O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2010/02/28

OS SUJOS QUE ME PERDOEM

Arquivado em: Vox populi — trezende @ 08:23

Há dez dias alguns jornais britânicos noticiaram algo que fez com que pulgas e percevejos programassem a serenata de Gilliard. Segundo uma pesquisa, mais de meio milhão de ingleses troca os lençóis da cama apenas três vezes ao ano.
Entre as regiões com mais cascão, a campeã é Londres (24%), seguida do nordeste do país (22%).
Nesta quarta-feira foi a vez das pulgas “made in USA” comemorarem com júbilo: o “The Wall Street Journal” revelou que os americanos limpam a geladeira uma ou duas vezes ao ano.
O resultado da pesquisa realizada por alguns fabricantes de geladeiras teve um desdobramento curioso. Cientes de que é um hábito arraigado, marcas como “Whirlpool”, “Viking Range” e “Sub-Zero” desenvolveram refrigeradores com tecnologia suficiente para auxiliar os consumidores a conviverem com a sujeira.
Entre as novidades, espaço interno 25% maior, prateleiras incrementadas com ranhuras microscópicas que ajudam a represar uma latinha de refrigerante derramado, sistema de íons mata-bactérias e melhor iluminação – para evitar que alimentos sejam esquecidos num canto.
Alguns modelos chegarão ao mercado americano em maio.
De acordo com a pesquisa, os americanos só limpam e organizam suas geladeiras quando imprevistos acontecem, como o derramamento de líquidos ou quando um cheiro ruim se apodera do eletrodoméstico.
Além da imundície, descobriu-se que os consumidores não sabem estocar os alimentos corretamente. Quatro anos atrás, na tentativa de descobrir como as pessoas organizavam suas geladeiras, a “Sub-Zero” pediu que um grupo de 12 voluntários arrumasse os itens de uma compra equivalente ao consumo de uma semana.
O que se notou foi um caos. Carne e latinhas de bebida no compartimento para legumes, leite e ovos na prateleira da porta e muitos produtos espremidos.
Os problemas, segundo o fabricante: a carne crua, se contiver a bactéria E. coli, pode pingar e contaminar alimentos – principalmente os que são ingeridos crus, como frutas e legumes. Ovos e laticínios não devem ficar na porta – é o lugar mais quente da geladeira. E, finalmente, quanto mais os itens estiverem espalhados, melhor a circulação do ar.
Dicas: depois de lavadas, frutas e verduras devem ser envolvidas em plástico para evitar contaminação; apenas condimentos como molhos podem ficar na porta; é importante limpar constantemente a prateleira abaixo das gavetas inferiores – que é para onde tudo escorre.
Fica aqui um recado para ingleses e americanos: a gente é pobre, mas a gente é limpinho.

2010/02/27

SOPA DE ESTRELAS

Arquivado em: Cri-crítica — trezende @ 08:39

Pode um filme reunir um elenco de astros e estrelas e mesmo assim se transformar num buraco negro? Sem dúvidas.
“Idas e Vindas do Amor” está em cartaz para sanar quaisquer suspeitas.
O diretor Garry Marshall – o mesmo de “Uma Linda Mulher” – deve ter as costas quentes em Hollywood, afinal, conseguiu seduzir Kathy Bates, Jamie Foxx, Julia Roberts, Shirley Mac Laine, Ashton Kutcher, Bradley Cooper (de “Se Beber, Não Case”), Anne Hathaway, Queen Latifah e ainda o casalzinho “Malhação” Taylor Swift e Taylor Lautner.
A julgar pela competência dessa galera, o saldo poderia ter levado Garry Marshall ao atendimento “First Class”, mas o que ele obteve foi um mingau ralo, insípido e “sem sustança”.
“Idas e Vindas do Amor” se desenrola durante um dia – o Dia dos Namorados em Los Angeles – e segue a tendência do momento: contar histórias paralelas que de alguma forma se cruzam.
Além desta fórmula, há também a tentativa de fisgar públicos bem díspares: imigrantes, adolescentes americanos, Terceira Idade e o espectador cativo de comédias românticas.
Desse Titanic apenas um elemento se salva: Queen Latifah, que mesmo aparecendo em pouquíssimas cenas, dá um show.
Quem melhor resume o imbróglio – sem querer querendo – é o próprio diretor.
Uma reportagem da agência de notícias EFE revela que quando perguntado sobre as diferenças entre fazer uma comédia romântica hoje e há 20 anos, ele diz que a essência é a mesma. No entanto, atualmente o leque de possibilidades é muito maior, já que não é preciso se prender à relação entre homem e mulher. “O princípio e o desenlace é sempre o mesmo (…) A diferença está em tudo o que acontece no meio e nos atores escolhidos para provocarem uma ligação com o espectador”.
Do jeito que ele define, a impressão é que o “meio” é um reles detalhe.
O resultado desse pensamento simplório de Garry Marshall taí para quem quiser conferir.

2010/02/26

BEBENDO PORQUE É LÍQUIDO

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:27

Hoje uma boa notícia para quem já testou todas as dietas, “shakes” e remédios para emagrecer e não conseguiu se moldar à calça 36.
Uma técnica desenvolvida por um cirurgião plástico californiano leva ao pé-da-letra a máxima do “no pain no gain”.
Segundo uma reportagem do jornal “Vancouver Sun”, o método do médico Nikolas Chugay instala um dispositivo na língua do paciente que causa dor todas as vezes em que ele se alimenta.
O procedimento envolve costurar uma pequena malha de polietileno na língua do paciente tornando dolorosa a ingestão de sólidos e forçando a pessoa a uma dieta de baixa caloria, líquida.
Desde setembro do ano passado o médico já atendeu 35 pessoas que perderam, em média, nove quilos durante o período de um mês em que o “patch” permanece costurado.
Manter a boca fechada à força tem um precinho apimentado. A intervenção – que dura dez minutos e deixa como saldo de quatro a seis pontos no centro da língua – custa cerca de 3 mil dólares.
Em poucos meses na praça o método já fez inimizades. Há quem o considere “bárbaro”, “medieval” e “desnecessariamente cruel”. “Não acho que a dor seja o melhor caminho para encorajar pessoas a mudarem seu estilo de vida”, diz um médico canadense especialista em bariatria.
O inventor do método rebate dizendo que há inúmeros pacientes que já tentaram de tudo e não conseguem parar de comer. Além disso, é uma técnica que permite a perda de peso rápida para ocasiões especiais e fornece acompanhamento ao paciente – tratamento psicológico e um plano de dieta e exercícios físicos.
Nikolas Chugay crê ainda que sua técnica é muito mais segura do que uma lipoaspiração ou uma cirurgia de redução do estômago. “Não há nada de bárbaro nisso, é um procedimento não-invasivo”.
O dr. Nikolas está coberto de razão. O que é um remendo na língua diante de uma prótese de silicone no bumbum, um alargador na orelha ou um botoque no lábio como o do cacique Raoni?
No entanto, minha dica para perder peso é arrancar um dente ou fazer uma cirurgia na boca. Sai mais em conta.

