O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2010/04/07

LIBERDADE ROUBADA

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 08:34

O que esperar de um país em que uma autoridade federal se torna tão ou mais refém de criminosos do que qualquer cidadão comum?
Há 11 anos este é o cenário na vida juiz federal Odilon de Oliveira, que entrevistei nesta semana. Há pouco mais de uma década ele não sabe o que é ir até a esquina tomar um sorvete ou sair de pijama para comprar cebola no mercadinho.
Odilon trabalha em Campo Grande, atua na área de fronteira com o Paraguai e já perdeu a conta de quantas vezes foi ameaçado por traficantes.
Para sobreviver na região que ele define como “um faroeste”, Odilon só circula de carro blindado, conta com a proteção de um posto policial 24 horas que funciona no primeiro andar de sua residência, não se alimenta em restaurantes e há sete anos não vai à casa da mãe – que mora na mesma cidade.
Todas as medidas são para tentar conter a ação de narcotraficantes nacionais e internacionais que ele julga e condena – em apenas um ano, Odilon condenou 114 traficantes cujas penas somadas chegam quase a mil anos.
O juiz já descobriu “uns 7 ou 8” projetos para matá-lo. Houve uma tentativa de envenenamento numa festa e um plano de abordá-lo num trecho de uma prova de corrida de rua – após o episódio, Odilon parou de praticar seu esporte favorito.
Sem contar os inúmeros telefonemas ameaçadores em que ele é provocado a escolher a cor do caixão.
O momento de maior tensão aconteceu quando Odilon passou uma temporada em Ponta Porã. O hotel do Exército em que morava sofreu uma tentativa de invasão, então o juiz se mudou para um outro hotel, que também foi alvejado por criminosos. A solução foi dormir por três meses num colchonete dentro do fórum.
Segundo Odilon, os jornais paraguaios costumam noticiar que a recompensa por sua morte varia entre US$ 1 milhão e US$ 300 – quantia inimaginável para um garoto que nasceu em Exu (interior de Pernambuco), trabalhou na roça até os 17 anos e alfabetizou-se com muito sacrifício.
Apesar de a liberdade ser um sonho cada vez mais distante – e nem tão almejado assim –, o juiz declara que é apaixonado por seu trabalho. Tanto, que prefere correr risco de vida a ficar em casa de pijama.

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2 Comentários »

  1. Para se admirar muito. Para ajudar a crer que a humanidade vale a pena. Um homem integro exercendo seu dever acima de tudo, em prol da comunidade

    Comentário por picida ribeiro — 2010/04/07 @ 11:02

  2. Esse tipo de matéria me revolta. Sei que muitas pessoas acham ignorancia o que vou falar aki mas, por noticias assim que eu so a favor da pena de morte (claro que também de uma justiça mais eficiente), e contra os “direitos humanos”. Direitos humanos entre aspas porque quando um desses bandidos são mortos logo os “D.H.” aparecem para defende-los, como o caso do policial que matou dois BANDIDOS numa abordagem pois os mesmos estavam armados e reagiram. Lembro que esse policial recebeu uma medalha, mas também lembro das criticas que ele recebeu. Onde está o orgão dos D.H. agora que um homem de bem e exemplo p/ todos é mantido quase que numa prisão e tem sua cabeça a premio.

    Comentário por Rafael — 2010/04/11 @ 00:57


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