O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2010/04/03

PARA AMERICANO VER

Filed under: Cri-crítica — trezende @ 08:39

Não é segredo para ninguém que uma interpretação inspirada não garante Oscar a ator nenhum.
Para colocar o boneco dourado na estante de casa deve-se levar em consideração elementos tão díspares quanto o comportamento de um bipolar: o humor dos jurados, o trabalho dos concorrentes, a grana da distribuidora (principalmente) e até o elenco do filme do qual saiu a indicação.
Esta última variável pode soar estranha, mas foi o que aconteceu a Sandra Bullock neste ano. O elenco de “Um Sonho Possível” é tão sofrível que graças às atuações limitadas de seus colegas, a atriz se destacou no meio da lama.
Aliás, não é apenas o time de atores que merece cartão vermelho. O filme é lamentável – um enigma ter sido indicado também na categoria melhor filme.
Baseado no livro “The Blind Side: Evolution of a Game” (algo como “Ponto Cego: A Evolução do Jogo”), de Michael Lewis, narra a história verídica de Michael Oher. Oher (ou “Big Mike”) é o atual atacante do time de futebol americano “Baltimore Ravens”.
“Um Sonho Possível” é praticamente a versão masculina de “Preciosa”. Os protagonistas têm dramas muito semelhantes: gordos, negros, marginalizados e com uma infância difícil. Ambos só não dobram o cabo da boa esperança antecipadamente porque anjos cruzam seus caminhos.
O anjo na vida de Michael Oher é a milionária Leigh Anne Tuohy (Bullock), uma designer de interiores casada com um empresário que comanda mais de 50 restaurantes da rede “Taco Bell”. Após encontrar Big Mike vagando no meio do nada, Leigh o leva para casa e o faz parte de sua família.
Alguns críticos escreveram que “Um Sonho Possível” é paternalista, mas fazer o quê se na história real o tom é exatamente este?
A principal questão é que o filme foi feito sob medida para o público americano. Além de piadas sobre a rixa entre republicanos e democratas e muitos clichês sobre o valor da família, há exaustivas cenas de partidas de futebol americano.
Outro problema é que Quinton Aaron – ator escolhido para o papel de Big Mike – é a falta de carisma em pessoa. Sua ausência de talento dramático é tão forte que não conseguimos nos emocionar com um filme que teria todas as características para correr para o abraço: garoto pobre, filho de mãe drogada, semianalfabeto, com QI abaixo da média e que consegue dar a volta por cima.
Se “Um Sonho Possível” faturasse o Oscar de melhor filme estaria comprovado, de uma vez por todas, que a cerimônia do Kodak Theatre é um grande teatro.

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3 Comentários »

  1. Poxa, o trailer fez parecer um filme daqueles bem “comoventes”. Bom ter lido esse post, assim já vou assistir o filme sem tantas expectativas.

    Comentário por Felipe de Alcântara — 2010/04/03 @ 11:57

  2. Otimo ter lido, pois a frustação seria enorme diante do que foi falado.

    Comentário por rosalvo neto — 2010/04/03 @ 18:05

  3. Uau!
    “Um sonho possível” poderia ser a desistência dos diretores de Hollywood de fazerem filmes melodramáticos e partirem para filmes de arte, inspirando-se na escola européia… Acho que não, isso está mais p/ “utopia, das bravas”!!!
    Bjão, muito chocolate…
    Adh

    Comentário por Adh2bs — 2010/04/04 @ 12:02


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