2010/02/25

O SEGREDO

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 10:34

Felicidade é um sentimento que, apesar de almejado, poucos são capazes de defini-lo. Talvez porque subjetivo. Ou polêmico.
Uma matéria publicada pelo jornal britânico “The Times” chega para confundir ainda mais a mente dos casados: “Felicidade é um banheiro separado”.
Logo no início, a pergunta: “É possível continuar gostando de alguém mesmo após vê-la sentada no trono?”.
Os “pró-privadas independentes” têm defensores como Catherine Zeta-Jones e Michael Caine. Segundo a reportagem, recentemente ambos declararam que o segredo para um casamento feliz não é fidelidade, amor eterno ou admiração mútua, mas banheiros independentes.
Michael Caine – que está há 37 anos com a mesma mulher – costuma separar-se “higienicamente” da esposa até quando hospeda-se em hotéis. Catherine Zeta-Jones – há dez anos com Michael Douglas – crê que é sempre uma ótima saída: “O meu é tão bagunçado que eu odiaria que meu marido soubesse o quanto ele pode ser caótico”.
Ainda de acordo com o “The Times”, não há nenhum dado oficial que relacione a taxa de divórcios ao número de banheiros, mas para Andrew G. Marshall – terapeuta de casais e autor de “Como Posso Voltar a Acreditar em Você?” – a equação é simples: portas fechadas = vida sexual melhor.
“Ver o outro sentado no trono tira todo o mistério. Todos nós sabemos o que se passa dentro do toalete, não temos de assistir a isso. Nós queremos nos sentir deuses ou deusas diante dos nossos parceiros e a inexistência de privacidade pode esbarrar na atração sexual”.
Se Catherine Zeta-Jones e Michael Caine estão certos de que dividir o banheiro é uma tragédia, a atriz burlesca Dita von Teese acredita que o bom senso é o mais importante.
Apesar de não expulsar o namorado do banheiro, ela acha que algumas atitudes podem ser deixadas no mundo privado. E pergunta: “Por que não manter o mistério o máximo que você puder? Eu mesma pinto meu cabelo, mas não permito que ele me veja. Eu sei o quanto é ridículo andar nua pela casa com tinta no cabelo e nas sobrancelhas”.
Se há controvérsias quanto ao nível de felicidade ou de desejo, já há uma certeza no mercado imobiliário. A reportagem cita a experiência dos corretores. Eles dizem que a demanda por banheiros para eles e para elas ocupa o topo do mercado. Na falta dos dois ambientes, a procura é por pias separadas.
O mais razoável é mesmo a opinião de Dita von Teese. Todos temos de instalar torneiras misturadoras em nossos cérebros. Nem água quente demais, nem gelada. Aí é que mora o segredo.

2010/02/24

ESPIÃO DO BEM

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:49

Se a sua cidade fosse um livro, que título teria? Seria uma biografia? Um romance? Um livro de autoajuda? Ou um manual do tipo “Aprendendo a Arte de Preencher Cuecas com Dólares”?
A resposta requer uma dose de criatividade, mas em Nova York ela pode ser solucionada facilmente com a ajuda de um blog, o “Cover Spy” (“Espiões de Capa”).
O projeto é da “Slice Magazine”, uma revista sobre literatura com sede no bairro do Brooklyn.
A ideia é simples, como explica a página principal do site: “um time de nerds se espalha por estações do metrô, ruas, parques e bares para identificar o que os novaiorquinos estão lendo”.
O trabalho dessa turma deve ser bem divertido. E o resultado é curioso – algo parecido com o que o “The Sartorialist” faz na área da moda, que é fotografar os modelitos das pessoas comuns nas ruas.
Amy Sly, diretora da Slice, diz que “é sempre interessante ver o que as pessoas ao seu redor estão lendo – e é especialmente curioso porque nem sempre são os livros que estão em destaque nas páginas dos jornais”.
Os posts são diários e todos eles seguem um padrão: título do livro e autor, seguidos da capa escaneada, do local em que foi visto e uma breve descrição do leitor.
Numa passeada pelo blog, um punhado de curiosidades. Primeiro, uma observação já divulgada por diversas pesquisas: 90% dos leitores são mulheres. E, de fato, grande parte dos livros não aparece na lista dos mais vendidos.
Os títulos são bem variados: guias de turismo, autores clássicos (J. D. Salinger, Jane Austen, Albert Camus), diversos romances, leituras mais “pesadas” (Nietzsche) e até brasileiros como Paulo Coelho (“O Alquimista”) e Arnaldo Jabor (“Eu Sei Que Vou Te Amar”).

Confiram alguns exemplos com as respectivas observações dos “nerds”:

“Comer, Rezar, Amar”, Elizabeth Gilbert (feminino, 40 anos, cabelo louro platinado, casaco de pele preto, trem D);

“Um Banquete para as Gralhas”, George R. R. Martin (feminino, 30 anos, óculos, nariz escorrendo, trem L);

“Uma Pitada de Rapé”, Audrey Niffenegger (feminino, 40 anos, teve longos suspiros enquanto lia, trem Q); 

“A Guerra Civil”, Cesare G. Giulio (masculino, 40 anos, jeans rasgado, jaqueta de couro, alguns cabelos brancos, trem 6);

 “A Guerra que Matou Aquiles”, Caroline Alexander (masculino, 40 anos, sorriu quando seu amigo lhe mostrou um jornal, trem F)

