O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2009/02/02

A FOME E A VONTADE DE COMER

Arquivado em: Diário de bordo — trezende @ 09:42

 

cidade1a

oculosol1Nem só de sol, areia e água salgada vive o turista em uma cidade praiana. Circular pelo perímetro urbano é interessante para vivenciar os hábitos da população e para se fazer a pergunta-padrão: “será que eu moraria aqui?”.
Mesmo pequena e pacata, João Pessoa não está livre do principal problema das grandes cidades: a marginalidade. Além do assalto que presenciei na orla de Cabo Branco – um garoto entrou na pousada e roubou o Caymmi que fazia a siesta na rede –, há milhares de pedintes nas ruas e crianças-malabaristas em praticamente todos os faróis.
Portanto, violência por violência, ainda prefiro São Paulo.
O principal shopping de João Pessoa é o Manaíra, considerado o segundo maior do Nordeste. De fato, o centro de compras é grande para os padrões locais, mas leve seus miolinhos de pão para jogar pelos corredores. O shopping é um labirinto.
No setor hoteleiro, o Tropical Tambaú é tradição. Um gringo desavisado que sobrevoe João Pessoa pode pensar que há um estádio de futebol em plena praia. A estrutura é tão imponente que se um senegalês olhar com atenção vislumbra o Tropical Tambaú no horizonte.
O hotel, construído em 1966, é obra do arquiteto Sérgio Bernardes – que trabalhou com Lúcio Costa e Oscar Niemeyer no início de sua carreira.
De fato, adentrar o Tambaú é como chegar a um estádio de futebol. Além de a entrada se dar pela parte de baixo, é possível ouvir os rumores. Não de torcedores, mas das ondas do mar – que praticamente banham as paredes do hotel.
É da lateral do Tambaú que saem os catamarãs para as piscinas naturais de Picãozinho, a 1,5 km da orla. Passeio interessante, mas mal planejado. Como visualizar peixinhos e corais com as cerca de 600 pessoas trazidas pelos barcos ao mesmo tempo? Só tendo uma visão além do alcance.
Apesar do sol e do calor, o apetite não dá trégua quando se está entregue ao ócio. Em João Pessoa o pecado da gula conta com um forte aliado e materializa-se sob o nome de Mangai.
Fundado há quase 20 anos, o restaurante de comida regional já tem filiais em Natal e Brasília e serve fartos café-da-manhã, almoço e jantar. O cardápio tem tudo o que é bom e engorda. Queijos – manteiga, coalho, minas, ricota –; farofas – de banana, de feijão verde, de bode, com bacon, com carne de sol –; arroz de vários tipos – de nata, arroz carreteiro, de queijo –; lasanha de macaxeira, baião-de-dois, carne-de-sol preparada de todas as maneiras e até saladas. Passar longe do bufê de sobremesas é recomendável.
Com a pança cheia, o melhor programa é assistir ao pôr-do-sol no trecho do rio Paraíba chamado de Praia do Jacaré. Por volta de cinco e meia da tarde Jurandy do Sax surge em um barquinho para tocar o Bolero de Ravel.
A apresentação acontece diariamente no mesmo bat-local há quase 20 anos e lota os bares na margem do rio.
O espetáculo é bonito – mais por conta do colorido do entardecer e das cores decorrentes do fenômeno natural do que pela musicalidade do velho do rio. Mas só pela brilhante idéia de dar uma trilha sonora ao pôr-do-sol Jurandy já merece nosso reconhecimento.

Acima, o entardecer no rio Paraíba

Confiram algumas fotos AQUI

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5 Comentários »

  1. Hum…
    Vc fez muita coisa em curto prazo. Pelas fotos
    fiquei com uma inveja danada rs!!!

    bjão

    Comentário por Hellinho Ferreira — 2009/02/02 @ 12:52

  2. Esse relato deu água na boca! Ai que fome! Sobre o bolo de cenoura, o meu fica estranho também, às vezes. Por isso capricho na “batida”. Vou batendo devagar, devagarinho, quase pego no sono, rs.
    Bjs.

    Comentário por Carmem Galbes — 2009/02/03 @ 00:30

  3. Só agora, lendo seus escritos me dei conta de como nunca me interessei por nada de João Pessoa. Só aquelas coisas obrigatórias de aulas de História e Geografia.
    Mas sempre é tempo, vou tentar mudar o jogo

    Comentário por picida ribeiro — 2009/02/04 @ 21:53

  4. Moro em João Pessoa e normalmente não me “comovo” mais com as ditas belezas daqui… mas lendo o que escrevestes, vejo que aqui tem muita beleza!
    …Pena que eu não tenho tanto tempo para apreciá-las.

    Comentário por Clarissa — 2009/02/05 @ 01:43

  5. Tati! Fico feliz que gostou do por-do-sol. Não ficou para assistir a Ave Maria depois do créu? ;-)
    Beijos.

    Comentário por Vaninha — 2009/02/17 @ 09:24


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