O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2010/03/22

ESPINHO PARA OS OUVIDOS

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 07:50

Sempre que vou ao teatro ou ao cinema observo um comportamento que instiga muito mais pessoas do que supunha: as manifestações da audiência.
No cinema essa “interação” atinge, por motivos óbvios, apenas a platéia. É gente comendo pipoca com a boca aberta, sofrendo de síndrome de pernas inquietas e balançando a fileira inteira e o pior dos tipos: os que comentam cada cena que se passa na tela.
No teatro esse cenário é um pouco mais complexo porque atinge também o artista. Além de todos os perfis citados acima, há os que insistem em deixar o celular ligado, os que aguardam o espetáculo começar para desembrulhar um Sonho de Valsa, os que tossem e os que têm motivado até palestras: os que aplaudem na hora errada. Mas, surpreendentemente, eles são bem-vindos.
Alex Ross – crítico de música erudita da revista “New Yorker” – deu uma palestra em Londres sobre o assunto há duas semanas: “Segure seu Aplauso: Inventando e Reinventando o Concerto Clássico”.
Na conversa, ele falou da evolução da etiqueta dos concertos e observou que atualmente o público está preso a uma camisa-de-força.
Ao contrário do que o título sugere, Alex não condena os efusivos, acha que o público deve aplaudir quando tiver vontade. “Gostaria de ver algo mais flexível. A natureza do trabalho dita a natureza da apresentação e, consequentemente, a resposta da audiência”.
Em seu blog, Gerald Klickstein – guitarrista e professor da Escola de Artes da Universidade da Carolina do Norte – compartilha da opinião de Alex: “Não há uma maneira certa de aplaudir. O músico deve adaptar sua apresentação ao repertório, à personalidade no palco e principalmente ao público que o assiste”.
O pianista Stephen Hough fica no meio termo. Em um artigo para o jornal “The Telegraph” no ano passado intitulado “Palmas entre os movimentos? Por favor!” ele diz que “há certos movimentos no repertório que absolutamente pedem aplausos”.
Aplaudir ou não?
Durante um concerto no ano passado na Casa Branca, Obama deu seu veredicto: “Se há alguém aí não conhece música clássica e não tem certeza da hora de bater palma, não fique nervoso. Aparentemente o presidente Kennedy tinha o mesmo problema. Jackie e ele assistiram a vários concertos aqui e ele aplaudia no momento errado. O secretário acabou resolvendo o problema fazendo um sinal para ele através do buraco de uma porta. Felizmente eu tenho Michelle para me dizer quando devo aplaudir. Mas vocês estão por conta própria”.
O conselho é usar o bom senso. Ele nunca falha.
Para nossa tristeza, o público brasileiro não está familiarizado com nada do que sugerem os músicos estrangeiros: da etiqueta à mesa à etiqueta do concerto. O próprio bom senso nos é caro.

Anúncios

7 Comentários »

  1. Em peças de teatro, em shows, aplaudo movida pela emoção, achei lindo? adorei? palmas, palmas!!
    E uma boa dose de bom senso sempre salva.

    Comentário por picida ribeiro — 2010/03/22 @ 14:02

  2. Pior é quando aplaudem o Hino Nacional…
    Isso é o cumulo.

    E no teatro quando gritam bravooooooooo rsrsrsrsssss

    Comentário por Juliana Pate — 2010/03/22 @ 14:32

  3. Minha cara sensível amiga Tati, é por essa e por outras, que devemos investir muito na educação e na cultura das nossas crianças, e formar público qualificado para esses eventos sociais e vculturais.

    Forte abraço

    C@urosa

    Comentário por Caurosa — 2010/03/22 @ 17:13

  4. Tati, concordo com o pior dos tipos no cinema: “Xiii, vai se dar mal!” ou “Só em filme mesmo…” ou “Eu não disse?”. Caramba.
    No teatro, os atores sabem quando o texto vai gerar aplauso em cena aberta e dão uma segurada… Em ballet, após os solos, os bailarinos se dirigem à plateia.
    Mas em concerto clássico… pela ordem: conhecimento, bom senso, camisa de força.

    Beijocas.

    Comentário por Selma Barcellos — 2010/03/22 @ 17:21

  5. Lembra do Sergio Ricardo e Geraldo Vandré que jogaram o violão na platéia.

    Concordo que nós que vamos aplaudir temos que ter o bom senso,mas os artistas também não podem ficar nervosinhos.

    Comentário por Juventino — 2010/03/22 @ 19:56

  6. Oe!
    Prefiro a espontaneidade da pessoa aplaudir quando há uma deixa… Mas falta de educação é outra coisa: já acho que falar no cinema – ou teatro – o cúmulo da grosseria, no celular, então…
    Em tempo: gosto de pipoca e refrigerante ANTES ou DEPOIS da sessão; durante é totalmente fora de propósito!
    Abçs,
    Adhchato

    Comentário por Adh2bs — 2010/03/22 @ 20:38

  7. Talvez o que mais me incomode no cinema são aqueles caras que insistem em dar risadas altas (como o Bira do Programa do Jô), quando a cena é “engraçadinha” mas nada que motive uma gargalhada. Isso sim é irritante!

    Comentário por Ricardo Rezende — 2010/03/22 @ 23:20


RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: