O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2009/05/31

PRA LÁ DE BAGDÁ

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 11:24

saddam9d

filmeUma das imagens mais marcantes dos últimos tempos foi a destruição de uma estátua de Saddam Hussein em plena praça de Bagdá. A queda do monumento simbolizava também a derrocada do regime.
Cerca de seis anos após o episódio, destroços do ditador continuam despertando a atenção – mas agora sob os olhos artísticos.
O fotógrafo Richard Mosse passou um mês no Iraque, onde visitou 6 dos 81 palácios de Saddam Hussein. Hoje esses locais foram convertidos em abrigos militares norte-americanos. Bregas, vastos, com corredores de mármore e lustres extravagantes, são rodeados por piscinas, muros, fossos e o vazio do deserto.
Todos os objetos decorativos foram importados – dos sofás aos arcos das cestas de basquete, passando pelos pôsteres de mulheres de biquini.
Segundo o fotógrafo, a impressão transmitida por tantos enfeites excêntricos é a de alguém que foi passar um final de semana e colocou na mala vários objetos de naturezas diferentes. O resultado fica entre o militar e a decoração pós-moderna.
A narrativa toma caminho inverso quando se nota, num canto, um par de botas, o teto arrruinado ou uma arma encostada numa das paredes de mármore parcialmente destruída por algum ataque a bomba.
A proposta de Mosse – bolsista da Universidade de Yale – era trabalhar com os “monumentos acidentais”. Para ele, a História está sendo constantemente escrita e reescrita. A arquitetura é algo que pode revelar de que maneira alteramos o passado para construir um futuro novo. Um espaço onde passado, presente e futuro estão juntos para serem transformados.
Saddam Hussein construiu os 81 palácios com o objetivo de lembrar a todos sua onipresença – ele não estava apenas por perto, mas em todo lugar.
Antes da invasão norte-americana, os iraquianos que passavam próximo a um palácio evitavam fitá-lo diretamente. Desviavam o olhar – quase como se fossem prisioneiros além dos muros.
Richard Mosse destaca ainda que apesar de alguns palácios já terem sido devolvidos à população, em outros os oficiais vivem em situações-limite dividindo-se entre buracos e ratos e esperando dias para tomar um banho.
Saddam Hussein dava um prazo de dois anos para a obra ficar pronta, portanto, os palácios eram construídos apressadamente e com materiais baratos.
O “Al-Faw Palace”, perto do aeroporto de Bagdá, é cercado por um lago farto em peixes – inclusive o “Saddam Bass” (o “Robalo do Saddam” aí em cima). Diz a lenda que o ditador alimentaria o peixe com os corpos de seus oponentes políticos. O fato é que nem se trata de robalo, mas os soldados americanos passam o tempo livre fisgando peixes de quase 50 quilos.

Vejam mais fotos dos palácios de Saddam AQUI

2009/05/30

EM EXPOSIÇÃO NOS CINEMAS

Arquivado em: Cri-crítica — trezende @ 11:31

museu1

cameraRaramente a sequência de um filme é melhor que sua versão inaugural.
“Uma Noite no Museu”, que estreou há cerca de três anos, frustrou quem esperava mais um acerto na carreira de Ben Stiller. O filme se mostrou uma diversão infantil não muito palatável aos pais. Por pouco o ponto de partida – objetos do Museu de História Natural de Nova York ganharem vida – carece de elementos para sustentar as duas horas de projeção.
“Uma Noite no Museu 2” continua não provocando gargalhadas, mas consegue se redimir graças ao ótimo roteiro.
Tudo foi adaptado para que isso acontecesse – a começar pelo local onde a história se desenrola, o Museu Smithsonian. O complexo é composto por 19 prédios – alguns deles nem em Washington estão – mas no filme “tá tudo junto misturado”.
O diretor ainda se deu ao luxo de reunir obras de museus alheios e estilos diferentes e colocá-las na mesma sala de exposição. Dessa forma, “O Pensador”, de Rodin, divide espaço com a escultura “A Pequena Bailarina de 14 Anos”, de Degas.
Também a pop art de Roy Lichtenstein aparece ao lado de “Nighthawks” – famoso quadro de Edward Hopper – e “American Gothic” – a mais conhecida pintura de Grant Wood, que retrata um casal de velhinhos.
Mais do que trazer à vida personalidades históricas como Napoleão, Al Capone ou Theodore Roosevelt, o mérito de “Uma Noite no Museu 2” está em animar obras clássicas e transformá-las em personagens do filme.
A famosa foto de Victor Jorgensen, que mostra o beijo apaixonado entre um marinheiro e uma enfermeira na Times Square após o fim da Segunda Guerra, vira cenário para uma perseguição.
Já “O Pensador” está mais interessado em exibir os bíceps malhados. Os três anjinhos que sobrevoam uma das fontes do Smithsonian cantam um repertório Celine Dion com jeitinho de Jonas Brothers.
Enquanto as crianças se divertem com polvos gigantes, os pais mais antenados tentam se lembrar dos nomes dos quadros ou identificar de que acervos foram emprestados.
Melhor esquecer que Ben Stiller e Owen Wilson já fizeram “Zoolander” um dia.

