O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2009/12/04

A CEREJINHA DO BOLO

Filed under: Cri-crítica — trezende @ 07:35

Há filmes que empanzinam tanto quanto uma buchada de bode num domingo de sol, mas ao contrário de alimentos indigestos como pepino ou mortadela, são rapidamente esquecidos.
 Ingredientes de má qualidade – como história fraca ou elenco ruim – contribuem para arruinar o prato principal.
Para muitos, comédias românticas padecem desse mal. Os que sofrem com a azia causada pelo gênero recorrem ao argumento absolutamente compreensível de que tudo não passa de água-com-açúcar com desfecho previsível.
O recente “A Proposta” – com Sandra Bullock e Ryan Reynolds – começou a provar que os filmes considerados de mulherzinha podem ser mais do que o chuchu insosso que muitos os consideram.
“Julie e Julia” chega para exterminar de vez esse preconceito. Porque é de abrir o apetite. Em todos os sentidos.
Se “Julie e Julia” fosse um programa de culinária, seria o de Nigella. A ode aos prazeres da mesa feita a partir de ingredientes engordativos, porções fartas e muita manteiga chega às últimas consequências. O resultado é delicioso.
Além de nos ajudar a constatar que a vida não é possível sem manteiga, “Julie e Julia” tira qualquer peso na consciência. O filme prega o contrário do que pedem nutricionistas, cardiologistas e personal trainers e os leva ao enfarte diante de tanta gulodice.
As personagens comem muito, sem culpa e se relacionam com a comida melhor do que com as amigas.
No elenco, repete-se a dobradinha Meryl Streep-Amy Adams, que deram um show ao lado de Philip Seymour Hoffman em “Dúvida”. Recordista em nomeações ao Oscar – até hoje foram 15 – Meryl Streep deve emplacar nova indicação este ano graças à interpretação falastrona e exagerada da culinarista americana Julia Child.
O filme é baseado em duas histórias reais que viraram livros. Um é o da própria Julia Child (“Minha Vida na França”). O outro é o de Julie Powell, “Julie e Julia: 365 Dias, 524 Receitas, 1 Cozinha Apertada”. Assim como no livro, Powell tem o desafio de preparar as 524 receitas do livro “Dominando a Arte da Culinária Francesa” no período de um ano.
O primeiro prato do filme – um peixe boiando na manteiga que justamente por isso aparenta saborosíssimo – já ativa as glândulas salivares. Depois a fome só vai apertando: ovos nevados, torta de chocolate, pato assado recheado e “boeuf bourguignon” – tradicional cozido francês à base de carne, legumes e vinho.
A temática feminina é reforçada pela maneira como os homens gravitam em torno das mulheres. Os maridos de Julie e Julia são os principais incentivadores de seus respectivos projetos. Claramente a perseverança não era característica da personalidade de ambas – que são “redimidas” pela cozinha.
Nora Ephron acertou em cheio na receita. Nora foi a roteirista responsável por um dos grandes sucessos do gênero: “Harry e Sally – Feitos Um Para o Outro”. Anos depois foi diretora e roteirista de “Sintonia de Amor” e “Mensagem Para Você”.
Se há algum risco de “Julie e Julia” se transformar em algo indigesto é a duração do filme: duas horas. Meia hora a menos e já seria possível sairmos correndo para o primeiro restaurante.

P.S.: Não se espantem com a altura de Meryl Streep. Apesar de a atriz ter cerca de 1m68, a Julia Child real tinha seus 1m88. Para que tudo soasse mais verossímil, ajustes de câmeras, cenários e saltos altos foram usados para que a atriz se aproximasse do tamanho da biografada.

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3 Comentários »

  1. Minha competente crítica Tati, onde tem Meryl Streep, certamente, o resultado é bom. Estarei ligado para me banquetear com esse filme.

    Forte abraço

    caurosa

    Comentário por caurosa — 2009/12/04 @ 19:47

  2. Já li alguns comentários sobre o filme. Tem todo o jeitão do ser de meu estilo preferido.
    Dos comentários que li, voce sempre a melhor na funçao. A MEEELHOOOORRRR!!!

    Comentário por picida ribeiro — 2009/12/06 @ 16:23

  3. Adooooro ver a Meryl Streep atuando, sempre! Uma das melhores.

    OBS: Tirando que sou vegetariana, haha, fiquei horrorizada com a cena da lagosta (e na do pato, do peixe… hahaha)

    Beijos e parabéns novamente!

    Comentário por Joana Bronze — 2009/12/07 @ 10:14


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