Visitem o site AQUI

2010/02/23

HALLOWEEN FORA DE ÉPOCA

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 14:12

O demo está à solta. O sagrado que já deveria ter começado a dar as caras com o fim do Carnaval parece estar longe da nossa realidade política. Talvez seja coisa para bem depois da Quaresma.
Os demos estão em polvorosa. Depois de José Roberto Arruda – que acaba de completar 12 dias atrás das grades –, as bolas da vez são o governador interino Paulo Octavio e o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.
Enquanto “Arruda está deprimidíssimo, chora com facilidade” – segundo a “Folha de S. Paulo” – Paulo Octavio parece bexiga de festa infantil: sofrendo pressões de todos os lados. Pode ser que seja expulso, pode ser que fique, pode ser que não, pode ser que seja preso, pode ser que não.
No entanto, a intervenção federal em Brasília é dada como certa.
E o que dizer da declaração bombástica de Lula ao jornal “O Estado de S. Paulo” no sábado:
Pergunta: “O sr. acha que os fatos do mensalão do DEM, no Distrito Federal, são fatos inverídicos também?”
Resposta: “No DEM tem um agravante: tem gravação, chegaram a gravar gente cheirando dinheiro”.
É ou não motivo para os demos temerem o demo?
Já Kassab rebolou e conseguiu se safar ainda que temporariamente do xilindró. Acusado de recebimento de doações ilegais na campanha de 2008, ele permanece no cargo até que o recurso da defesa seja julgado.
Tudo isso por quê? Porque a Justiça brasileira resolveu fazer… justiça.
Por alguma conjunção dos astros os juízes acordaram em 2010 dispostos a trabalharem – ou melhor, decididos a pararem de fazer vista grossa.
A situação da Justiça sempre foi como a cena do assalto no farol: estão todos vendo, mas ninguém faz nada. Nem nós, brasileiros. Poderíamos fazer justiça com as próprias mãos se soubéssemos votar. Mas nem isso.
A Justiça tardou. Agora vamos pagar para ver se ela vai falhar.

2010/02/22

MUITO ALÉM DO LEITE

Arquivado em: Cultura inútil — trezende @ 07:48

Na terra de ninguém que é a web, a segmentação de sites e blogs é mais do que natural. Mas em meio a essa divisão, há quem crie territórios tão específicos que despertam a atenção pelo ineditismo – não exatamente pela relevância do conteúdo.
Um universitário canadense que utiliza o codinome “Phronk” inventou o “Putting Weird Things in Coffee” (“Colocando Coisas Estranhas no Café”), cujo fim é apenas o informado no título.
A explicação também é simples: “Eu tomo café todo dia, mas já estou enjoado de creme e açúcar”.
Então, desde abril do ano passado “em nome de toda a humanidade” ele vem experimentando ingredientes doces, salgados, azedos e amargos em seu café: bacon, sorvete, cream cheese, ovo (“eggspresso”), iogurte, salmão defumado e até curry.
Ele pede que seus leitores enviem sugestões de consumo e avisa que há uma regra: ele só misturará ao café ingredientes que ele possa comer. “Portanto, não vou por cocô de cachorro – apesar de achar que seria realmente bizarro”.
A descrição das experiências é surpreendente. O que parecia nojento não foi e vice-versa.
Bacon, curry e ovo não foram problema para “Phronk” – tanto em termos de paladar quanto de textura. A alquimia com ovo, por exemplo, faz com que o sabor do café permaneça por mais tempo na boca porque gruda-se à língua e ao céu da boca. Dentre as desagradáveis, a de “blue cheese”, engolida com muito sacrifício.
A maior surpresa foi a de banana. “Phronk” simplesmente não conseguiu beber a mistura até o final e não recomenda ninguém acrescentá-la ao café.

Sugestões para “Phronk”? Visitem o site AQUI

2010/02/21

OS OLHOS DE QUEM VÊ

Arquivado em: Vox populi — trezende @ 09:43

Com esta nossa autoestima não contava: os norte-americanos são as pessoas mais atraentes em todo o mundo. Pelo menos segundo os ingleses.
Esse é o resultado de uma pesquisa publicada pelo jornal britânico “Daily Telegraph”, na qual o Brasil aparece na vice-liderança e a Espanha ganha medalha de bronze.
De acordo com a porta-voz da empresa que conduziu a pesquisa, “a América tem muito a oferecer e se gaba de ter as pessoas mais sexies do planeta. Jessica Alba, Jennifer Aniston e Brad Pitt ajudam a construir a imagem de país-celeiro de lindos”.
Mais de cinco mil ingleses participaram da pesquisa, que elegeu australianos, italianos e suecos para as colocações seguintes.
Ainda segundo a porta-voz, “é verdade também que com uma população de mais de 300 milhões, os americanos realmente têm uma vantagem considerável, mas analisando o resultado, temos de fazer justiça: quando pensamos em beleza, logo vem à cabeça países como Suécia, Itália, França e Brasil. Muito antes de nós, preguiçosos e pálidos britânicos”.
Os americanos, no entanto, podem parar de “ficar se achando”. Em setembro do ano passado, o mesmo instituto de pesquisa ouviu 15 mil mulheres de 20 países para descobrir os piores e melhores amantes do mundo.
Dentre os piores, em primeiro lugar estão os alemães, seguidos dos ingleses e suecos. Os americanos ficam em quinto e os brasileiros nem são citados.
Na lista dos melhores estão espanhóis, brasileiros, italianos e franceses. Os americanos nem aparecem na lista.
Ok, bonitinhos. Mas ordinários.

Top 20 dos países “mais lindos”:

1. Estados Unidos
2. Brasil
3. Espanha
4. Austrália
5. Itália
6. Suécia
7. Inglaterra
8. Índia
9. França
10. Canadá
11. México
12. Portugal
13. Wales
14. Rússia
15. Japão
16. Irlanda
17. Argentina
18. Holanda
19. Escócia
20. Alemanha

Top 10 dos países “piores amantes”:

1. Alemanha (muito fedorentos)
2. Inglaterra (muito preguiçosos)
3. Suécia (muito rápidos)
4. Holanda (muito dominadores)
5. Estados Unidos (muito brutos)
6. Grécia (muito amorosos)
7. Wales (muito egoístas)
8. Escócia (muito escandalosos)
9. Turquia (muito suados)
10. Rússia (muito peludos)

