O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2010/05/31

ABRA AS ASAS SOBRE NÓS

Arquivado em: Diário de bordo — trezende @ 08:51

A Estátua da Liberdade não é um passeio a mais em Nova York. É um evento.
Afinal, não se trata simplesmente de chegar perto do ponto turístico mais famoso da cidade (quiçá do mundo), mas de vivenciar todo o circo armado em torno da visita.
As sensações aparecem já na fila – no dia ensolarado que escolhi para conhecer Ms. Liberdade foram três horas de espera. Portanto, o jeito foi entregar pra Deus e curtir atrações que vão além do belíssimo Battery Park que serve de cenário para a partida dos barcos para a ilha onde repousa a estátua.
Da mesma forma que os ambulantes vendem amendoim torrado nas marginais engarrafadas de São Paulo, artistas de rua se aproveitam do congestionamento de turistas para passar o chapéu – o melhor deles apresentou um número de flexibilidade que incluía dobrar-se numa caixa de acrílico transparente.
A fila é também a hora certa para se informar melhor sobre o monumento: a estátua tem cerca de 93 metros de altura, é feita de cobre e foi um presente dos franceses para os americanos.
Como era um esforço conjunto entre os dois países, os Estados Unidos ficaram responsáveis pela construção do pedestal e a França, pela estátua. Os franceses angariaram fundos de diversas formas – impostos, loteria e espetáculos teatrais –, mas os americanos enfrentaram dificuldades e por pouco o agrado não se transforma num presente de grego.
Neste momento entra em ação o jornalista Joseph Pulitzer, que através de seu jornal (o “The World”) consegue arrecadar a quantia que faltava.
Finalizada na França em 1884, a estátua foi desmontada e despachada para os Estados Unidos. Mesmo tendo chegado um ano depois, ainda teve de esperar a conclusão da obra do pedestal. Remontada, a estátua foi inaugurada em 1886.
O idealizador do projeto foi o escultor Frederic Bartholdi, que contou com a ajuda do arquiteto e engenheiro francês Gustave Eiffel para a montagem da estrutura metálica interna.
Uma curiosidade: dizem que o rosto da estátua foi baseado na face da mãe de Bartholdi, Charlotte.
Felizes com a ideia de podermos conhecer pessoalmente dona Charlotte, nem nos importamos quando temos de passar por um sistema de segurança como o dos aeroportos tanto no embarque quanto na entrada do pedestal.
Depois é só alegria. Na chegada à Ilha da Liberdade a busca dos turistas pelo melhor ângulo da estátua faz com que o barco tombe um pouco para a direita. Um suspiro bem de leve – porque é preciso reservar fôlego para subir os 156 degraus que levam ao deck de observação.
Antes de encarar as escadas, uma visita ao museu que conta toda a história relatada acima e uma pausa para uma foto em frente à tocha original – retirada das mãos de dona Charlotte e posicionada no lobby do museu em 1984.
Trezentas fotos depois é hora de pegar o barco para a próxima ilha: Ellis Island, a principal porta de entrada dos imigrantes que chegaram aos Estados Unidos a partir do século 19.
Hoje a ilha abriga um museu interessante que conta a jornada dessa brava gente. Estima-se que entre 1892 e 1954 cerca de 12 milhões de imigrantes chegaram a Ellis Island.

Vejam fotos AQUI

2010/05/30

ELEVANDO A ALMA

Arquivado em: Diário de bordo — trezende @ 10:07

O Empire State está feliz da vida. Além da fama adquirida na década de 30 graças à participação em “King Kong”, goza do título de edifício mais alto de Nova York. No entanto, no quesito “melhor vista da cidade” o campeão é o “Top of the Rock”, no Rockfeller Center.
A verdade é que desde sempre o “Top of the Rock” se acostumou a dividir as atenções da mídia com duas outras estrelas: a pista de patinação que funciona todos os anos na época do inverno lá embaixo, em frente à estátua dourada de Prometeu, e a foto clássica dos operários sentadinhos numa viga de aço.
A imagem, de Charles Ebberts, foi feita em 1932 e mostra os pedreiros numa pausa durante a construção do 69º andar do Rockfeller Center.
Menos conhecido do que seu irmão gêmeo Empire State, o “Top of the Rock” propicia uma observação 360º de Nova York com um diferencial: a visão do próprio Empire State.
As emoções começam depois que percorremos uma pequena exposição histórica sobre a construção do Rockfeller Center e o pioneirismo de seu fundador. Assim como nos brinquedos da Disney, posamos para uma foto no “brinquedo” – neste caso uma viga de aço acompanhada de um papel de parede com a Nova York de 1932 ao fundo – e nos dirigimos ao elevador.
Cuidado, spoiler!
Quando as portas se fecham, o susto é inevitável. As luzes se apagam e enquanto o elevador sobe até o primeiro lance de observação (o 67º andar), uma voz nos dá as boas-vindas e imagens sobre a construção do prédio são projetadas no teto transparente da cápsula.
Lá em cima, do alto de 260 metros, são tantas emoções… É a visão de Nova York como temos nos filmes. Difícil decidir se preferimos nos admirar com o Central Park, com um pedacinho do Chrysler Building, com o rio Hudson ou com o Empire State. Como baratas tontas, circulamos entre o 67º e o 70º andares enchendo toda a memória da nossa câmera fotográfica.
O deck do “Top of the Rock” foi aberto à visitação em 1933, mas fechou em 1986 e voltou a funcionar novamente há cinco anos totalmente restaurado.
Na descida, uma leve pressão no ouvido e cá estamos nós de volta à realidade. Totalmente restaurados.

