O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2009/03/31

UMA DISCUSSÃO ELEVADA

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 14:58

elevador-superman-final

saxElevador é um ambiente que mistura aventura e constrangimento. Afinal, adentrar um com a capacidade semiesgotada é missão para bravos.
Se as portas se abrirem e os passageiros estiverem espremidos como num Penha-Lapa às seis da tarde o conselho é agradecer e dizer que vai aguardar o próximo.
Mas se o pensamento Rexona lhe vier à mente e num impulso você decidir se juntar a eles, prepare-se para as caras feias, os “tsc tsc tsc” em dolby estéreo e as olhadas nada discretas para a placa “Lotação Máxima”. Se o elevador ainda estiver no início do trajeto, sua paciência ainda será exercitada diversas vezes. O combo abre-e-fecha + suspiros profundos vai até o ponto final, quando finalmente a boiada estoura.
É quase impossível imaginar uma época em que o elevador foi algo glamuroso, romântico até. Lento, com música ambiente, painel reluzentemente dourado e ascensorista fantasiado de paquita.
Pois foi atrás de parte dessa aura etérea que o repórter John Lendman, do jornal “Chicago Tribune”, resolveu se lançar. Segundo ele, assim como outras referências culturais, a indústria da música de elevador sumiu – e pouca gente notou.
Um ponto marcante ocorreu em fevereiro, quando a “Muzak” – empresa que universalizou a música de elevador – declarou-se falida. “Nós não temos mais música em elevadores”, diz Joseph Lanza, autor de “Música de Elevador: A História Surreal da Muzak, Agradável aos Ouvidos e Outras Músicas Ambiente”, lançado há 15 anos.
Introduzida em 1930, a música de elevador apareceu para acalmar passageiros agitados e encobrir o barulho das engrenagens. “De alguma forma o termo música de elevador foi sendo tratado em tom de deboche”, lamenta Joseph. “Gostaria que ela persistisse, assim as pessoas teriam uma segunda chance de avaliá-la”.
O repórter do “Chicago Tribune” passou dez dias zanzando pela cidade de Chicago, subindo e descendo em elevadores, ouvindo e esperando. Descobriu alguns tranquilos e outros bem sombrios, como os de alguns hoteis famosos, como o “The Hyatt Regency”.
A recepcionista do “Hard Rock Hotel Chicago” afirmou que o costume é ter música nos corredores e no lobby do hotel, mas não nos elevadores. “O elevador é um dos únicos locais calmos aqui”, completa.
Além de percorrer hoteis, o repórter foi a alguns estacionamentos que costumam colocar “hinos” de times universitários de futebol americano ou hits da Broadway para ajudar o motorista a identificar o local em que estacionou. Novamente notou que há som nos lobbies de cada andar, mas não nos elevadores.
O repórter cita ainda na matéria que no filme “Os Irmãos Cara-de-Pau” há uma cena em que Dan Aykroyd e John Belushi são acalmados por “Garota de Ipanema”.
Além disso, nos elevadores de serviço de prédios de escritórios importantes não há nem música – apenas sons de abre-e-fecha de maletas 007 ou de saltos de sapatos. A televisão se encarregou de substituir a diversão musical entre os andares.
É comum prédios comerciais chiques terem pequenas telas com sinal digital instaladas (em São Paulo a situação é a mesma).
Frustrado, o repórter se dirigiu para a “Civic Opera House”. Atravessou o saguão em estilo art-deco em direção aos elevadores e assim que as portas douradas se abriram, ele se jogou lá dentro e pode ouvir “Fausto” e “Figaro”. Enfim, música de elevador! Ele ficou andando de elevador por 10 minutos – subindo e descendo 40 andares – curtindo o que pareciam ser os últimos exemplares da espécie.
Ao chegar em casa ligou para Juliet Wilson, uma espécie de gerente da área, a DJ dos elevadores. Ela contou que recentemente a administração resolveu divulgar árias da próxima temporada de óperas do local, o que incluía “O Casamento de Figaro”, “O Elixir do Amor” e “Fausto”.
Apesar da alegria do repórter, a reação de alguns funcionários do prédio é oposta. Um deles, que estava indo para o 37º andar, reclamou que as músicas eram altas e estridentes – especialmente se é a primeira coisa que se ouve no dia.
Mais do que a música – que não seria mesmo uma má ideia – faz mais falta a cordialidade dos passageiros. Essa será mais difícil de ser recuperada.

2009/03/30

TIM-TIM, COMPANHEIRO

Arquivado em: Cultura inútil — trezende @ 14:25

 

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headacheSegunda-feira é o dia internacional da ressaca. Para quem acordou com gosto de corrimão de ônibus ou cabo de guarda-chuva na boca, aqui vão 35 curiosidades sobre o álcool. As informações foram retiradas de um blog especializado em conhaque (Cognac.com) e algumas delas soam bem absurdas.
Portanto, para seu próprio risco e incremento de seu banco de dados de cultura inútil:

1) “Brindar”, em inglês, é “to toast” (toast = torrada) e significa desejar boa saúde. A origem vem da Roma antiga. Na época havia o costume de mergulhar um pedaço de pão torrado no vinho;

2) O solo de uma vinícola francesa é considerado tão precioso que os agricultores que trabalham lá são obrigados a retirarem quaisquer resquícios de terra do sapato antes de saírem;

3) Menores de 21 anos têm de tomar cuidado ao jogarem fora sacos de lixo no Estado de Missouri (EUA). Se o lixo contiver frascos vazios de alguma bebida alcóolica o menor pode ser acusado de porte ilegal de álcool;

4) Muitas pessoas pensam que o álcool aumenta a temperatura corporal. Na verdade, ele diminui nosso calor humano;

5) O hino nacional americano, “The Star Spangled Banner” (“A Bandeira Estrelada”), tem a mesma melodia de uma canção britânica para beber (de beber);

6) Apesar de a frase “The quick brown fox jumps over the lazy dog” (“a rápida raposa marrom salta por cima do cachorro preguiçoso”) ser considerada a menor sentença em inglês que contém todas as letras do alfabeto, os bebuns têm uma outra versão:  “Pack my box with five dozen liquor jugs” (“Monte minha caixa com cinco dúzias de frascos de bebidas”);

7) A maioria dos vegetais e das frutas contêm uma pequena porção de álcool;

8) O cardápio da comemoração do primeiro “Dia de Ação de Graças” não incluía purê de batatas ou peru, mas já tinha cerveja, gim, vinho e conhaque;

9) O nome “Bourbon” – o drinque oficial americano – saiu da comarca de Bourbon, no Kentucky;

10) A pressão de uma garrafa de champanhe é de 90 libras por polegada quadrada – três vezes a pressão de um pneu de carro;

11) Adolf Hitler é um dos abstêmios mais conhecidos do mundo;

12) Winston Churchill foi um dos maiores bebuns de todos os tempos;

13) Há uma polêmica sobre o bar mais longo dos Estados Unidos. Uns dizem que está localizado em Ohio (com cerca de 124 metros). Outros, em Illinois (com cerca de 208 metros);

14) A primeira estação para recrutar marinheiros americanos funcionou num bar;

15) A receita mais antiga do mundo é a da cerveja;

16) Pedir para pendurar a conta é ilegal no Estado de Iowa;

17) A idade mínima para se começar a beber nos Estados Unidos é a maior do mundo (21 anos);

18) A dosagem de álcool de uma cerveja, vinho ou destilado é virtualmente idêntica. Para um bafômetro, uma bebida é uma bebida e é uma bebida;