2010/02/20

DANDO BANDEIRA

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 07:40

A ideia não passa de uma brincadeirinha, mas ela ajuda a nos abrir os olhos.
O recém-lançado “Please Rob Me” (“Por favor, me roube”) é a ferramenta que todo marginal sonha. O site indica, minuto a minuto, perfis de pessoas que não estão em casa. A página inicial dá uma lista das “residências vazias no momento” e, como num site de empregos, mostra as “novas oportunidades” em tempo real.
Criado por três holandeses, o site usa informações do Twitter e de outros aplicativos como o “Google Latitude” ou o “Foursquare”.
Há quem utilize o Twitter como fonte de troca de informação, mas é muito maior o número de pessoas que o usa como diversão: “De saída para a casa da Dani”, “Aqui em Salvador tá demaissss” ou “Preso na enchente”.
O “Foursquare” é, de fato, um perigo. Ele é uma mistura de rede social com jogos e tem aplicativos para o iPhone, para o Blackberry, o Palm e celulares. Pelo celular, ele rastreia onde o usuário está no momento do post ou do tweet e registra seu “check-in”.
O objetivo primordial da ferramenta é indicar serviços públicos ao seu redor, como restaurantes, bares, cinemas e lojas. Mas pode ser também um ótimo banco de dados para pessoas mal-intencionadas.
“Nós deixamos as luzes de casa acesas quando estamos de férias e, ao mesmo tempo, dizemos para a Internet inteira que não estamos lá”, diz Frank Groeneveld, um dos inventores do site.
Na seção “Por quê?” do site eles explicam que o objetivo não é encorajar criminosos, apenas lembrar os usuários de que compartilhar informações desse tipo pode trazer riscos.
Taí uma ótima sugestão à polícia brasileira. Sempre que um indulto de Natal, de Páscoa ou do raio-que-o-parta se aproximar, presentear o querido preso com um celular batizado com o “Foursquare” – já que sugerir um implante subcutâneo pode causar a grita do povo dos Direitos Humanos.
Take care!

Visitem o site AQUI

2010/02/19

CÂIMBRA NUNCA MAIS

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:52

 

Já pagaram todas as contas do mês de janeiro? Já doaram às vítimas do terremoto no Haiti? Se ainda assim estão com 15 mil dólares sobrando na cueca e não recebem mensalão do DEM ou do PT a dica é fazer um velhinho feliz.
Quinze mil dólares é o valor que Ken Bannister está pedindo pelo seu “Museu Internacional da Banana” no site de leilões “eBay”.
Localizado na cidade de Hesperia, na Califórnia, é o maior do mundo dedicado a uma fruta segundo o “Guiness”, o Livro dos Recordes.
A brincadeira começou em 1972, quando Bannister – ex-gerente de vendas das sopas “Campbell” – ganhou de sua secretária um rolo com 10 mil adesivos da fruta. Bannister os deixava os stickers na mochila e distribuía a todos. Percebendo que causava riso e bom humor, levou adiante. O associado mais famoso é o ex-presidente Ronald Reagan.
Atualmente o acervo tem mais de 17 mil itens que incluem livros, fotografias, relógios, comidas variadas, bebidas, cigarros, bronzeadores, batons, escovas e pastas de dente, sabonetes, xampus, peças de vestuário, ímas de geladeira, móveis, roupas de cama, mesa e banho e até milho para pipoca sabor banana.
Esta é a segunda tentativa de Bannister de vender o museu – na primeira pediu U$ 45 mil e o produto encalhou. Ele contou ao jornal “Victorville Daily” que decidiu liquidar a coleção porque não poderia mais alugar o salão em que o museu está instalado em Hesperia. Quem se anima?

O post de hoje foi uma homenagem a Gordon Brown, o maior devorador de bananas do Reino Unido – depois de “sir” Elton John.

Conheçam o “Museu Internacional da Banana” AQUI

2010/02/18

O PULO DO GATO

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 13:04

Passado o Carnaval, muitos têm de encarar o saldo negativo da folia: a luta com os números. Não os relacionados à conta bancária, mas os que aparecem a mais na balança.
As páginas iniciais de vários sites de notícias apresentam fórmulas emagrecedoras tão ou mais milagrosas do que aquelas que prometiam um corpo sarado para a festa do Momo em apenas dois dias.
Clica daqui, clica dali e acabei navegando por “mares alimentares” nunca dantes imaginados e que poderiam tranquilamente figurar na editoria “Humor” ou “Bizarro”.
A primeira vem da Inglaterra e envolve o primeiro-ministro. Gordon Brown está comendo nove bananas por dia. A responsável pela dieta é a esposa Sarah, que está preocupada com a boa forma do marido para as eleições gerais.
Fontes próximas ao casal garantem que o objetivo é substituir um péssimo hábito do primeiro-ministro. Antes de se afogar em bananas, ele devorava três barras de “KitKat” ao dia.
Lá como cá, jornalistas foram à caça de médicos e nutricionistas para analisar se Gordon Brown está fazendo ou não uma boa troca.
As opiniões são variadas – uns falam que a banana é rica em potássio e fibras, ajuda a baixar os níveis de colesterol, mas o primeiro-ministro pode até engordar e sofrer com a flatulência.
Cada país tapa o buraco da falta de informação com o Carnaval que está mais ao alcance…
Já na Itália o tema é mais polêmico. Beppe Bigazzi – chef de cozinha e um dos apresentadores do programa “La Prova del Cuoco” (algo como “Desafio do Cozinheiro”) – resolveu mostrar-se pioneiro demais e acabou chocando os telespectadores.
A receita do dia era uma velha conhecida dos brasileiros: filé miau.
Durante o programa do dia 10 de fevereiro o chef deu a dica de uma sopa com carne de gato típica da região de Valdarno, na Toscana. Beppe disse que quando acompanhada de um molho espesso, a carne de gato é melhor do que a de galinha ou a de coelho. Ela deve ser preparada três dias antes para ficar macia e depois cozida em uma caçarola.
Ontem, quarta-feira, a notícia de que o chef foi suspenso pela rede italiana RAI por causa da quantidade de protestos tanto de telespectadores quanto de membros de várias sociedades protetoras de animais.
Conclusão: apesar de tudo, o Brasil é o país perfeito. Bananas e filés miau à vontade sem o mínimo risco de problemas com a balança ou com a Justiça.

