O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2009/02/28

SOBRE ORELHÕES E ORELHUDOS

Arquivado em: Matutando — trezende @ 09:41

 

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latinhas“Portabilidade estará disponível em todo o país na semana que vem”. Essa foi a manchete de vários jornais nesta sexta-feira. As matérias traziam frases do tipo “Quarenta milhões de consumidores que ainda não tinham esse direito vão poder exercê-lo”.

Qual direito? O da saúde gratuita e de boa qualidade? Ou o do emprego digno?

Seria maravilhoso se os nossos problemas – e os do país – se resumissem a mudar de operadora sem trocar o número do celular.

A portabilidade é a trufa branca da temporada.

Qual o motivo de tanta comemoração? Acharam ouro em Copacabana? O pessoal do Congresso vai parar com a pilantragem? Lula desistiu de tentar a re-reeleição? Ou estamos livres dos impostos?

A resposta é bem mais simples. O celular é o RG do brasileiro. É o que determina se ele é uma pessoa ou um rato. Há tempos deixou de ser luxo ou símbolo de status.

Mesmo quem chega ao fim do mês com R$ 1 no bolso pode ter um telefone móvel. Basta usar o singelo valor para abrir um crediário nas Casas Bahia – e o primeiro pagamento é só depois do Natal.

Opções de modelos não faltam: pré ou pós-pago, com ou sem câmera fotográfica e filmadora, com ou sem acesso à Internet, com ou sem MP3, abrir deslizando ou abrir abrindo. Sem falar nos acessórios, disponíveis nos melhores camelôs da cidade.

O sucesso do celular por essas bandas – sem trocadilhos – é que ele é encarado como um brinquedinho. 80% das pessoas não usam o aparelho para socorrê-las numa emergência ou como um utensílio que alivia certos males da vida moderna.

O que importa é tirar fotos, ouvir música, mandar torpedos, ter um som legal quando ele toca e outros fru-frus. Tudo sem culpa e sem saia-justa. Constrangimento só mesmo quando o aparelho toca.

Dia desses, num restaurante, presenciei uma mulher ficar desconcertada depois que seu celular bradou aos quatro ventos um “Keep it Coming Love” – a inconfundível música-tema do “Programa Amaury Junior”.

Também já vi gente se justificando porque o telefone desembestou a gritar a voz do filho com a frase: “Mamãe, atende!”. Se era para ficar sem-graça, o mais inteligente seria selecionar o toque-padrão.

Atitudes como essas demonstram o quão estreita é a mente brasileira.

Outra questão paira no ar: por que de uma hora para outra o povo sentiu necessidade de ser encontrado até dentro do banheiro e de portas fechadas? Portabilidade é bom, mas o direito à intimidade é melhor ainda.

O mistério persiste se levarmos em consideração que alguns brasileiros fazem o impossível para ficarem fora da área de cobertura. Não a do celular, mas a da vida. De que adianta ser “encontrável” se assumir responsabilidades não é com elas?  Se preferem transferi-las para terceiros – filhos, marido ou papagaio?

Respostas na minha caixa postal, por favor. 

 

2009/02/27

O TI-TI-TI QUE NÃO VEM DA SAPUCAÍ

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:58

 

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hashiEm fevereiro o Japão também se transforma numa Sapucaí. Mas em vez do brilho, dos carros abre-alas megalomaníacos, das alegorias pesadas ou das mulheres seminuas, um cenário mais simples: alas de homens pelados correndo de tanga debaixo de chuva e frio.

Esse é o “Hadaka Matsuri”, ou “Festival do Homem Pelado”, que é celebrado anualmente há mais de 12 séculos em várias cidades japonesas durante o inverno.
O único preparo parece ser o da comissão de frente.

A julgar pelas condições dos participantes poderíamos classificar a festa masculina como uma comemoração profana como o nosso Carnaval, mas o objetivo é purificar os corpos e agradecer aos deuses. É também uma celebração da coragem do homem frente ao frio.

O festival chega a reunir cerca de 300 mil pessoas de várias partes do mundo – mais os 10 mil peladões participantes.

Quem conhece a festa do Pau da Bandeira de Santo Antônio, no Ceará, vai entender o espírito da coisa. No evento cearense milhares de senhoras desesperadas para arranjar marido carregam o tronco pelas ruas da cidade até a igreja matriz.

Reza a lenda que as que fazem um chá com a casca da árvore desencalham em pouco tempo – ou morrem em decorrência de algum fungo contraído na alucinada tentativa.

No festival japonês, é eleito um “shin-otoko” – o único que fica realmente como veio ao mundo. Além de preparar a comissão de frente, o escolhido precisa tirar todos os pelos do corpo e cumprir alguns rituais santificadores. Acredita-se que uma passada de mão no “shin-otoko” lhes trará sorte para o ano que se inicia.

Enquanto o “tocável” não vem, dá-lhe saquê e água gelada para espantar o frio. Os que conseguem se concentrar em meio aos almôndegas escrevem pedidos em pedaços de pano que são amarrados em bambus e posteriormente oferecidos no templo.

Para que a festa não vire uma parada gay, o “shin-otoko” é escoltado por guardas pelas ruas da cidade até sua chegada ao santuário. Lá dentro já pode se pôr em trajes mais decentes e cumprir suas tarefas de “escolhido”.

Fica aí a dica para o Carnaval de 2010. Alguém se habilita?

Quanto a mim, estou considerando a possibilidade de organizar excursões para o Japão com saídas diárias do Ceará. Seria a apoteose das encalhadas.

 

Assistam ao vídeo do festival deste ano AQUI

 

2009/02/26

QUAL O PREÇO DA BOIADA?

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 10:01

 

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bamboleandoAté o Gmail, o serviço de email gratuito do Google, caiu na folia. Aproveitou a terça-feira gorda de Carnaval para ficar fora do ar por mais de três horas.

Segundo o gerente do serviço, a falha ocorreu por conta de uma manutenção de rotina no banco de dados da Europa. Ele reconheceu que interrupções como essa são “dolorosas” e que eles sempre investigam as causas para se prevenirem de problemas similares no futuro.

O Gmail já voltou a funcionar normalmente, mas todas as vezes que acontecem apagões do tipo questionamos nossa dependência tecnológica. O que é simples, prático e rápido pode ter um preço altíssimo. Num estalar de dedos e tudo está perdido – como o meu ex-blog, por exemplo.