Confiram fotos AQUI

2010/05/29

A REDE

Arquivado em: Diário de bordo — trezende @ 11:05

Um passeio simples, mas imperdível, é a Ponte do Brooklyn.
Cenário de diversas comédias românticas, a Brooklyn Bridge demorou 13 anos para ficar pronta e é um projeto totalmente familiar atribuído a John, Washington e Emily Roebling.
Durante as pesquisas, John teve seu pé prensado por uma balsa e seus dedos ficaram tão moídos que tiveram de ser amputados. Pouco tempo depois ele morre em decorrência de tétano e seu filho Washington fica a cargo da construção.
O jovem também não teve muita sorte. Quando assume a empreitada, sofre com o que na época era chamado de “caisson disease” (ou “mal dos mergulhadores”, acidente causado por descompressão súbita).
Incapacitado, quem cuida da ponte pelos próximos 11 anos é a sua esposa Emily, que teve de se virar: estudou Matemática, resistência dos materiais e aprendeu tudo sobre construções com cabos.
Em 1883 a Brooklyn Bridge é inaugurada e a primeira pessoa a atravessá-la é Emily.
Em meu dia de Emily cruzei os quase dois quilômetros que separam Manhattan do bairro do Brooklyn curtindo cada detalhe da construção neogótica. O quadro formado pelo emaranhado de cabos e tijolinhos, a paisagem da área portuária, os prédios espelhados e a complexa estrutura de aço é estonteante.  
Na parte inferior há as pistas para carros – a circulação de ônibus e caminhões é proibida – e em cima há uma faixa compartilhada por pedestres e ciclistas.
Durante a travessia, pausas para colher imagens para o “book” da ponte. Entre elas, a de artistas que registram o belíssimo visual com suas pranchetas no colo – personagens que também encontrei em ação no Moma e no Metropolitan.

Vejam fotos AQUI

2010/05/28

ALELUIAH

Arquivado em: Diário de bordo — trezende @ 10:55

Antes mesmo de Sinatra cantar que queria fazer parte dela, “New York, New York” já era uma espécie de hino-inconsciente-coletivo para milhões de imigrantes. A canção “só” precisava ser gravada.
Uma vez registrada, “New York, New York” continuará a ser a trilha sonora da cidade pelos séculos dos séculos. Amém.
Além dos milhares que têm o privilégio de acordar diariamente entre a Estátua da Liberdade e o Central Park, estamos nós, turistas ansiosos por aproveitarmos cada minuto concedido pelo Gênio da Lâmpada.
A estadia se torna ainda mais agradável quando fazemos parte, de fato, dela. Fora o roteiro tradicional, optei por uma atração com cara de filme e fui assistir a um culto numa igreja evangélica com direito a coral uniformizado, cânticos com palminhas e “Aleluiah!”.
A celebração – emocionante e imperdível – acontece na Times Square Church e é um espetáculo sonoro e visual.
A fachada do prédio não nos permite antever o luxuoso cenário que encerra. Carpete, lustres gigantes e dourados e poltronas num veludo vermelho capazes de abrigarem uma plateia de cerca de mil fiéis.
No local, saberia mais tarde, funcionou um teatro que serviu de palco para inúmeros musicais como “My Fair Lady” e a versão original de “Jesus Cristo Superstar”. Originalmente “Hollywood Theatre” na década de 30, mudou de nome para “Mark Hellinger Theater” e em 1987 foi comprado pela igreja fundada pelo pastor David Wilkerson.
Com duração de duas horas, a celebração não deixa nada a dever a um bom musical da Broadway.
A igreja se define como “interdenominational” mas, no fundo, é evangélica. Nada de imagens sagradas, altar com crucifixo, vinhos ou hóstias.
Minutos antes do início, enquanto a banda faz seu aquecimento, um imenso telão alerta: “O culto está para começar. Sinta-se à vontade para sentar a qualquer momento”.
O aviso faz sentido depois que as cortinas vermelhas se abrem e o coral se revela em todos os seus tons. São cerca de 50 minutos de cantoria animada com palmas, vozes no estilo “oh happy day!” e dancinhas laterais.
Lá pelas tantas surge um pastor com alguns recados (“o piquenique de hoje no Central Park está cancelado por causa do mau tempo” e “se o seu bebê chorar temos uma ótima creche no 3º andar”). Ah, claro, as doações – depositadas em baldes estilo os de pipoca que passam pelas fileiras.
Mais algumas músicas e chega o momento mais esperado pelos fiéis: o sermão do pastor-sênior Carter Conlon: “Imaginem que hoje vindo para cá de metrô, em vez de pegarem a mala de vocês, vocês se confundissem e pegassem a de outra pessoa. Uma que contivesse urânio enriquecido. Sabemos que ele pode ser usado para o bem ou para o mal, mas de qualquer forma é algo muito poderoso. (…) Mas saibam que vocês têm em mãos algo muito mais poderoso do que qualquer urânio enriquecido: a Bíblia, a palavra do Deus vivo. (…) Dentro de nós trazemos algo muito mais poderoso do que qualquer coisa criada pela Ciência ou pela Tecnologia, que é o nosso poder de iluminar cidades, países, pessoas”. Já exaltado e vermelho, ele grita: “Deus está comigo!, Thank you, lord!”.
A plateia vai ao delírio e grita junto com ele frases como “Thank you, lord!”, “Aleluiah!”, “Bless!”, “Amen!”. Aplausos, gritos e mais música. Desta vez, tudo muito mais animado – inclusive as nossas palmas e dancinhas.
A cerimônia conta com a participação de um intérprete de língua de sinais para surdos-mudos, é transmitida ao vivo pela Internet e depois fica disponível no site da igreja.
Para quem se interessar, os cultos acontecem todos os domingos às 10h, 15h e 18h e às terças e sextas às 19h.

Confiram fotos AQUI

2010/05/20

… I´M LEAVING TODAY

Arquivado em: Diário de bordo — trezende @ 16:32

CARAS & BOCAS

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 09:47

Uma revelação de Sharon Stone presta um grande serviço à humanidade. Na verdade, pode evitar que milhares de múmias continuem a circular por aí.
A atriz disse à edição de junho da revista “More” que se arrepende da intervenção estética que fez nos lábios.
Após divorciar-se do jornalista Phil Bronstein ela notou duas mudanças. A primeira é que passou a ser assediada por homens na faixa dos 20 anos. “Eles provavelmente acham que haverá comida na geladeira e que terão alguém para perguntar a eles como foi o dia”. A segunda: começou a se sentir insegura quanto à sua aparência.
À epoca pensou: “Ninguém me ama. Tenho 103 anos. Minha vida poderia ser melhor se eu tivesse lábios mais bonitos”.
Após a plástica, a pergunta: “que m… é essa?”. Seus lábios ficaram tão inchados que o batom nem se fixava. “Eles não se encaixam mais, pareço uma truta”. Desde então, está “afastada” das cirurgias plásticas.
Se Sharon Stone se arrepende, imaginem o que diriam certas vítimas de açougueiros, como Donatella Versace, Elza Soares, Melanie Griffith e a apresentadora Daniela (Quem?) Albuquerque – alvo de maravilhosa paródia de Dani Calabresa no programa “Comédia MTV”.
O caso mais escabroso talvez seja o da socialite novaiorquina Jocelyn Wildenstein, que gastou milhões de dólares tentando mudar o rosto. O resultado é assustador.
O que intriga é que apesar dos milhões torrados, todas elas ficam com a mesma cara, como se tivessem passado pelas mãos do mesmo açougueiro – algo na linha “de volta ao planeta dos macacos”. Maçãs do rosto inchadas e altas, lábios deformados e olhar assustado.
Que as loucas endinheiradas mirem-se no exemplo dessas mulheres – principalmente as brasileiras.
Segundo pesquisa realizada pelo “Ibope Inteligência” neste ano para o 11º Simpósio Internacional de Cirurgia Plástica, o Brasil ocupa o segundo lugar no ranking mundial – estamos atrás apenas dos Estados Unidos.
Em 2009 foram feitas 645.464 operações no Brasil. Desse total, 443.145 foram estéticas (69%) e 202.319 reparadoras (31%). Fazemos, em média, 1.788 cirurgia plásticas por dia.
Difícil é dizer qual a porcentagem dos pacientes que poderiam ser personagens das “Noites do Terror” no Playcenter.

Conheçam Jocelyn AQUI

P.S.: Nos próximos dias estarei em Nova York. Novas postagens a partir de 28/05. Até!

2010/05/19

PEGA NA MENTIRA

Arquivado em: Vox populi — trezende @ 09:31

Pelo visto, os ingleses sofrem da Síndrome de Pinóquio. No ano passado este blog publicou o resultado de uma pesquisa encomendada pela distribuidora 20th Century Fox para o lançamento do DVD da série de TV “Lie to Me” (“Minta pra Mim”, ao pé-da-letra, mas traduzida para “Engana-me Se Puder”).
Agora, novos estudos sobre a mentira – desta vez em nome da Ciência.
A pesquisa – que ouviu três mil ingleses maiores de 18 anos – foi feita pelo Museu da Ciência para a reabertura da sala “Who am I”? (“Quem Sou Eu?”) no dia 26 de junho. Este segmento do museu trata de comportamento humano, genética e ciência cerebral.
A curadora Katie Maggs diz: “Mentir é inevitável na natureza humana e parte importante de interação social. Os visitantes poderão mergulhar nesse mundo da mentira e descobrir de que forma ela pode ser detectada”.
De acordo com os resultados, a chapa esquentou para o lado masculino. Homens mentem muito mais do que as mulheres e se sentem menos culpados. Em média, contam cerca de 1.092 lorotas por ano – cerca de três por dia. Já as mulheres, 728.
Ainda segundo o estudo, as pessoas tendem a contar mais mentiras para as mães – 25% dos homens e 20% das mulheres admitiram o deslize. Apenas 10% diz que omite fatos para o parceiro (como essa gente é mentirosa).
Mais de dois terços creem que as mulheres sabem identificar melhor um Pinóquio.

Top ten das mentiras masculinas:

1. Eu não bebi tanto assim
2. Não há nada de errado, estou bem
3. Estava sem sinal
4. Não era tão caro
5. Estou a caminho
6. Estou preso no trânsito
7. Não, seu traseiro não parece tão grande
8. Desculpe, perdi sua ligação
9. Você emagreceu
10. É tudo o que eu sempre quis

Top ten das mentiras femininas:

1. Não há nada de errado, estou bem
2. Eu não sei onde está. Nem mexi nisso
3. Não era tão caro
4. Eu não bebi tanto assim
5. Estou com dor de cabeça
6. Estava em liquidação
7. Estou a caminho
8. Oh, tenho isso há anos
9. Não, não joguei fora
10. É tudo o que eu sempre quis

