O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2009/04/24

PRIMEIRO ROUND

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 09:07

briga1

capaceteA imagem da Justiça sai arranhada com o bate-boca no Supremo Tribunal Federal? A resposta são outras duas perguntas. Que imagem? Desde quando políticos e suas respectivas Casas gozam de alguma credibilidade no Brasil?
O imbróglio em que se transformou a questão do uso de passagens aéreas e até irregularidades na concessão de bolsas do Prouni colocam qualquer possibilidade de confiança em cheque.
A discussão entre Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa foi um barraco? Sim, mas um barraco necessário.
Apesar de novamente ter tirado da cartola mais uma de suas metáforas futebolísticas, Lula acertou ao dizer que o episódio é importante para o desenvolvimento da democracia.
Seria desejável que discussões nos outros dois Poderes acontecessem. Seria, pelo menos, sinal de que há confronto, oposição, enfim. Lamentável é perceber – como neste caso da farra aérea – que todos os parlamentares têm a mesma opinião. Um cartel de ideias entre seres tão suspeitos não pode ser boa coisa.
Saudável também foi a exposição do barraco. Até os mais informados não têm paciência e nem tempo para prestigiarem a programação da TV Justiça, mas os canais abertos estavam aí para levar o bate-boca ao conhecimento do povão – mesmo que os protagonistas lhes sejam figuras estranhas.
Foi interessante assistir a uma briga nos tons formais que a Corte exige. “Vossa excelência não tem condições de dar lição a ninguém”. E o outro: “E nem vossa excelência. Vossa excelência me respeite, vossa excelência não tem condição alguma. Vossa excelência está destruindo a Justiça desse país e vem agora dar lição de moral em mim? Saia à rua, ministro Gilmar!”.
O episódio informa e educa – no mínimo, ensina como xingar alguém do jeito mais polido possível.
Como geralmente acontece em situações assim, ninguém está com a razão. Joaquim Barbosa é conhecido por sua personalidade agressiva. Já brigou com meio mundo – Marco Aurélio Mello e Eros Grau nem falam com ele.
Glimar Mendes – apesar de ter contado com a solidariedade de oito ministros – está longe de receber o troféu de “Mister Simpatia”. Além da fama de mandão e de tratar com descaso seus pares, no STF a principal reclamação é a de que ele age como presidencialista numa Casa que é parlamentarista. Assume uma postura de liderança, entra em conflito até com os demais Poderes e deixa o tribunal suscetível a críticas.
Lamentemos, portanto, a qualidade de nossos políticos e instituições, mas não a discussão de opiniões divergentes.

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