O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2009/01/31

TERRA À VISTA

Arquivado em: Diário de bordo — trezende @ 09:05

 

centro1

 

rolofilmeO centro histórico de João Pessoa é pequeno, porém aconchegante. Muros caprichosamente pintados de branco e ruas limpinhas dão o toque de charme. Nem precisaria contar com uma das vistas mais bonitas da cidade.

A partir dos fundos do Hotel Globo – que no início do século foi o primeiro cinco estrelas de João Pessoa – é possível apreciar um espetáculo gratuito: a paisagem formada pelo rio Sanhauá e pelo Porto do Capim.

O local será revitalizado em breve e daqui a alguns anos deve se transformar numa espécie de Porto Madero nordestino – está prevista a construção de bares e restaurantes ao longo do Porto do Capim, cercado por extensa vegetação.

Alguns quarteirões dali, chama a atenção o Complexo de São Francisco. Majestoso, é composto por um adro cercado por duas muralhas recobertas por painéis de azulejos portugueses representando a Paixão de Cristo.
Em cima dos muros, impossível não notar o olhar penetrante e o sorriso sinistro dos leões de pedra que parecem guardar o lugar. Após fitá-los, pude entender melhor o significado da expressão leão-de-chácara.
Deixando para trás o imenso cruzeiro franciscano, o adro nos leva à Igreja e ao Convento de São Francisco, ambos no estilo barroco. A pausa para uma sessão de fotos se faz necessária antes de seguirmos em frente.
Poucas quadras depois, bate a sensação de estarmos no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. A impressão é causada por um dos cartões-postais da cidade: a lagoa do Parque Solon de Lucena. Cercada por jardins que mantêm o traçado original de Burle Marx, é o orgulho do pessoense.

Deixando o centro e partindo em direção ao litoral sul, a atração é a já famosa Ponta do Seixas. No entorno localiza-se a Estação Ciência, Cultura e Artes. Novinha em folha, é um projeto de Oscar Niemeyer.

Do mirante do Farol do Cabo Branco é possível avistar a Praia do Seixas e aquela pontinha notada no mapa do Brasil.
Forçando um pouco mais a vista, Senegal.

Acima, a paisagem desenhada pelo rio Sanhauá e Porto do Capim

Vejam mais fotos AQUI

2009/01/30

TARTARUGAS-NINJA

Arquivado em: Diário de bordo — trezende @ 10:23

 

 joaopessoa2

 

macacoAntes de ser apresentada ao melhor de João Pessoa – as praias do litoral sul – uma incursão à parte norte do município para explorar a Fortaleza de Santa Catarina, em Cabedelo.

No caminho, a parada na praia de Intermares se revelou muito mais interessante do que o previsto. É lá que funciona o projeto “Tartarugas Urbanas”, que realiza um trabalho de proteção e preservação das tartarugas-marinhas em João Pessoa e na vizinha Cabedelo.

Após as explicações dos biólogos, Nemo morreu pra mim. Virei fã das tartarugas. Depois de quebrarem seus ovinhos, elas ganham os mares do mundo, enfrentam tubarões, tsunamis e até moinhos de vento se preciso for.
Ao atingirem a idade adulta – cerca de 25, 30 anos depois – retornam ao local de nascimento para a desova.
Como se tivessem um GPS implantado no casco, sabem exatamente de onde saíram. Segundo o biólogo, as tartarugas-marinhas “lêem o campo magnético da Terra”. Alvo identificado, depositam seus ovos e o ciclo recomeça.

Essa área do litoral nordestino é propícia para a reprodução porque conta com dunas baixas e barreiras de corais na entrada da praia. A temperatura da água – amena e por volta dos 30º ­– também é um fator importante.

Outro dado curioso é que a temperatura é que define o sexo das tartarugas. Quanto mais quente, maior a probabilidade de nascerem fêmeas.
Por esse motivo o aquecimento global tem preocupado os integrantes do projeto. Com a chapa cada vez mais quente, além de as mulheres serem maioria até no mundo das tartarugas, alguns ovos estão cozinhando.

O aquecimento global precisa ser contido. Já imaginaram se o mesmo acontece entre os seres humanos?

Com esse macaquinho no sótão, parti para a Fortaleza de Santa Catarina. Provavelmente construída em 1589, o nome é uma homenagem à duquesa portuguesa Catarina de Bragança.

O forte foi atacado diversas vezes por franceses e holandeses. Depois passou décadas abandonado até ser tombado e posteriormente restaurado em 1990. Atualmente aberto a visitações, o local é um centro de atividades culturais como exposições e peças teatrais. Na Páscoa, serve de palco para a encenação da Paixão de Cristo.

Bonito e bem-cuidado, reza a lenda que uma certa mulher de branco vaga pelo lugar. A dita cuja se chamaria Branca Dias, por quem o capitão-mor da fortaleza teria se apaixonado. Em troca do amor dela, teria libertado todos os prisioneiros. Mas por não se entregar ao capitão, a moça teria sido executada. Sua alma permanece rondando a fortaleza.

Com mais este macaquinho no sótão conheci o King-Kong-mor da viagem: o marco-zero da BR-230, a Transamazônica. Ela nasce em Cabedelo e 2.300 quilômetros depois está em Benjamin Constant, no Amazonas. Logo ali.

P.S.: acima, inscrição numa das paredes da fortaleza

Vejam algumas fotos AQUI

 

2009/01/29

BOBEOU, DANÇOU

Arquivado em: Diário de bordo — trezende @ 10:41

 

joao-pessoa

 

bwbw11071E cá estou novamente entregue ao feitiço do tempo – a pouco mais de uma semana de celebrar o Dia da Marmota. Tempo suficiente para dividir com vocês leitores algumas impressões sobre João Pessoa, cidade bonita que merece a visita e os elogios pela beleza do litoral sul.

Mas vá de olhos bem abertos – para apreciar a paisagem e se defender das proezas dos paraibanos. Pronto, falei.

Infelizmente a lei de Gerson é seguida à risca. Do hotel aos guias de turismo, todos parecem ávidos por lucrar ao máximo com a alta estação. Cogitei a possibilidade de portar um “paulistana trouxa” piscando na testa. Até assalto presenciei.

Mas os incidentes e a grande quantidade de pedintes nas ruas não chegam a ser motivo para não recomendar o passeio – até porque a cidade tem outros atrativos além das praias. É repleta de significados para o país.

O primeiro, geográfico. É lá que se localiza a Ponta do Seixas, o ponto mais oriental das Américas. É com orgulho que o pessoense diz que “você está onde o Sol nasce primeiro no Brasil”. Pela primeira vez acordei às seis da manhã com a sensação de que havia perdido a hora.

João Pessoa não faz a alegria apenas dos que sofrem de insônia. É também considerada a terceira cidade mais verde do país – atrás de Goiânia e Curitiba. A façanha não se deve à presença de coqueiros espalhados pela orla, mas à existência de uma reserva de Mata Atlântica em perímetro urbano localizada no Jardim Botânico Benjamin Maranhão, ex-Mata do Buraquinho.

Em Cabedelo – grande João Pessoa – está outro símbolo brasileiro: o marco zero da BR-230, a Transamazônica.

Até Tambaba virou um símbolo nacional. Única praia de naturismo oficializada do Nordeste brasileiro, em setembro do ano passado ganhou as páginas dos jornais ao sediar o 31º Congresso Internacional de Naturismo. A polêmica promete ser ressuscitada este ano – Tambaba está cotada novamente para abrigar o evento.

Mas o maior ícone de João Pessoa é o velho do rio. Jurandy do Sax é a atração no entardecer da Praia do Jacaré – que na verdade não é praia, mas sim um trecho do rio Paraíba.

Jurandy pretende entrar para o Guiness Book como o músico que mais vezes executou o Bolero de Ravel em público. Já são mais de 2.700 apresentações.

Em pé e a bordo de um barquinho, ele faz ecoar o bolero para os turistas que o assistem nos restaurantes às margens do rio. O show é diário e Jurandy se reveza na tarefa com outros dois saxofonistas.

Amanhã, fotos e mais sobre levar a vida na flauta.

 

Acima, ida para as piscinas naturais de Picãozinho, a 1,5 km da orla de Tambaú.

 

2009/01/20

CÁ COM MEUS BOTÕES

Arquivado em: Cri-crítica — trezende @ 09:50

 

button

 

claquete2Graças à eficaz publicidade hollywoodiana, “O Curioso Caso de Benjamin Button” tornou-se a estréia mais esperada deste início de ano.

A superprodução – premeditada para abocanhar vários Oscars – é baseada em conto homônimo de F. Scott Fitzgerald e narra a história de um homem incomum. Como se sua mãe tivesse tomado um pote de “Renew” durante a gestação, Benjamin trilha o caminho inverso do de qualquer ser humano normal e vai rejuvenescendo com o passar dos anos.