19) Conhaque, rum e uísque podem durar muito. Ou não o suficiente;

20) Uma garrafa de champanhe tem cerca de 49 milhões de bolhas;

21) O corpo humano produz sua própria dose de álcool naturalmente;

22) A cerveja começou a ser vendida em garrafas em 1.850. Em latas, em 1935;

23) Lá pelos idos de 1.600 o termômetro costumava conter conhaque em vez de mercúrio;

24) O termo “dipsomania” se refere ao desejo incontrolável de ingerir bebidas alcoólicas;

25) Existe uma nuvem de álcool no espaço sideral capaz de render mais de quatro trilhões de drinques;

26) É ilegal dar bebida para os alces no Alasca ou para os peixes em Ohio;

27) Em alguns países europeus o McDonald’s serve álcool. Enquanto os pais tomam uma bebida, os filhos consomem batata-frita ou Chicken McNuggets;

28) Várias cafeterias de colégios europeus vendem bebidas alcóolicas;

29) Bebidas destiladas como conhaque, gim, rum, tequila não contêm carboidratos, gorduras e nem colesterol;

30) Um drinque que contenha gás é absorvido mais rapidamente pelo organismo do que uma dose única de qualquer outra;

31) Abraham Lincoln tinha uma “liquor license” – espécie de licença para comprar e /ou vender bebidas alcóolicas – e gerenciou várias tabernas;

32) Diversas bebidas (exceto cerveja e vinho) são originalmente claras e incolores. O marrom dourado e outros tons são adquiridos durante o processo de envelhecimento;

33) O vinho francês “FAT Bastard” foi banido em Ohio e no Texas (apesar de alguns leitores do blog terem dito que é possível sim comprá-lo no Texas);

34) O BATF (órgão que regulamenta ações ligadas ao ácool, tabaco e armas de fogo nos Estados Unidos) proíbe o uso da palavra “refrescante” para descrever qualquer tipo de bebida alcóolica;

35) Finalmente, a mais maluca: as leis texanas também proíbem mais de três goles de cerveja se a pessoa estiver de pé.

E vocês, leitores-bebuns, têm algum fato divertido sobre bebida no Brasil para adicionarem à lista? Conhecem alguma lei tão estranha quanto essa texana?

2009/03/29

A FACE OCULTA

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 11:13

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corda2Lula continua causando constrangimentos. Tudo ficaria em casa se ele reservasse seus comentários infelizes apenas para consumo interno. Entretanto, suas micagens estão indo além das fronteiras – as geográficas e as do bom-senso.
Depois de fazer gracinha para Obama dizendo que estava rezando muito mais pelo presidente norte-americano do que por ele próprio, foi a vez de deixar sem-graça o primeiro-ministro britânico Gordon Brown.
Esta semana, Lula declarou que a atual crise financeira “não foi gerada por nenhum negro, índio ou pobre. Essa crise foi feita por gente branca, de olhos azuis”.
Desde quando malfeitoria tem cara? Negros, índios ou pobres são seres acima de qualquer suspeita, assim como pernambucanos? Quer dizer que o Mal está sempre travestido? Sim, o diabo realmente veste Prada.
Parece que nosso presidente acredita em tudo isso. Maçãs vermelhas? Cuidado. Todas estão envenenadas – principalmente as grandes, que vêm da Argentina.
Vários jornais ingleses destacaram a afirmação e sublinharam o constrangimento de Gordon Brown. O “Daily Mirror” classificou os comentários de Lula como “bizarros” e disse que um secretário de governo que estava na platéia demonstrou uma expressão de enfado.
Ontem, sábado, Lula arranjou uma desculpa pra lá de esfarrapada. “Os trabalhadores da América Latina, do Leste Europeu, os indianos e os africanos serão os primeiros a perder o emprego e sentir o efeito da crise. Eu estava falando inclusive da perseguição aos imigrantes nos países europeus”.
Lula deveria ter ficado de boca fechada. Foi se justificar e se complicou mais. O que sua infeliz declaração tem a ver com perseguição de imigrantes? Para gerar um mal-estar ainda maior, só faltou citar o caso Jean-Charles de Menezes. 
A solução é, toda vez que Lula embarcar em seu Sucatinha, despacharmos um lote de sacos de papel com furinhos no lugar dos olhos para serem distribuídos à audiência presente em seus pronunciamentos. Antes mesmo de dizer suas sucatas, a plateia estará devidamente protegida.
Cada país tem o presidente que merece. O que podemos esperar do nosso, a não ser julgar um livro pela capa?

2009/03/28

HOT-CRAZY-DOG

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:52

 

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bifeUm dos maiores enigmas do mundo animal foi finalmente decifrado. Cães que giram em torno do próprio corpo tentando morder o rabo não podem mais ser taxados como loucos ou infantis.
Um grupo de pesquisadores da Faculdade de Medicina Veterinária de Uludag, na Turquia, descobriu uma surpreendente relação entre cães com essa estranha mania e colesterol alto. O estudo foi divulgado na edição de março da publicação inglesa “Journal of Small Animal Practice”.

O autoataque também pode ocorrer depois de o cão sofrer trauma psicológico, cirurgia ou doença. Algumas raças, como os “bull terriers” ou os pastores alemães, parecem penar mais com o problema. Outro ponto curioso é que as cadelas têm uma tendência maior de atacarem seus rabos – os pesquisadores ainda não sabem explicar o motivo.

Após os veterinários analisarem amostras de sangue de 15 cães saudáveis compulsivos perseguidores da própria cauda eles notaram níveis significativos de colesterol alto.

É possível que o colesterol elevado ajude a coagular as membranas celulares afetando o fluxo cerebral de hormônios como a serotonina, que tem influência sobre o humor e o comportamento.

Estudos anteriores concluíram que seres humanos com Síndrome do Pânico e outras fobias também têm elevados índices de colesterol, provavelmente como resultado da crescente atividade de hormônios ligados a um instinto de “lutar ou correr” do nosso organismo.

Segundo uma das pesquisadoras, correr atrás do rabo é algo muito comum nos filhotes quando descobrem a cauda. No entanto, quando o hábito se torna compulsão é sinal de problemas genéticos ou ambientais.

A mudança de hábitos alimentares pode ajudar a aliviar o problema. Os pesquisadores têm dúvida se o colesterol elevado é sempre decorrente de excesso de comida, já que as rações para animais de estimação têm de estar de acordo com as regulamentações do governo quanto à dosagem de proteína, gordura e água.

 

2009/03/27

ALFIE, O TEIMOSO

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 14:00

 

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carrinhobabyQuem se lembra de Alfie Patten, o garoto de 13 anos que engravidou a namorada de 15 e afirmava ser o pai da garotinha Maisie Roxanne?

Pobre Alfie. Tão precoce, tão jovem, tão sedutor e tão… corno.

O tabloide britânico “The Mirror” acaba de fazer o mundo do menino cair. O jornal publicou o resultado do exame de DNA que mostra que ele não é o progenitor da recém-nascida.

A dúvida sobre a paternidade começou depois que três outros garotos apareceram e se disseram prováveis pais da bebê.

Alfie – cego de confiança pela namorada Chantelle, que jurou que ele havia sido o único homem da vida dela – se estressou. Prometeu fazer o exame de DNA “para calar a boca das pessoas”. Calou sim. A dele.

Alfie deve estar inconsolável. Não largava Maisie Roxanne nem para jogar videogame. A garotinha não tem nem dois meses de idade, mas é provável que já estivesse sendo incentivada a falar “daddy”.

Apesar do revés, Alfie precisa pensar no lado bom: se livrou do pagamento da pensão alimentícia e aprendeu a lição – mais cedo do que muito adulto.

Agora é só acertar as contas com a namorada Chantelle – que de tão degustável deveria ter seu nome trocado para “Chandelle”.

A curiosidade é sobre o futuro do garoto. Vai se transformar num Jece Valadão? Afundar-se nas drogas? Decidirá aceitar Jesus? Ou seguirá os passos do pai dele – que tem sete ou nove filhos com mulheres diferentes?

E a dúvida mortal: afinal, quem é o pai de Maisie Roxanne?

 

2009/03/26

SOBE: HARAQUIRI

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 09:57

 

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corda1Os japoneses não necessitam da ajuda de nenhum reverendo Jim Jones para darem cabo à vida. Se a situação aperta, eles não titubeiam: partem para uma melhor. Prova disso é a média nacional de suicídios: um a cada 20 minutos.

A questão é que as estatísticas sobre esse tipo de morte são tão altas que parecem números de suicídio coletivo.
O governo japonês anda bem preocupado. Segundo dados divulgados pela Agência Nacional de Polícia, somente em janeiro deste ano foram registrados 2.645 suicídios – um aumento de 15% em relação ao mesmo mês do ano passado.
O final de março é um período crítico porque é época de vestibulares e do início da temporada de contratações. Este ano as mortes cresceram ainda mais por causa do agravamento da crise econômica.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, entre os países ricos o Japão está em segundo no ranking de suicídios, atrás da Rússia.

Enquanto em São Paulo o populoso viaduto do Chá é o campeão na preferência dos aflitos, no Japão eles são mais discretos. Vão para a Floresta Aokigahara, também chamada de “floresta dos suicidas”.

Não é difícil entender o motivo do sucesso do lugar. Ele é descrito como “o melhor local do mundo para se morrer” no livro “O Manual Completo do Suicídio”, de Wataru Tsurumui. Também já foi personagem do romance “Mar Negro de Árvores” – em que um casal de enamorados lá tira a própria vida – e também foi tema de um filme lançado em 2004 – “Jyukai – O Mar de Árvores por Trás do Monte Fuji”.

Nas árvores da Aokigahara há mensagens como “Por favor, reconsidere” ou “Por favor, consulte a polícia antes de decidir morrer”.
Além da morte na floresta, outros métodos comuns usados pelos japoneses são pular na frente de trens, de lugares altos, enforcar-se ou exagerar na dosagem de medicamentos.

As autoridades japonesas já começaram uma campanha de prevenção – com distribuição de folhetos em táxis, pontos turísticos, hotéis e cartazes com informações sobre onde procurar ajuda.

Além disso, empresas ferroviárias estão instalando em algumas plataformas uma lâmpada de cor azul que teria o poder de acalmar os desesperados.

Para um resultado ainda mais eficaz poderiam ainda aplicar um fumacê com essência de bergamota ou violeta nas estações. O problema é os japoneses quererem sabotá-lo com gás Sarin.

 

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2009/03/25

FAZENDO O PÉ-DE-MEIA

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:50

 

 

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cordaEm época de crise qualquer dica de economia é sempre bem-vinda. Até as mais absurdas.

No livro “500 Coisas Para se Fazer Com Uma Meia-Calça… Além de Usá-la”, Sara Hunter dá “sugestões úteis e engenhosas para dar vida à sua velha meia-calça”.

Além dos usos já tradicionais – como confeccionar bola de meia ou máscara para assaltar banco – uma meia-calça velhinha é capaz de operar milagres. É tanta utilidade que as facas Ginsu são coisa do passado. Abaixo, as melhores:

 

1. Corte as pernas e use-as para armazenar pedacinhos de sabão que sempre sobram no banheiro. Amarre-as e deixe ao lado da pia para lavar as mãos;

 

2. Preencha uma perna com lavanda, amarre e utilize como sachê;

 

3. Corte tirinhas da parte da cintura e use-as para amarrar blocos de papel ou mangueira de jardim;

 

4. Jardineiros ainda podem usar as tiras para amarrar plantas ou galhos;

 

5. As tiras da cintura dão bons elásticos de cabelo;

 

6. Também são ótimas para polir móveis e sapatos;

 

7. Corte a meia-calça em pedacinhos bem pequenos e use-os para rechear brinquedos e travesseiros;

 

8. Se você perdeu algo pequeno como um brinco ou um botão, coloque um pedaço de meia-calça no bico do aspirador de pó. Com a sucção, o objeto ficará preso à meia;

 

9. Não é porque estão furadas que elas não podem ser mais usadas. Vista-as por baixo da roupa, no inverno;

 

10. Precisando remover o esmalte mas está sem algodão? Pedacinhos de meia-calça resolvem;

 

11. Use as pernas para armazenar cebolas ou batatas. Basta pendurá-las e os alimentos ficarão frescos por causa da melhor circulação de ar. No jardim, o mesmo serve para bulbos de flores;

 

12. Com a parte do quadril, encape melões ou abóboras para protegê-los do ataque de insetos famintos;

 

13. Corte a parte do pé, encha de gelo e terá um boa compressa fria;

 

14. A meia-calça serve também como peneira – tanto para coar alimentos como geleias caseiras como para tinta empelotada;

 

15. Para lavar lingeries delicadas, coloque-as dentro da meia-calça, amarre a extremidade e adeus preocupação;

 

16. Deixe limpas suas escovas de cabelo. Corte um pedaço da meia-calça, encaixe até o fim das cerdas e penteie o cabelo normalmente. Quando a escova precisar de uma limpeza é só remover a meia;

 

17. Coloque um pedaço de meia-calça no fundo de um vaso de plantas para prevenir que, ao regar, a terra se esvaia;

 

Com tantos usos, quem sente falta das meias Vivarina?

 

2009/03/24

A PRIMEIRA FAZ TCHAN

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:20

 

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bandaid1Lá fora Brasil é sinônimo de samba e futebol. Entre as mulheres americanas é possível adicionar mais um item à lista: a depilação de virilha, conhecida como “Brazilian”.
Por muito pouco as freguesas dessa modalidade estética residentes em Nova Jérsei não se tornaram legítimas garotas-propaganda de nossas florestas. Isso porque o Estado considerou proibir a depilação, mas voltou atrás na sexta-feira.
A decisão da “Comissão de Cosmetologia e Cabeleireiros” de banir o serviço foi motivada depois que duas mulheres foram hospitalizadas com infecções causadas pelo procedimento.
No entanto, donos de salões reclamaram da perda de negócios às vésperas do verão americano e as autoridades desistiram da proposta.
Tecnicamente nem a “Brazilian Wax” nem nenhuma outra depilação íntima é permitida em Nova Jérsei – apenas no rosto, pescoço, abdômen, pernas e braços. De acordo com autoridades e dermatologistas, a alta temperatura da cera pode machucar a pele delicada da área, além de causar irritação e pelos encravados.
Como a depilação nunca havia sido proibida de fato, o órgão regulador do Estado americano forçou a criação de uma lei específica, o que deve ocorrer no dia 14 de abril.
“Brazilian” foi o nome que os gringos deram à depilação em que é deixada apenas uma pequena faixa central de pelos – o necessário para poder usar os biquinis “made in Brazil”.

O procedimento estético faz grande sucesso naquelas bandas. Graças ao pioneirismo da “Brazilian Wax”, sete irmãs capixabas enriqueceram em Nova York.
Conhecidas como “J. Sisters”, Jocely, Jonice, Joyce, Janea, Juracy, Jussara e Judseia chegaram aos Estados Unidos no fim da década de 80, ralaram bastante e hoje têm um salão chiquérrimo na rua 57, em Manhattan.
Elas atendem celebridades como Gwyneth Paltrow e Cindy Crawford e fazem até 200 depilações por dia – a US$ 75. Depois da manicure, a “Brazilian” é o serviço mais pedido.