Trilha sonora deste post AQUI

Confiram a página do “Who am I?” AQUI

2010/05/18

OS ENRIQUECIDOS E OS ESFARRAPADOS

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 10:26

Primeiro é preciso deixar claro que não é questão de torcer contra, mas é que a aclamada vitória da diplomacia brasileira em relação ao Irã é um presente que ainda está com os laços desamarrados.
Oremos para quando esse presente for embalado – e posteriormente desembrulhado – não seja uma bomba. Literalmente.
A imprensa e a comunidade internacional estão divididas. Enquanto uns comemoram, tratam o assunto de forma positiva e chamam o outro lado de “cético”, há quem o veja com distanciamento necessário – caso dos Estados Unidos, que declarou que continua a ter sérias preocupações “dadas as repetidas vezes em que o Irã falhou em manter seus próprios compromissos”.
A imagem dos presidentes de mãos dadas em comemoração é bonita e perfeita para a capa do jornal, mas vale lembrar que as conversações ainda estão na base do “se”, “mas”, “em troca” e do “compromete-se”. Nunca é demais refrescar a memória: o governo iraniano já deu para trás em outros acordos.
Nos últimos dias, a prioridade do governo brasileiro não tem sido nem a aprovação do projeto Ficha Limpa ou o pré-sal, como disse Romero Jucá. Nossos olhos estão hipnotizados pelo urânio enriquecido. É pouco provável que Lula, assim como nós, saiba do que esteja falando – para que esse urânio serve ou o que signifique.
Portanto, vale um momento professor Tibúrcio: Classe, para que serve o urânio da discórdia?
Para um pequeno reator de pesquisas médicas em Teerã que foi instalado pelos Estados Unidos há muitos anos e que está sem combustível.
É ou não complicado acreditar que o Irã não tenha sonhos de construir uma bomba nuclear? Difícil engolir que Ahmadinejad esteja preocupado com a saúde da população. Afinal, se há algo que o Irã não tem é tradição em pesquisas médicas.
O Irã escondeu esse laboratório de urânio por 18 anos. Por que não ocultaria uma porção para ser usada clandestinamente nas próximas décadas?
É possível até imaginar Ahmadinejad mergulhando em ricos urânios, da mesma forma que tio Patinhas pulava de cabeça em suas moedas.
Além de fantasias, sobram promessas em relação a esse tema. Aguardemos. E oremos.

2010/05/17

CONTRASTE À BRASILEIRA

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 10:23

O Brasil é mesmo um país de contrastes. Enquanto Lulinha paz e amor leva amor e paz ao Irã, uma stripper brasileira faz sucesso em Chicago e reforça ainda mais a péssima imagem da mulher brasileira no exterior.
Na semana passada, Eloah Rocha, vulgo “Bia”, foi eleita a melhor sósia de Sarah Palin e conquistou o prêmio de 2.500 dólares (cerca de R$ 4.600) – apesar de o site oficial do evento falar em 5 mil dólares.
A festa aconteceu na semana passada no clube masculino “Admiral Theatre” no mesmo dia em que a Sarah Palin original visitou a cidade para um discurso no subúrbio de Rosemont.
Curiosidade: segundo a Wikipedia, “Eloah” em hebraico é o mesmo que “acima ou Deus”. Outras teorias dizem que o nome tem a ver com o verbo árabe “alih” (ficar perplexo, temer). Portanto, “objeto de temor e reverência”.
A competição – que tinha como slogan “Less Taxation, More Stimulation” (“Menor a Taxa, Maior o Estímulo”) – incluía uma sessão de perguntas e respostas seguida de uma performance que poderia ou não terminar num striptease. Dentre as concorrentes, “Palin Petroleira”, “Palin Bíblia” e “Palin Caçadora”, mas a campeã foi a “Palin Dominatrix” interpretada pela brasileira.
Segundo o diretor do clube, Sam Cecola, a primeira competição que elegeu a sósia da ex-candidata republicana à presidência ocorreu em Las Vegas, em 2008, pouco antes das eleições. Desta vez, com a casa lotada, parte da renda foi destinada ao “Tea Party” (movimento conservador americano).
Diante das últimas conquistas de Lula no exterior, só nos resta perguntar: em quanto tempo o presidente agregará um “Eloah” ao nome?

2010/05/16

O LADO CAMALEÃO DA FORÇA

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 08:44

A candidata do PT à presidência, Dilma Rousseff, vem sofrendo de crise de identidade. Seus movimentos nos últimos meses se assemelham aos do personagem Zelig do filme homônimo de Woody Allen.
No filme, Zelig busca tanto a aprovação das pessoas que se altera fisicamente na esperança de se adequar aos que o cercam. A diferença é que a mudança de Dilma não é causada por um desejo interno ou por baixa autoestima. Faz parte de um jogo de marketing calculado.
Se a candidata ainda não tem jingle de campanha, uma sugestão: “Cara caramba, cara caraô… Cara caramba, cara caraô… Vem viver o verão, vem curtir Salvador, eu sou camaleão, deixa eu ser seu amor… Cara caramba, cara caraô..”.
Numa hora ela é Norma Bengell, em outra, “Vilma” ou até Nelson Mandela. Dependendo da hora, do local e da razão, ela pode ser católica ou aprendiz de mãe-de-santo. Mineira ou gaúcha. Pode ser Dilma, a dura-na-queda, ou uma quase Marta Suplicy – bem-vestida, penteada e com cheiro de quatrocentona paulistana.
A propaganda do PT nesta semana louvou os feitos e os não-feitos da candidata. Lula apareceu para dizer que o “Luz para Todos” foi ideia da companheira, nossa Nelson Mandela.
Disse Lula sobre o programa: “é você fazer a transferência de uma pessoa que tá na escuridão do século 18 para a claridade do século 21”. Já os assuntos da candidata com a ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira continuam na escuridão. Dilma negou e tudo caiu nas trevas – inclusive Lina Vieira.
A propaganda petista é um achado para humoristas. Pergunta de Dilma para um homem em Santo Antônio da Patrulha (RS): “O senhor fazia melado usando que fonte de energia?”. Ao que o entrevistado poderia ter respondido: “Melado quem faz é a senhora”. Sem falar no próprio nome da cidade. Outro achado.
O marqueteiro João Santana precisa definir rapidamente que raios Dilma Rousseff é: Vilma, Mandela, Marta Suplicy ou – por que não? – Zelig. Facilitaria as coisas.
Muito se falou de Dunga na semana que passou. Pelo menos o técnico da Seleção (dizem) é coerente. Alguém tem muito o que aprender com ele.

Assistam à propaganda petista AQUI

2010/05/15

SEXO, MENTIRAS E VIDEOTAPE

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 11:10

A cada notícia absurda vinda do Japão elaboramos duas certezas: 1) Os japoneses são mais criativos do que os outros. 2) Há mercado para tudo nesse mundo.
Enquanto a moda das agências de encontros e de matrimônios ganha força, um novo negócio é lançado do outro lado do mundo.
São os “Wakaresase-ya” (“Separadores”), cuja função é a de exterminar relacionamentos. O caso é sério e veio à tona no início do ano por causa de um assassinato. A revelação é da “Times”.
Os “Wakaresase-ya” são contratados não apenas por casais interessados em provar a infidelidade conjugal para ficar com o patrimônio e os filhos, mas também por patrões que precisam de bons motivos para demitir seus funcionários.
“Tudo gira em torno de querer algo para si mesmo”, diz o sr. Tomiya, proprietário de uma destas agências matrimoniais às avessas. “Algumas pessoas querem um relógio ou uma casa, da mesma forma que uma mulher quer seu namorado ou marido para ela. Você pergunta aos clientes o que eles desejam e eles dizem: ‘Quero ser feliz’. Nosso trabalho é vender felicidade aos nossos clientes. Sonhos e felicidade”.
Essa felicidade vem em forma de armadilha, uma espécie de “Boa noite, Cinderela”. A vítima é seduzida por um gostosão ou gostosona e acaba fotografada em situações constrangedoras.
Estima-se que existam atualmente no Japão cerca de 270 “Wakaresase-ya”.
O sr. Tomiya é um dos poucos que fala com a imprensa. Depois de abandonar um emprego de cortador de peixe em 1992, ele trabalhou alguns anos como detetive profissional e logo identificou esse novo mercado.
Sua empresa, a “Global National Corporation”, tem 50 funcionários que trabalham meio-período. Eles têm entre 18 e 60 anos e incluem estudantes, donas-de-casa, vários atores-pornô e aposentados. Dependendo das habilidades e do desempenho, eles podem ganhar entre 3 mil e 10 mil dólares. “Nós buscamos pessoas motivadas, versáteis, educadas e com imaginação”, explica ele.
A clientela também é variada. Três entre cinco são mulheres e quatro entre cinco são pessoas normais que ficam espantadas com os valores cobrados pelos “Wakaresase-ya”. O serviço mais simples pode chegar a 5 mil dólares.
“Ao pedido do cliente, nós produzimos uma encenação. Escrevemos um roteiro e colocamos o plano em ação. Um integrante do meu staff pode demorar um ano para se apaixonar, mas eu posso fazer isso em um dia. Nessa indústria, eu sou Deus”, diz o sr. Tomiya.
“Consultor da vida. Este é o meu trabalho. Quando as pessoas não têm com quem desabafar elas cometem suicídio ou matam alguém. Basta pagar uma quantia que os problemas delas podem ser resolvidos. É bom para todo mundo. Por isso eu sou tão orgulhoso do meu trabalho”, completa.

Leiam a matéria completa AQUI

2010/05/14

PARAÍSO EM XEQUE

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:24

Sugestão para quem está em dúvida sobre ter filhos: “Shit My Kids Ruined” (“Merda, Meus Filhos Arruinaram”), blog que é “o mais poderoso controle de natalidade visual no mercado atualmente”. O nome e o subtítulo são autoexplicativos.
O site começou há cerca de dois meses e reúne imagens de crianças em situações que fazem com que qualquer um repense a frase-clichê de que ser mãe é padecer no paraíso. “Contribua, é terapêutico”, pede a autora.
A maioria das fotos envolve acidentes com tintas (corantes, esmaltes, canetinhas), mas há as de crianças que cortaram o próprio cabelo ou se empanaram com talco, a de um garoto que rasgou uma camiseta para brincar de Anakin Skywalker e outras de objetos e móveis destruídos – controle remoto sem a tampa das pilhas, poltrona roída, mesa manchada com acetona e equipamentos eletrônicos pifados, como uma TV danificada por uma criança de 5 anos que tentou jogar Wii.
A ideia é de uma dona-de-casa mãe de crianças de 2 e 4 anos que vive em algum lugar de Nova York. “Em março, o de 2 anos derramou tinta preta no tapete oriental da nossa sala de jantar tentando me ‘ajudar’ num projeto. Comecei o site neste dia num esforço de superar minha frustração e de transformá-la em riso”, diz a autora.
Num dos posts, comemorando o fantástico número de visitantes, ela escreveu: “Se você é pai, espero que se identifique e se divirta. Mas se não é, espero que dê risada das coisas miseráveis que nossos filhos são capazes de fazer e que comemore o fato de se ver livre de todas essas porcarias”.
A temática do blog, no entanto, não chega a ser uma sacada. Durante a pesquisa para escrever este post, descobri o site “Shit My Dad Says” (“Merda, Meu Pai Falou”) escrito por um cara de 29 anos que mora com o pai, de 74. Ele publica todos os “conselhos” ou as frases impagáveis ditas pelo pai. O blog até já virou livro.
Nada se cria, não é mesmo?

Links: “Shit My Kids Ruined” e “Shit My Dad Says”