São praticamente três horas de imagens espetaculares e reflexões que vão além da discussão a respeito da velhice. Engloba dois outros velhos inimigos implacáveis: o tempo e o amor – ou a impossibilidade dele gerada pelo próprio tempo.

Benjamin Button é o cara que todo homem gostaria de ser: nasce feio, dendentado, com catarata e artrite e simplesmente se transforma em Brad Pitt.

O filme tem outros curiosos casos. Além o do vivido pelo personagem, é dirigido por David Fincher – o mesmo de “Clube da Luta” e “Seven” – e tem a melhor maquiagem de envelhecimento já vista na história deste país.

Se os homens querem ser Brad Pitt, atrizes como Regina Duarte sonham em ser Cate Blanchett. O tratamento de imagem que dá a Cate o ar de menina é tão primoroso que softwares como o “Baselight” – usado nas novelas da Globo para disfarçar imperfeições cutâneas – viram instrumentos da idade da pedra lascada. O resultado hollywoodiano é melhor que fonte da juventude, botox e Renew juntos.

Se por um lado “O Curioso Caso de Benjamin Button” é perfeito técnica e artisticamente, o mesmo não se pode dizer do aproveitamento da genial idéia em termos de roteiro.

O drama é narrado pela filha de Daisy (Cate Blanchett), que aproveita uma visita à mãe – moribunda no leito de um centro médico – para lhe fazer a leitura de um diário. Entretanto, as constantes idas e vindas ao hospital – que sofre com a ameaça iminente do furacão Katrina – têm o mesmo efeito de um pé no acelerador.

Além disso, há uma indescritível sensação de que algo não acontece – comparável àquela vontade de se comer algo gostoso à tarde sem se saber o quê.

O melhor do filme são as cenas de Benjamin no asilo em que cresceu e sua relação com os outros moradores. Talvez se o contexto histórico da Primeira Guerra fosse deixado de lado em detrimento do dia-a-dia desses velhinhos, “O Curioso Caso de Benjamin Button” pudesse ser não apenas a estréia mais esperada do ano, mas também a mais bem-sucedida.

 

Caros, nos próximos dias estarei descansando em João Pessoa. Novos posts a partir de 29/01. Até!

 

2009/01/19

NÃO É O KEVIN. NEM O FRANCIS

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:04

 

baconvodca

 

porcoExistem inúmeras grandes questões universais que gostaria de decifrar, mas infelizmente a maioria é muito complexa para os grilos que habitam nossas cucas. Pode-se gastar uma vida pensando e nunca se chegará a um consenso.

Ciente de minhas limitações, aproveito filas de banco, dias chuvosos ou engarrafamentos para alimentar meus grilos com dois grandes mistérios da humanidade: o segredo de Tostines e a paixão dos norte-americanos por bacon.

Ao realizar minha ronda por jornais, revistas, sites de notícias e blogs à procura de assuntos para este “O Mundo Gira, a Lusitana Roda…” diariamente encontro alguma novidade relacionando bacon e gringos.

Já cogitei uma série de possibilidades na tentativa de explicar essa fixação pelo derivado do porco. A primeira é que bacon engorda. Portanto, um ingrediente indispensável na dieta americana.

A segunda, mais forçada, é que os republicanos estão tão em baixa que o elefante – símbolo do partido – está sendo substituído por algo mais mignon – o porco, no caso.

A terceira explicação é que os americanos sofrem de uma espécie de “complexo Animal Farm”. Mas essa hipótese foi pelo ralo. O livro – traduzido no Brasil como “A Revolução dos Bichos” e em Portugal como “O Triunfo dos Porcos – é de um autor inglês.

Volto à estaca zero.

Com o objetivo temporariamente suspenso, tratei de me espantar com a variedade de produtos feitos à base de bacon. Além do consumo saudável no café da manhã e nos hamburgueres, estão inventando até vodca caseira de bacon (foto acima). Um nojo.

Há milhares de sites sobre o assunto. Num deles – http://bacolicio.us – é possível acrescentar uma fatia de bacon torrada em seu site. Já o blog “The Bacon Show” publica uma receita de bacon por dia.

Eu me basto apenas com um “Baconzitos”.

