O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2009/02/28

SOBRE ORELHÕES E ORELHUDOS

Arquivado em: Matutando — trezende @ 09:41

 

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latinhas“Portabilidade estará disponível em todo o país na semana que vem”. Essa foi a manchete de vários jornais nesta sexta-feira. As matérias traziam frases do tipo “Quarenta milhões de consumidores que ainda não tinham esse direito vão poder exercê-lo”.

Qual direito? O da saúde gratuita e de boa qualidade? Ou o do emprego digno?

Seria maravilhoso se os nossos problemas – e os do país – se resumissem a mudar de operadora sem trocar o número do celular.

A portabilidade é a trufa branca da temporada.

Qual o motivo de tanta comemoração? Acharam ouro em Copacabana? O pessoal do Congresso vai parar com a pilantragem? Lula desistiu de tentar a re-reeleição? Ou estamos livres dos impostos?

A resposta é bem mais simples. O celular é o RG do brasileiro. É o que determina se ele é uma pessoa ou um rato. Há tempos deixou de ser luxo ou símbolo de status.

Mesmo quem chega ao fim do mês com R$ 1 no bolso pode ter um telefone móvel. Basta usar o singelo valor para abrir um crediário nas Casas Bahia – e o primeiro pagamento é só depois do Natal.

Opções de modelos não faltam: pré ou pós-pago, com ou sem câmera fotográfica e filmadora, com ou sem acesso à Internet, com ou sem MP3, abrir deslizando ou abrir abrindo. Sem falar nos acessórios, disponíveis nos melhores camelôs da cidade.

O sucesso do celular por essas bandas – sem trocadilhos – é que ele é encarado como um brinquedinho. 80% das pessoas não usam o aparelho para socorrê-las numa emergência ou como um utensílio que alivia certos males da vida moderna.

O que importa é tirar fotos, ouvir música, mandar torpedos, ter um som legal quando ele toca e outros fru-frus. Tudo sem culpa e sem saia-justa. Constrangimento só mesmo quando o aparelho toca.

Dia desses, num restaurante, presenciei uma mulher ficar desconcertada depois que seu celular bradou aos quatro ventos um “Keep it Coming Love” – a inconfundível música-tema do “Programa Amaury Junior”.

Também já vi gente se justificando porque o telefone desembestou a gritar a voz do filho com a frase: “Mamãe, atende!”. Se era para ficar sem-graça, o mais inteligente seria selecionar o toque-padrão.

Atitudes como essas demonstram o quão estreita é a mente brasileira.

Outra questão paira no ar: por que de uma hora para outra o povo sentiu necessidade de ser encontrado até dentro do banheiro e de portas fechadas? Portabilidade é bom, mas o direito à intimidade é melhor ainda.

O mistério persiste se levarmos em consideração que alguns brasileiros fazem o impossível para ficarem fora da área de cobertura. Não a do celular, mas a da vida. De que adianta ser “encontrável” se assumir responsabilidades não é com elas?  Se preferem transferi-las para terceiros – filhos, marido ou papagaio?

Respostas na minha caixa postal, por favor. 

 

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5 Comentários »

  1. Ouro em Copacabana até já acharam… só não querem recuperar porque mexe com interesses, sabe como é…

    Comentário por Diego Viana — 2009/02/28 @ 13:42

  2. hASUIAHSuiASHiUSA
    Pior que é verdade eu tinha uma Pedra com touch screen (leia-se: Iphone) daí fui assaltada. Comprei outro mais inferior e “deu pau”, agora tô com o da minha mãe que não tem nada. >D~

    Comentário por Nikky R00t — 2009/02/28 @ 14:54

  3. Pior é quem gosta de facilidades,compra celular de última geração por $60,00 das mãos de falsários e o pessoal do Congresso vai parar ou já está na pilantragem.

    Tempos atrás o país começava depois do carnaval,agora as ” demissões ” em massa continuam após o carnaval.

    Comentário por Juventino — 2009/02/28 @ 18:13

  4. Nem me fale de levar celular para o banheiro. A geração teen não faz outra coisa. Sorte se telefone fixo (sem fio, claro) não for para lá também durante o banho da figurinha…

    Comentário por Vaninha — 2009/03/02 @ 10:56

  5. O texto está ótimo, mas o título insuperável.!!!!

    Comentário por picida ribeiro — 2009/03/02 @ 20:45


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