2010/05/13

A CHINA É VERMELHA

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 10:31

As peculiaridades chinesas vão muito além de certos hábitos culturais como cuspir em público ou andar de pijama na rua. Uma reportagem curiosa da revista “Time” revela que eles têm, de fato, a cabeça na Lua.
Sob o título “China’s Female Astronauts: Must Be a Married Mom” (“Astronautas Chinesas: Precisam ser Mães Casadas”), a “Time” conta que os homens e as mulheres selecionados para as missões espaciais precisam ser quase “Super Seres Humanos”.
Diz a matéria: “Eles não podem sofrer de dor de garganta ou de nariz com coriza. Não podem ter restrições alimentares, sotaques regionais, micose, cáries ou cicatrizes. Problemas como mau hálito, cecê ou ronco noturno são eliminatórios”.
Os homens precisam dar conta dos rígidos critérios, mas as duas primeiras mulheres escolhidas dentre 15 para o programa espacial chinês têm de atender a mais dois pré-requisitos: serem casadas e com filhos.
Segundo os oficiais, o voo espacial pode causar infertilidade feminina. “Apesar de existirem poucas evidências sobre isso, temos de ser cautelosos porque em primeiro lugar está a China. Assegurar que as astronautas já tenham se reproduzido é uma garantia de que o planejamento familiar não será interrompido”, explica Xu Xianrong, diretor do Centro de Medicina Aeroespacial de Beijing.
Já Zhang Jianqi, vice-comandante do programa especial, admite que mulheres casadas são psico e fisiologicamente mais maduras.
A reportagem diz que, obviamente, este não é o caso de Lisa Nowak – astronauta que participou da missão da Discovery e que foi acusada de tentar seqüestrar a namorada de um astronauta por quem estava apaixonada.
Especialistas dizem que Nowak – que na época era casada e mãe de três filhos – talvez tenha chegado às últimas consequências por causa das pressões geradas pela carreira e pela maternidade.
Ainda segundo a revista “Time”, por outro lado, o episódio Nowak enfatiza a arbitrariedade da política aeroespacial chinesa.
Um estudo realizado em 2005 sobre saúde reprodutiva e missão espacial mostra que 80% das astronautas americanas da Nasa não eram mães. E mais: homens estariam muito mais vulneráveis do que as mulheres porque a produção de espermatozóides é altamente sensível à radiação.
“A maior parte das astronautas americanas e de outros países que não têm filhos é porque simplesmente optaram por adiar a gravidez. O calendário das missões é imprevisível e o treinamento é proibido se estiverem grávidas”, diz Richard Jennings, ginecologista, especialista em Medicina Espacial e coautor do estudo.
A “Time” trata com ironia o respeito chinês com o planejamento familiar. “Eles não estão preocupados com isso. Aliás, se fosse verdade, já teriam considerado candidaturas de mulheres que não pretendem ser mães ou aberto inscrições para incluir mais homens. A política do filho único demonstra que o interesse da China é coibir o crescimento da população”.
O que está em jogo é mais a imagem da mulher que irá representar a China no espaço. “Ser mãe na China é sinal de excelência – tão ou maior do que ter bom hálito ou dentes livres de cáries. O que é discutível”, diz a revista.
“A cultura chinesa define a mulher pela sua maternidade”, explica Cai Yiping, diretora-executiva de uma instituição internacional de Direitos Femininos.

2010/05/12

PARE, OLHE, ESCUTE

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:43

Infelizmente no Brasil as leis “pegam” ou não. À época da implantação da Lei Seca, o que se viu foram blitzes munidas de bafômetro à cata de motoristas alcoolizados. Passam-se alguns meses e a febre desaparece. O terror volta pra casinha e à noite as ruas viram terra de ninguém novamente.
A arma da polícia na cidade de Fribourg, na Suíça, não é a repressão ou a intimidação, mas a educação. E com bom humor.
A fim de alertar os motoristas sobre os perigos da alta velocidade, um anjo foi contratado para agir como uma espécie de voz da consciência. Sempre que identifica um motorista pisando fundo, o anjo acena e bate suavemente as asas.
A ideia faz parte da campanha “Slow Down. Take It Easy” (“Diminua a Velocidade. Vá com Calma”).
Os motoristas que recebem o alerta do anjo devem mandar um email para a polícia para concorrerem a uma aula de direção segura.
O ator – cujo nome não foi identificado por questões de segurança – trabalha 20 horas por semana e vai aparecer num raio de 1.742 quilômetros quadrados no oeste da Suíça.
Os policiais dizem que ainda é cedo para afirmar que o guardião foi capaz de desencorajar os ases do volante num país tão montanhoso – lá os limites de velocidade variam entre 50 km/h e 121 km/h. No entanto, as autoridades suíças creem que a simples visão do anjo à beira da estrada irá incentivar a moderação.
Ou o contrário. Dar de cara com um ator barbudo fantasiado de Lelahel pode fazer com que os motoristas batam o carro.
A iniciativa está prevista para durar até outubro, mas pode ser prolongada.
Estima-se que 130 motoristas morram por ano na Suíça. A condição das estradas e as velocidades impróprias são as principais causas dos acidentes.
Anjos como esse cairiam bem em Brasília, mas com outros fins.

Confiram o site da polícia de Fribourg AQUI

2010/05/11

BOI-DA-CARA-PRETA VERSÃO JAPÃO

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:55

Nesta época do ano muitos turistas se dirigem ao Japão para o “Hanami” – o costume de apreciar a beleza das flores das cerejeiras.
Quem não é afeito a contemplações pode se programar para participar de um festival mais emocionante. Literalmente.
É o “Nakizumo” (“Sumô do Choro”), evento centenário que ocorre anualmente em todo quarto domingo de abril em certas cidades japonesas.
A cerimônia-competição é bem simples. No colo de lutadores de sumô, bebês ficam face-a-face. O primeiro a abrir o berreiro é o vencedor. Se os dois choramingarem juntos, ganha o que o fizer mais alto.
Para incentivar as crianças a se desesperarem, o juiz diz o tempo inteiro “Naki! Naki! Naki!” (“Chora! Chora! Chora!”).  No caso de os bebês darem risada, o juiz saca uma máscara assustadora e resolve a competição rapidamente.
Segundo a tradição, choros altos e poderosos são capazes de expulsar os espíritos malignos e garantem que o bebê cresça forte e sadio – por isso os lutadores de sumô seguram as crianças bem no alto para ficarem mais próximas do céu.
Mesmo com a recente divulgação de estudos que comprovam que deixar um bebê chorando por muito tempo pode provocar algum tipo de dano cerebral a ele, os pais japoneses parecem estar longe de abandonarem a causa.
No dia do festival – que começa cedo, com uma cerimônia cheia de discursos, cânticos, oferendas e uma apresentação de cada concorrente – os pais investem no visual dos filhos. Os bebês usam trajes coloridos e penteados curiosos.
Cabo-de-guerra e pelota basca já foram modalidades olímpicas. Portanto, não se espantem se o “Nakizumo” entrar para a lista em 2016. Graças às procuradoras aposentadas com guardas provisórias de crianças de 2 anos, somos fortes candidatos ao ouro.