Mas o tema de hoje não é sobre o “tilt” do Google, mas sobre a vida mansa dos funcionários da empresa – onde independentemente da data o espírito de feriado é predominante.

De acordo com um ranking preparado no ano passado pela revista “Fortune”, o Google é o melhor lugar para se ganhar o pão de cada dia nos Estados Unidos.

A sede do Google – localizada em Mountain View, ao sul de São Francisco – lembra um clube. Além dos ambientes superdescolados, oferece academia de ginástica, quadras, salas de massagem, de relaxamento, de jogos, cafeteria, comida de graça – são dois bufês de alimentação, sendo um orgânico –, lavanderia, salas de reuniões temáticas – iglus, cabines de teleférico –, consertos de bicicleta e médicos disponíveis no local de trabalho.

Até as soluções arquitetônicas são criativas. A parte dos escritórios é ligada à cafeteria e à academia não por elevador ou escada, mas por um escorregador.

Os funcionários podem dedicar 20% da carga de trabalho a projetos pessoais. Os que têm bebês recém-nascidos têm direito de cobrar até 500 dólares ao mês da empresa em custos de refeições delivery.

O balanço geral das regalias é que o Google recebe diariamente mais de 3 mil candidatos aos seus 4 mil postos de trabalho – o que dá mais de um milhão de pessoas batendo à porta da companhia por ano.
Diante do exposto, surgem dois sentimentos opostos – o da certeza e o da dúvida. O primeiro é a prova de que oferecer um bom ambiente é fundamental para que os funcionários fiquem motivados e produzam mais – já trabalhei numa conceituada empresa de comunicação em que as baratas disputavam espaço com nossos telefones. Um terror.

A dúvida: como não existe almoço grátis e tudo o que é simples, prático e rápido pode ter um preço altíssimo, qual seria o de se trabalhar no Google?

O tapete aí em cima é bem bonito, mas imaginem o quanto ele não deve ser puxado…

 

Confiram fotos inacreditáveis da filial do Google em Zurique AQUI

 

Vejam um vídeo sobre o ambiente de trabalho no Google Brasil AQUI

 

2009/02/25

MAKTUB

Arquivado em: Cri-crítica — trezende @ 10:16

 

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camera3Esqueçam a sinopse divulgada pela imprensa de que “Quem Quer Ser Um Milionário?” é sobre um menino que sonha ficar rico. Nada mais equivocado. O filme que levou o Oscar narra uma história de amor.

A turma do contra argumenta que “Slumdog Millionaire” é piegas e sentimentaloide. Mas se histórias de amor tivessem quaisquer outras características serviriam de enredos para ficções científicas.

Programado para estrear no Brasil dia 06 de março, o longa mostra uma Índia que não aparece na novela das oito. Em vez de saris coloridos e lindos Bahuans como Marcio Garcia, o que se tem é uma colcha de retalhos surrada. Colorida, mas ainda assim uma colcha de retalhos – ou para não soar tão pejorativo, “patchwork”.

Rodado em Mumbai, o elenco é formado por atores locais e teve orçamento apertado. Os custos reduzidos, entretanto, não atrapalharam o acordo do diretor Danny Boyle com os três atores-mirins principais: o de que o cachê só estaria à disposição deles quando completassem os estudos. Contrato firmado, a produção empregou um motorista para levá-los à escola diariamente até os 16 anos.

A grana esteve tão curta que cogitou-se a possibilidade de o filme ser lançado diretamente em DVD. Seria uma pena, porque “Slumdog Millionaire” é um achado.

O favelado Jamal Malik se inscreve para participar da versão indiana do “Show do Milhão” por saber que o alvo de sua estima, Latika, era assídua telespectadora. Quando o apresentador – ele mesmo milionário graças ao programa – põe em xeque a honestidade de Jamal tem início a narrativa.

Os enquadramentos calculados de “O Curioso Caso de Benjamin Button” não são páreo para a palheta de cores que é “Slumdog Millionaire”. As imagens são belíssimas e exploram tão bem o jogo de luz e sombra que se não abocanhassem o prêmio de fotografia a marmelada ficaria evidente.

Novamente o pessoal do contra pode alegar que Danny Boyle fez de “Slumdog Millionaire” um grande videoclipe – seguindo a tendência que já havia dado certo em “Trainspotting – Sem Limites”.

De fato, o ritmo e a edição são alucinantes, mas deem de ombros. Em alguns momentos a música faz o espectador tremer por dentro. Foram mais do que merecidos os troféus de mixagem de som, edição, trilha sonora e canção original.

A trilha sonora de A. R. Rahman foi composta em apenas 20 dias, mas contagiante mesmo é “Paper Planes”, da rapper inglesa M.I.A.

Já durante os créditos finais, é a faixa “Jai Ho” que nos inspira a agir como os indianos nas salas de cinema: dançar animadamente junto com o filme que está sendo exibido.

Por fim, “Slumdog Millionaire” reacende em nós, brasileiros, a esperança de que um dia nossos filmes com temática mundo-cão tenham alguma chance em Hollywood. Basta ser bem-feito e contar uma boa história.

 

Ouçam a música de M.I.A AQUI

 

2009/02/24

ME DÁ UM DINHEIRO AÍ

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 10:21

 

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caixaQue ninguém compre a ideia de que o Carnaval é a festa da comunidade – estou convicta de que os leitores deste blog não são ingênuos a esse ponto.

Antes fosse o momento em que as popozudas se estapeiam para aparecer melhor na foto. A comemoração do povo é, na verdade, um grande balcão de negócios. Os camarotes das cervejarias poderiam ter seus nomes mudados para “Escritório da Fulana”, “Escritório da Sicrana” –  a própria posição deles na avenida favorece o funcionamento como balcão comercial.

Todos amam “a emoção da avenida”, mas a maioria está ali fechando altos negócios.

Primeiro que a maioria das celebridades convidadas recebe cachê. Bons cachês. Os que não ganham nada fazem valer a presença a médio prazo. Um não quer dar entrevista para a emissora tal, o outro não aceita tirar foto com quem não conhece, um terceiro esconde o logotipo do banco na camiseta porque é garoto-propaganda do concorrente e por aí vai. É um ringue de telecatch onde tudo é permitido. Até sambar.

Lula foi alvo de duas tentativas de negócios – se serão bem-sucedidas só saberemos após a festa.

