O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2009/11/03

VAI PRO TRONO OU NÃO VAI?

Filed under: Cri-crítica — trezende @ 09:31

chacrinha

camera“Alô, Alô, Terezinha” trilhou o mesmo caminho que “Tropa de Elite” e virou sensação antes de mesmo da estreia. Um por causa da pirataria, o outro graças a Biafra e seu pesadelo de Ícaro com um parapente.
O filme de Nelson Hoineff não é um documentário-padrão sobre a vida de Chacrinha. Há poucas informações sobre o Velho Guerreiro – apenas o suficiente para apresentar aos nascidos pós-década de 80 um perfil de atração fadada à extinção.
Entre bacalhaus e sacos de farinha furados, o apresentador misturava num mesmo programa Baby Consuelo, Caetano Veloso, Raul Seixas, Ney Matogrosso, Chiclete com Banana, Clara Nunes e Titãs. Hoje não é apenas a carência de nomes na MPB que dificultaria esse caldeirão, mas o cerceamento por parte das gravadoras ou o preconceito dos próprios artistas de se apresentarem em programas muito populares.
Chacrinha seguia à risca um de seus bordões, o de “quem não se comunica, se trumbica”. Além das clássicas buzinadas, provocava câmeras, tirava o sarro dos calouros, tinha incompreensíveis ataques histéricos no palco e seu comportamento politicamente incorreto seria alvo de vários processos judiciais se ainda estivesse no ar.
O diretor Nelson Hoineff segue essa mesma escola “sádica” e o resultado é instável – ele vai para o trono ou merece o troféu abacaxi?
Na tentativa de reviver um passado de glamour, as chacretes se transformam em “X-9”. Enquanto uma entrega que Chacrinha teria tido um affair com Clara Nunes, Vera Furacão diz que Silvio Santos não podia ver uma loira. Após o caso dos dois, a pergunta recorrente era sobre a homossexualidade do homem do Baú.
Vera também narra peripécias não-sexuais de Chico Buarque bêbado e o sonoplasta “My Boy” conta que Rita Cadillac, “apesar de ser a mais analfabeta”, foi a que se saiu melhor e permanece na mídia ate hoje.
Mas não é a troca de gentilezas que perturba. “Alô, Alô, Terezinha” tem o mérito de resgatar parte da história da TV ouvindo personagens que viveram essa época, mas derrapa ao provocar gargalhadas através da maneira mais fácil: revelando segredos constrangedores de personalidades ou rindo de estereótipos como o feio, o pobre ou o desdentado. Ao que parece, entrevistar calouros com visíveis problemas mentais ou gagos soa engraçado para grande parte da plateia.
“Alô, Alô, Terezinha” tem sim seus momentos divertidos, mas não resiste a uma análise final desprovida das emoções como as causadas por Biafra. Trata-se na verdade de um filme triste que mostra o que o tempo é capaz de fazer com as pessoas. Enfim, vem para confundir, não para explicar.

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7 Comentários »

  1. Chacrinha vai para o trono sim senhor. Um dos maiores comunicadores que esse Brasil já conheceu. Na ditadura braba o negócio era se divertir com as buzinadas e tentar advinhar quem era o cantor mascarado. Gente como o senhor Serginho Groisman (tá certo o nome?) não ataca as chuteiras do Rei da Galhofa. Aliás, Chacrinha, se vivo fosse e ainda estivesse na televisão, daria Ibop com toda certeza. Quanto ao documentário não posso dizer nada pois ainda não assisti. Como ele mesmo disse enquanto esteve mo Planeta Terra, veio para confundir.

    Comentário por Wilde Portella — 2009/11/03 @ 12:40

  2. Alô Alô Tatizinha!
    Ainda bem que existe gente de todos o tipos, não é? Ele ao menos foi “origenial”; e não essas pobres caricaturas que temos hoje achando graça na desgraça alheia… Consta que muitos artistas da nossa MPB foram lançados no programa do Velho Guerreiro… Ou pelo menos puderam aparecer por lá antes da fama, né não?
    Abç, ótima semana!
    Adh

    Comentário por Adh2bs — 2009/11/03 @ 13:15

  3. Embora tido como genial por muitos, Chacrinha não era dos meus preferidos.
    Mas a musica brasileira se fazia muito presente atraves dele, e isso já era muito bom. todos os estilos tiveram sua oportunidade com ele.
    Dizem tambem que ele cobrava um “jabá” legal! rsrs
    As chacretes eram interessantes. Todo mundo prestava atenção.
    Eu sonhava com aquelas botas brancas acima do joelho rsrs
    Mereço perdão??? rsrs

    Comentário por picida ribeiro — 2009/11/03 @ 13:45

  4. Eu gostava mesmo era da musiquinha e do polegar das chacretes “inocentemente safado” girando no ar e anunciando: “Roda, roda, roda e avisa, um minuto pro comercial, alô, alô…”. Sem falar no antológico “aqui jaz” de Rita Cadillac pedindo para ser enterrada de bunda para cima, por ser sua parte mais famosa. Roda, roda…

    Beijocas na Tati.

    Comentário por Selma Barcellos — 2009/11/03 @ 18:53

  5. Leia-se indicador no lugar de polegar. Dei uma de Rita.

    Beijocas.

    Comentário por Selma Barcellos — 2009/11/03 @ 18:54

  6. E o velho guerreiro sempre dizia, ” ajoelhou tem que rezar ” kkkkkkkkkkkk

    Comentário por Juventino — 2009/11/03 @ 19:38

  7. “Cult” é o brega que virou legal depois de um tempo.
    Filmes como esse reforçam a imagem do Chacrinha “cult”. Quem diria…

    Comentário por Ricardo Rezende — 2009/11/03 @ 19:42


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