2009/05/29

MESADA SOLIDÁRIA

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 08:52

politico1

moneyNesta semana, mais uma notícia fresquinha saída da caixinha de surpresas que é Brasília. O presidente do Senado, José Sarney, pediu desculpas à imprensa por ter mentido. Que humildade. Nem tudo está perdido.
Apesar de afirmar que nunca havia recebido auxílio-moradia, foi conferir e descobriu que a grana pingava sim em sua conta todos os meses, desde fevereiro.
Há 34 anos ele nunca recebera, mas por um equívoco da administração do Senado, começaram a depositar a ajuda em sua conta sem que ele soubesse ou que houvesse pedido.
Além de Sarney, outros três senadores com imóvel funcional em Brasília contam com o benefício.
Mais do que uma investigação geral sobre quais parlamentares detêm a regalia, é necessário descobrir quem é o espírito bondoso que olha por eles e decide: “ele merece, é um bom menino”.
No caso de Sarney, essa luz da bondade só pode ser um anjo, afinal, além de ter residência própria não apenas em Brasília, ele é ex-presidente – com todos os benefícios vitalícios que isso acarreta.
Mas por que Sarney deixa se queimar por tão pouco? O que são R$ 3.800 para quem possivelmente tem esquemas muito mais rentáveis dentro do Congresso? Em 34 anos é capaz que conheça até passagens secretas lá dentro.
O lamentável é que nenhuma atitude será tomada. O primeiro-secretário do Senado, Heráclito Fortes, já disse que Sarney não agiu de má-fé – foi um benefício recebido de maneira indevida, mas sem intenção de ferir a lei.
E, apesar de a Casa decidir que o dinheiro terá de ser devolvido, o pagamento continuará. Senadores com imóvel em Brasília não serão impedidos de receber o benefício, assim como os do Distrito Federal que residem na capital e congressistas que moram juntos – caso de parlamentares casados, como o senador Gerson Camata e sua amada Rita.
Quem é o torto nessa história? O esquema ou quem se beneficia dele? Obviamente nossos representantes estão apenas usufruindo de seus direitos como “otoridades”.

2009/05/28

GOOD HAIR DAY

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 08:37

barbavence

distintivoO Alasca não é apenas território do frio e de Sarah Palin. A “última fronteira” é também a terra dos barbudos, bigodudos, cavanhacudos e cabeludos em geral.
No sábado passado aconteceu na cidade mais populosa do Estado, Anchorage, o “Campeonato Internacional de Barba e Bigode”, que reuniu mais de 300 competidores de 15 países.
O grande vencedor foi David Traver, que trabalha como motorista em Anchorage. Ele inovou ao deixar de lado os modelos Dalí, Papai Noel e Hitler e desfilar com uma barba de quase 51 centímetros tingida e tecida em forma de sapato-raquete para neve.
Cultivada durante dois anos e meio, a barba demorou 90 minutos para ficar pronta – meticulosamente tecida pela “beard stylist” de Traver, Ledjha Carson.
A festa ocorre a cada dois anos desde o início da década de 90. As comemorações se iniciam durante a semana, quando todos participam de um desfile pelas ruas da cidade coroado por um piquenique.
Pode-se concorrer em 18 categorias, sendo que as principais são “bigodes”, “barbas parciais” e “barbas cheias”. Esta foi a primeira vez que um morador do Alasca venceu a competição – geralmente dominada por alemães.
Apesar de buscar a vitória há tempos, o Alasca é um terreno fértil para os cabeludos. É um Estado em que os homens são em maior número e, como vivem longe dos grandes centros econômicos, têm poucos motivos para se barbearem. O frio é mais um elemento que incentiva a prática.
Além do título, Traver ganhou um troféu e uma viagem para pescar salmão. Mas prometeu que vai se barbear. Deve ficar apenas com o bigode.
O próximo campeonato vai acontecer em 2011, em Trondheim, na Noruega.
Confiram algumas barbas de causar inveja a Benito de Paula e Belchior AQUI

2009/05/27

VAMOS BATER LATA

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:37

latas

imaAlguns itens do nosso dia-a-dia são tão naturais e familiares que passam batido. As embalagens em lata são um bom exemplo – práticas, fáceis de armazenar, de carregar e de abrir. O mais interessante é que são uma criação de um passado muito recente. Foi o que descobri através da história das cervejas em lata.
A bebida percorreu um longo caminho até a invenção das embalagens que conhecemos atualmente – aproximadamente há 100 anos. No início de 1900 as cervejarias começaram a quebrar a cabeça para produzir recipientes que pudessem resistir ao processo de pasteurização e não interferir no sabor da bebida.
As primeiras latinhas de cerveja foram feitas de estanho e aço, mais grossas e robustas que as atuais e capazes de enfrentar o calor e a pressão sem estourar ou apresentar vazamentos enquanto estivessem nos estoques.
A pioneira chegou às prateleiras por volta de 1935 – a Krueger’s Special Beer – no Estado de Virginia (EUA).
O visual era considerado, mas não era prioridade no início. Parcialmente vencida a etapa da produção, aí sim o desafio passou a ser o design. As fábricas começaram a lançar edições especiais em que os rótulos multicoloridos atraíam os consumidores e compensavam o sabor de lata que a cerveja ainda apresentava.
Esta Cordell da foto acima era produzida em 1963. O slogan – “Até os Gatos Adoram!” – foi removido após reclamações de grupos de proteção aos animais. Por esse motivo, é considerada rara e muito valiosa entre os colecionadores.
As cervejas em lata se tornaram populares na década de 60 – apesar de o gosto do recipiente ainda ser bem acentuado.
Mas a tecnologia se incumbiu de resolver o problema. As atuais são revestidas por uma película à base de água que evita o contato da bebida com o alumínio – sem falar que a lata é mais barata que o vidro e é 100% reciclável.
Os colecionadores classificam seus itens do desejo em três grupos: as com a parte de cima retas, em formato de cone ou as “de puxar”.
As mais antigas eram planas na parte superior e os bebedores tinham de se virar para abri-las. Por volta de 1938 surgiram as cônicas. Como eram grossas, as embalagens com seis cervejas eram quase impossíveis de serem carregadas pelas donas-de-casa.
Foi apenas em 1962 que as primeiras com abertura “de puxar” chegaram ao mercado – e evoluíram bastante até 1974, quando foi desenvolvido o sistema que conhecemos hoje.
O que pensam sobre o assunto os gatos que saboreiam seu “Whiskas” em lata sabor “Carne e Coração”?
Vejam algumas fotos AQUI