Valeska dos Santos, rainha de bateria da Porto da Pedra e integrante de um conjunto chamado “Gaiola das Popozudas”, tentou ir além da foto da capa. Quis passar a impressão de que é íntima do presidente.

Após se queixar da ausência dele no segundo dia dos desfiles cariocas, aproveitou para falar do funk que compôs para ele – ambos se encontraram em duas ocasiões.

Breve parêntese para um dos trechos: “Senhor presidente, por favor, reconheça, o funk é cultura e não sai da minha cabeça. O senhor é do povo, escute o que ele diz”.

A outra investida foi da atriz Susana Vieira – que aparentemente não precisa, mas nunca se sabe do dia de amanhã, não é mesmo? A atriz revelou que o presidente já lhe passou uma cantada. Diante do espanto da repórter, se explica: “Quer dizer, me cantou, não!”. Ao encontrar Lula numa solenidade em Brasília, ele a abraçou “assim [faz sinal de aperto com os braços] e falou: “Minha atriz favorita! Minha senhora do destino! Levei 30 anos para te conhecer!’”.
Será que Lula tem noção de que era peça de açougue? A imprensa presenciou a retirada de dois bifinhos, mas com certeza outros fregueses passaram pelo estabelecimento. 

Houve um extraterrestre perdido no salão que foi na contramão dessa prática – mas infelizmente não admitiu, por vergonha ou recomendação de assessores.
Trata-se de nossa primeira-dama Marisa Letícia, que disse estar lá por causa do amigo e companheiro Neguinho da Beija-Flor.

Dona Marisa foi a única que realmente se divertiu. Bebeu cerveja no copo dos outros, sambou, pulou e foi à avenida quatro vezes.

Por tudo isso, a solitária foliã da Sapucaí é merecedora da chave da Cidade do Samba.

 

2009/02/23

ACADÊMICOS DO HOLLYWOOD: DEZ!

Arquivado em: Cri-crítica — trezende @ 10:05

 

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claquete2Hollywood desistiu de ignorar a importância e o crescimento da genérica Bollywood e consagrou a Índia na noite do 81º Oscar.

Apesar de ainda ser uma produção hollywoodiana, o grande vencedor “Quem Quer Ser Um Milionário?” foi rodado em Mumbai e conta com atores e canções indianas. O filme levou oito troféus – entre os mais importantes, o de Melhor Filme e Direção.

Não há mesmo como fazer vista grossa à segunda maior indústria cinematográfica do planeta. Bollywood produz mais de mil filmes por ano – a maioria musicais – e vende 16 milhões de ingressos por dia em vários países.

Ao contrário das notícias sobre o Carnaval, a noite de ontem em Los Angeles teve várias surpresas. A primeira, o talento de Hugh Jackman.

Os organizadores deixaram de lado as piadas sem graça dos humoristas escolhidos para mestres-de-cerimônias e apostaram em Jackman. Cantando e sapateando, ele mostrou que tem fôlego para ser muito mais do que o Wolverine.

Outras surpresas foram a entrega de Oscar póstumo de Ator Coadjuvante a Heath Ledger por sua atuação como Coringa, a derrota de Mickey Rourke como Melhor Ator e o fracasso de “O Curioso Caso de Benjamin Button”.

Coitado do Rourke. Além de recentemente ter sofrido com a morte de seu chihuahua Loki – que faleceu nos braços dele – ainda vai ter esperar mais um pouco para afastar os fantasmas do passado e ser bem-vindo no tapete vermelho.

O discurso de Kate Winslet – que faturou o troféu de Melhor Atriz por “O Leitor” – foi o mais original. Contou que desde os 8 anos ensaiava o discurso de agradecimento e felizmente desta vez não tinha um frasco de shampoo em mãos.

Mas o melhor da noite foi, sem dúvida, Ben Stiller. Com cara de lesado, óculos escuros e barba nojenta, ele imitou o ator Joaquin Phoenix durante entrevista a David Letterman há cerca de duas semanas.

Joaquin apareceu no programa com o visual descrito acima, não disse coisa com coisa, grudou um chiclete na mesa do apresentador, não falou palavra sobre o filme que foi divulgar e revelou que pretende se dedicar ao hip hop.

Bom para a platéia, para Ben Stiller, para a divulgação de “Two Lovers” – com Joaquin Phoenix e Gwyneth Paltrow –, para você e para Yuri.

Hollywood sabe das coisas.

 

2009/02/22

TODA NUDEZ SERÁ CASTIGADA

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 10:16

 

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gamba1Enquanto Mickey Mouse amarga um aviso prévio, há quem ache que dinheiro é confete.

Um dos shoppings mais luxuosos de São Paulo, o Cidade Jardim, aproveitou o marasmo que toma conta do noticiário no feriado para testar um serviço na surdina. A facilidade, inédita, é o primeiro fraldário canino do mundo.

A fim de incentivar o uso do novo espaço, a partir de março todo cliente que entrar com um cão no shopping ganhará um kit com fralda para macho ou fêmea, além de um saquinho para recolher fezes.

Que ninguém nos ouça, mas as ruas e os nossos sapatos com trava agradecem.

Esses absurdos envolvendo o mercado pet não são um privilégio brasileiro. Nos Estados Unidos foi lançado um produto tão inútil quanto o nosso: as cuecas para esquilos. A diferença é que a ideia deles é piada – ou não.

Com o slogan “Ajude um esquilo a esconder suas ‘nozes’ no inverno”, um site está oferecendo as cuequinhas por U$ 9,50.

Uma das seções é dedicada a uma organização fictícia que luta pela decência dos pequenos animais. O objetivo é manter a nudez imoral dos esquilos longe dos olhos dos inocentes.

O autor conta que a inspiração veio após um passeio pela floresta com a família. Em vez de uma caminhada sossegada o que eles presenciaram foi um desfile de genitália animal. Os mais descarados foram os esquilos.

As crianças ficaram traumatizadas. E ele se pergunta: estamos num zoológico ou num clube de stripper? Cabe à sociedade vestir os animais antes que o mundo se transforme numa fossa sanitária de perversidade.

Por enquanto, cuecas para elefantes são um sonho, mas podem se tornar realidade com nossa ajuda financeira.

Na seção “Depoimentos”, um padre revela que após ter comprado as cuecas para esquilos pode olhar para seu jardim sem constrangimentos.

Já que estamos em pleno Carnaval, não seria má ideia lançarmos uma cueca do tipo para ajudarmos as mulheres-fruta a esconderem suas sementes.

