O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2010/01/02

OS MENINOS QUE ROUBAVAM LIVROS

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 09:31

Todos estão lembrados do episódio envolvendo Winona Ryder pega com a boca na botija – e a bolsa cheia – na Saks. Ou ainda o da brasileira presa após tentar roubar um xampu.
Alvos e realidades distintas que renderam a ambas punições também diferentes.
Uma reportagem publicada pelo “The New York Times” sugere a seguinte pergunta: será que as penas poderiam ser semelhantes – ou mesmo inexistentes – se uma e outra fosse flagrada embolsando um livro, por exemplo? Ou ainda: o valor do objeto-alvo alivia de alguma forma a imagem das protagonistas?
A matéria do jornal revela que apenas 40% dos livros lidos nos Estados Unidos são pagos e 28% comprados zero km. O restante é compartilhado, emprestado ou roubado.
Segundo os vendedores de livro, com a recessão, o furto a lojas tem crescido. Na “BookPeople”, em Austin, no Texas, a taxa de furto aumentou para aproximadamente um livro por hora. E a maior surpresa: Steve Bercu, o dono da livraria, conta que o título mais surrupiado é a Bíblia. Ele brinca: “aparentemente os ladrões não leram a parte do ‘não roubarás’ ou talvez acreditem que não é preciso pagar pela Bíblia. Algumas pessoas pensam que a palavra de Deus deveria ser gratuita”.
Os livros sagrados são embolsados até na “Parable Christian Store” (“Loja Parábola Cristã”), em Springfield, apesar de o gerente dizer que se alguém chegar e pedir eles dão uma de graça.
Mas nesta temporada a Bíblia está dividindo as atenções com outros títulos. Em livrarias independentes, ladrões têm espichado os olhos para obras como “Steal This Book” (“Roube Este Livro”), de Abbie Hoffman.
Escrito na década de 70, era de certa forma um manual de sobrevivência da contracultura. Abbie ensinava desde afanar discos no supermercado (“numa caixa de pizza congelada cabem dois LPs”) ou a burlar o correio (“enderece o envelope a você mesmo e ponha o nome do destinatário no lugar do remetente; a correspondência sem selos é habitualmente devolvida ao ponto de origem”).
Livros de ficção, no entanto, têm sido os preferidos. A responsável pelo setor de compras da “BookPeople” ressalta outra curiosidade: títulos com selos de recomendação do staff da loja estão em alta. “Aparentemente os criminosos de Austin dividem o gosto literário conosco ou estão abertos a sugestões”.
Hippie ou religioso, o perfil do ladrão é sempre o mesmo: exclusivamente masculino.
A visão de humor que os livreiros têm sobre a situação deixa no ar a dúvida sobre a relação entre o alvo do roubo e a punição. Afinal, livros são objetos caros, de luxo mesmo.
A diferença é que no Brasil os algozes jamais roubariam livros.

Anúncios

1 Comentário »

  1. Colocar dinheiro na cueca ou na meia vira pizza,porque punir quem rouba um pocket book.

    Comentário por Juventino — 2010/01/02 @ 21:52


RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.

%d blogueiros gostam disto: