O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2009/02/08

RUA SEM SAÍDA

Arquivado em: Cri-crítica — trezende @ 10:31

 

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cameraA proximidade da cerimônia do Oscar faz de fevereiro o mês da corrida contra o tempo para quem curte cinema. Pouco importa se o evento é brega ou se as cartas já estão marcadas. Oscar é Oscar.
Depois de “O Curioso Caso de Benjamin Button” – com 13 indicações –, “A Troca” – melhor atriz para Angelina Jolie, direção de arte e fotografia –, foi a vez de conferir “Foi Apenas um Sonho”. O filme de Sam Mendes está na disputa nas categorias melhor ator coadjuvante, direção de arte e figurino.
Em uma frase: soco no estômago.
No papel do casal protagonista, Leonardo diCaprio e a onipresente Kate Winslet – também em “O Leitor”, pelo qual concorre ao Oscar de melhor atriz. Além do revival da parceria bem-sucedida de “Titanic”, “Foi Apenas um Sonho” é o retorno a uma temática semelhante já abordada em outra obra de Sam Mendes, “Beleza Americana”.
A nova visão crítica do “american way of life” fala da teatralidade e da vida vazia a que todos estão sujeitos – por imposição da sociedade, pelos rumos que a vida toma à revelia de nossa vontade ou por simples comodismo.
“Foi Apenas um Sonho” começa como um comercial de margarina e ganha nuances de suspense até os elefantes decidirem correr desembestados pressentindo a aproximação do tsunami.
Ao narrar as incertezas de um casal sobre o futuro e a busca por um sonho, o filme – adaptado do romance homônimo de Richard Yates – toca em assuntos polêmicos como aborto e adultério.
O ideal do casal é motivo de dúvida. O sonho é de fato um sonho ou a alternativa encontrada para fugir à realidade? Nem os envolvidos parecem saber. No entanto, um esquizofrênico – Michael Shannon, que concorre a melhor ator coadjuvante – é o único a questionar tal fato.
Sam Mendes foi corretíssimo na escolha do elenco – que tem também Kathy Bates – e na transposição para a tela das diferenças comportamentais e psicológicas entre homens e mulheres.
Poucas vezes a escolha do título do filme no Brasil faz algum sentido. Mas “Revolutionary Road” virar “Foi Apenas um Sonho” talvez não tenha sido má idéia.
A nós, resta refletir que há situações malucas o suficiente para significarem algo apenas para um doido.
Não-indicado para quem sofre de úlcera.

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