Veneninho: se não podem ter corpo igual ao nosso, as americanas já ficam felizes de se depilarem como nós.

As autoridades de Nova Jérsei acham um absurdo essa modalidade de depilação, mas ficariam ainda mais boquiabertas ao constatarem que por aqui a criatividade vai muito além. Já entrevistei depiladoras e esteticistas especializadas em outro tipo de depilação íntima: a artística.
Há clientes que desenham de tudo em suas áreas de lazer: do clássico coraçãozinho ao escudo do time de futebol do marido.

Simbora ganhar dinheiro em Nova York?

 

Confiram o site das “J. Sisters” AQUI

 

2009/03/23

O 171 DOS 181

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 10:15

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correnteO cabide de empregos no Senado era muito maior do que imaginavam até seus ilustres habitantes. Na semana passada revelou-se que a Casa abrigava 181 diretores com funções tão absurdas e com títulos tão estapafúrdios que parecem saídos do “Hopês”, o idioma do parque de diversões Hopi Hari. Aliás, o Senado não deixa de ser um Hopi Hari – país fictício em que seus funcionários-moradores têm presidente, capital e idioma próprios.
O primeiro-secretário Heráclito Fortes e parte da nobreza fizeram cara de surpresa com a notícia e Sarney negou que o corte de 50 dos 181 diretores administrativos tenha sido motivado por denúncias. De nada adianta tentar disfarçar. O jornal “O Estado de S. Paulo” entregou o ouro publicando que a proliferação das diretorias e seus anexos com salários elevados se deu entre 2003 e 2005, período em que Sarney comandou a instituição pela segunda vez.
A faxina já começou e Heráclito prometeu mais para esta semana. Estima-se que a economia com as exonerações seja de R$ 400 mil por mês. Entre os que já tomaram o caminho da roça estão os diretores para áreas como “garagem”, “check in” e “autógrafos em atas”.
A “Coordenação de Administrações de Residências Oficiais” funcionava no subsolo de um prédio de apartamentos funcionais e por isso foi batizada de “Diretoria de Garagem”. Há também uma “Diretoria de Anais”. Essa é melhor nem saber onde e como funciona.
A “Coordenação de Apoio Aeroportuária” era conhecida popularmente como “Diretoria de Check in”. Em tese, a função do diretor e de seus sete funcionários era facilitar a vida dos senadores providenciando embarques, encontrando lugares em voos e conseguindo transferências de última hora. O que já era um absurdo, na prática, era ainda mais grave. Eles ocupavam-se mais dos parentes e amigos dos senadores do que dos próprios parlamentares.
Funcionários de companhias aéreas do aeroporto de Brasília apelidaram o responsável pelo setor de “diretor de fura-fila”. Revelaram que a equipe do Senado costuma furar qualquer tipo de fila, inclusive a de passageiros.
E o que dizer da “Subsecretaria de Elaboração de Autógrafos em Atas” e da “Coordenação de Rádio em Ondas Curtas”?
Diante desse cenário, dois pontos a serem lamentados. O primeiro: se o número de cargos fosse 171 e não 181 nossa margem para piadas seria maior.
A outra tristeza é que Heráclito Fortes determinou a suspensão da obra de construção de uma cela dentro do Senado. Ela seria concluída dentro de duas semanas e serviria para deter os que cometessem delitos dentro da Casa.
De fato, o espaço é muito pequeno. Heráclito deve estar pensando em edificar algo maior. Um castelo talvez. Afinal, a população carcerária do Senado é muito maior do que uma cela com capacidade para três gatos pingados.

2009/03/22

FERMENTO PARA AS IDEIAS

Arquivado em: Matutando — trezende @ 10:00

 

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brain1Dizem que a vida é feita de escolhas. Mas precisa tanta? Uma tarefa simples como ir ao supermercado torna-se uma missão impossível graças à variedade em torno de um único produto.
O sentimento pós-compra é de insegurança. Há uma estranha sensação de ter sido incapaz até de optar por um pacote de pão. Loser.
O drama não está em escolher entre pão frânces, de forma, bisnaguinha, pão para hot dog ou hamburguer. É muito mais grave. Uma vez em frente às prateleiras, começa o jogo da memória. Granola e Iogurte? Linhaça e Kumel? Ou Girassol e Castanha? Não, não tenho vocação para papagaio.
Maçã, Aveia e Ervas? Fitness? Ou seria melhor um 12 Grãos? Cenoura, Linhaça & Quinoa? Quinoa tá na moda. Vai esse. Há também o de Granola. Soja Light. Que diabos é Integral Graham? Pão Sueco parece bom. Melhor mesmo para o organismo é o de Três Grãos. Mas Três Grãos com aveia, centeio, cevada, linhaça e gergelim?
Coloque as mãos num singelo Pão Integral que algo automático acontece: os olhos alcançam a prateleira de cima com novos desafios. Pão de Linho; Iogurte e Cereais; Iogurte, Cenoura e Mel;  Iogurte e Cereais; Iogurte, Maçã e Banana; 7 Grãos; Ômega; Equilibrium Light e Granola com Nozes.
Pronto. Cenoura e Mel. Delicioso. É esse.
Olhou para o lado, dançou. Brotam o de Trigo e Linho; Iogurte e Aveia; Fibras Light; Multicereais; Pão Integral sabor natural com Germen de Trigo, Pão de Coco e Pão de Milho.
E a “Linha Lanche”? Pão sem casca, Pão sem Casca Torta Fria, Pão de Leite, Pão de Manteiga, Pão de Alho. Apesar de só desejar tomar café da manhã, por alguns momentos você pensa em fazer churrasco só para levar o pão de alho.
A fadiga cerebral causada pelo excesso de opções trouxe à mente as sábias palavras de um psicólogo americano que escreveu um livro sobre o assunto. Em “O Paradoxo da Escolha”, Barry Schwartz defende que a proliferação de escolhas traz mais angústia e ansiedade do que sensação de liberdade.
E disso, alguém tem dúvidas?

2009/03/21

YES SHE CAN

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 09:14

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coroaSe Barack Obama é o presidente dos sonhos, Michelle Obama é tudo o que sonhava a mídia. Desde Jackie Kennedy os americanos estavam sem uma Lady Di para chamar de sua.
A primeira-dama preenche todos os requisitos para virar manchete ou, no mínimo, assunto para a imprensa sensacionalista. Além de esposa apaixonada – traço evidente nas demonstrações públicas de afeto entre ela e o marido – Michelle tem características que rendem assunto para jornalistas de áreas bem díspares. É mãe, mulher independente, bem-sucedida e solidária.
Como ex-advogada e executiva de um hospital ela ganhava mais de US$ 295 mil por ano. Apesar da carreira de sucesso, disse em entrevista recente que estimula as filhas a não perderem velhos hábitos, como o de arrumar a cama, lavar os pratos depois do jantar e fazer deveres de casa.
Enquanto Marisa Letícia tinha planos de plantar uma estrela vermelha no jardim do Palácio do Alvorada, Michelle afirmou esta semana que vai cultivar uma horta orgânica pela primeira vez em um dos jardins da Casa Branca.
A fim de reforçar ainda mais sua imagem, declarou que alunos de escolas primárias de Washington vão ajudá-la a plantar e a colher vegetais, ervas e legumes. Até o maridão deve ajudar a semear a terra.
Entre as 55 variedades de vegetais estarão espinafre, acelga e algumas variedades de couve. As plantas mais exóticas serão tomates pequenos, pimentas e algumas ervas.
Estratégia de marketing, factoide ou solidariedade? Difícil saber, já que oficialmente mais de 100 mil pessoas participaram de um abaixo-assinado que pedia que a família Obama plantasse uma horta na Casa Branca.
A resposta da mídia chega rapidamente. Michelle Obama é capa da “Vogue” de março e vai virar gibi no próximo mês.
A HQ faz parte da série “Female Force” (“Força Feminina”) e narra a história da primeira-dama desde a infância classe média em Chicago, passando pela Universidade de Princeton até a chegada à Casa Branca.
Em quanto tempo Michelle Obama vai se transformar, de fato, em Michelle O.?

