O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2009/02/03

CABRA-MACHO, SIM SENHOR

Arquivado em: Diário de bordo — trezende @ 10:15

 

bandeira

 

revolver2Não sou muito inclinada a assuntos futebolísticos, portanto, não imagino qual seja o time mais popular da Paraíba. Mas poderia arriscar um palpite logo na minha chegada à João Pessoa: Flamengo.

Em alguns pontos turísticos – como no Mercado de Artesanato Paraibano, em Tambaú – é possível encontrar camisetas rubro-negras com a inscrição “Nego”.
A vestimenta, saberia mais tarde, não guarda nenhuma relação com o time fluminense carioca. Trata-se da bandeira do Estado.

Finda a ignorância, a explicação: antes de receber o nome atual, João Pessoa foi batizada com denominações menos apropriadas, como Filipéia, Frederica e Nossa Senhora das Neves – santa do dia da fundação da cidade.

O nome João Pessoa é uma homenagem ao político paraibano – sobrinho do ex-presidente Epitácio Pessoa – que foi governador do Estado e que era muito querido na região. Sua morte causou extrema comoção popular.

João Pessoa foi assassinado dentro de uma confeitaria no Recife pelo jornalista e advogado João Dantas – motivado política e passionalmente.

Alegando razões partidárias, a polícia do Estado invade o apartamento de João Dantas. Em vez de armas que pudessem ser utilizadas em uma revolta armada encontram a correspondência do jornalista – que incluía cartas e poemas de amor enviadas pela escritora Anayde Beiriz. No dia seguinte, jornais governistas deitaram e rolaram publicando todo o conteúdo amoroso. Insatisfeito com a superexposição do romance, Dantas vinga-se de João Pessoa disparando-lhe vários tiros.

Dizem que o episódio foi o estopim para a Revolução de 30 e para a mudança da bandeira da Paraíba.

Na década de 30 João Pessoa concorria como candidato a vice-presidente na chapa de Getúlio Vargas e negou apoio a Júlio Prestes. Por esse motivo a palavra “Nego” – e não “nêgo”, como minha ignorância pronunciava – foi inserida na bandeira. O vermelho do distintivo representa o sangue derramado por João Pessoa e o preto, o luto que tomou conta da Paraíba com a sua morte.

Algum tempo depois falece Anayde – supostamente envenenada – e Dantas é achado morto em sua cela no Recife.
Fim.

 

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