Vejam fotos AQUI

2010/05/10

QUANTA DIFERENÇA

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 07:44

O primeiro semestre nem acabou, mas 2010 já tem todas as credenciais para ser eleito “o ano das catástrofes ambientais”: deslizamentos de terra no Rio de Janeiro, enchentes no Rio Grande do Sul, terremotos no Haiti e no Chile e dias de fúria do vulcão islandês.
Recentemente, um desastre nem tão natural assim no Golfo do México vem preocupando ambientalistas. O acidente aconteceu no mês passado, mas de acordo com a Reuters, o óleo continua fluindo numa proporção de, no mínimo, 5 mil barris por dia (795 mil litros).
Apesar de diversas tentativas, engenheiros da “British Petroleum” continuam à procura de uma saída para o drama.
Enquanto isso, moradores de Louisiana e arredores – as áreas mais atingidas – estão trabalhando numa solução caseirinha: fabricando barreiras de cabelo para absorver o óleo (essas aí em cima).
Barbearia e salões de cabeleireiros estão fazendo mutirões para rechear meias finas femininas de nylon de maneira a formar uma “barreira capilar” que será colocada nas áreas atingidas pelo derramamento.
Espantosamente, cada meio quilo de cabelo é capaz de absorver quase quatro litros de óleo.
A iniciativa partiu da Ong “Matter of Trust”, que já é adepta da técnica. Em 2007, na região da baía de São Francisco, cerca de 232 mil litros de óleo combustível vazaram do ramo de abastecimento entre um petroleiro e um barco e as madeixas tiveram de entrar em ação.
Desta vez, a instituição está impressionada com a quantidade de cabelo doada: mais de 200 mil quilos. Lã, pelos de animais e casacos de pele também são bem-vindos.
O assunto é sério, mas vale a pena visitar a seção “Instruções – Como Doar o Seu Cabelo” no site da “Matter of Trust” para relaxar: “todo tipo de cabelo está bom (liso, encaracolado, colorido, tingido, com permanente, com escova progressiva…), mas apenas cabelo da cabeça, por favor!”.
No site há também um breve histórico da ideia. O inventor é Phil McCrory, um “hair stylist” do Alabama. Em 1989, assistindo à cobertura da CNN do derramamento de óleo da “Exxon Valdez”, ele ficou impressionado com a forma com que o pelo das lontras ficava completamente recoberto. Depois disso, começou a testar o quanto de óleo poderia recolher usando as aparas de cabelo do seu salão e acabou inventando o “tapete de cabelo”, que é multiuso.
Se até o fio de cabelo – vilão de ralos e vasos sanitários – tem um lado bom, será que nem tudo está perdido no meio político?

Conheçam o site AQUI

2010/05/09

O FIM DAS GAMBIARRAS

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 09:44

Matéria interessante publicada no jornal “The Guardian” neste sábado (8): “Working with your hands: the secret to happiness?” (“Trabalho manual: a chave para a felicidade?”).
Nela, o jornalista Oliver Burkeman relata sua viagem a Chichester para uma aula de alvenaria a fim de testar o argumento do filósofo americano Matthew Crawford no livro “The Case for Working With Your Hands: Or Why Office Work is Bad for us and Fixing Things Feels Good” (Trabalho manual: ou por que o serviço no escritório é ruim para nós e consertar coisas nos faz nos sentir bem”).
Crawford é doutor em Filosofia Política e fazia parte de um grupo de pensadores. Hoje ele é proprietário de uma oficina de motos em Richmond, Virginia, e está feliz da vida. Seu livro é uma tentativa de mostrar que talvez a mudança de vida não se aplique somente a ele.
Na reportagem, o jornalista diz que a maneira que desvalorizamos as competências manuais explica porque o trabalho moderno é vazio e incompleto. “Crawford não está sugerindo que nós, colarinhos brancos, abandonemos nossas mesas, arregacemos as mangas e sujemos nossas mãos. A convicção dele é que negócios que exigem habilidades – conserto de carros, carpintaria, alvenaria – nos oferecem um caminho para pensar na vida”.
De acordo com Oliver, Crawford chega muito próximo de dizer que o trabalho empresarial é “efeminante”. Ele crê que homem que é homem gosta de ser independente e direto – preferencialmente com um alicate nas mãos.
Crawford relata no livro: “ver uma motocicleta sair da minha loja com suas próprias pernas, dias depois de chegar na caçamba de uma caminhonete… De repente meu cansaço vai embora, apesar de eu ter ficado o dia inteiro deitado no concreto”.
Segundo ele, tarefas manuais nos faz nos sentirmos e nos comportarmos melhor, nos dá uma sensação de autonomia, de responsabilidade pelo trabalho e pelo mundo material e nos transforma em cidadãos preparados.
“Crawford não diz que você deve tratar o eletricista como um igual. O ponto é que o eletricista é um ser humano mais evoluído do que você”, explica Oliver.
A “economia da informação” pela qual passamos – ou “virtualismo”, como ele define – está nos tornando passivos, dependentes e facilmente manipuláveis. Compramos tudo pronto, afinal, o que interessa é a produção de conhecimento – e não o esgoto, a rede elétrica, as mesas da cozinha ou as máquinas de lavar.
O jornalista do “The Guardian” parece ter ficado satisfeito com o curso, mas seria precipitado afirmar que trabalho manual = salvação da humanidade.
Fica a pergunta: quando o hobby se torna profissão (leiam “obrigação”) a felicidade e o sentimento de redenção persistem por mais quanto tempo?