Vejam o site AQUI

 

2009/02/21

O RINGUE DE CADA UM

Arquivado em: Cri-crítica — trezende @ 09:58

 

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camera2“O Lutador” – que está sendo vendido pela imprensa como o retorno triunfal de Mickey Rourke às telas – é um filme intrigante.

Sujo, escuro, barato, com uma história bem amarradinha e sem enrolação. Curto para os padrões épicos de hoje – em que o normal são os filmes durarem três horas –, “O Lutador” vai bem em 1 hora e 40 minutos.

Ganhador do Leão de Ouro no Festival de Veneza do ano passado, tem Mickey Rourke como representante no Oscar. O astro de “9 1/2 Semanas de Amor ” concorre na categoria Melhor Ator e já levou o Globo de Ouro de melhor ator dramático e um Bafta, o Oscar inglês.

Credenciais, portanto, não faltam ao filme de Darren Aronofsky. Merecidas.

Rourke é Randy, um lutador de telecatch que ficou famoso na década de 80 e que agora, 20 anos depois, tem de encarar o ostracismo, o envelhecimento e o saldo de uma vida de exageros.

A vida de Randy é um raio-x da rotina de inúmeros frequentadores de academia. Com a vaidade – física ou a da competição – levada às últimas consequências, recorre-se a tudo: bombas, bronzeamento artificial e tintura no cabelo.

Robert Siegel, o roteirista, teria todos os elementos para transformar “O Lutador” num filme sentimentaloide sobre um astro decadente que começa a enxergar a cara da morte no horizonte. Mas opta pelo caminho mais inteligente. Além de não tratá-lo como coitado, mostra que a própria personagem é ciente de que passou a vida almoçando grátis. Um dia a conta chegaria.

Mickey Rourke está perfeito – até porque o filme é quase sua biografia. Entre 1991 e 1995 o ator deixou a carreira de lado para lutar boxe. Envolveu-se com tudo que é droga e se machucou. Tanto, que é fácil entender porque está tão destruído aos 56 anos. As plásticas e as evidentes aplicações de botox do ator fazem Randy ainda mais real. Apesar da aparência de tia velha de megahair, Rourke está muito sensual e com um excelente preparo físico.

Mas a vida de Mickey Rourke não é o único eco de realidade em “O Lutador”. Scott Siegel – que faz um traficante que vende esteroides, Viagra e até cocaína na academia de Randy – foi preso na semana passada em Nova York acusado de… posse e tráfico de esteróides.
A vida imitando a arte ou a arte imitando a vida?

Mas a dúvida que permanece é se Mickey Rourke leva ou não o Oscar. A brilhante personificação de Randy será banalizada porque o ator não teria feito grandes sacrifícios para levar às telas seus próprios dramas? Amanhã teremos a resposta.
Então, aproveitem o dia de hoje para tirarem suas conclusões. Curtam a música de Bruce Springsteen e as cenas de Randy como atendente de balcão de frios – as melhores do filme.

 

2009/02/20

QUANDO A MONTANHA-RUSSA VIRA TREM FANTASMA

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 09:14

 

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cordaLula acha que é só uma marolinha, mas a crise econômica se transformou num Katrina e agora aterroriza um lugar onde sempre reinou a diversão: a Disney.
Depois de oferecer desligamento voluntário a 600 executivos, os dirigentes do setor de parques temáticos da Walt Disney anunciaram esta semana um plano de reestruturação que prevê milhares de demissões.

Mas a “sensação Hollywood Tower” – aquela causada pelo elevador que despenca no parque MGM – não deve atingir somente os executivos.

Este blog inicia as especulações sobre quais personagens ouvirão o temido “você está demitido”.

Se o critério for o mais velho de casa, Mickey já dançou. Como ultrapassa os 80 anos pode preparar a boina, o dominó e dar a última volta na xícara maluca.

É provável que Branca de Neve seja forçada a pedir as contas. Afinal, é um caso de demissão nunca antes visto na história da Disney: o de matar oito coelhos com uma cajadada só.

Se alguns personagens se sentirem na rua da amargura o Brasil é a solução. Se for o caso, cortaremos até o batom da Dilma para bem recebê-los.
Cinderela tem um cantinho garantido em São João Nepomuceno (MG). Edmar Moreira já mandou avisar que o castelo está de portas abertas – e à venda.

Pateta também será bem-vindo. Para quem já aguenta 300 picaretas, um Pateta a mais, um a menos, não faria diferença.

Rei Leão é outro que pode arrumar as malas e embarcar no primeiro voo da Varig. No Brasil não perderia a majestade. Como sabemos nós, classe média, leão aqui é rei – e lei.

À Pequena Sereia seria recomendável segurar as pontas por mais um ano. É certo que o clima na Disney deve estar carregado, mas o dia de Iemanjá acaba de ser comemorado – 2 de fevereiro. Lá ou aqui ela estaria igualmente desempregada.

Apesar da idade um pouco avançada, Tio Patinhas teria plenas condições de se manter por aqui. Mesmo que sua grana fique presa nos Estados Unidos ele pode dar aulas de natação – em piscinas de dinheiro, que fique bem claro.

O negócio será bem-sucedido desde que ele não peça aos alunos que coloquem dados pessoais ou anexem documentos de comprovação de renda na ficha de matrícula.

E Tico e Teco? Seria complicado explicar que nessa terra eles viraram sinônimo de mentes que mal conseguem realizar sinapses. Mas é pegar ou largar.

O Brasil só teria uma “atitude Madri” com os Irmãos Metralha. Um Pateta a gente até faz uma forcinha, mas uma quadrilha inteira… Aí já é abusar demais do festejado espírito solidário brasileiro.

