O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2010/01/01

COMO MORRER NA PRAIA

Filed under: Cri-crítica — trezende @ 10:01

No início de “Encontro de Casais” até nos ajeitamos na cadeira. Com tanto astral brotando da tela, é quase impossível não apostar que estamos diante da comédia do ano.
O clipe de abertura, ao som de “Modern Love”, de David Bowie, nos faz cantarolar sem constrangimentos.
Tudo se encaminha para o mais completo deleite: o elenco – que tem Jean Reno, Vince Vaughn e Kristin Davis, de “Sex and the City” –, a perspicácia do bate-papo trivial das personagens, a fofura do filho caçula de um dos casais, o mar azul turquesa e a paisagem estonteante da ilha de Bora-Bora, na Polinésia Francesa, animam até o papa. Uau. Um novo “Quem Vai Ficar Com Mary?”.
Ao fim do primeiro terço da projeção, a descoberta de que estamos entrando numa fria – e sem Ben Stiller. A alegria morre, literalmente, na praia.
Os casais chegam ao paraíso – o resort “Éden”, uma espécie de “rehab” para casados – e nós, ao inferno.
O desastre vai para a conta dos roteiristas Dana Fox, Jon Favreau – que também é um dos atores – e Vince Vaughn. A experiência poderia servir para o trio elaborar um manual do tipo “Como estragar um filme em dez lições”.
O “modern” do clipe inicial ou qualquer outro adjetivo que daria leveza e ritmo à história cede espaço a piadas que talvez agradem a adolescentes – há inclusive uma disputa deslocada e sem propósito de “Guitar Hero”.
A presença de Jean Reno, subaproveitada, renderia ótimos momentos. Afinal, sua personagem tem um título que, sozinho, já é uma piada: o de “encantador de casais”.
O mesmo pesar se estende a coadjuvantes como Sctanley – uma espécie de Tattoo da “Ilha da Fantasia”, porém em dimensões normais.
O cenário de comercial de Prestígio é tão desperdiçado quanto o talento dos atores. Em vez de explorar, dentro do contexto, as maravilhas da Polinésia Francesa em situações pitorescas – como a dos tubarões –, o filme opta pelo caminho mais complicado: misturar “DR” e humor. Definitivamente, “DRs” e comédias não foram feitas umas para as outras.
Vince Vaughn como roteirista é um ótimo ator – tinha a faca e o queijo, mas preparou uma feijoada.

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