2009/03/20

O TERROR DA RAPUNZEL

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 14:15

 

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lampada1Pessoas cujo sangue não é de barata já passaram por um dia de fúria pelo menos uma vez na vida. A vontade é de arrancar os cabelos – os nossos e os dos outros.

Se o causador do fuá não for o Zacharias ou o Marcos Valério – versão pré-implante – e a decisão drástica se tornar inevitável, transforme seu furor em boa ação. Doe os fios para quem irá fazer bom uso deles.

A artista plástica americana Loren Schwerd é capaz de convertê-los em obras de arte – de gosto duvidoso, mas ainda assim trabalhos artísticos.

“Mourning Portrait” (“Retratos do Luto”) é uma série que mistura fotos e esculturas feitas de cabelos. Foi realizada em memória das comunidades vítimas do furacão Katrina, que atingiu Nova Orleans em 2005.

O ponto de partida de Loren – que é professora-assistente de escultura na Louisiana State University – foram as fotos que ela tirou das casas abandonadas no bairro de Ninth Ward, um dos mais afetados pelas enchentes que tomaram conta da cidade.

A ideia remonta tradições familiares dos séculos 18 e 19, quando famílias ou artesãos usavam os fios capilares dos mortos para fazer bijuterias e outros objetos para representar morte e renascimento.

Os cabelos humanos usados nos trabalhos foram retirados dos rejeitos do salão “Claude Beaty Supply”, também em Nova Orleans.

A iniciativa de usar cabelos para produzir obras de arte não é novidade na carreira de Loren. Em 2004 ela realizou a série “Loveseat”, em que inseria materiais como couro, peles de animais, cordas e cabelos em cadeiras de madeira encontradas em caçambas de lixo.

Perfeitas para casais enamorados ou para os que precisam de uma reconciliação forçada.

 

Confiram os trabalhos de Loren Schwerd AQUI

 

2009/03/19

A RAIZ DO ROCK

Arquivado em: Entrevista — trezende @ 08:32

 

kidvinil

 

foneouvidoNos anos 80 não reinaram apenas mullets, polainas, crucifixos, rendas e gritinhos agudos. Foi também uma época muito criativa no cenário do rock brasileiro. Bandas como “Titãs”, “Ultraje a Rigor”, “Paralamas do Sucesso”, “Ira!” – adorada até pelo “Radiohead” – e “Legião Urbana” floresceram com músicas de boa qualidade. A maioria, de protesto.

Ainda sobrava palco para a irreverência de conjuntos como “Magazine”, “João Penca e Seus Miquinhos Amestrados” e “Doutor Silvana”.

A figura mais marcante dentre os doidivanos era Kid Vinil, vocalista da “Magazine”. A banda só teve dois sucessos – “Sou Boy” e “Tic Tic Nervoso” –, inesquecíveis para os amantes do fino do trash.

Atualmente Kid Vinil discoteca em algumas boates paulistanas e divide seu tempo entre a organização de sua coleção de vinis – cerca de 20 mil – e projetos literários. O primeiro é “Almanaque do Rock”. Dividido por décadas, faz uma retrospectiva do pop-rock desde os anos 50 até hoje.

Foi por ocasião do lançamento do livro que este blog entrevistou Kid Vinil.

Abaixo, alguns trechos da conversa:

 

Você realmente foi boy?

Sim, na adolescência todo mundo era. Só que eu era um safado. Eu ia pagar título em cartório, falsificava os valores da multa e faturava uma grana. Quando o patrão tinha pressa, não pegava táxi. Ia de ônibus e metia a grana no bolso. Eu sentia um complexo de culpa tão grande que me demiti.

 

A música foi inspirada em suas experiências?

Não, é de um office-boy que trabalhava no estúdio do Tico, um dos produtores da banda “Joelho de Porco”. Esse garoto vivia cantando “eu sou boy, eu sou boy…” pelos corredores. Um dia, o Tico puxou conversa. Ele falou que tinha inventado a música na escola, que cantava no recreio, na aula. O Tico o colocou para dentro do estúdio, pediu que ele cantasse e nos levou a fita. Musicamos e fizemos uma parceria com o garoto.

 

Que fim levou esse boy?

Sei que ele virou policial, trabalha na PM e se chama Agnaldo. É uma figura.

 

O pessoal te enchia muito o saco por causa da música?

Incomodava um pouco sim. Saía na rua e sempre falavam “e aí, boy”. É chato andar com um coro atrás de você.

 

Chegou a arranjar alguma briga?

Não por esse motivo, mas quase fui preso se bobeasse. Nessa época eu tinha 28 anos. A fofoqueira do Silvio Santos naquele tempo era a Sônia Abrão. Ela escreveu numa revista que eu era um quarentão enxuto. Eu fazia a linha meio senhor, mas era uma gozação, né? Em 83 eu tinha 28 anos. Fiquei puto e até mandei minha mãe escrever pra ela.

Bom, aí fomos fazer um show em Paranaguá. O cara que ia apresentar a gente subiu no coreto e disse: “E agora, com vocês, a banda do coroa Kid Vinil, Magazine!”. Nossa, aquilo me subiu à cabeça. Quando peguei o microfone, falei: “Coroa é a p*** que pariu! Coroa é você!”.

Aí alguém da organização chegou no meu ouvido e disse: “Kid, esse é o delegado da cidade”. Depois do show fui falar com ele e pedi desculpas, mas deixei bem claro que não tinha 40 anos.

 

Sua coleção de vinis já está em torno dos 20 mil. Compra discos todo dia?

Sim, compro no eBay, em sebos ou e num monte de outros sites. Tento arrumá-los na medida do possível. A maioria está em ordem alfabética e acomodada em estantes como nas lojas de disco mesmo.

 

Nesse seu acervo há espaço para aqueles disquinhos de vinil coloridos de historinhas?

(Risos) Tem também. Aliás, hoje em dia, se você quer saber, os conjuntos ingleses lançam disquinhos coloridinhos. Lá é chique lançar compactos – e coloridos. Então há de todas as cores: verde, amarelo, azul… Recentemente uma banda feminina lançou um “purple” que tem até purpurina no centro.

 

Você consegue ouvir tudo o que compra?

(Risos) Pois é, não. Às vezes percebo que tenho até coisa repetida. Ou melhor, repetida não. É que tenho em vinil e de repente quero ter também em CD.

 

Por que a tara por discos?

Quando eu era criança gostava dos Beatles e comecei a comprar os primeiros compactos deles em vinil. Eu já ficava alucinado com aquilo. Eu era office-boy, meu dinheirinho era suado e quando eu aparecia com um LP debaixo do braço minha família sempre enchia o saco.

 

Já teve algum momento-tiete?

