasileiros) dizem obrigado”. O ator também comentou o símbolo do Bope: “os policiais de lá usam camisetas com uma caveira, duas armas e uma adaga cravada no centro; já imaginou se os policiais de Los Angeles usassem isso? Já mostra o quão problemático é aquele lugar”.
Por menos direito que o ator tenha para falar mal do país ou por mais antipático que tenha sido, infelizmente ele só disse verdades.
Mas quem quiser entender a alma do brasileiro e não puder se basear em pesquisas ou nas reações apaixonadas que temos, basta ouvir o brasileiro-mor, Lula.
Ontem, durante discurso em Feira de Santana, saiu-se com essa: “Pobre gosta mesmo é de luxo, gosta de se vestir bem, comer bem, morar bem e beber bem. Esse negócio de que pobre não gosta de coisa boa é invenção de rico. Que ver? Coloca uma garrafa de uísque ao lado de uma cachaça para você ver”. E disse mais: “Pobre gosta tanto de azulejo, que se pudesse colocava azulejo em todos os lugares da casa, inclusive na cama, para dormir em cima dele”.
Só tomando três banhos por dia. Para esfriar a cabeça.

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8 Comentários »

  1. Mas é difícil não se ofender quando falam mal do nosso país. São verdades, mas, talvez, seja a maneira como dizem certas coisas ou quando quem diz não tem lá grandes exemplos pra dar. Lá, como aqui, existe abismos entre ricos e “menos pobres” e a polícia, apesar de não usar caveiras nas fardas, mata tanto quanto aqui. Além disso, quem fala mal de nós se esquece de colocar as coisas num contexto mais amplo.

    Dentre os fatores que nos fazem pobres, as pressões econômicas e até militares dos países ricos é das mais importantes. No passado, os “ricos” emprestavam dinheiro à juros extorsivos e diziam exatamente onde poderíamos investir o capital. E era sempre em áreas que não pudessem produzir concorrência econômica com eles. Só pra citar um exemplo, os investimentos em transportes terrestres no nosso país sempre foram voltados para rodovias, quando as “ferrovias” eram a melhor opção. E por quê? Os ricos condicionavam os empréstimos à importação de caminhões. Com isso nosso custo de produção continuava alto comparado com o deles.

    A questão não é que nós não temos defeitos, mas quando eles falam, parece que só nós é quem temos e eles não têm culpa alguma.

    Comentário por Wesley — 2010/07/24 @ 10:40

  2. Stallone tem direito de achar e falar o que quiser. Pode não ter sido simpatico, mas foi realista.
    Agora Lula fez uma analise muito rasa, mesmo para um presidente sem instrução escolar.
    As suas teorias sobre os prazeres dos pobres, talvez tenham sido para justificar, porque assim que pode ele vendeu a alma ao diabo, para deixar de ser um deles, e para completar o triste comentario, comparar que pobre prefere uisque a cachaça, como se pobre só pensasse em beber. Porque não dizer: pobre prefere filé mignon ao inves de acem, croissant ao inves de pão amanhecido?
    Quanto aos azulejos, dizer mais o quê??

    Comentário por picida ribeiro — 2010/07/24 @ 11:13

  3. Para mim o brasileiro é o povo que mais se acha (criativo, esperrrto, descontraído, habilidoso e por aí vai). Talvez seja por isso que o país nunca se encontre.

    E depois o pessoal ainda fala dos argentinos…

    Comentário por Ricardo Rezende — 2010/07/24 @ 12:27

  4. Minha cara amiga Tati, realmente, temos que ser limpinhos, já pensou? se com o calor que faz por aqui, nós ainda não tomássemos muito banho? O Senhor “Stalonge” não pode falar muito não, pois não pagaram a conta dos estragos que fizeram por aqui. Fernando Meireles que o diga! Essa do Lula, ele “colou” do Joãosinho Trinta, o “home” é burrão só sabe colar.

    forte abraço

    C@urosa

    Comentário por Caurosa — 2010/07/24 @ 14:25

  5. Eu aposto que o grande cutucão no comentário do Stallone foi algo que ele supostamente disse mas não está presente nesse post. “Você faz o que quiser e eles AINDA TE DÃO UM MACACO DE PRESENTE”. Isso foi um exagero irônico, obviamente. Mas deu margem à interpretação de que todo o Brasil é habitado por aborígenes cujo bem de maior valor seria um macaco raro ou um… coqueiro, sei lá.

    Eu achei o Stallone boçal por ter dito isso. Aliás, confirmei que ele é boçal, pois sempre achei isso. O único filme dele que gostei foi “O Demolidor”, em que ele é um policial boçal congelado em câmara criogênica e despertado no futuro para combater um ladrão do passado também boçal.

    Mas não senti a menor raiva, pois por outro lado há sim uma supervalorização do “gringo” aqui no Brasil. Em São Paulo pelo menos, “gringo” já até virou sinônimo de coisa boa, extraordinária: “Cê foi naquela festa sábado? Gringa, hein!”. Paralelamente, a expressão “Aí já virou Brasil, né?” é muito forte. E nem preciso dizer o que ela significa.

    Então, por um lado foi bom o Stallone ter dito isso. Quem sabe assim não diminua essa babação de ovo em cima de qualquer estrangeiro que ponha os pés aqui (claro que não diminuirá)? Ou que parem de usar essa ridículo desculpa de “só a gente pode falar mal do Brasil” para continuarem esculachando de modo tão infantil como quando usam a expressão que eu citei antes.

    E toda essa história só mostra como a visão de alguém que não se interessa verdadeiramente pela cultura de um país é irrelevante. Até mesmo da mídia “profissional”, basta ver a patacoada que foi a tentativa de mostrar qualquer coisa da cultura sul-africana durante a Copa do Mundo.

    Comentário por Felipe Nasca — 2010/07/24 @ 17:18

  6. “Um país que tem um povo como vocês, que elege um presidente da República que só tem estudo até o 4º ano primário, é um povo porreta demais, de muita fé, porque vocês apostaram num capiau como vocês.”
    (LULA,EM FEIRA DE SANTANA(BA),ONTEM)

    Diante de tal diagnóstico presidencial, Stallone merece a fogueira?

    Beijocas.

    Comentário por Selma Barcellos — 2010/07/24 @ 18:11

  7. Ô, gente…
    Stallone foi fazer um teste de QI. O resultado foi:
    “Você é uma pedra”.
    E esse cara pode vir aqui falar abobrinha? Ainda que seja verdade; não é problema dele além da baita falta de educação, porque nosso dinheirinho e paisagens (cenários) servem pra ele, né?
    E aí vocês implicam com a “nossa” Pedra-mor… Daqui a pouco ele vai embora!
    Abçs,
    Adh

    Comentário por Adh2bs — 2010/07/25 @ 22:54

  8. Lula – inspirado em Joãosinho Trinta, como bem lembrou “Caurosa” – tem boa parcela de razão. E Stallone também não está tão equivocado assim.
    É difícil quando somos obrigados a ouvir certas “verdades”… Mas concordo com o que observaram acima: há diferentes maneiras de fazê-lo, e o astro estadunidense não parece primar pela delicadeza…
    O brasileiro não pode ser definido por nenhuma dessas visões simplistas. Nenhum povo pode. Felizmente, o Brasil é uma fantástica amálgama de diversas culturas e religiões de todos os cantos do mundo, que não pode ser reduzida indiscriminadamente – ainda mais por estereótipos tão desfavoráveis…
    Em tempo: como as falas do Lula incomodam!

    Comentário por Eduardo Magera — 2010/07/26 @ 21:18


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