O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2009/10/11

A GLÓRIA

Filed under: Cri-crítica — trezende @ 10:04

inglouriousbasterds_06

cameraTarantino deu o cano no Festival do Rio, mas o filme que iria divulgar se vira muito bem sozinho. “Bastardos Inglórios” é um filmaço. O melhor do ano.
São duas horas e meia divididas em cinco capítulos que começam, inclusive, com um “once upon a time…”. Apesar do início, romântico até, a história não é um conto-de-fadas. Além da violência – característica marcante nos trabalhos de Tarantino – o enredo se desenrola durante a Segunda Guerra Mundial.
Mas acalmem-se os que não aguentam mais filmes com esta temática esgotada. “Bastardos Inglórios” não é um filme sobre a guerra, mas sobre um grupo de soldados judeus-americanos que tem como missão “tocar terror” pelo Terceiro Reich.
E eles são competentes nisso. Os bastardos escalpelam inimigos tão facilmente como se descasca uma banana, transformam suas faces em peneiras e os espancam até a morte. Tudo embalado por uma trilha sonora com clássicos – a maioria de Ennio Morricone.
Talvez porque estejamos acostumados aos capitães Nascimento e Dadinhos da vida real, não são os banhos de sangue que nos despertam a atenção, mas o humor. Aí é que mora um dos diferenciais entre os que colam imagens e chamam de filme e os grandes diretores: fazer rir quando não há condições para isso. Em “Bastardos Inglórios” não há bandidos nem mocinhos. São todos patetas.
Com exceção de Brad Pitt e Diane Kruger – esta com aparições esporádicas em Hollywood – o time é todo formado por desconhecidos extremamente talentosos. O marido de Angelina é quase um coadjuvante. Não há outra forma de denominar sua participação após assistir à interpretação do ator austríaco Christoph Waltz, que dá vida ao coronel Hans Landa. Pela atuação, Waltz recebeu a Palma de Ouro em Cannes.
A boa surpresa quanto ao elenco só é comparável aos diálogos. Pode-se dizer que “Bastardos Inglórios” é composto por cinco deles – um a cada capítulo. O próprio Tarantino sabe a beleza que produziu. Diz, sobre a sequência de abertura do filme: “Quando terminei de escrevê-la, pensei: finalmente me igualei à cena dos sicilianos (de ´Amor à Queima Roupa´). Levou tempo, mas consegui”.
Tarantino se autoconcedeu várias licenças poéticas. As situações narradas e o desfecho não seguem o que a História nos conta. Segundo o diretor, apenas personalidades como Hitler e Goebbels existiram, o que lhe garantiu liberdade.
No filme há ainda referências a cenas e personagens como Sherlock Holmes, Gladiador e Cinderela. Quem for capaz de identificar Mike Myers ganha um doce.
“Bastardos Inglórios” merece o Nobel do cinema – e sobre essa escolha não haverá espanto.

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4 Comentários »

  1. Sou um fã do Taratino. Seu comentário sobre o novo filme do diretor me fez sentir vontade de assistir o quanto antes.

    Comentário por Wilde Portella — 2009/10/11 @ 14:10

  2. Minha amiga crítica Tati, eu acho o Tarantino inovador e competente, o que eu não gosto é da violência em seus filmes, às vezes ele exagera um pouco.

    Forte abraço

    Caurosa

    Comentário por caurosa — 2009/10/11 @ 14:28

  3. Alô-ô!
    Eu gosto muito de filmes de guerra, só não sei ainda se tratados assim. Enfim, vale a pena testar…
    Bjão, ótimo dia das crianças!
    Adh

    Comentário por Adh2bs — 2009/10/12 @ 00:31

  4. Depois do auê que o filme fez nos EUA (chegava a arrancar aplausos da platéia, segundo uma amiga), não vejo a hora de assisti-lo. Agora que cheguei de viagem, vou pegar a próxima sessão neste feriado.

    Comentário por Ricardo Rezende — 2009/10/12 @ 11:52


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