Vários. O pior deles numa loja da “Virgin”, em Nova York. Tem uma banda do país de Gales, o “Manic Street Preachers”, que eu adoro. Eles iam tocar dentro da loja para lançar um disco novo e eu estava tão entusiasmado em ver os caras, tão histérico – é triste ser fã –, que comprei todos os formatos dos discos deles. Entrei três ou quatro vezes na fila para assinarem tudo. Eles já não me aguentavam. Daí resolvi tentar uma entrevista com o vocalista – nesta época, década de 90, eu já trabalhava em rádio. Quando ele me viu, chamou o segurança da loja, que mandou eu me retirar. Daquele dia em diante decidi não ser mais fã de ninguém.

 

É nascido numa cidade chamada Cedral (SP). Onde é isso?

Perto de São José do Rio Preto, minúscula. Nasci numa fazenda onde meu pai era peão. Plantava café, arroz. Vim para São Paulo com 5 anos porque a situação lá estava difícil e resolvemos tentar a vida aqui.

 

Você tem amigos no meio sertanejo e gosta de música deles. Será que o interesse vem dessa sua origem “raiz”?

(Risos) Mais ou menos. Meu pai já gostava de ouvir essas coisas. Mas, na verdade, conheci vários deles na época em que eu trabalhava na Continental. Tonico e Tinoco, Tião Carrero e Pardinho… O Tonico era simpaticíssimo, engraçado. Ele me chamava de Antonio Carlos. Uma vez disse para o pessoal da gravadora: “Eu acho o Antonio Carlos uma pessoa com pobrema”. Eu pintava o cabelo de várias cores na época.

 

Mas você ouve sertanejo?

Não com muita freqüência, mas gosto mais desse lado raiz. Tem uma dupla que eu adoro, que é Cascatinha e Inhana. A Inhana tinha uma voz tão peculiar… É um disco que às vezes me dá vontade de ouvir. “Flor do Cafezal” é um dos clássicos da música sertaneja. Muito bonita.

 

2009/03/18

TICO E TECO

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:44

 

braincupcake

 

prontosocorro1Com apenas 27 anos o cérebro humano já tem corpinho de 70. É o que pesquisadores da Universidade de Virginia, nos Estados Unidos, acabam de revelar após sete anos de estudos com dois mil voluntários entre 18 e 60 anos.

Chocada ao descobrir que minha mente já passou de seu auge há muito tempo – o que ocorre aos 22 anos –, vi uma ponta de alegria ressurgir com a informação de que dos 27 aos 37 a memória permanece intacta.

Se perde em capacidade de armazenar dados, ganha em habilidades como aumento de vocabulário ou conhecimentos gerais – que por razões óbvias vão crescendo até os 60. No ápice da inteligência, levamos tudo para o caixão.

A notícia pode não ser tão otimista para a nossa geração mas, segundo os pesquisadores, estudos como esse serão importantes para tentar entender doenças ainda sem cura como o Mal de Alzheimer.

Ao contrário do que muitos imaginam, o Alzheimer não decorre do envelhecimento. A doença é física e vai matando neurônios até dos que têm menos de 65 anos.

A julgar pelo declínio da capacidade da memória aos 27 não é impossível que dentro de algumas décadas tenhamos pessoas com Alzheimer a partir dos 30. Além de lutarmos contra a lei da gravidade que insiste em atuar sobre nosso corpo, teremos agora de começar o duelo com os neurônios.

De tudo, nos resta filosofar sobre esse ser fascinante chamado cérebro. Uma massa misteriosa, disforme, feia e aparentemente esponjosa, mas capaz de armazenar fatos, cheiros, lugares e sensações. É o nosso sistema solar, o que rege nossas marés de desânimo e euforia.

 

Há um joguinho bem interessante para testar a idade de nosso cérebro. Como é em japonês, sigam essas instruções:

1. Clique em “start”

2. Espere a contagem regressive 3, 2, 1

3. Memorize os números que aparecerem

4. Depois, nos círculos em branco, clique o que memorizou (do menor para o maior)

5. No fim, o resultado. E a surpresa. Olhem só o meu:

 

cerebro 

 Preciso começar a malhá-lo o quanto antes. Façam o teste AQUI

 

2009/03/17

CLARK KENT X SUPER-HOMEM

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 14:27

 

berlusconi

 

marcialNo Brasil o nome do primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi é citado em duas situações distintas: ora como megaempresário do ramo de comunicação, ora como um genérico de Corleone – graças ao seu envolvimento com atividades ilícitas.

Mas o jornalista Alexander Smoltczyk – correspondente da revista alemã “Der Spiegel” em Roma – se encarrega de revelar mais detalhes sobre uma das personalidades mais polêmicas da Itália.

Num artigo publicado nesta sexta-feira (13) sob o título “Como Berlusconi se tornou o Superhomem Super-homem italiano”, Alexander encarna Leão Lobo e destila o veneno.

Logo de início, uma afirmação precipitada: “Silvio Berlusconi é obcecado pelo poder, o que significa que também é obcecado por sexo”.

Seguem-se acusações e dados que devem ter exigido milhares de entrevistas com pessoas próximas ao premiê e outros tantos inimigos.

Conta que em outubro passado Berlusconi foi visto em frente a um clube noturno de Milão na madrugada. Virou-se para um grupo de pessoas que o acompanhavam e disse: “Se eu dormir por três horas, tenho energia suficiente para fazer sexo por outras três horas”.

Em abril de 2007, um paparazzo fez fotos da casa que Berlusconi tem na Sardenha, onde ele foi visto com cinco “Velinas” – espécie de auxiliares de palco dos seus programas na TV.
Alexander tempera a história com vários outros veneninhos: que o primeiro-ministro – que está com 72 anos – toma elixires contra o envelhecimento, já passou por diversas cirurgias plásticas, faz depilação, não fuma e evita carne.

Além disso, há rumores de ele ter uma prótese no pênis – informação vazada de um grampo telefônico que revelou a conversa entre duas mulheres que integram o governo.

Há também acusações quanto ao fato de Berlusconi empregar pessoas próximas sem experiência política. Ele nomeou seu advogado como ministro da Justiça e seu médico pessoal membro do Parlamento. Uma ex-showgirl representa os interesses das mulheres no ministério.
O jornalista recorre ainda a “berlusconólogos” para dar suporte às suas ideias e informações. Há especialistas em Berlusconi que estudam a ligação do sorriso do primeiro-ministro e seu simbolismo religioso.

Um deles, Stephen Gundle, diz: “O rosto suave, o ódio por costeletas e barbas, a higiene quase compulsiva, o narcisismo, a aparência perfeita e consistentemente arrumada sugere um homem feminizado”.

Era tudo o que Alexander Smoltczyk precisava ouvir para eximir-se de quaisquer acusações que vierem a surgir.

Mais para o fim do artigo, uma provável explicação para tanto ódio: “Na Alemanha, as políticas de Berlusconi costumam ser vistas como uma tolice completa. Afinal, este é um homem que, em um encontro de cúpula em Trieste, se escondeu atrás de uma coluna e assustou a chanceler alemã, Angela Merkel, quando gritou ‘buu!!’”.
Estaria Alexander interessado em ser “Velino” de Angela Merkel?

 

2009/03/16

VERDES E FRITOS, DE PREFERÊNCIA

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 10:11

 

salmonela

 

fiodentalSó percebemos nossa ignorância quando confrontados com ela. Essa foi a conclusão suscitada pela foto acima.