 

2009/02/19

O QUE ARDE NÃO MORDE

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 11:22

 

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fogoExistem diversas modalidades de preconceito racial. A perseguição aos judeus talvez tenha sido a que alcançou maior repercussão, mas negros e mulheres – loiras ou não – ainda são alvo de manifestações hostis. A menos pior delas veiculada em forma de piadinhas que questionam a capacidade intelectual de ambos.
Através do projeto “Raiz de Gengibre: Um Estudo Sobre o Cabelo Vermelho” – que engloba exposição de fotos, um livro e um filme – a fotógrafa inglesa Jenny Wicks levanta a lebre da discriminação sofrida pelos ruivos.
Jenny teve a ideia por causa de dois sobrinhos de cabelos vermelhos e pretende mostrar como a sociedade vê os ruivos – traço físico comum na Escócia (13% da população) e na Irlanda (10%), mas que corre o risco de se extinguir até 2060.
Atualmente apenas 2% do mundo é ruivo. Ao mesmo tempo em que existe um grupo no Facebook com mais de cinco mil integrantes que prega o ódio contra os ruivos, há campanhas para estimulá-los a se reproduzirem – para nascer um ruivinho é necessário que pai e mãe tenham o gene recessivo.
Na Alemanha do século 15 as mulheres de cabeça vermelha eram vistas como bruxas. Cerca de 45 mil chegaram a ser torturadas e mortas. Os egípcios as queimavam vivas e os gregos, por sua vez, acreditavam que elas se transformavam em vampiras após a morte.
Até Michelangelo teria uma ponta de culpa. Uma das cenas retratadas nas pinturas da Capela Sistina mostra um Satanás loiro encorajando Adão a morder a maçã.
A redenção viria no século 19, quando alguns pintores pré-Rafaelitas consideravam a ruivice como a única forma de beleza. Os ruivos eram transcendentais, evocavam o luxo, a riqueza e toda a religiosidade da época.
Atualmente até me arriscaria a lançar o slogan “Ginger is beautiful”. Num mundo tão pasteurizado, ter cabelos vermelhos é luxo para poucas. Rita Hayworth virou Lindsay Lohan. Mas fazer o quê, é o que tem pra hoje.
A exposição de Jenny Wicks está em cartaz na galeria Idea Generation, em Londres.

 

Vejam algumas fotos AQUI

 

2009/02/18

A VIDA É UM THRILLER

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 09:38

 

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marteloleilaoA questão está lançada: Michael Jackson e Juan Carlos Abadía são a mesma pessoa?
O colombiano Abadía é considerado um dos maiores traficantes de cocaína do mundo. Preso no Brasil em 2007, tem o rosto tão repuxado que mesmo vivo só pode ser identificado através de alguma marca de nascença.
Se Michael Jackson e Abadía são seres diferentes, devem ser vítimas do mesmo funileiro – merecedor do “Prêmio Elza Soares da Cirurgia Plástica” por entregar à sua freguesia traçado nasal idêntico.
Além da semelhança visual, tanto Jacko quanto Abadía foram perseguidos pela Polícia e pela Justiça e também tiveram seus respectivos bens leiloados.
No ano passado, parte dos objetos pessoais do traficante apreendidos pela Justiça foram as vedetes de um bazar no Jockey Club de São Paulo que deixou as lulus em polvorosa.
A empolgação foi tanta que a polícia teve de usar spray de pimenta para conter alguns consumidores – ávidos pelas cuequinhas, que estavam a pechincha de R$ 1.
Michael Jackson tem feito saldões com frequência. Em 2007, itens como o disco de platina que ele recebeu por “Billie Jean” e o contrato de venda de Neverland foram arrematados por US$ 100 cada.
Um novo leilão já está marcado. Vai ocorrer em abril no Hotel Beverly Hilton, em Los Angeles, e é mais uma tentativa do cantor para cobrir o rombo causado pelos milhões em dívidas.
Entre os itens, estátuas de bronze, cabeças robóticas usadas em videoclipes, carrinho elétrico de golfe, uma máquina de café expresso e capuccino cromada da “Brevetti Gaggia”, uma chaleira em forma de trenzinho, um simulador de voo, o Rolls Royce, as luvas usadas por Johnny Depp no filme “Edward Mãos-de-Tesoura”, além de peças dignas de um rei, como coroas, cetros e mantos. Até os portões de Neverland entraram no rolo.
Os organizadores do leilão ficaram cerca de dois meses em Neverland catalogando e organizando mais de duas mil peças.

Fico muito, muito, muito triste por ele. Michael Jackson era “o” cara na minha adolescência. Seus clipes eram ansiosamente aguardados em todo o mundo, lançavam tendências e ditavam a moda oitentista. Ainda hoje  “Thriller” é o álbum mais bem-sucedido da música, com mais de 106 milhões de cópias vendidas mundialmente.

Os recursos tecnológicos de “Black or White” nos deixaram embasbacados e desorientados por alguns anos. No clipe, diversos rostos se fundiam – tal o dele hoje com o de Abadía.

 

Vejam algumas das peças que irão a leilão AQUI

 

2009/02/17

ALFIE NO PAÍS DAS MARAVILHAS

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 09:23

 

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carrinhobabyTati Quebra-Barraco é precoce porque vai se tornar avó aos 29 anos?
Então vejam essa: na sexta-feira o tabloide britânico “The Sun” publicou a história de Alfie Patten, esse pequeno sedutor de 12 anos aí em cima que engravidou a namorada Chantelle, de 15.

O casal tentou esconder a gravidez nas primeiras 18 semanas, mas a sementinha cresceu, cresceu e brotou na forma de Maisie Roxanne – a boneca que divide a atenção do pai com o videogame.

Os ingleses estão chocados. O caso mobiliza tabloides, jornais “sérios”, revistas e emissoras de TV de todo o país. Até o primeiro-ministro Gordon Brown já se pronunciou sobre o assunto.

Apesar de cientes de que os bebês não eram obra da cegonha, Alfie e Chantelle quiseram conferir. E revelaram-se bons jardineiros.

Os ingleses ficaram boquiabertos com a precocidade dos pais, mas a ruga na minha testa é por outro motivo.
No fim-de-semana o site do “News of the World” noticiou que dois solteirões britânicos podem ser os pais de Maisie Roxanne. Um tem 14 e outro 17 anos. O que suscita a inevitável pergunta: Chantelle seria mesmo uma debutante ou é mais uma Teresa Batista cansada de guerra?

Alfie está decidido a fazer o teste de DNA. O maior empecilho foi descobrir o significado dessas três letrinhas, mas a mamãe explicou que basta “colocarem um cotonete na sua boca e daí dizem que você é o pai ou não”.

O pai de Alfie já avisou que vai lucrar com o episódio – diz que pretende vender a história do garoto, mas não revelou se vai procurar uma editora ou uma produtora de cinema.
A verdade é que o caso Alfie já é uma mistura de três filmes. Pela ordem: “Meu Primeiro Amor” – com o preferido de Michael Jackson, Macaulay Culkin –; “Juno” – sobre a adolescente que engravida e resolve ter o bebê –; e “Alfie, o Sedutor” – com Jude Law.