Assistam a um trecho da dica de Beppe AQUI

2010/02/17

LOVE YOUR CHAOS

Arquivado em: Cri-crítica — trezende @ 10:10

Pedofilia, violência, abusos de toda ordem, preconceito estético e analfabetismo. Dramas comuns a inúmeros brasileiros que aterrisam em Hollywood através de “Preciosa – Uma História de Esperança”.
Produzido por Oprah Winfrey, com participações de Lenny Kravitz e Mariah Carey, é forte candidato a grande vencedor do Oscar deste ano, com seis indicações: filme, diretor, atriz (a estreante Gabourey Sidibe), atriz coadjuvante (Mo’Nique, a mãe-problema), roteiro adaptado e montagem.
“Preciosa – Uma História de Esperança” foi filmado em apenas cinco semanas e narra as desgraças na vida de Claireece “Precious” Jones, uma adolescente de 16 anos moradora do Harlem, negra, obesa, pobre, analfabeta e que sofre abusos morais da mãe e sexuais do pai.
O filme é baseado no livro “Push”, da poeta e cantora norte-americana Sapphire. Em entrevistas a jornais americanos ela explica que o enredo não é uma autobiografia e nem tampouco é a jornada de uma pessoa específica.
O livro é resultado de uma colagem de histórias reais que ela conheceu na época em que lecionava num colégio no Harlem. No entanto, a autora sofreu abusos sexuais – fato que não comenta.
A estreante Gabourey Sidibe é o maior achado de “Preciosa” – selecionada seis semanas antes do início das filmagens através de uma peneira da qual participaram mais de 400 meninas.
Seria simplista comparar seu trabalho ao de Mickey Rourke em “O Lutador”. No ano passado, quando da indicação do ator ao Oscar, o mérito de sua interpretação foi subtraído com o argumento de que Rourke estava a encenar a si mesmo e, portanto, não mereceria a estatueta.
Não será de se estranhar se o mesmo artífício for usado no caso de Gabourey, afinal, ela já desperta empatia apenas por suas limitações físicas. Nem precisaria ser uma grande atriz.
Além do talento de Gabourey, a graciosidade do filme reside na maneira como ele oscila entre os extremos da comédia e do drama sem melodramas.
Os momentos em que Preciosa se esquece de sua condição miserável, se torna uma Poliana e perde-se em devaneios – de que um dia será famosa, disputada pelos homens e dará autógrafos – são geniais.
“Preciosa – Uma História de Esperança” consegue se livrar do maior fantasma que ronda filmes do gênero, que é apelar para o sentimentalismo barato. Ele passa à margem desse perigo e se apresenta essencialmente humano.
“Preciosa” comete apenas uma falta: não situar o telespectador no final do filme – como é praxe em obras baseadas em livros. Um epílogo como “Fulana ficaria presa até 2001 e sicrano se curaria da doença cinco anos após se formar na faculdade” só viria a somar.

2010/02/16

SAMBA DE UMA NOTA SÓ

Arquivado em: Matutando — trezende @ 09:46

Todo ano nestes cinco dias de folia vivemos um feitiço do tempo. Se por algum problema técnico as emissoras de TV decidissem exibir as imagens do Carnaval de 2009 ou de cinco anos atrás ninguém tomaria tento.
Entra ano, sai ano, entra Gerard Butler, sai Paris Hilton e o enredo se repete. “O maior espetáculo da Terra” toma conta da Marquês de Sapucaí e “a festa não tem hora pra acabar”. No fim da última escola, “já com o sol raiando, até os garis caem no samba”. “E a platéia aplaude”. Todos os repórteres entrevistam o mesmo gari – o tal do Sorriso –, que até já virou garoto-propaganda de uma marca de cerveja.
A questão é que no quesito sorriso o nosso já está amarelo.
Será que o povão não se cansa desta falta de ineditismo e de criatividade? Pelo menos na Páscoa e no Natal temos lançamentos de sabores de ovos de chocolate e de panetone, respectivamente. Nas águas de março, novas regiões são alagadas. No nosso aniversário, muda a quantidade de velas. No Carnaval nenhuma novidade – nem o próprio Momo, que já quis ser magro.
Vira-e-mexe recebemos por email algum gerador de lero-lero, aquele em que inserimos um tema e a quantidade de linhas e ele nos devolve um texto vazio e prolixo, ideal para um discurso político ou palestra.
Com tantos anos de “maior espetáculo da Terra” nas costas qualquer um de nós é capaz de criar um “Gerador de samba-enredo”. A diferença é que não é necessário nem inserir o título, afinal, eles são imutáveis: descobrimento do Brasil, MPB ou algo como “água, fonte da vida”.
Basta jogar “índios”, “caravelas”, “meu amor”, “Carnaval”, “fantasia”, “liberdade”, “Sapucaí” e “lê lê lê”, “uou, uou, uou” e pronto. É só correr para a concentração.
Se alguém responder “sim” a alguma das perguntas abaixo estará pego na mentira. Alguma vez vocês já viram:
Carros alegóricos entrarem na avenida sem dar problema? Mestre-sala e porta-bandeira não receberem nota dez de todos os jurados? Passista que não queira aparecer girando o pandeiro na bunda da parceira? Presidente de escola que não desmaie – antes ou durante o desfile e depois, na apuração? Destaque que não tenha caído do alto do pedestal? Famoso dizer que está muito emocionado e que nunca sentiu algo tão forte na vida? Carnavalesco não fazer segredo sobre o que a escola trará para a avenida? Algum novo casal se beijando para os fotógrafos? Apuradores não anunciarem com suspense as notas da “bateria nota dez”?
Ora, se é “bateria nota dez”, por que tanto mistério? Outro ponto curioso: vocês já repararam que ninguém desfila, todos “vêm”? “Esse ano eu ‘venho’ de príncipe do Egito”, “a Mangueira ‘vem’ com muita energia”.
Haja energia para ultrapassar esses cinco dias.
A única novidade em meio a todo esse circo é que as rainhas e madrinhas de bateria estão cada vez mais popularescas, mais botocadas e com as coxas mais e mais bombadas. Não importa se uma está mais ou menos vestida do que a outra. O principal é surgir com o corpo transformado com a ajuda de anabolizantes e dizer que há três semanas só come clara de ovo e batata.
Tudo muda – até o poder tonificante da clara do ovo – menos o Carnaval.