2009/05/26

DIGA-ME O QUE COMES…

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 08:04

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melanciaSe nós somos o que comemos, o melhor lugar para achar nossa verdadeira identidade é a geladeira. Baseado nessa filosofia, o fotógrafo Mark Menjivar percorreu diversas cidades americanas durante três anos para colher material para o projeto “You Are What You Eat” (“Você É o que Você Come”).
Tudo começou com seu próprio refrigerador e vai virar exposição neste outono, com imagens em tamanho real.
Cada foto acompanha uma legenda que informa a profissão, o local onde a pessoa mora e uma descrição bem subjetiva de algo curioso, como “vegetariano a partir desta semana” ou “membro da Cruz Vermelha que dorme com um 45 carregado sobre sua mesa de cabeceira”.
Menjivar conta que recebeu apenas um não – o da pessoa mais rica que ele encontrou em suas andanças – e achou louco observar como alguns sobrevivem com tão pouca comida.
O projeto foi pensado quase que para ser uma avaliação econômica. Ele esteve tanto na casa de uma mulher mentalmente doente que cuja renda mensal era de 413 dólares por mês tanto no apartamento de um anestesiologista multimilionário em Dallas.
Houve também a geladeira de um cara que trabalhava num bar e tinha um estilo de vida completamente às avessas. Ia para a cama 8, 9 da manhã e acordava às 5, 6 da tarde. O refrigerador dele tinha 17 embalagens de cerveja e era tão fedido que o proprietário colocava incensos lá dentro.
Já o dono de um parque de diversões de terror em pleno deserto e que já havia sido soldado de Hitler estocava comida. Além de quase morrer de fome quando foi capturado, seu pai havia morrido de inanição. A geladeira estava lotada de vários alimentos fora do prazo de validade.
Menjivar notou que os refrigeradores de jovens e modernos eram fartos em produtos orgânicos, enquanto pessoas mais simples compravam alimentos menos nutritivos. O que todos têm em comum? Manteiga – que pode ser margarina, em tabletes ou sem sal.
Entre as bizarrices, Menjivar encontrou uma cobra, pelos pubianos, mosquitos e até placenta – a cobra pertence ao refrigerador de uma mulher que vivia no deserto. Ela guardou o bicho na geladeira porque pretendia fazer dele uma bengala.
O próprio fotógrafo preparou uma lista de tudo o que comeu durante um ano e concluiu que vive de fast food, muita cerveja e outras porcarias. Alguém se habilita a mandar uma foto da geladeira?
Vejam algumas fotos AQUI

2009/05/25

PEROBA NELES!

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 09:57

algemado

deputadosA farra com as passagens aéreas e, anteriormente, a descoberta de 181 diretorias inúteis no Senado – como “garagem”, “check in” e “autógrafos em atas” – já tinham dado mostras do que os parlamentares são capazes para garantirem seus privilégios.
A “Coordenação de Apoio Aeroportuária” – vulgo “diretoria check in” –facilitava a vida dos senadores providenciando embarques, encontrando lugares em voos, conseguindo transferências de última hora ou ocupando-se até de parentes e amigos dos parlamentares. O “diretor de fura-fila”, como já indica o nome, burlava qualquer tipo de fila para a equipe do Senado.
Não estranha, portanto, o conteúdo da reportagem publicada pelo jornal “O Globo” deste domingo sobre uma atitude do deputado Paes Landim (PTB-PI). Ele xingou funcionárias do aeroporto internacional de Brasília após pedirem para ele colocar as bagagens na esteira de raio-X. “Eu já não disse que sou deputado? Vá se f., vai tomar no c.” – teria gentilmente afirmado o nobre deputado.
Além desta, há cinco meses, Landim foi retirado à força e sob vaias de um avião da Gol porque teria se recusado a passar pelo detector de metais.
Segundo a reportagem, a prática é comum entre nossas “otoridades”. No ano passado, o primeiro-secretário do Itamaraty Carlos Leopoldo de Oliveira deu voz de prisão a uma atendente da TAM. Tudo porque ela se recusou a embarcar uma delegação estrangeira que havia chegado atrasada ao aeroporto.
Ora, mas por onde andava o “diretor de fura-fila”?
O mais triste desta síndrome do “você sabe com quem está falando?” não é constatar a ignorância de nossos representantes – isso já é fato, está mais do que assimilado. O lamentável é lembrar que eles falam em nome de um Estado, foram eleitos para atenderem às reinvidicações desse eleitorado. Continuam, no entanto, a agirem em benefício do próprio umbigo. Até quando?
Nesse caso, o Piauí – já castigado pelas enchentes – não merece isso.

2009/05/24

HABEMUS POLÊMICA

Arquivado em: Cri-crítica — trezende @ 09:45

Angels_Demons

cameraEm “O Código da Vinci” os velhinhos do Vaticano ficaram transtornados com a premissa de que Jesus teria engravidado Maria Madalena e espalhado seus rebentos por aí. Agora, em “Anjos e Demônios”, um bispo de 102 anos foi mais direto: pediu aos fiéis que não assistam ao filme.
Realmente “Anjos e Demônios” deve estar tirando o sono da turminha da tosse que habita os arredores de Roma.
Claramente anti-Católico, ele tem todas as características para ser considerado obra do demo ao acirrar os conflitos entre Ciência e religião. Há inclusive uma cena em que defensores das pesquisas com células-tronco quebram o pau com católicos que se espremem na Praça São Pedro.
Além disso, se o Homem é capaz de produzir uma antimatéria capaz de dar origem ao Universo (a tal da “partícula divina”), qual a função de Deus?
Mais do que recomendar aos católicos que passem longe do cinema, a Arquidiocese de Roma não autorizou o diretor Ron Howard a filmar dentro de igrejas – e nem cenas que tivessem igrejas ao fundo.
Carregado de absurdos e obviedades, “Anjos e Demônios” é quase um filme de terror. Há caveiras, muito sangue, assassinatos, perseguições e sustos à la “Sexta-Feira 13”. Bem diferente do marasmo de “O Código da Vinci” – que apesar de ter sido escrito depois, foi adaptado para o cinema em 2006.
Se for difícil se convencer das obviedades ou da verossimilhança dos conhecimentos da simbologia religiosa apresentados pelo professor Robert Langdon, há informações interessantes que transformam o filme numa miniaula de História – e que no livro devem estar melhor explicadas.
Uma delas diz respeito a um papa que teria mandado cortar os órgãos sexuais de algumas estátuas dentro do prédio do Vaticano por motivo de força maior.
Outra é que os vilões do filme – a fraternidade dos Illuminati – realmente existiram. Eram uma seita formada por intelectuais que discordavam das ideias da Igreja.
Se serve de consolo, os católicos poderão assistir, em breve, a “Anjos e Demônios” sem desrespeitar o bispo. Afinal, com 102 anos, o encontro com os anjos se aproxima.

