O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2009/10/07

CONTADORES DE HISTÓRIAS

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 11:39

fazenda

bolaferroNo início de setembro criadores de gado da Bélgica e de oito países europeus desperdiçaram três milhões de litros de leite em protesto pela crise que afeta o setor. A manifestação é absolutamente legítima – até porque o produto é deles.
O mesmo não se pode dizer do ato de selvageria cometido pelo MST no interior de São Paulo nesta semana. Eles passaram com o trator em cima de mais de quatro mil pés de laranja numa fazenda da Cutrale que, segundo eles, funciona numa área pública.
Alegam que os pés de laranja foram derrubados para dar espaço a plantações de feijão e milho. Uma líder do movimento no local disse que “não pode ser monocultura, tem que plantar comida para o povo, embora a gente entenda que laranja também é alimento”.
Mas de acordo com o vice-presidente da Federação Paulista de Agricultura, outras culturas podem ser cultivadas com a laranja. “Não seria necessário derrubar os pés de laranja para plantar o tal feijão”.
A ignorância e a ingenuidade do movimento tem passado dos limites toleráveis. A visão romântica da luta pela terra não faz mais sentido há muito tempo – desde quando José Rainha ainda era rei.
Além de os argumentos serem frágeis, falhos e injustificáveis, eles parecem se esquecer que muitos deles são contemplados pelo Bolsa-Família. Portanto, se há algo de que eles não precisam é de feijão e milho. Aliás, graças ao Bolsa-Família o movimento tem se enfraquecido. É grande a dificuldade de o MST arregimentar candidatos a invasões de fazendas. Basta um cartãozinho para o discurso da “comida para o povo” ir para o ralo.
Felizmente desta vez o governo parece não estar do lado dos manifestantes. O ministro do Desenvolvimento Agrário declarou que a ação foi “grotesta e injustificável”, um “legítimo tiro no pé” que vai atrapalhar as reivindicações dos baderneiros.
Apesar de o governo ter conseguido impedir a criação da CPI para investigar repasses federais a ONGs ligadas ao MST, há boatos da instalação de uma CPI do Campo. Até lá, o jeito é acorrentar nossos portões.

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5 Comentários »

  1. Tati, tudo que puder ser feito, até mesmo inventado, para deixar a CPI da Petrobrás fora do foco, será feito. Repare.

    Beijocas.

    Comentário por Selma Barcellos — 2009/10/07 @ 12:42

  2. “desde quando José Rainha era rei.” Isso é uma linguagem preciosa, uma pérola!!!

    Comentário por picida ribeiro — 2009/10/07 @ 14:03

  3. Concordo que os métodos do MST são errados. No entanto, a meu ver, a causa é justa. No dia 1 deste mês a capa da Folha foi “Concentração de terra cresce no país”, o que significa muita terra para poucos privilegiados. Segundo o jornal informa nesta quarta-feira, o Incra reivindicou em 2006 a posse dessa área da qual a empresa se apossou. Na coluna Painel, lê-se: “A Cutrale, defendida com veemência por deputados e senadores depois de ter visto um de seus laranjais destruído pelo MST, injetou R$ 2 milhões em campanhas de congressistas nas eleições de 2006. No ano passado, foram R$ 340 mil”. O resumo da ópera fica assim: a empresa ocupa terra da União. O Incra entra na Justiça. A Justiça não faz nada. Um grupo protesta (com métodos exagerados, embora com certa razão). Os congressistas se voltam contra o MST. A empresa financia os parlamentares em campanhas. A Justiça acorda e ordena com celeridade a reintegração de posse. Bem, é um círculo vicioso.

    Comentário por Renan — 2009/10/07 @ 16:46

  4. Logo após comentar, acessei o blog do Sakomoto.
    http://colunistas.ig.com.br/sakamoto/2009/10/07/destruir-pe-de-laranja-e-crime-atirar-em-indio-nao/

    “O ministro Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário) e o presidente do Incra, Rolf Hackbart, se disseram chocados com a “grotesca” e “injustificável” ação (do MST). Não me lembro dos dois funcionários públicos usarem os mesmos termos para tratar da situação dos guaranis kaiowás no Mato Grosso do Sul, que no último mês sofreram ataques, tiveram acampamentos incendiados e foram baleados por proprietários rurais e seus capangas na região – mais um capítulo de uma longa história de negação de direitos. O mais interessante é que o próprio Incra considera a terra (da Cutrale) grilada, luta na Justiça para recuperá-la e ninguém fala nada. Destruir pés de laranja é crime inafiançável, atirar em índio, não. De repente dá até medalha.”

    Comentário por Renan — 2009/10/07 @ 16:58

  5. É verdade. Talvez o Bolsa Família esteja contribuindo para esvaziar o MST. Acho que com programas assistencialistas como esse o pessoal passa a não se preocupar com nada, seja trabalho ou rebeldia.

    Comentário por Ricardo Rezende — 2009/10/07 @ 19:15


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