Agora é hora de brincar de casinha. Oxalá o romance de Alfie e Chantelle não termine em quebra-barraco ou evolua para um “Revolutionary Road”.
Se bem que se algo der (mais) errado Maisie Roxanne poderia estrelar algo na linha de “Dois Solteirões e Uma Pequena Dama”.

 

2009/02/16

MISSÃO IMPOSSÍVEL

Arquivado em: Cri-crítica — trezende @ 09:57

 

valkyrie-poster1

 

camera1Tom Cruise demonstrou tanta simpatia em recente visita ao Brasil que seria quase falta de educação não prestigiar o filme que veio divulgar: “Operação Valquíria” – do qual é protagonista e produtor.

Baseado em acontecimentos reais, trata-se da refilmagem de um trabalho feito em 2004 para a TV alemã.

Se o tema não é exatamente inédito, ajuda a desavisados como eu a entenderem que Hitler não era unanimidade entre seus colegas genocidas.
“Operação Valquíria” é um importante documento histórico porque mostra bastidores pouco conhecidos do regime nazista alemão.
Tom Cruise é o conde Stauffenberg, um dos principais personagens da conspiração que dá nome ao filme. Depois de ser vitimado por um ataque aéreo durante uma missão na África, perde um olho, a mão direita, dois dedos da mão esquerda e ganha o quê Jack Sparrow do cartaz acima.
De volta à Alemanha, Stauffenberg passa a se questionar mais seriamente sobre algo em que já pensava e escrevia em seu diário: a intolerância do sistema do qual fazia parte.

Ao lado de outros membros da resistência alemã ele elabora um plano para matar o Führer e reconstruir a Alemanha. Também fazia parte do complô eliminar os potenciais sucessores de Hitler: Goebbels e Himmler.

E então chega-se ao principal problema de “Operação Valquíria”: a própria História Mundial se encarrega de nos contar o final. O plano fracassa e os “conspiradores” são imediatamente executados – Hitler só bateria as botas em 1945, após o cerco de Berlim.

Por se tratar mais de um registro histórico do que de um candidato ao Oscar, a tentativa de analisar cinematograficamente o filme de Cruise torna-se estéril. É verborrágico, tenso e triste como nos narra a História.

 

2009/02/15

COPA CANNABIS

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 10:36

marijuana

globoocular2Para promover o DVD do filme “The Wackness” no Reino Unido a “Revolver Entertainment” está com uma super-promoção. Quem encontrar o bilhete premiado entre os primeiros mil DVDs colocados à venda leva para casa um saco de maconha e uma viagem com acompanhante para Amsterdã. Michael Phelps já foi às compras.
Tal promoção faria sucesso no Brasil, onde é cada vez maior o número de usuários de maconha. Só não vê quem não quer.
Praticamente todos os dias, com o trânsito parado, é possível observar que nem o congestionamento é capaz de estressar alguns paulistanos. Parecem gostar do engarrafamento, assim podem fumar seus baseados em paz.
Já passou da hora de pararmos com a hipocrisia e começarmos a faturar com isso. Poder não pode – todo mundo sabe. Mas dá-se um jeito – todo mundo também sabe. Que a droga passe a ser vendida em farmácias e supermercados. Tiraríamos 50% do lucro dos traficantes.
Até os camelôs cariocas sabem disso. O bong de Michael Phelps já pode ser encontrado nas banquinhas do Rio de Janeiro. Os ambulantes estão vendendo cachimbos de vidro similares ao que o homem-peixe usava quando morreu pela boca.
Phelps pode ser o maior recordista olímpico de todos os tempos, mas é um tremendo vacilão. Desde que sua foto foi publicada num tablóide inglês, perdeu alguns contratos publicitários e foi suspenso pela Federação de Natação norte-americana por três meses.
É de se lamentar o péssimo exemplo dado aos fãs – a maioria crianças e adolescentes que o encaram como Super-Homem. No entanto, se Phelps quer bongar o problema diz respeito a ele e a seu pulmão. É a prática do autoboicote.
Por muito pouco o nadador não viu a fama conquistada no Cubo D’Água ir pelo ralo por causa de um tubo d’água. E outra: após o episódio fica mais simples compreender por que Phelps tem uma dieta de 12 mil calorias diárias. Larica!
Fernando Henrique Cardoso também entrou na discussão. Esta semana defendeu a descriminação da posse de maconha para uso pessoal na 3ª Reunião da Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia, no Rio de Janeiro.
Maria Alice Vergueiro – que ficou famosa não pelo seu trabalho como atriz, mas após o vídeo “Tapa na Pantera” – já se animou. Quer convidar FHC para visitar a horta que ela tem em casa.
A verdade é que a atriz pode instituir o chá das cinco. Além de FHC, convidaria Phelps. Juntos, assistiriam ao DVD do filme “The Wackness”. O único problema é que teriam de tirar no “dois ou um” quem a acompanharia a Amsterdã.

2009/02/14

TEMPOS MODERNOS

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 10:06

 

 obamahope

palheta1Barack Obama não é pop só porque Jay-Z está na playlist de seu iPod ou porque serve de inspiração para bonecos em miniatura. As atitudes demonstradas pelo 44º presidente norte-americano indicam que ele é forte candidato a ser o mais reproduzido da história dos Estados Unidos – o reproduzido aqui é no sentido de propagado, fabricado em série.
Tudo começou antes mesmo da posse. Durante a campanha foi capa da revista “Rolling Stone” pelo menos três vezes. Numa entrevista revelou o que tocava no seu MP3: Bob Dylan, Bruce Springsteen e o grupo Earth, Wind and Fire.
Pouco tempo depois, numa homenagem no Lincoln Memorial, em Washington, diversos artistas se reuniram para celebrar sua vitória. O show gratuito contou com a presença de milhares de eleitores e celebridades como Bruce Springsteen, Bon Jovi, Bono Vox, Beyonce, Tom Hanks, Denzel Washington e Jamie Foxx.
Na noite em que foi eleito Obama surpreendeu ao colocar fotos pessoais no site Flickr – 82 imagens feitas pelo seu fotógrafo particular, David Katz.
Já na noite da posse, Obama se desdobrou para marcar presença em todos os bailes que o homenageavam. Ao que parece, para ele não basta ser presidente, tem de participar. E Obama dançou. De rostinho colado com a primeira-dama e até batendo os quadris com uma correligionária.
Comediantes, fotógrafos e artistas em geral ainda estão perdidos com tanta matéria-prima. As novidades aparecem a cada minuto – e o presidente nem precisa dar motivos. Há inclusive um site – o Obamicon-me – que convida qualquer pessoa comum a se “obamizar” como na imagem aí em cima.
O circo em torno de Obama traz à lembrança um ensaio de Walter Benjamin esmiuçado em toda faculdade de Comunicação que se preze: “A Obra-de-Arte da Era de Sua Reprodutibilidade Técnica”.
Benjamin acredita que o surgimento de meios de reprodução como a fotografia faz com que a obra perca sua aura, seu sentido mágico. A distinção entre o original e a cópia deixa de fazer sentido. Entretanto, para o autor não há mal nenhum nisso. É a arte se abrindo a novas possibilidades.
Difícil não inserir Obama nessa teoria. Pouco importa se está perdendo seu sentido mágico. É tudo o que um presidente quer.
Ou alguém duvida que Lula não gostaria de ter seu rosto num rótulo de sopa?