2009/05/23

CAPITÃO CAVERNA

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 09:40

kits

maletaOs avanços da Medicina são tão fantásticos que muitas vezes não nos damos conta de que os médicos exercem um trabalho absolutamente braçal. Quem já assistiu a imagens de uma cirurgia de lipoaspiração sabe que o médico precisa estar com as aulas de musculação em dia.
Na semana passada uma notícia chamou ainda mais a atenção para essa questão. Na Austrália, um garoto de 12 anos escapou da morte depois que o médico usou uma furadeira caseira para remover um coágulo sanguíneo do crânio do menino.
Como tinha poucos minutos para tentar salvar o garoto, o médico se viu obrigado a utilizar uma furadeira da sala de manutenção do hospital – que não era equipado com furadeiras cirúrgicas.
É chocante pensar que métodos paleolíticos como esse possam existir em pleno século 21, mas a verdade é que somos alienados e ingênuos quanto ao mundo médico/científico. Na prática, uma furadeira cirúrgica nem deve ser tão diferente quanto a usada por um marceneiro para instalar um armário.
Interessante também é conhecer como eram os kits cirúrgicos no início do século 19. Este aí em cima pertenceu a um médico da Pensilvânia que atuou entre 1825 e 1878.
Geralmente produzidos a partir de materiais de alta qualidade e com design pensado por engenheiros, os kits continham as ferramentas básicas necessárias para pequenas operações – amputações, no caso, que na época eram bastante comuns. Estima-se que durante a Guerra Civil Americana tenham ocorrido cerca de 60 mil amputações.
Facas com lâminas de aço para cortar até os músculos, serrotes, pinças (fórceps), facas normais para fazer incisões na pele e nos músculos, agulhas para costurar a pele e pedaços de ossos. Incluía também um torniquete para estancar o sangue, além de perfuradores de ossos e outros instrumentos perfurantes.
Pobres de nós. O fato é que depois que os fantásticos poderes da anestesia entram em ação não comandamos mais nada – nem nossos próprios batimentos cardíacos.
Melhor assim.

2009/05/22

O MUSEU DO IPIRANGA CONTEMPORÂNEO

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:17

laundry

moneyCom tanta falcatrua por aí teríamos material de sobra para inaugurarmos um museu da corrupção. O acervo seria farto: além de salas exclusivas para a exposição de objetos como cuecas com porta-dólares e maletas de escuta telefônica, contaríamos com uma sala equipada com fones de ouvido que trariam horas e horas de gravação feitas com grampos telefônicos.
Para enfeitar os corredores, uma galeria com as fotos de todos os personagens envolvidos – do caseiro ao presidente da República. Tudo aromatizado com essência de laranja.
Meu sonho ainda está no papel, mas pelo menos virtualmente já temos o que comemorar. O jornal paulistano “Diário do Comércio” colocou no ar o “Museu da Corrupção Online”.
O projeto remete ao Louvre – uma imponente pirâmide de vidro – e pretende “ser um espaço de exibição e reflexão sobre os escândalos que marcaram a história do país”.
Por enquanto, estão no ar os 15 episódios mais marcantes dos últimos tempos, como o escândalo do Mensalão, o caso do juiz Lalau, da Lunus, das Sanguessugas e as operações Anaconda e Satiagraha. Os demais – desde o início da década de 70 – constam de uma relação chamada de “Cronologia dos Escândalos”.
Na seção “Arquitetura da Corrupção”, exemplos de construções sob suspeita, como o castelo de Edmar Moreira em São João Nepomuceno (MG) e o Estádio João Havelange – construído para o Panamericano de 2007, há rumores de que tenha sido superfaturado.
Se mesmo com tanto assunto capaz de revirar o estômago bater uma fominha no visitante, a dica é a pizzaria da Zia Ângela, com oito sabores de pizza. No local ainda é possível assistir novamente à famosa dança protagonizada por Ângela Guadagnin.
Assim como nos museus reais, o tour termina na lojinha. Dentre os souvenires, é possível escolher entre cuecas, algemas, camisa com colarinho branco (tecido superfaturado) e até uma máquina de lavar (dinheiro) com capacidade para 4 quilos de dólares.
Visitem o museu AQUI

2009/05/21

OS MONSTROS SAEM DO ARMÁRIO

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 10:52

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zumbiA pequena Maísa não está sozinha em sua cruzada contra os fantasmas e outros zumbis que povoam a TV brasileira. Desde o sucesso de “Quem Quer Ser Um Milionário?” os atores-mirins também têm encarado as maldades do mundo real.
Logo depois de participar da cerimônia do Oscar, o ator que interpretou o pequeno Salim voltou feliz e cheio de histórias pra contar. No entanto, em vez de ser recebido com festa, viu mesmo foi a chinela do pai. O tabloide “The Sun” chegou a publicar a foto do pós-surra que mostrava o menino desolado.
O pai alegou que bateu no garoto porque ele se recusou a se expor para os fotógrafos na frente de casa.
Já a atriz Rubina Ali – que fez o papel de Latika na infância – também vive seu calvário. Após a fama repentina, o progenitor viu na menina sua galinha dos ovos de ouro e tentou vendê-la.
Novamente um tabloide britânico afirmou que o pai, carpinteiro, tinha pedido US$ 296 mil a repórteres. Eles se fizeram passar por emissários de um xeque árabe que queria adotar a menina e levá-la para Dubai. Tudo porque o patriarca estava infeliz com o cachê recebido e pretendia sair da favela onde vive.
Mal sabia o que o destino lhe reservava. Nesta semana a casa onde morava a família foi demolida.
Rubina saiu para ir ao mercado e, ao voltar, a surpresa: seu casebre havia sido derrubado. O imóvel era um dos 25 que estão nos planos das autoridades indianas para serem retirados de uma área de favelas.
Durante o episódio o pai de Rubina ficou ferido. Com as mãos e pernas inchadas, teve de ser encaminhado ao hospital.
Fica a dúvida quanto à história de Pixote ganhar uma versão indiana.
Mas um outro ponto é fato: a justiça divina tarda, mas não falha. Te cuida, señor Abravanel!

