O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2009/04/07

UM REBELDE PARA CHAMAR DE SEU

Filed under: Cri-crítica — trezende @ 13:40

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claque“Che” – cujo título original é “Che – O Argentino” – é a primeira parte da saga dirigida por Steven Soderbergh. O trecho inicial se junta à sequência “Che – A Guerrilha”, ainda sem data de estréia, que narra o que acontece depois de finalmente instituído o regime de Fidel Castro
Essa primeira parte trata de todo o processo que culminou na revolução em Cuba, em 1959. Narra desde o primeiro encontro entre Fidel e Ernesto Guevara em 1954, faz uma breve menção à viagem do Granma e chega à Sierra Maestra e à emboscada aos soldados de Fulgêncio Batista em Santa Clara.
“Che” é baseado em dois livros escritos por Guevara: “Reminiscências da Guerra Revolucionária Cubana” e “O Diário do Che na Bolívia”.
Bandido ou mocinho? Mesmo com a inclusão de cenas como a que Che comanda o fuzilamento de dois de seus companheiros e da chegada dele à assembleia da ONU em Nova York sob os gritos de “Assassino!”, o filme é bem simpático ao revolucionário.
Ele é o amigo que ensina os companheiros a lerem e escreverem; é o médico que socorre os feridos; é o marido dedicado que pretende voltar para o México para rever esposa e filha; é o intelectual capaz de se concentrar em leituras em plena selva; é o que não esmorece mesmo com as crises de asma e é o autor de frases como “um povo que não sabe ler nem escrever é um povo fácil de se enganar”. Por fim, ele é Benicio del Toro. Futilmente falando, que mulher não vai chamá-lo de meu heroi?
Del Toro é a prova de que precisávamos para batizar Porto Rico de “polo exportador de rostinhos bonitos” – a febre mundial oitentista “Menudo” também é produto da terra.
Com pesar, vem a constatação de que o nosso rostinho bonito Rodrigo Santoro não repete o bom desempenho de filmes anteriores, como “300”. Nas entrevistas por ocasião do lançamento de “Che”, o ator declarou que tremeu feito vara verde na primeira cena com o ídolo Benicio Del Toro. Apesar das aparições esporádicas na pele de Raúl Castro, a insegurança de Rodrigo é evidente. Nem em “As Panteras” – no qual ele praticamente faz figuração  – ele se mostrou tão desconfortável.
O filme de Soderbergh é, antes de tudo, um serviço de utilidade pública. Ele ajudará os revolucionários de butique a entenderem que a barba ostentada por Fidel e Guevara não era charme, mas sujeira mesmo. Além disso, que ficar anos e anos na selva pode ser romântico visto bem de longe e com os olhos de hoje. Finalmente: se Che fosse vivo acharia um absurdo virar estampa de camiseta.

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