2010/02/15

NINE É NOVE

Arquivado em: Cri-crítica — trezende @ 09:55

Quem disse que Hollywood não precisa de propaganda? Ela é a alma de qualquer negócio – inclusive para produções que aparentemente se virariam sozinhas só de enumerar a constelação que forma o elenco.
O musical “Nine” é um ótimo exemplo de que saber vender peixe é fundamental – contaminado ou não com a síndrome do “já ganhou”.
A ficha técnica do filme é de causar ciúmes até no tapete vermelho do Kodak Theatre: Daniel Day-Lewis, Marion Cotillard (de “Piaf”), Sophia Loren, Judi Dench, Nicole Kidman, Penélope Cruz, Kate Hudson e a cantora Fergie – que está a cara e o focinho de Elke Maravilha.
O diretor é o mesmo de “Chicago” e “Memórias de Uma Gueixa” – o instável Rob Marshall – e o roteiro é de Anthony Minghella (de “O Paciente Inglês”) e Michael Tolkin.
“Nine” chegou aos cinemas brasileiros sem nenhum estardalhaço, permanece em cartaz há mais de duas semanas e está quase passando batido.
Apesar de ter sido nomeado em cinco quesitos ao Globo de Ouro, não faturou nenhuma. Resta-lhe a expectativa das quatro indicações ao Oscar – ainda assim em categorias menores: atriz coadjuvante (Penélope Cruz), direção de arte, figurino e canção.
O que há de errado?
Além da evidente carência de investimentos em publicidade, “Nine” teve o azar de sofrer constantes comparações com o filme preferido de nove entre dez cinéfilos: “Oito e Meio”, de Fellini.
“Nine” é vagamente inspirado na obra-prima do diretor italiano. Também já foi tema de duas versões na Broadway – uma com Raul Julia e outra com Antonio Banderas no papel principal – e agora praticamente luta para não ser exibido na “Sessão da Tarde” na semana que vem. Pena, porque é um filme que merece muito ser visto.
O musical narra as memórias de Guido Contini (Daniel Day-Lewis), um famoso diretor de cinema italiano em crise criativa e pessoal que interrompe um filme pela metade – daí o “8 e ½”.
Incapaz de dizer não a uma mulher, católico e atormentado pela culpa, precisa começar a rodar sua nona obra em dez dias, mas não tem uma linha do roteiro. Em meio a toda essa confusão mental, Guido relembra infância, amores passados e presentes e deseja voltar ao colo de mamãe (Sophia Loren).
As críticas mais ácidas a “Nine” ressaltam a inutilidade dos números musicais para o contexto da trama. Mas eles são ótimos. O ponto alto acontece surpreendentemente no da atriz menos promissora do elenco, Kate Hudson, com seu “Cinema Italiano”. Videoclipe de primeira qualidade.
É importante alertar ainda que “Nine” é um programa para quem gosta do gênero “Musicais” e tem paciência com cenas em que as personagens desandam a cantar passando manteiga no pão ou amarrando o cadarço do sapato.
De qualquer forma, “Nine” é uma boa maneira de apresentar de forma leve um dos trabalhos de um cineasta considerado gênio ou de (re) iniciar os que ficaram traumatizados com alguma experiência como “E La Nave Va”.

Assistam ao trailer AQUI

2010/02/14

O CARNAVAL DA SURPRESA

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 09:40

O ser humano é surpreendente.
A decisão dos ministros do Superior Tribunal de Justiça de mandar prender o governador José Roberto Arruda em pleno Carnaval é, além de inédita, inesperada. Estariam os ministros sob os efeitos de um lança-perfume dos bons?
Aditivados ou não, a notícia nos alegra tanto que bate uma vontade de fundar um bloco carnavalesco e sair por aí comemorando. Já há até sugestões de nomes: “Panetone da Gota Preta” ou “STJ é Quase Amor”. A marchinha, claro, é a mesma de sempre: “Ei, você aí, me dá um dinheiro aí, me dá um dinheiro aí!”.
Seria tão bom se governantes e autoridades em geral tomassem um pouquinho dessa água que os ministros andam bebendo.
E, ao que tudo indica, não é bem esta que Lula toma. O presidente não chega a ser surpreendente por suas declarações sobre ponto G e pererecas, mas sim pela mudança de postura. Na época da exibição das imagens da gangue do DEM recheando diversas partes do corpo com dinheiro, o presidente disse que “as imagens não falam por si”.
Mas ele voltou atrás e, entre uma gracinha e outra em Goiânia, declarou-se chocado: “é uma coisa absurda a gente imaginar que, em pleno século 21, isso acontece no Brasil”.
Tão ou mais surpreendente do que os ministros do STJ e Lula juntos é Madonna. Nesta semana, ao ser anunciada sua presença na platéia do Circo Voador, a cantora mostrou-se envergonhada. Tanto, que se escondeu atrás de Jesus Luz.
Quem um dia imaginaria que a maior pop star do planeta ficaria encabulada por uma bobagem? E justo no país, quiçá, mais sem-vergonha do mundo?
Um país cuja população também é surpreendente, que faz encalhar os estoques de panetone às vésperas do Natal por causa de um escândalo político.
Apesar de abatido, Arruda tem de considerar que passar o Carnaval preso não é de todo ruim. Ele ficará distante dos desfiles das escolas de samba do Rio e de Sâo Paulo, dos agitos do Galo da Madrugada, do trio de Dodô e Osmar, dos bonecos gigantes de Recife e Olinda e até do desfile de fantasias do Copacabana Palace (que Clovis Bornay o tenha).
É certo que o governador não ficará muito tempo no xadrez, mas já valeu pela humilhação. Lavamos a alma. Este ano as baianas nem precisam banhar as escadarias da Igreja do Bonfim. Já está tudo surpreendentemente lavado.
O que Arruda necessita agora é de um bom galho de… arruda atrás da orelha.
Bom Carnaval!

2010/02/13

HORA DE DAR TCHAU

Arquivado em: Diário de bordo — trezende @ 09:36

Fora o mar exuberante, o que mais impressiona nos arredores de Cancun são os “cenotes” (poços). Por onde quer que se vá há vários deles – um mais bonito do que o outro.
A península de Yucatán é uma região de terreno pedregoso e de solo calcário. Portanto, andamos inúmeros quilômetros em estradas planas e nada de rio, córrego, cachoeira, bica d´água ou chafariz.
A água só aparece no subterrâneo, em forma de poços. Alguns estão cercados por vegetação fechada e outros são facilmente localizados graças à cúpula.
O mais famoso é o Cenote Sagrado de Chichén-Itzá – indisponível para banhos e mergulhos. Mas a três quilômetros do sítio arqueológico está um dos mais bonitos: o de “Ik Kil” (dos Ventos).
O “Poço dos Ventos” fica num hotel e é muito bem conservado. Difícil alguém chegar à boca do poço e não tomar um susto. Ao olhar para baixo, descortina-se a maravilha: um poço com águas azuis em meio ao que parece um jardim tropical com 50 metros de profundidade.
Para alcançar o espelho d´água, o turista precisa descer uma escada de pedra com 92 degraus – são 22 metros até a água.
Lá embaixo, ao olharmos para o alto e nos depararmos com o monte de cipós, nos sentimos o próprio Chewbacca em busca do elo perdido – com direito a uma ponta de medo de que apareça um daqueles bichos voadores para nos atacar. Paisagem pré-histórica mesmo. E linda.
Apesar de o uso de coletes salva-vidas ser recomendado, a maioria dos turistas opta por um mergulho-kamikaze.
Ambiente de selva, praia, ruínas arqueológicas, parques aquáticos, mergulhos simples ou arriscados, lagartos, boates, hotéis deslumbrantes ou até miragens envolvendo dinossauros. Assim é Cancun e arredores. Um programão mesmo no inverno.
Moral da história: agendem uma visita antes de vocês virarem oferenda para os deuses. Até a próxima!