2009/05/20

PURÊ CRIATIVO

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:39

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palhetaQuando somos crianças conseguimos nos divertir em qualquer ambiente – já presenciei petizes brincando com a avó morta sem o menor sinal de pavor.
Até em cansativas viagens de carro os passatempos podem surgir. Vale desde acenar para os motoristas dos veículos que seguem atrás quanto brincar de localizar objetos, animais e pessoas admirando as nuvens.
Felizmente algumas pessoas amadurecem, ficam adultas e não perdem essa capacidade de contemplar e imaginar. É mais do que ver com outros olhos. É notar o que poucos percebem. Esse é o caso da artista libanesa Ginou Choueiri, que pinta batatas. 
Milhares de fotos de suas pinturas compõem a instalação “Las Papas”, que integrou a exposição “Esperanças e Dúvidas” em Turim, Itália, em janeiro deste ano.
O fato de a batata não ser um ingrediente comum nos pratos típicos libaneses não foi empecilho para a arte de Ginou.
A artista disse que escolheu o legume porque humanos e batatas têm vários pontos em comum. Segundo ela, a pele é porosa e tem cor e textura muito parecidas com a nossa. Além disso, as formas, os tamanhos variados, a existência efêmera e a fragilidade são próprias da natureza humana.
A definição, poética como gostam os artistas, é real. Só percebemos nossa grande semelhança quando, ao contemplarmos as batatas, sentimos uma certa aflição.
Mas a parecença não se resume aos pontos físicos ressaltados por Ginou. Muitas vezes criamos raízes e ficamos embolorados. Assim como as batatas, cada um de nós se destina a um tipo de preparo. Há os que são mais indicados para a fritura e os que são melhores para o cozimento.
E mais: quem nunca ficou com a batata assando?

Vejam mais fotos AQUI

2009/05/19

O “X” DO PROBLEMA

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 10:04

simpson

lupaPassar pelos sistemas de detectores de metais é um ótimo teste para a nossa paciência. Nos bancos, já foram motivo de brigas e striptease daqueles que perderam a calma após se desfazerem do guarda-chuva, das moedas ou do cinto.
Mas o que é ruim sempre pode piorar. Nos Estados Unidos a polêmica envolvendo os scanners usados nos aeroportos está apenas começando. Isso porque as ondas de rastreamento desses aparelhos atravessam a roupa do passageiro e desenham na tela o corpo nu em três dimensões. As autoridades podem ser acusadas de voyeurismo e invasão de privacidade.
Nesta semana um grupo de advogados vai entrar com uma ação contra o Departamento de Segurança de Estado Americano a fim de suspender o uso dos scanners. Especialistas dizem que eles promovem um striptease virtual.
Os que defendem o uso dos equipamentos dizem que a grande vantagem é a velocidade. Enquanto antigamente demorava-se de 2 a 4 minutos para escanear um passageiro, agora já é possível fazê-lo entre 15 e 30 segundos. Além disso, muitos não aprovam a ideia de serem tocados por um segurança. O scanner evitaria esse problema.
Mas quando os passageiros têm a opção de escolher, 99% optam pelo detector de metais antigo.
O porta-voz da Administração de Segurança nos Transportes explica que o sistema é operado por dois oficiais. O que fica na máquina não vê a imagem – esta aparece num computador remoto, em um outro local, para um segundo oficial que não tem contato com o passageiro.
Para assegurar maior proteção, o rosto do passageiro é borrado e aos funcionários que trabalham na sala não é permitido o uso de câmeras, telefones celulares ou qualquer outro tipo de aparelho. Os computadores usados estão programados para não armazenarem nenhuma imagem. O resultado é apagado instantaneamente.
Segundo os advogados que entrarão com a ação, ter imagens borradas não é suficiente para borrar o assunto. Eles querem mais vigilância, transparência e leis de proteção ao passageiro. Teme-se ainda que o equipamento fique mais barato, difundido e se torne mais difícil de ser regulamentado.
Os que são contra a ferramenta de segurança dizem que as pessoas não podem ser humilhadas pelos seus governos em nome da segurança. E vão ainda mais longe: funcionários que trabalham no aeroporto de Los Angeles podem fazer fortuna vendendo imagens de famosos nus.
Esse raio-x de ficção científica foi usado pela primeira vez num aeroporto em Phoenix, Arizona, há quase dois anos. Atualmente 40 estão sendo testados e usados em outros 19 aeroportos pelo país. Cada um custa cerca de 170 mil dólares.
Além dos Estados Unidos, os scanners já estão em funcionamento na Inglaterra, Espanha, Japão, Austrália, México, Tailândia e Holanda.
Nem é preciso dizer que no Brasil não há a menor chance de uso dos scanners. Como ficaria o transporte de dólar na cueca?