2010/05/08

MENINAS DO CALENDÁRIO

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:44

No Brasil o politicamente correto manda que chamemos a velhice de “Melhor Idade”. O eufemismo tenta nos convencer de que a vida será “melhor” à medida que a saúde começar a ir embora, as rugas aparecerem, a rabugice vir à tona e o preparo físico não constar mais no nosso vocabulário.
Resultado: a realidade se encarregou de fazer com que o termo “Terceira Idade” vingasse. Esse sim, menos mascarado.
Poucos são os velhinhos que não reclamam da vida. Os que não se deixam contaminar pela síndrome de Hardy (“ó dia, ó céus, ó azar”) são espertos, antenados, não vivem sem o computador e têm perfis em redes sociais como Orkut ou Facebook.
São justamente as “web-velhinhas” que serviram de inspiração para o fotógrafo espanhol Héctor Bernabeu, que em 30 fotos retrata alguns comportamentos estranhos e divertidos destas que vivem, de fato, a “Melhor Idade”.
Héctor se baseou em personagens que participam de um dos 600 grupos inusitados do Facebook: senhoras que põem sacola de plástico na cabeça quando chove, que cantam alto na missa, que creem que suas netas são virgens, que chamam “kiwi” de “kibi”, que discutem entre si para ver quem está mais doente e as que param no meio da rua para dramatizar uma conversa.
As vovós que se identificaram com um dos grupos se apresentaram para o casting com o fotógrafo. Não havia limite de idade para participar. A única exigência é que fossem divertidas e bem-humoradas, afinal, seriam retratadas como a senhorinha que usa saquinho na cabeça.
A seleção aconteceu dias 22 e 23 de março, em Burjasso, e rendeu as 30 imagens que compõem “Senhoras que?”, em cartaz na Casa de Cultura de Valencia.
Bernabeu, que confessa que vê retratadas suas próprias mãe e avó em alguns dos grupos, diz que “é uma exposição para emocionar, fascinar e divertir. Com mulheres estranhas, valentes, espontâneas e geniais – o mesmo que reais”.

Confiram os grupos de senhoras no Facebook AQUI

2010/05/07

HIPOTETICAMENTE FALANDO

Arquivado em: Folheando — trezende @ 09:27

Hoje vamos brincar de faz-de-conta.
Imaginemos que estamos numa sociedade de vara-paus e não sabemos como ganhar quilos e mais quilos a fim de não entrarmos numa calça 36. Ou que nossa meta é servir de modelo para Fernando Botero.
Para nos ajudar nesta difícil tarefa, a obra “How to Get Fat” (algo do tipo “Como Virar Um Gordo”).
A publicação faz parte de uma coleção de seis livros intitulada “Autoagressão”, que inclui “Como Dirigir Como Um Maníaco”, “Como Traumatizar Seus Filhos” e “Como Ter Um Cão Mal-Comportado”.
Segundo o livro, para engordar, a verdadeira metamorfose tem de começar na cabeça.
Ele desmistifica certos mitos – “é saudável ser magro” e “meu metabolismo é muito acelerado” – e mescla capítulos de incentivo, como “Precedência histórica: a magreza nem sempre esteve na moda”.
Entre os conselhos, “bebidas com cafeína são excelentes veículos para açúcares e gorduras. O café preto não o levará a lugar nenhum, mas se você acrescentar leite integral e várias colheres de açúcar, está no caminho certo”.
O leitor vai aprender uma série de dicas, como: ser apreciado por sua personalidade e por seu rosto bonito, como aumentar ao máximo a ingestão de carboidratos, gordura e açúcar, como comer emocionalmente para celebrar uma alegria ou uma dor branda, como desenvolver um olhar “carpe diem” diante da comida, como associar comida à conquista e como estabelecer um estilo de vida ultrassedentário.
“Recheado com suculentas ilustrações”, como define uma resenha, “How to Get Fat” também inclui gráficos e tabelas como a do Índice de Massa Corpórea, “através da qual é possível calcular a relação peso/altura enquanto você passa do ‘pele e osso’ à forma roliça”. Condicionando-se desta maneira você vai entrar num ciclo de ganho de peso e sucesso em outras esferas da sua vida”.
Como é bom brincar de faz-de-conta.

2010/05/06

PARA ALIMENTAR A IMAGINAÇÃO

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:41

Apelar para o truque do aviãozinho ou o do trenzinho na hora das refeições é tarefa corriqueira na vida de pais cujos rebentos ainda não descobriram os prazeres da mesa.
Foi num momento de desespero que um pai lançou as ideias acima.
Mark Northeast, um web designer de Littlehampton, Inglaterra, fez mágica com o que permanecia intocado no prato do filho Oscar, de 4 anos.
“Eu preparei um sanduíche no formato de um foguete com propulsores de vegetais e ele comeu rapidamente. Na semana seguinte tentei algo diferente e fiz um navio pirata”, explica Mark.
Encorajado pela esposa Lisa, ele colocou as fotos no Facebook e no Twitter e em poucas semanas se tornou sensação na Internet. Ele também criou um site, o “Funky Lunch”, que recebe mais de 10 mil visitas diárias. Mark foi personagem de várias reportagens em publicações inglesas.
Lá se vão um ano e 50 modelos de sanduíches, que incluem animais – girafa, leão, porco e lagarta –, personagens de desenhos animados – Hello Kitty, Bob Sponja, Nemo e Sid, de “A Era do Gelo” – e objetos como um piano de cauda.
Durante esse tempo seu trabalho despertou a atenção de editoras e o livro de Mark chega às livrarias inglesas dentro de alguns dias – está em fase de pré-venda na “Amazon”.
Recentemente Mark realizou uma competição de sanduíches pelo site e recebeu contribuições de todo o mundo. A vencedora foi Theresa Croyle, de Minnesota, Estados Unidos, cuja criação também fará parte do livro.
Agora Mark pensa em possibilidades com frutas e panquecas.

Visitem o site AQUI

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