Acima, a decoração do teto do bar Señor Frog´s

Vejam mais fotos AQUI

2010/02/12

LAS ISLAS BONITAS

Arquivado em: Diário de bordo — trezende @ 09:18

Tanto Isla Mujeres quanto Cozumel são lugares mais pacatos do que Playa del Carmen – mas nem por isso menos atraentes. Ambas oferecem opções para os que gostam de mergulhar e praticar snorkeling ou para quem pretende se hospedar em hotéis menos exuberantes do que os de Cancun.
Saindo da Praia das Tartarugas ou da Praia Linda, são apenas 25 minutos de ferryboat até Isla Mujeres, uma pequena e antiga vila de pescadores com sete quilômetros de extensão. Como a ilha é minúscula, a maioria dos turistas aluga carrinhos de golfe, bicicletas ou motos para explorá-la.
As principais atrações são o Parque Garrafón – com diversas atividades aquáticas –, a lindíssima praia de Punta Norte e a Punta Sur.
Neste lado sul há resquícios de um templo maia em homenagem a Ixchel – deusa da fertilidade, da razão, da Medicina e da Lua. No entanto, a visita às ruínas não vale a pena – principalmente depois de conferir o desbunde que é Chichén-Itzá e Tulum. Mais vantajoso é subir no farol e apreciar a paisagem da ilha.
Tudo em Isla Mujeres leva o nome “Mundaca”: locadora de carros Mundaca, imobiliária Mundaca, restaurante e bar Mundaca e por aí vai. O onipresente Mundaca é por causa do pirata espanhol homônimo que chegou à ilha no século 19 e construiu uma fazenda – a Vista Alegre – que ocupava cerca de 40% das terras do lugar.
No caminho de volta ao norte – onde está o centro e o píer – a dica é passar na Playa Tiburón (Praia do Tubarão) e fotografar os audaciosos turistas que nadam com alguns tubarões de cativeiro.
Já Cozumel – a 45 minutos de ferryboat a partir de Playa del Carmen –, é ponto de chegada de diversos transatlânticos, o que deixa o centrinho com aparência de 25 de Março e preços de Jardins. Portanto, a boa pedida é afastar-se dali.
As melhores praias estão do lado oposto ao do píer – Chen Rio, Punta Morena, Playa Bonita –, todas elas sem estrutura de grandes restaurantes porque são locais protegidos devido à desova de tartarugas-marinhas.
Assim como em Isla Mujeres, a deusa Ixchel era adorada pelos habitantes de Cozumel. Há três sítios arqueológicos na ilha – o maior deles está bem no centro, o de San Gervasio.
Se em Isla Mujeres é Mundaca quem nos persegue, em Cozumel o que assombra são as esculturas cintilantes por toda a orla. Focas, polvos, peixes e até tubarões purpurinados nos lembram a Sapucaí. E o pior: que do país da Sapucaí viemos e para lá retornaremos.

Amanhã, o último capítulo da saga mexicana.

Acima, pássaros curtem a brisa do mar de Cozumel

Vejam algumas fotos AQUI

2010/02/11

A DOIS PASSOS DO PARAÍSO

Arquivado em: Diário de bordo — trezende @ 09:38

A cidade arqueológica de Tulum é a terceira mais visitada do México – fica atrás de Teotihuacan (próxima à Cidade do México) e Chichén-Itzá.
Tulum está no Estado de Quintana Roo e fica a quase duas horas de Cancun, mas o sacrifício da viagem vale a pena. O lugar é impressionante. Une praias fabulosas e ruínas bem conservadas – graças ao trabalho de restauração da Universidade de Chicago.
Na época da decadência dos maias, Tulum funcionava como um corredor mercantil para as cidades de então. Por isso, era cercada por muralhas com torres de vigia para dificultar quaisquer invasões.
Calcula-se que cerca de cinco mil pessoas habitavam Tulum entre os séculos 12 e 15, um lugar com palácios e templos de pedra onde viviam nobres e governantes.
Além dos muros, o local era naturalmente protegido – localiza-se no alto de paredões de 12 metros acima do nível do mar. A paisagem lá do alto é maravilhosa.
Quem optar por não visitar o sítio arqueológico com o sol na moleira, pode ficar feliz apenas com as praias. Basta descer uma escada quase em frente ao castelo principal (foto acima) para estar com os pés na areia.
Apesar de não ser possível atravessar de uma praia para a outra pela orla – há muitas rochas pelo percurso – uma caminhada de cerca de dois quilômetros leva o visitante à praia mais bonita do entorno, a Playa Paraiso.
O clima por ali lembra um pouco Caraíva e Praia do Espelho, na Bahia, mas as praias são indiscutivelmente mais belas. Há inclusive mochileiros que acampam de frente para o mar, a poucos metros das ruínas.
Um passeio imperdível.

No capítulo de amanhã, as ilhas de Isla Mujeres e Cozumel

Confiram algumas fotos AQUI

2010/02/10

CADA CULTURA, UMA SENTENÇA

Arquivado em: Diário de bordo — trezende @ 09:29

“Xcaret” – palavra maia que significa “pequena enseada” – fica a 74 quilômetros de Cancun e foi por mais de mil anos um dos mais importantes portos e centros comerciais da cultura maia na costa oriental de Yucatán. Hoje é uma mistura de parque aquático e temático que oferece quase 50 atrações.
Como diz o folheto promocional que tenta vender um passe para um retorno, “um día no basta” para conhecer “Xcaret”. É preciso bater perna o dia inteiro para dar conta de tantas opções. Portanto, não é o programa mais indicado para quem pensa em apenas curtir praia.
O melhor local para se ter uma visão geral do parque e traçar planos para o dia é a torre panorâmica giratória que sobe a 80 metros de altura. De lá é possível avistar também, ao longe, a belíssima Playa del Carmen.
O segundo programa da lista é descer os 600 metros do rio subterrâneo deixando-se levar pela correnteza. Os que não conseguem cumprir todo o percurso podem usar uma das seis saídas de emergência existentes pelo caminho.
Além do centro de atividades aquáticas, com mar paradisíaco, lagoa, rio subterrâneo, piscina, área para nadar com golfinhos, tubarões ou praticar snorkeling, “Xcaret” tem diversos programas para a conservação da flora e fauna da região – como o das tartarugas-marinhas e do peixe-boi, mariposário e orquidário. Também é o lugar ideal para conhecer um pouco das tradições e do folclore mexicano.
Na parte da tarde, em horários estabelecidos, acontecem algumas apresentações típicas, como show equestre, desfile de trajes típicos e a performance dos “Voladores de Papantla”. O ritual – originalmente praticado pelos índios Totonac da região de Veracruz – era uma forma de agradecer e pedir boa colheita aos deuses.
A apresentação conta com a participação de cinco homens. Um deles fica no alto de um mastro de uns 30 metros de altura tocando um instrumento parecido com a flauta. Enquanto isso, os outros quatro – cada um simbolizando um ponto cardeal – dão 13 voltas ao redor do poste presos por cordas amarradas aos pés.
A mistura do colorido das fantasias dos “voladores”, o azul do céu, a coreografia realizada de ponta-cabeça e a música dão um efeito bem interessante.
O melhor de “Xcaret” acontece a partir das cinco e meia da tarde. No Tlachco, um teatro gigantesco, ocorre o “Xcaret Mexico Espetacular”. No espetáculo – com duas horas de duração – reúnem-se mais de 300 artistas para encenar tradições maias e danças típicas de alguns Estados mexicanos.
Dentre os quadros que mais impressionam está uma reconstituição do jogo da pelota (“pok ta pok”). O jogo tinha um significado sagrado e cósmico – simbolizava a luta da luz contra as trevas – e acontecia num campo retangular com sete jogadores em cada time.
O “gol” ocorria quando o atleta conseguia arremessar uma pesada bola de borracha através de um anel de pedra fixado num dos lados do campo. Detalhe: a bola só podia ser tocada com a cintura.
Como o jogo era comum em todas as civilizações pré-colombianas, existiam algumas diferenças na prática entre as diversas regiões.
Excepcionalmente em Chichén-Itzá – onde está o maior campo de que se tem notícia – os jogadores utilizavam uma espécie de raquete para acertar a bola. Além disso, no fim da disputa, o capitão do time perdedor decapitava o capitão da equipe vencedora. Na cultura maia, a morte através do sacrifício era considerada honrosa para o sacrificado porque ele se tornava imortal.
Cada cultura, uma sentença.

No capítulo de amanhã, as ruínas de Tulum

Vejam algumas fotos AQUI

2010/02/09

PASSE DE MÁGICA

Arquivado em: Diário de bordo — trezende @ 09:36

Chichén-Itzá foi uma cidade que funcionou como o mais importante centro político e econômico durante o auge da civilização maia – de 200 a 900 depois de Cristo. Na língua maia, Chichén-Itzá quer dizer “A boca do poço dos bruxos d’água”.
Eleita há cerca de três anos como uma das Sete Maravilhas do Novo Mundo, Chichén-Itzá fica a 205 quilômetros de Cancun, já no Estado de Yucatán, e seu cartão-postal é a pirâmide de Kukulkán (acima).
O guia que nos acompanha por Chichén-Itzá informa que o mundo maia espalhou-se por cinco países: México, Belize, Guatemala, Honduras e El Salvador. Das 11 mil zonas arqueológicas já descobertas, apenas 104 estão abertas ao público.
Apesar de a pirâmide mais famosa ser a de Kukulkán, a mais alta – a La Danta – está na Guatemala, em El Mirador, e vai a mais de 70 metros.
O título de uma das novas sete maravilhas do mundo, entretanto, não foi conquistado graças à beleza da pirâmide, mas pelo o que ela representa. A Kukulkán é na verdade um calendário cheio de significados que demonstra todo o talento dos maias na Matemática, na Astronomia e na Engenharia.
Cada lado da pirâmide tem 91 degraus (91 x 4 = 364) que somados à plataforma superior resultam em 365, número de dias do ano. Além disso, cada um dos lados está voltado para um dos pontos cardeais e há 52 painéis em suas paredes – uma referência aos 52 anos do ciclo de destruição e reconstrução do mundo.
O mais impressionante é que nos equinócios de primavera e outono a sombra do sol numa das escadarias forma a silhueta de uma serpente. Trata-se da sombra de Kukulkán, o deus-serpente dos maias em homenagem ao qual a pirâmide foi erguida.
Outra curiosidade é que ao batermos palmas a partir de um certo ponto de distância da pirâmide o eco que se tem é o canto de um pássaro. Simplesmente mágico.
O centro arqueológico conta com várias outras construções, como o Templo de Chac Mool, a Praça das Mil Colunas e o Campo de Jogo de Pelota – cujo significado será explicado em outro post.
Há por volta de 17 “cenotes” (poços) pelas ruínas. O maior deles – o “Cenote Sagrado”, que batizou o lugar – era usado para despejar os restos mortais das vítimas dos sacrifícios humanos realizados em nome dos deuses.
O poço tem 60 metros de diâmetro, o espelho d’água está a 22 metros e a profundidade é de 13 metros. Depois de descoberto foi explorado por arqueólogos, que encontraram no fundo das águas cerca de 35 mil oferendas que incluíam pedras preciosas e ossos humanos – a maioria de crianças.
Estima-se que a população em Chichén-Itzá era algo entre 40 e 60 mil pessoas da alta classe que viviam separadas do restante dos habitantes por muros que cercavam a cidade.
Só há um ponto a se lamentar em Chichén-Itzá: apesar de o ingresso ao local ser tarifado e o controle de pulseiras ser rígido, o acesso de ambulantes é permitido. Entre as ruínas realiza-se um verdadeiro mercado a céu aberto cujos vendedores não dão sossego nem aos turistas nem às almas penadas que vagam pelo lugar.

No capítulo de amanhã, o parque “Xcaret”

Vejam fotos AQUI

Próxima Página »

O tema Rubric Blog no WordPress.com.