Sem olhar a manchete que esse “Salmonello’s” ilustrava, julguei se tratar de mais uma montagem de Photoshop realizada por algum site de humor. Mas não, esse cereal matinal será de fato comercializado nos Estados Unidos a partir de abril.

A notícia que o acampanhava, publicada nesta quarta-feira, dava conta de que o FDA – o departamento do governo americano que regula alimentos e medicamentos – liberou a salmonela para consumo.

Salmonela não é necessariamente sinônimo de vômitos e diarreias. A quantidade de bactérias ingeridas é que determina se a doença vai ou não se manifestar.

Stephen Sundlof, diretor do FDA, afirmou que a bactéria está liberada para ser comida, bebida ou usada diretamente na pele. E concluiu: “A deliciosa salmonela está finalmente aprovada”.

A mistura com a bactéria não é vendida no varejo – e provavelmente não tem sabor agradável –, mas é ingrediente de biscoitos, bolos, cereais, sorvetes e entra na fabricação do produto mais amado pelos americanos: pasta de amendoim.

Com o okay do governo, as empresas alimentícias já têm planos de oferecer salmonela em outros itens, como gelatina, cobertura para sorvetes ou em bebidas como o “Red Bull”.
Há anos os Estados Unidos realizam cruzadas contra a bactéria. Em janeiro, um surto da doença fez com que diversas empresas retirassem das prateleiras biscoitos e outros produtos feitos com amendoim. Milhares de pessoas passaram mal e pelo menos oito morreram. Desde 1990 eles já enfrentaram 14 epidemias.

O tomate é um dos maiores vilões. Se ele passar certo tempo sob o sol escaldante e depois for mergulhado em água fria, pode ser contaminado. A mudança brusca de temperatura faz com que o legume absorva a água através da casca. Se a água estiver contaminada com a salmonela, já era. O que não quer dizer que devemos parar de lavá-los, mas que não o façamos com água gelada.

O mais maluco é pensar que um produto com o sugestivo nome de “Salmonello’s” pode ser mais seguro do que um tomate. A partir de agora, só verde e frito.

 

2009/03/15

FESTA DO CABIDE

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 12:01

 

bundagrande

 

armaduraA pouco menos de uma semana dos 40 anos do “Bed-In” – o protesto pacífico contra a guerra e pela paz feito por John Lennon e Yoko Ono num quarto de hotel – o que se percebe é que tirar a roupa tem sido a arma mais eficaz para chamar a atenção. Neutraliza qualquer tipo de adversário.

A nudez é usada para tudo e por todos e, curiosamente, em duas situações extremas: como forma de protesto ou como fonte de renda. Basta adaptá-la à sua realidade e mandar ver.
Neste sábado, em São Paulo, cerca de 100 ciclistas repetiram a manifestação do ano passado. Seminus, pedalaram pela avenida Paulista para protestar contra o espaço reservado aos ciclistas no trânsito da cidade.

Na quarta-feira, por muito pouco uma empregada doméstica não ficou como veio ao mundo em uma agência bancária em Jundiaí (SP). Depois de tentar entrar no banco quatro vezes e de se desfazer de todos os objetos que portava, despiu-se da blusa e permaneceu de sutiã. Nervosa, resolveu tirar tudo, mas a porta giratória foi destravada. O striptease funcionou.

Entretanto, a atitude da empregada não é novidade. No ano passado a atriz Solange Couto ficou de calcinha na porta de uma agência bancária em Jacarepaguá, no Rio, depois de também ser barrada pela porta giratória. Pergunta: Dona Jura estava realmente muito nervosa ou pretendia ilustrar algumas páginas da “Playboy”? Uma fogueteira distraída conseguiu.
Nesse mesmo espírito de “Filma eu, Galvão” várias outras modelos/manequins/atrizes engordam seus cofrinhos.

Há também quem esteja colocando o bumbum de fora “em nome da arte” – e vai muito além da nudez de Harry Potter no teatro. Na Bienal de 2008 – a Bienal do Vazio – o artista plástico Maurício Ianês passou vários dias completamente nu, vivendo apenas com as doações dos visitantes.

Esta semana o cantor Morrissey surgiu para divulgar seu novo single. Na foto, ele está ao lado dos quatro integrantes de sua banda vestindo apenas um vinil como tapa-sexo.

Até os atletas estão explorando seus corpos desnudos. Jogadoras da Seleção Brasileira Feminina de Rugby se despiram dos uniformes e posaram para um calendário sensual. A desculpa: arrecadar fundos para a viagem a Dubai, onde está sendo realizado o campeonato mundial.

Há dois dias o ex-campeão mundial de boxe – o mexicano Marco Antonio Barrera – ficou peladinho durante a pesagem oficial para uma luta. Para chegar aos 61,2 kg exigidos pela categoria leve, ele eliminou a única peça de roupa que usava: a cueca.

 

O episódio pede até um quiz:

 

a) A cueca era de chumbo;

b) O boxeador foi um dos mensaleiros e tinha dólares até nas dobrinhas mais íntimas;

c) Queria aparecer na “G Magazine” mexicana e ficou com vergonha de admitir;

d) É um bom marqueteiro

 

Há dúvidas entre a “c” e a “d”. Vamos aguardar o gabarito para simples conferência.

Não matando, não roubando e não abusando de menores, que cada um faça o seu “Bed-In” como bem entender.

 

2009/03/14

MINI SIZE ME

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:48

 

sanduba

 

saltpepperSempre que bate o impulso de comer algo trash, a atitude-padrão do esfomeado é dar uma conferida no menu do Mac Donalds. É o suficiente para o instinto “Super Size Me” sumir rapidinho. Uma megaoferta Big Tasty não sai por menos de R$ 16. Espanto.
Pagar essa quantia para o estômago se manifestar dali a duas horas? Uma feijoada teria o mesmo efeito bombástico no organismo – com a diferença de ser mais barata.

Aqueles que por necessidades da vida precisam almoçar fora diariamente estão com as pernas quebradas. Paira a dúvida: colocar um escorpião no bolso ou deixar que ele se fure por excesso de uso?

Nesta quarta-feira (11) o jornal “Los Angeles Times” publicou um relato interessante sobre o dilema. Escrito pelo jornalista Jason Song, fala da meta autoproposta por um casal norte-americano de gastar apenas US$ 67 com comida por semana. A conclusão: sim, é possível comer de forma saudável gastando pouco.

A idéia partiu da mulher, que mencionou um “desafio dos selos de comida”.

O autor explica que em 2007 o Congresso americano instituiu o benefício-alimentação no valor de U$ 21 por pessoa por semana. Segundo Jason, a formula é meio complicada e varia conforme a renda e o número de pessoas na família.
Não fica claro de quanto é essa quantia, mas calcula-se que mais de 31 milhões de norte-americanos recebam os tais “food stamps”.

O desafio apresentado pela esposa era se alimentar com US$ 72 semanais – a mesma importância a que teria direito uma família californiana com dois filhos.

De olho nos extratos do cartão de crédito, o casal descobriu que gastava cerca de US$ 700 por mês em saídas noturnas. E resolveu fazer o teste dos selos de comida por dois meses.
De acordo com o relato, não foi tão fácil como parecia inicialmente. Existia a dificuldade em achar um meio-termo entre comer razoavelmente – e barato – sem perder o prazer do paladar.

Na primeira ida ao supermercado surgiram os impasses. O que costumava ser uma compra rápida empacou numa discussão de cinco minutos sobre escolher entre presunto ou peru. Os dois preferiam peru, mas optaram pelo mais barato: presunto.