P.S.: Também quero dar minha contribuição à “reprodutibilidade técnica” de Obama. Selecionei alguns pôsteres bem-humorados AQUI

2009/02/13

TÁ COM SEDE?

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 10:40

kopiluwakmovie

gambaEnquanto na Suíça um grupo nacionalista é suspeito de violentar uma brasileira, na Índia uma outra agremiação nacionalista trata de revirar os estômagos mais sensíveis.
Está em fase de testes finais o “Gau jal”, um refrigerante feito à base de urina de vaca. A ideia é da organização hindu “Rashtriya Swayamsevak Sangh” e foi levada à público ontem pelo jornal inglês “The Times”.
Segundo um dos responsáveis pelo projeto, a bebida é uma alternativa saudável aos refrigerantes feitos à base de cola – muito populares na Índia e por esse motivo acusados de conterem pesticidas. O “Gau jal” não cheira a urina e vai ser muito gostoso, além de desprovido de toxinas. O ingrediente principal é acrescido de ervas medicinais e ayurvédicas.
Apesar de alegar preocupação com a saúde da população, o lançamento do refrigerante é uma tentativa de matar três coelhos com uma cajadada: ganhar din-din – a bebida será exportada –, livrar a Índia da influência estrangeira e promover a ideologia nacionalista “Hindutva”, que prega a supremacia hindu.
Fundado em 1925, o movimento tem oito milhões de membros e várias polêmicas no currículo. Em 2001 começou a propagar a ideia de que a urina de vaca cura doenças como obesidade e câncer. O grupo também é acusado de exterminar cristãos e promover um boicote aos produtos de empresas como Pepsi e Coca-Cola.
Quem não fugiu da escola sabe que as vacas são consideradas animais sagrados na Índia. Não devem ser mortas nem feridas e podem circular pelas ruas sem serem incomodadas.
O leite, a urina e até as fezes são usados em rituais de purificação, em bebidas, temperos e servem como ingrediente para inúmeros produtos. Em algumas regiões, esterco e urina de vaca são vendidos em mercados ao lado de leite e iogurte.
Se antes tínhamos de prestar atenção ao rótulo de certos cafés – refiro-me ao caríssimo Luwak, feito a partir das fezes de um gambá polinésio – tomar um refrigerante torna-se uma aventura comparável à de beber água na Índia. Olho vivo.

2009/02/12

TEM MASCARADO NO SAMBA

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 10:10

 

dilma

 

palhacoApesar de incômodas, máscaras de Carnaval são tradição. As mais simples – que cobriam apenas os olhos e eram carregadas na lantejoula – deram lugar a peças mais globalizadas. Bush, Obama e até Bin Laden apareceram na nossa folia.

Este ano vamos dar um tempo nos enlatados. O hit do Carnaval de 2009 é coisa nossa. Olha a Dilma Roussef aí, gente!
O motivo exato ainda é uma incógnita. A ministra-chefe da Casa Civil tornou-se acessório de folião por causa da mudança de visual ou sua provável candidatura presidencial em 2010 seria suficiente para despertar o interesse das empresários de acessórios carnavalescos? É provável que seja uma mistura das duas efemérides.

No entanto, um ponto é certo: Dilma está dando trabalho. Ao Planalto – que já começou o faz-tudo para emplacá-la –, aos cirurgiões-plásticos – por razões óbvias – e às fábricas de máscaras.

A dona de uma empresa tradicional em São Gonçalo (RJ) disse à Reuters que não foi fácil chegar ao molde final de Dilma, graças ao extreme makeover a que ela está se submetendo. Faziam uma e a ministra se internava. Confeccionavam outra e ela aparecia com uma cor de cabelo diferente.

A incógnita em torno do acessório ressurge quando os empresários afirmam que a máscara da ministra não chegará às prateleiras este ano.
Segundo o artista plástico espanhol Victor de Quadras o tempo é curto. Além disso, mesmo as máscaras da Dilma antiga – com óculos e cabelos convencionais – não vendem bem. Por isso, a aposta é para 2010.

Ora, nada que o Planalto não resolva. Se Lula tomar conhecimento do drama das fábricas é capaz de pagar para as máscaras chegarem às lojas hoje à tarde. Dinheiro compra tudo – de nariz a tempo curto.

Se o impasse encaminhar-se para uma solução, os empresários têm de ficar atentos a um outro ponto. Precisam torcer para que Lula não cumpra a promessa de cortar o batom de Dilma a fim de acelerar as obras do PAC. Senão não há linha de produção que resista.