2009/05/18

O CÚMULO DA ECONOMIA

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 08:51

adesivos

hidranteNa semana que se passou a fundação SOS Mata Atlântica saiu-se com esta: fazer xixi no banho é ecologicamente correto. Economiza água e faz bem ao meio ambiente. Afinal, a cada vez que usamos a privada gastamos 60 litros de água (ou 12, nos vasos sanitários modelo caixa).
Mas o apelo da ONG parece oportunismo. Soa mais como uma maneira de conseguir espaço na imprensa do que como preocupação com o meio ambiente. Qual a finalidade da campanha se o próprio site da SOS Mata Atlântica diz que 75% das pessoas já têm esse hábito?
Apesar de a página da campanha “Xixi no Banho” ser uma graça – sugiro que naveguem por ela com a música ligada –, beira o absurdo.
Da seção “Dúvidas Frequentes”: “Pode transmitir algum tipo de doença? É nojento? Não & Não. Além do xixi ser 95% água (os outros 5% são substâncias como uréia e sal), a água corrente leva tudo embora. Apenas lembre-se de fazer xixi logo no início do banho”.
Se sobram dúvidas quanto à seriedade ou a utilidade da campanha, a fanfarrice fica evidente num site criado na semana passada com o objetivo de satirizar a ideia dos ambientalistas.
Trata-se do blog “Cocô no Banho”, que propõe a economia de papel higiênico.
Os autores explicam de forma bem-humorada que os brasileiros usam, em média, 2,4 metros de papel cada vez que vão ao banheiro. Se aproveitarem a água na hora do banho, é possível pouparem o equivalente a uma árvore por ano. Além disso, o blog fornece um modelo de faixa para interditar a privada e os dois adesivos aí em cima.
Para quem considera duvidoso o humor do novo blog a saída é rir do mundo real: apesar de infectologistas afirmarem que a urina é inofensiva, engenheiros baianos não estão muito certos disso. Na semana passada engenheiros da prefeitura de Salvador detectaram que a urina dos moradores de rua está colocando em risco a estrutura de um viaduto e cinco passarelas na capital baiana. O reparo dos estragos causados pelo xixi ácido dos baianos vai custar R$ 500 mil aos cofres públicos.
Agora a escolha é de vocês: proteger o meio ambiente ou zelar pelas estruturas do prédio em que vivem?
O trabalho da fundação SOS Mata Atlântica seria mais útil, eficaz e teria uma credibilidade maior se conscientizasse a população a não jogar papel na rua ou latas pelas janelas dos ônibus.
Escatologia e bizarrice é só para quem entende do assunto.

Vejam o site do “Xixi no Banho” AQUI e o blog “Cocô no Banho” AQUI

2009/05/17

A INEFICÁCIA DO GELOL

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 11:12

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rodasRonaldo Fenômeno já renasceu das cinzas algumas vezes. Na Copa de 1998 foi ao inferno e voltou depois da tragédia com o joelho. Depois enfrentou o escândalo com os travestis. Mais recentemente teve de manter o sangue frio para ouvir críticas por conta de sua forma física. A mistura de força de vontade e dom calou a boca da turma do contra e trouxe de volta a alegria – aos torcedores e ao próprio jogador.
Diante das notícias envolvendo a ginasta Jade Barbosa, o conselho: um bate-papo urgente com Ronaldo. Jade passa por uma péssima fase. Tão ruim que pode ser obrigada a encerrar a carreira aos 18 anos.
A ginasta está com uma lesão raríssima no pulso direito diagnosticada como “necrose no capitato” – um pequeno osso que fica no meio da mão. Causada por movimentos repetitivos, faz com que ela esteja com um pulso como o de uma pessoa de 50 anos.
Há meses sem receber salário pelo Flamengo e abandonada pelo patrocinador, tenta arrecadar recursos para o tratamento vendendo camisetas em seu site. Triste fim para uma atleta que já nos emocionou em diversos mundiais de ginástica, Jogos Pan Americanos e Olimpíadas.
As dores no pulso começaram em janeiro de 2008 – antes, portanto, das Olimpíadas de Pequim. Mas durante toda sua estadia na China não sentiu nada porque estava completamente dopada. Em setembro, de volta ao Brasil, foi proibida pelo Flamengo de dar qualquer declaração sobre a lesão.
Numa entrevista recente, Jade falou sobre a ditadura a que os atletas são submetidos. Além do problema no pulso, ela está com 15 cálculos renais – nas Olimpíadas as meninas eram proibidas de tomar água para não ganharem peso. Às vezes passavam um dia inteiro com apenas um copo d´água.
Jade, no entanto, mostrou-se consciente de sua situação. Afirmou que se sujeitou a tudo pelo sonho de participar de uma Olimpíada e pelo esporte.
Há dois anos, no meu antigo blog, questionei a dura vida dos atletas da ginástica: são horas e horas de treinos diários que levam o corpo ao limite, contusões, dores, sessões de fisioterapia na esperança de resolver algum problema antes do dia da prova, alimentação vigiada. Quanto tempo esse pessoal aguenta o tranco? Vale a pena ficar com o corpo deformado em troca do lugar mais alto do pódio? Infiltrações nos joelhos pelo ouro? Dores na coluna por uma quebra de recorde? Pé torto por uma citação no Guiness?
Talvez nem a própria Jade saiba responder. Num ponto, entretanto, ela há de concordar: o dinheiro faz toda a diferença. E é isso que a distingue de Ronaldo. Apesar da garra demonstrada por ambos, Jade nem salário tem.
Triste demais. Vamos divulgar isso, gente.

O vencedor da promoção “Para o alto e avante!” foi o leitor Adriano Bazílio, com a seguinte resposta: “Sugiro o envio do restante daquele mindinho ausente mais famoso do Brasil”. Parabéns e obrigada a todos que participaram.

