O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2009/08/03

BEM-ANCORADO

Filed under: Cri-crítica — trezende @ 09:00

deriva

claqueteNa falecida “Escolinha do Professor Raimundo” a personagem Sandoval Quaresma repetia o bordão sempre que levava nota zero: “Eu tava indo tão bem…”.
É essa a frase que vem à boca nos dez minutos finais de “À Deriva”, novo filme de Heitor Dhalia. Ao contrário do anterior – o embuste “O Cheiro do Ralo” –, neste há um frescor, uma leveza e um nostálgico cheiro de férias que só desaparecem nesta fração final.
A presença do astro Vincent Cassel no elenco foi exaustivamente alardeada, mas apesar da boa atuação do francês, é Deborah Bloch e a adolescente Laura Neiva quem roubam a cena.
A escolha de Laura chama a atenção. Cansados de procurar por novos talentos em shoppings e escolas, os produtores apelaram para o Orkut. As fotos da estudante – que nem atriz é – despertaram interesse da produtora, que contatou Laura pelo site de relacionamentos e depois por MSN.
O critério de seleção da protagonista não é apenas o único elemento a dar o tom novidadeiro e “lá em casa” a “À Deriva”. O viço do filme está também na escolha das locações em Búzios e na fotografia belíssima de Ricardo Della Rosa, que soube aprisionar todas as nuances das belezas naturais que foram dar na tela.
Para quem é leigo em moda, “À Deriva” ainda nos dá a oportunidade de reconhecermos o talento de um estilista – no caso, Alexandre Herchcovitch. Ele reconstitui com precisão e sem exageros o figurino dos anos 80, fundamental para a verossimilhança do produto final.
Trabalho semelhante e digno de elogios é o de Guta Carvalho, diretora de arte, que teve o cuidado de conseguir uma lata de Nescau das antigas para os cafés-da-manhã da família, as legítimas bicicletas Caloi e uma série de outros itens de cena.
Mesmo não tendo levado nenhum prêmio em Cannes, a sessão de gala de “À Deriva” terminou com mais de cinco minutos de aplausos. Preparem os de vocês.

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5 Comentários »

  1. Ah! que bom saber de um filme nacional de qualidade, que não trata apenas dos graves problemas do pais.!
    Ah! Adoro seus comentários cinematograficos!

    Comentário por picida ribeiro — 2009/08/03 @ 11:07

  2. Adorei o Post. Já estava querendo ver o filme, agora então, tô doida pra conferir esses dez minutos finais que vc comentou.

    Comentário por Sandra — 2009/08/03 @ 11:19

  3. Desculpa, mas vou ter que discordar. A fotografia me parece muito pobre, sem nenhuma sutileza, sem contar na concepção dos planos, completamente gratuitos. O figurino parece um editorial de moda de revista, não é real, os óculos escuros, os biquini. mesmo tendo todo o dinheiro do mundo não tem menina de 15 anos que não repita nunca o mesmo biquini em um mês de férias, como acontece no filme, ela só repete um maiô uma vez. A direção de arte também é fraca, achar uma lata de Nescau antiga é uma bobagem pra qq cenógrafo. Importante seria pendurar bem uma rede, ser coerente em montar a casa, o quarto do casal parece um hotel de estrada desses baratos. Pra mim o que falta no filme é coerência. O personagem que estava dormindo quando acordado vai de zero a 100 em dois segundos, uma mulher alcoolatra não pode ser sarada e ter a pele linda e os cabelos super bem tratados como os da Débora Bloch. A vida não é assim, isso é problema de direção, faltou sensibilidade!

    Comentário por Clarice — 2009/08/03 @ 16:30

  4. .

    Mais uma vez o acaso fez das suas, mesmo não sendo a crítica de cinema o meu lado forte, eu deixo o meu pitaco:

    Foi no carnaval, mais precisamente no camarote da Marquês de Sapucaí, que Heitor Dhalia viu pela televisão Vincent Cassel dando uma entrevista em português. Como o filme é uma co-produção e Cassel reunia todos os quesitos para o filme, Belucci acabou por descobrir que ele, ator de 40 anos, era o nome certo à película, com tudo o que tinha de direito.

    silvioafonso.

    .

    Comentário por silvioafonso — 2009/08/03 @ 16:39

  5. Minha cinéfila Tati, esta à deriva sem os seus competentes comentários sobre a sétima arte. Me parece ser um bom filme, pena que por aqui
    não temos muita oportunidade de ver cinema nacional de qualidade.

    Forte abraço

    Caurosa

    Comentário por caurosa — 2009/08/03 @ 22:26


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