O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2010/07/04

CASA BRANCA OU CASA ROSADA?

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 09:52

Neste 4 de julho falemos sobre algo que depois da Estátua da Liberdade talvez seja o maior símbolo dos Estados Unidos: seu presidente. Ou seria presidenta?
O papo é meio estranho, mas de acordo com um artigo publicado na semana passada no jornal “The Washington Post”, Obama é o primeiro presidente feminino daquele país.
Em “Obama: Our first female president”, a jornalista Kathleen Parker diz que Barack pode estar sofrendo do que ela chama de “déficit de testosterona retórico” quando tem de lidar com crises.
“Não é que ele não seja cowboy o suficiente, como alguns sugerem. O approach feminino é no sentido mais comum. Nós o avaliamos de acordo com nossas expectativas culturais, e ele não está causando a ansiedade dos machos-alfa”, escreve ela.
Segundo Kathleen, as mulheres ainda são punidas quando tentam aderir a algumas normas de gênero. São classificadas como “masculinas” ou “não femininas o bastante”. Como exemplo, ela cita um artigo de outra jornalista. Em “Hating Hillary”, Karlyn Kohrs Campbell fala que a ex-primeira-dama Hillary Clinton era castigada por falar como advogada e, consequentemente, como homem.
Kathleen se pergunta: “Será que Obama sofre do inverso?”.
Em 1998, num ensaio para a revista “New Yorker”, a escritora e ganhadora do Prêmio Nobel, Toni Morrison, escreveu que Bill Clinton era o “primeiro presidente negro dos Estados Unidos”. “Clinton tem todas as características da negritude: sua casa era administrada por um dos pais, nasceu na pobreza, era da classe trabalhadora, tocava sax e era um garoto simples do Arkansas que amava McDonald´s”.
“Se aceitarmos essa premissa”, continua Kathleen, “mesmo que não tenha sido dita seriamente, então podemos concluir que Obama tem todas as características femininas. Falo isso da maneira mais elogiosa possível. Não acho que seja deficiência. Pelo contrário, esse comportamento sugere um avanço evolucionário. No entanto, nós ainda temos expectativas – especialmente às ligadas à liderança”.
Ainda de acordo com Kathleen, de uma maneira geral, homens e mulheres se comunicam de formas diferentes. Com algumas exceções, mulheres tendem a ser mais formadoras de aliança do que independentes.
“A crise causada pelo vazamento de óleo da ‘British Petroleum’ nos oferece um compêndio de como o estilo retórico de Obama impede sua eficácia. Ninguém espera que ele coloque uma sunga e mergulhe no Golfo, mas ele tem autoridade para intervir imediatamente e não o fez. Preferiu adiar, considerar, pesar e até fazer piadas durante um jantar na Casa Branca quando ele poderia estar no Air Force One sobrevoando a costa da Louisiana.
Sua falta de imediatismo e comando vem sendo notada como falta de liderança. Quando ele finalmente se apresentou à nação no 56º dia da crise, seu discurso teve 13% de falas na voz passiva – o maior índice entre todos os presidentes deste século segundo o ‘Global Language Monitor’, que analisa a linguagem”.
Por fim, Kathleen termina dizendo que os desafios que são apresentados à presidência requerem ações decisivas e que Obama pode provar que é o primeiro presidente feminino a pagar um preço político por agir como mulher. E conclui: “Quem sabe na próxima seja a vez de uma mulher de verdade”.

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