2009/05/16

LETRA E MÚSICA

Arquivado em: Matutando — trezende @ 09:45

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micOs anos 90 foram um deserto para a música brasileira. Entre axés tira-o-pé-do-chão e várias modalidades de dancinha, acrescente-se os grupos de pagode. Tem-se aí o desanimador cenário da época. Bastava acionar qualquer eletrodoméstico para eles surgiram aos montes. Mesmo.
Todos contavam com, no mínimo, uns dez vocalistas – apesar de apenas um deles usar o microfone, de fato. Uniformizados com calça, camiseta agarradinha e óculos de sol presos à testa, sorriam e piscavam sensualmente ao menor sinal de que a câmera estava a se aproximar.
De nada adianta tentarmos nos consolar com a desculpa de que a mídia é a culpada. Infelizmente é disso o que o povo gosta. Fenômenos de venda e público como o grupo Calypso primeiramente fizeram sucesso em seus redutos antes de chegarem ao sudeste. Sem divulgação, foram consagrados entre os seus até “estourarem”. A indústria cultural apenas se encarregou de dar seguimento ao que o povo já havia aprovado.
Quem diria que um dia poderia pensar em absolver os pagodeiros? Após analisar os videoclipes exibidos por um canal de TV a cabo chego à conclusão de que Salgadinho, Netinho e os outros “inho” eram inofensivos – as canções se restringiam a exaltar Inaraí, Ana Tanajura, a barata da vizinha e a nossa cor marrom bombom.
A versão norte-americana para os grupos de pagode são os cantores de black music / hip hop que dominam a programação de clipes. Assim como seus genéricos brasileiros, vêm de origem humilde, acrescentam muito pouco à cultura ou ao pensamento de seus ouvintes e são amparados por um público imenso.
Akon, Lil Wayne, Fat Jone, Young Jeezy têm letras que são praticamente uma confissão à polícia.

“I´m So Paid” (“Eu Ganho Muito Bem”) é uma das mais absurdas. Vejam alguns trechos:
“Fico acordado até o amanhecer
Rodando num carrão
Com janelas abertas, gritando:
Eu ganho muito bem
O malandro nº 1 ganhando grana
Por que quer contar o meu dinheiro?
Sou malandro não preciso disso
(…)
Eu estou de olho na polícia
Rodando a 100Km/h na rodovia 95
Com minha gata recostada, é matar ou morrer
Mandando ver porque somos demais
Tenho um sistema que vai detonar você
Tenho uma parada sinistra sob o meu assento
Tenho um monte de capanga à disposição
(…)
Sou muito bem pago, meu bolso está sempre cheio
Isso foi antes de os impostos abocanharem minha renda
Agora escondo debaixo do colchão
(…)
Wezzy cheio da grana
Uma camiseta branca, com o trabuco por baixo
Como me sinto?
Me sinto invencível
É só eu estalar os dedos que você desaparece
(…)
A gente leva faca no pescoço
Enterramos covardes nos lugares da onde vêm
Transformamos erva em fumaça de revólver
A gente se dá bem quando manda ver
Você vai pro rabecão quando manda ver”.

Alguma semelhança com o pagodeiro Alexandre Pires e o episódio de atropelamento seguido de morte em que se envolveu? Ou com o acerto de contas entre Netinho de Paula e sua ex-mulher que acabou na delegacia?
Pensando melhor, até que eles não são tão inocentes assim. Apenas omitem alguns fatos das músicas.

Hoje é o último dia da promoção “Para o alto e avante!”. Responda: “O que ou quem você mandaria para o espaço?” com alguma justificativa, claro. A sugestão mais original fatura uma camiseta do filme “Viagem ao Centro da Terra”. Respostas para o email tatianarezende@hotmail.com. Se o vencedor residir fora de São Paulo receberá o prêmio pelo correio.

2009/05/15

PEPINO DE CAPRI – E DE LONDRES

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 08:50

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moneyDesta vez não foi nenhuma frase engraçadinha dita pelo presidente Lula que causou um mal-estar diplomático, mas uma campanha publicitária.
A rede americana Burger King está com uma promoção em seus restaurantes em Londres que diz o seguinte: “One way ticket to Rio not necessary. You’ll feel like you´re robbing us” (algo como “Não é necessário uma passagem só de ida para o Rio. Você vai achar que está nos roubando”).
Segundo sites ingleses especializados em marketing, a ideia do cartaz é fazer uma brincadeira com a história do inglês Ronald Biggs, que participou do assalto ao trem pagador britânico e se refugiou no Rio de Janeiro. Após 30 anos aprendendo a ginga carioca e um filho famoso, foi extraditado.
Depois da fama de país das mulheres de vida fácil, agora mais esta. Mas, verdade seja dita, a campanha é ótima. Seria hipocrisia afirmar que ela é ofensiva ou que está prejudicando nossa imagem lá fora. Que imagem?
O Brasil – e não apenas o Rio – é realmente uma terra-sem-lei. Quem nunca foi assaltado conhece alguém próximo que já tenha sido. Além de verdadeira, a campanha contribui para acabar com o plano infeliz de o Rio sediar as Olimpíadas de 2016.
Se a campanha peca é apenas num sentido: o de mostrar o quão mal agradecidos são os ingleses. Já os livramos de Ronald Biggs e já engolimos o assassinato do brasileiro Jean Charles de Menezes. Nenhum culpado, nenhuma prisão. Apenas um “putz, foi mal”.
Além da campanha do Burger King, em fevereiro deste ano uma propaganda da rede de lojas italiana Relish causou polêmica. Outdoors veiculados em Nápoles mostravam duas mulheres sendo revistadas de forma abusiva por homens vestidos como policiais militares em Ipanema.
Novamente o problema não está na cena (real), mas sim no fato de mostrar a falta de gratidão dos italianos. Mantemos Cesare Battisti por aqui e não ganhamos nada em troca. Nem um vale-compras das lojas Relish.