 

2009/02/11

REBELDIA: CAUSA E EFEITO

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 09:38

 

 rebel

bandaid“Passam os séculos e os homens, mas repetem-se os fatos e suas causas”. Lembrei-me hoje da frase de Gaspar Barlaeus – que encontrei na Fortaleza de Santa Catarina, em João Pessoa.
A afirmação é perfeita para definir três notícias dos jornais de hoje – duas delas ocorrem todo ano, mais ou menos nesta época.
A primeira: “a festa em Olinda não tem hora pra acabar”. Aguardem. Dentro de duas semanas ela estará por aí. Lembrem-se de mim.
O segundo destaque são os trotes violentos nas universidades. Quando o calouro não é encontrado morto na piscina, chega em coma ao hospital depois de amargar as boas-vindas a que foi submetido.
A outra é que alunos de colégios particulares de Brasília têm se reunido para brigar no Parque da Cidade.
Um “bicho” de Medicina Veterinária da “Universidade Anhanguera Educacional”, em Leme ( SP), inaugura a sessão “Trotes Universitários” do ano. Ele foi obrigado a ficar alcoolizado, teve de entrar em uma lona com restos de animais em decomposição, fezes e esterco, comer ração para cães e ainda foi submetido a uma sessão de chicotada pelos veteranos.
Resultado: deu entrada no hospital como indigente, tomou soro, recebeu oxigênio e está com diversas marcas de agressão pelo corpo.
Já as brigas entre adolescentes em Brasília dão um ar de “Juventude Transviada” à cidade. Segundo a Polícia Militar encontros marcados pela Internet com o objetivo de pancadaria têm sido frequentes.
O que diferencia os trotes das pelejas corporais federais é que pelo menos entre os jovens brasilienses há regras. Só vale bater com mãos e pés. Neste final de semana, após socos, pontapés, pisões na goela e joelhadas, a briga terminou quando um dos meninos quebrou o dedo.
Não se trata de apologia à violência, mas esse episódio chega a ser divertido e nostálgico. Inocente, até. Desde que armas e veteranos da “Anhanguera Educacional” não estejam presentes, a polícia deveria deixar essa festa não ter hora pra acabar.
Rebeldia sem causa ou incitada por filmes é perfeitamente compreensível.
O mistério é outro. O que veteranos – ou calouros – têm a comemorar ao entrar numa universidade chamada “Anhanguera Educacional”? Talvez fosse mais simples compreender se estivéssemos falando de MIT.
Melhor deixar pra lá. Quem sabe não surge um novo Gaspar Barlaeus com uma frase para explicar isso?

2009/02/10

BASTA ESTAR VIVO

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 09:31

 four_stages_of_life2As quatro fases da vida

cranioDezessete anos de espera viraram pó em três dias. A morte da italiana Eluana Englaro – que passou quase duas décadas em estado vegetativo após sofrer um acidente de carro – é motivo de revolta para muita gente. Sem hipocrisia, finalmente os que a cercavam vão ter seus dias de descanso.
Milhares de pessoas vivem meses, anos e até décadas em UTIs gerando despesa e dor de cabeça para a família. Portanto, não há finalidade de se utilizar métodos artificiais para manter um individuo respirando se corpo e a mente já não falam a mesma língua.
Defende-se o no direito à vida, mas todo ser humano também tem direito à morte. Hoje escolhe-se até o sexo de um filho. Não estamos longe de poder optar pelo tipo de fim que mais nos apraz. Há os que indiretamente já o fazem, como fumantes, drogados e os que provocam arraias com vara curta.
Um raciocínio parece lógico: se vida é o espaço de tempo compreendido entre o nascimento e a morte, se as boas almas vão para o céu sem escalas e os católicos e outros conservadores defendiam a idéia de manter Eluana no limbo, não há outra saída a não ser imaginar qual o pecado cabeludo cometido pela italiana para merecer tamanho castigo divino.
Se há algo questionável no episódio é a interrupção da alimentação. Com tantos aparelhos avançados, substâncias e outros remédios milagrosos é difícil entender o uso de um método tão arcaico para abreviar a vida de alguém. Por que deixá-la agonizando por três dias? Até uma Benzetacil resolvia.

Recentemente descobri um site interessante, mas estava aguardando o momento propício para indicá-lo.
Quer saber quanto vale o seu cadáver? Responda às 20 questões do “Cadaver Calculator” e veja se doar seu corpo para a Ciência vale a pena. O meu está bem cotado: U$ 5.725

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No mesmo site, uma imagem merece o clique: ”Precisando de uma graninha extra? Venda seus órgãos!”.
Entre e gere um cupom online (válido para seus amigos). O meu está bem aí embaixo. Divirtam-se AQUI

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2009/02/09

LEVANDO FUMO

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 10:00

 

escapamento

 

macacoAo contrário do que se poderia supor, as ideias de jerico não nasceram com os primeiros jericos, mas com os primeiros seres humanos. Nem vamos falar de guerras, de extermínio de minorias ou das regras da nova ortografia da Língua Portuguesa que nos obrigam a escrever “ideia” sem acento. Fiquemos em assuntos mais amenos e cotidianos, como a inspeção veicular em São Paulo.

Os Darwins da Secretaria do Verde e Meio-Ambiente resolveram que os veículos que circulam pela capital paulista precisam passar por uma vistoria para avaliar o nível de emissão de gases poluentes. Os aplausos cessam aí.

A comédia de erros se inicia com as regras da tal inspeção. Teoricamente toda a frota teria de passar pela avaliação, mas na prática a teoria é outra. Serão inspecionados os veículos fabricados a partir de 2002. Chevetões, Opalões e Santanões ficam de fora.

O secretário municipal do Verde e Meio-Ambiente alega que o principal motivo para a decisão é que de 20% a 30% dos veículos mais antigos não pagam IPVA nem multas, não respeitam o estacionamento e não responderiam à convocação. Ah tá.
Ele promete a vistoria desses ferro-velhos para depois de 2010 – até lá o câncer de pulmão já exterminou metade dos paulistanos.
Enquanto isso, diz que a prefeitura vai usar uma outra tática para controlar a poluição da frota antiga. Vai colocar uma máquina nas avenidas para detectar os que estão poluindo acima dos limites permitidos. Aí sim serão convocados. Ah tá.

Outro ponto diz respeito ao sistema das multas. O dono do veículo deve entrar no site da empresa responsável pela inspeção no Brasil e imprimir um boleto de R$ 52,73. “Após 75 horas, o dia, o local e o horário já podem ser escolhidos” – adoro o “já”.
Mas, surpresa: “o valor pago será ressarcido aos proprietários que forem aprovados e que não tiverem dívidas com a prefeitura”. Ah tá.

Ora, qual o objetivo de inspecionar carros recém-saídos da fábrica? Levar nossa grana? Como, se prometem a devolução do valor pago em caso de a situação estar regular?

Se existe uma máquina capaz de detectar os carros emissores de poluentes, por que não instalá-la em vários pontos da cidade e chamar para a análise apenas os fora-da-lei?

Darwin que me perdoe, mas chego a duvidar da Teoria da Evolução.
 

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