Depois o drama do casal passou a ser a alface. Uma embalagem com seis cabeças de alface romana custava menos de 3 dólares – mais ou menos o mesmo preço de um saquinho com folhas mistas.
Mas como eles estavam tentando ser os mais orgânicos que conseguissem e se lembraram de um artigo sobre meio ambiente, transporte e embalagem de alimentos, escolheram a alface romana.
A compra do mercado saiu por US$ 67, valor que adotaram como limite.
Com o tempo, passaram a fazer compras em mercados étnicos e notaram outros lugares onde a tarefa de economizar seria mais fácil.

Em vez de comprarem partes de um pato já abatido, por exemplo, adquiriam a ave inteira. Dividindo pernas e peito, tinham carne para quatro refeições.
Além disso, perceberam que estavam se tornando cozinheiros mais criativos e começaram a inventar combinações inesperadas.
No fim da sétima semana já viram o quanto tinham sido bem-sucedidos. A fatura mensal do cartão de crédito comprovou que eles haviam gasto US$ 250 – US$ 18 dólares menos do que o previsto.
A surpresa foi o retorno à vida normal. O casal ficou assustado com os preços dos pratos nos restaurantes.
Na primeira ida a uma lanchonete ainda sob os efeitos do desafio, ele pediu um rosbife e ela um sanduíche de salmão. Preço: US$ 14,58 – cerca de um quarto do orçamento semanal a que já haviam se acostumado.

Que a experiência nos sirva como exemplo – ou inspiração.

Por enquanto, a dica para superar arroubos gastronômicos é o “Scanwiches”, blog que mostra fotos de sandubas escaneados para “educação e prazer”. Feito por algum maluco novaiorquino, é uma boa ideia para ser adotada nos cardápios dos restaurantes. Ingredientes + fotos escaneadas = zero questões ao garçom.

Confiram o site AQUI

 

Leiam a íntegra da matéria do “Los Angeles Times” AQUI

 

2009/03/13

O ANDAR DA CARRUAGEM

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 09:46

 

charles

 

welcomeQuando se fala em príncipe Charles três fotogramas passam na cabeça: o pomposo casamento com Lady Di, a cauda do vestido da noiva e o escândalo causado por um grampo telefônico que revelou o desejo dele de ser um O.B.
A imagem do herdeiro do trono britânico nunca esteve associada à ecologia. Se interesse houvesse, os tabloides já o teriam flagrado regando uma plantinha na janela ou conversando com as samambaias do Palácio de Buckigham.
Portanto, é surpreendente que questões ambientais tenham sido a justificativa oficial da visita de Charles e sua Camilla Parker-Bowles ao Brasil.
Qualquer que seja o motivo, Charles o tem disfarçado muito bem. Até já plantou um ipê amarelo no Jardim Botânico do Rio.
Isso é só o começo, porque o roteiro do príncipe dá conta de que ele visitará o Pará e o Amazonas. A possibilidade de Charles se aventurar pelo garimpo de Serra Pelada ou sair daqui usando um colete dado por Carlos Minc não é remota – até porque já foi presenteado com um DVD de “Selvagem ao Extremo”, série de reportagens do biólogo – e dublê de Indiana Jones – Richard Rasmussen.

Dois dias de realeza britânica em terras brasileiras já são suficientes para revelar nossas fraquezas.
Das três visitas anteriores, Charles só se recorda de uma delas: a de 1978, quando dançou com a passista Pinah. Disse ele: “Eu me lembro de ter dançado uma versão algo rudimentar de samba com uma moça seminua no Rio”.
Foi providencial o herdeiro do trono inglês ter sido recebido por mulatas numa favela do Rio. Assim fica difícil apagarmos a péssima imagem da mulher brasileira pelo mundo.

Outro ponto a se lamentar é o aparecimento do cacique caiapó Raoni ao lado do príncipe. O cacique se justificou dizendo que sua presença foi uma resposta ao convite número um do governo britânico para recepcionar Charles no Rio.
Na falta de uma máquina da verdade para averiguar a informação, a tenhamos como real.
O estranhamento não surge por causa da bizarra aparência de Raoni, mas pelo fato de que em 1980 o cacique ganhou fama ao assumir os assassinatos de 11 peões que entraram nas terras dos índios. Ele matou os homens a golpes de bordunas (armas de madeira). Depois disso ainda conseguiu colar sua imagem à do roqueiro inglês Sting com a bandeira de preservação da Amazônia.

Esse episódio associado ao assassinato da missionária norte-americana Dorothy Stang já são razões mais do que fortes para qualquer turista minimamente informado passar longe daqui.

Só nos resta embebedar a todos – visitantes e principalmente jornalistas estrangeiros – com bastante caipirinha. É o que temos de melhor.

 

2009/03/12

NO DAS OUTRAS É REFRESCO

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:40

 

galinha

 

panelaTamanho é documento. Pelo menos para as galinhas.

Já adianto aos maldosos leitores que nunca antes na história deste blog uma afirmação foi tão literal. De acordo com uma reportagem publicada pelo jornal inglês “Daily Mail”, botar ovos grandes causa dor e estresse às galinhas.

Tom Vesey, presidente da Associação Britânica dos Produtores de Ovos, declarou ao jornal que tem insistido para que os ingleses usem dois ovos pequenos em suas omeletes em vez de um grande. Se serve de consolo, segundo ele, os ovos menores são mais saborosos.
Além disso, afirmou que os granjeiros só produzem ovos grandes porque recebem mais dinheiro dos estabelecimentos comerciais. Por isso, Vesey pede aos comerciantes que paguem mais pelos ovos médios. A afirmação acabou sendo alvo de críticas por parte dos comerciantes, que dizem que os consumidores compram ovos maiores porque eles têm melhor relação custo/benefício.

A informação-denúncia sobre o sofrimento das galinhas merece a placa “Eu já sabia”. Sempre desconfiei que cacarejar daquele jeito não é normal, bem como estampar um olhar arregalado ou agir furiosamente com os que ousam encostar nos pintinhos. É muito sofrimento – psicológico e agora comprovadamente físico – para assistir tranquilamente a um cidadão raptar um deles.

O conselho às galinhas é acreditar em  Deus. Novamente um alerta aos leitores maldosos: não é piada. De acordo com um estudo da Universidade de Toronto publicado na semana passada pela revista “Psychological Science”, acreditar em Deus pode ajudar a acabar com a ansiedade e reduzir o estresse.

Em situações assim é importante também pensar que tudo poderia ter sido pior. Já imaginaram se elas tivessem de dar à luz um inhame, um gengibre? Ou se servissem como base de lançamento para fogos de artifício, como mostra a embalagem acima? Em apenas uma botada a galinha já seria aposentada por invalidez.

Infelizmente não há como fugir aos desígnios de Deus. A cigarra não trabalha, a formiga não canta, a cobra não voa. Nós trabalhamos, tentamos cantar e voar. Comemos ovos, mas temos problemas com o colesterol.

Pensar no bem-estar dos animais é importante, mas a cadeia alimentar precisa girar. Deixar de saborear uma omelete ou um bom ovo frito por pena da galinha; abandonar a carne para poupar vaquinhas, porquinhos e franguinhos ou não comer legumes e verduras porque as plantas sofreram com cheiro do esterco usado como fertilizante são atitudes impensáveis.

Na hora de escolher um ovo, mirem-se no exemplo de milhares de galináceas espalhadas pelo mundo e façam um minuto de silêncio. Mas não deixem de imaginar a deliciosa omelete que dentro em pouco estará no prato. Bom apetite. Sem culpa.

 

P.S.: Esqueci de avisar: este blog completou dois anos na segunda-feira. Parabéns para nós!

 

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