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2009/05/14

DON´T WORRY. BE HAPPY

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:20

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mascaras“O que faz você feliz?”. Raros são os que sabem responder ao certo à pergunta-slogan do “Pão de Açúcar” – até porque pouca gente sabe o que é a felicidade. Todos estão em busca dela, mas parece que quanto mais a procuramos, mais ela se assemelha à busca pelo fim do arco-íris.
A questão também intrigou o psiquiatra norte-americano George Vaillant. Tanto, que ele passou 42 anos acompanhando a vida de 268 estudantes de Harvard para concluir seu estudo, “What Makes Us Happy?” (“O Que nos Faz Feliz?”).
O resultado completo será divulgado na edição de junho da revista “The Atlantic” e trará a mais importante lição aprendida por Vaillant: “a única coisa que realmente importa na vida é o seu relacionamento com as outras pessoas. Felicidade é amor. Ponto final”.
Parece auto-ajuda – e no fundo é. Mas a duração e a seriedade com que a pesquisa foi conduzida – envolvendo profissionais de diversas áreas da psicologia – são credenciais suficientes para tomar nossa atenção.
Além de algumas conclusões já conhecidas – alimentar-se bem, não fumar e não abusar do álcool são importantes para uma vida saudável –, George Vaillant levanta outros pontos bem interessantes.
Por exemplo: dos 25 aos 35 anos as dificuldades são para todos – até os 50 anos, cerca de um terço dos pesquisados enfrentaram problemas como alcoolismo, depressão, divórcio, doenças e outros reveses.
O melhor é dar tempo ao tempo, porque dos 50 em diante tudo começa a melhorar. Pensamentos negativos tendem a diminuir e entra-se numa fase de altruísmo e bom humor. Portanto, diz Vaillant, envelhecer é bem menos aflitivo do que muita gente pensa.
Problema todo mundo tem. O conselho: tente ser engraçado, tente apaixonar-se, tente perdoar alguém. O perdão faz bem ao coração e traz paz à mente – até porque os pessimistas sofrem muito mais do que os otimistas.
Então, força na peruca, minha gente. Basta aguentar até os 50. Quem viver verá.
Parcialmente aliviados, sobra a interessante imagem que George Vaillant tem da felicidade: “uma lavanderia cheia de roupa suja daqueles que se ama”.

Quem se interessar pela pesquisa completa pode passar AQUI

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2009/05/13

MÃEZINHA

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:45

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boneNão é preciso ter pinta de Barbie para virar boneca. Em qualquer lugar do mundo uma figura que apronte alguma coisa, dê uma declaração polêmica ou simplesmente tenha um guarda-roupa mais ousado se transforma em objeto de desejo em questão de semanas.
Além das bonecas clássicas – loiras, magras, agarradinhas, que falam “mamãe”, fazem pipi, tomam sopinha, gargalham ou batem palminha –, há aquelas para garotos – como o “Falcon” ou o “Supla”– e as que recentemente têm sido chamadas de “toy art” – que talvez tenham esse nome para justificar o preço.
Mas a criatividade no mercado de brinquedos não é invenção de publicitários e empresários contemporâneos. Vem dos séculos e séculos amém.
Os japoneses dos séculos 18 e 19 já se divertiam com bonecas muito mais revolucionárias do que as infláveis. Festivais tradicionais em Edo (antiga Tóquio) conhecidos como “Misemono” atraíam a camada mais alta da população com bizarrices e curiosidades. As bonecas grávidas eram o principal espetáculo. Apesar de inicialmente acreditarem que essas bonecas tenham sido criadas com o objetivo de ensinar às parteiras o ofício de trazer os bebês ao mundo, algumas evidências sugerem mais uma utilidade.
Além de entreter, as atrações do “Misemono” pretendiam satisfazer a curiosidade que o povo da época nutria pelos mistérios da vida. Registros do ano de 1864 dão conta de que nesses shows populares o corpo humano era usado para educar e divertir a platéia. Uma das apresentações contava com a boneca grávida, cuja barriga era aberta para mostrar os estágios do desenvolvimento do feto.
Como veem, não é apenas a criatividade, mas nossa inexplicável atração por um show de horrores que vem de longe. Ou não?

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2009/05/12

O PASTO DE CADA UM

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:20

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bocaÉ certo que os autores das fotos acima sequer ouviram falar dos Titãs, mas parecem ter se inspirado no refrão “Você tem sede de quê? Você tem fome de quê?”.
As imagens fazem parte do livro “Hungry Planet: What the World Eats” (literalmente “Planeta Faminto: O Que o Mundo Come”), excelente trabalho sobre os hábitos alimentares de 30 famílias de 24 países.
O fotojornalista Peter Menzel e o escritor Faith D’Aluisio passaram uma semana com cada uma das 30 famílias retratadas anotando tudo – dos gastos semanais com as compras até receitas familiares típicas.
Os capítulos são divididos por país e começam com uma foto representativa. Cada uma delas acompanha uma lista com informações detalhadas sobre os produtos, os grupos alimentares, a despesa semanal e uma breve discussão de como cada comida chega à mesa.
O contraste é gritante. Enquanto os cinco membros da família Mellanders, da Alemanha, torram quase 500 dólares semanais entre pãezinhos de canela, croissants de chocolate e bolinhos de carne, os Natomos, de Mali, gastam em torno de 26,39 dólares. Detalhe: a família é composta por um marido, duas esposas e nove filhos que se alimentam basicamente de painço e milho.
Além do impressionante flagrante econômico, as imagens nos permitem também algumas conclusões sobre a estreita relação entre hábitos alimentares e obesidade. Tanto no Kuwait, como no Egito ou no Chad – país na região central da África – não há um litro de Coca-Cola ou Pepsi. No México e no Equador chama a atenção a quantidade de alimentos saudáveis. Já nos Estados Unidos a surpresa seria não encontrar pizza ou refrigerante.
Uma das imagens mostra uma corpulenta família australiana. Não é difícil entender porque a mãe – sentada atrás de quilos de carne, litros de laticínios e bebidas açucaradas – já havia tido inclusive um derrame. Por outro lado, uma família chinesa – bem mais esbelta – aparece cercada por alguns quilos de carne, mas também por quilos de frutas, verduras e legumes.
Além das fotos e das informações nutricionais, a dupla acrescentou ao livro algumas opiniões de nutricionistas, cientistas e até ambientalistas. Entre as curiosidades, descrevem como os animais são abatidos e mantidos sem refrigeração ou o paciente método usado para separar a cevada da areia.
A conclusão é que uma série de fatores influenciam a dieta de cada país, como as condições econômicas, a globalização e até o grau de conflito em cada região. O desfecho pode ser previsível, mas o trabalho da dupla continua sendo interessante do ponto de vista sociológico e até turístico.  
Vejam algumas fotos AQUI

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