 

Vejam algumas idéias do uso do bacon AQUI

 

2009/01/18

EXPRESSO DO OCIDENTE

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 09:54

 

viaferrea2

 

champanheEm tempos de trem-bala, aviões que são praticamente palácios voadores e navios que fazem as vezes de castelos flutuantes, chama a atenção o “Expresso Obama” – composição que realizou uma viagem simbólica da Filadélfia à Washington para marcar as comemorações em torno da posse do futuro presidente norte-americano.

Uns poucos vagões enfeitados com as cores vermelha e azul, Obama, sua Michelle, as Obaminhas e cerca de 200 convidados ilustres compunham o cenário. Tudo simples e bonito sem abrir mão do tom festivo.

A inspiração para o “Expresso Obama” não veio de clássicos do cinema, nem do receio de um novo atentado terrorista, nem tampouco do fato de Obama ter se impressionado com a queda do avião no rio Hudson. O percurso é na verdade uma homenagem a Abraham Lincoln, ídolo do futuro presidente. Em 1861, antes da posse, Lincoln realizou viagem semelhante – a dele, entretanto, foi bem mais longa e se iniciou 12 dias antes da posse.

Obama aproveitou a baldeação em Baltimore para um pequeno discurso. Disse que não está livre de cometer alguns erros e que leva para a Casa Branca vozes e histórias de pessoas que encontrou durante sua campanha.

Nunca é demais ele frisar que não será o novo Messias ou o santo sob o qual colocam-se oferendas. Boas intenções não serão suficientes para os rojões que vêm por aí.
De qualquer forma, a ausência de megalomania demonstrada neste episódio nos deixa a todos com o sono calminho.

A quem interessar possa: Bush não estava entre os passageiros. Fã da comédia “Jogue a Mamãe do Trem”, preferiu ficar em casa comendo pretzels – e revendo o filme.

P.S.: afim de criar seu próprio discurso para Obama no dia da posse? Acesse o supergerador de discursos Tabajara AQUI

2009/01/17

DEEM UM CLOSE NELES

Arquivado em: Cri-crítica — trezende @ 11:43

 

posterfilme

 

claquete1Conforme o previsto, “Última Parada – 174”, de Bruno Barreto, ficou fora da disputa do Oscar de filme estrangeiro. Até a pequena Maísa sabia que estaríamos melhor representados por qualquer outra produção nacional, mas infelizmente a força dos manda-chuvas é maior do que a do público.

A boa aceitação da platéia obviamente não é parâmetro para decisões importantes como essa, mas ela é um sinal – no mínimo, de que o filme merece ser visto.

Pensando nisso – e por ter assistido à primeira versão – fui alongar a fila de “Se Eu Fosse Você 2”. O longa de Daniel Filho alcançou o melhor resultado de público do cinema brasileiro numa estréia desde meados dos anos 90. Já atingiu mais de 2 milhões de espectadores.

“Se Eu Fosse Você 2” é apenas diversão – dentro de um ano, uma ótima “Tela Quente”.  Leve, ágil e sem pretensões a Oscar, Leão de Prata ou Palma de Ouro, também passa longe do perfil dos acadêmicos de Hollywood. É quase uma telenovela sobre circunstâncias típicas em relacionamentos.

A história é sobre um casal que de tempos em tempos e sem uma explicação plausível troca de corpo. Novamente Glória Pires (Helena) e Tony Ramos (Cláudio) passam a se comportar como homem e mulher, respectivamente.

São previsíveis, portanto, as situações que eles terão pela frente. Um precisa aprender a andar de salto ou lidar com os primeiros sintomas de uma gravidez. O outro tem de se virar para fazer a barba ou jogar futebol.

Além do roteiro com piadas prontas e pertinentes à realidade brasileira – mas não menos engraçadas – Glória Pires e Tony Ramos provocam até umas gargalhadas. Glória consegue se sair melhor do que Tony como uma mulher com trejeitos masculinos (ou vice-versa). Tony tende mais à caricatura.

Além do ótimo casal protagonista, o elenco inclui ainda atores de primeiro time como Ary Fontoura e Chico Anysio. A derrapada é Adriane Galisteu – no papel dela mesma. Se ela já não convence como pessoa, que dirá como atriz. É tão ruim, mas tão ruim, que numa cena chega a olhar para a câmera.
À parte Galisteu, desliguem os celulares, não batam o pé na poltrona do vizinho à sua frente, mastiguem a pipoca com educação e divirtam-se. Preparem-se ainda para o já anunciado terceiro filme da série: “Se a Vovó Fosse o Vovô”.

 

2009/01/16

SOL QUADRADO NÃO EXISTE

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 11:02

 

cage

 

algemas3Enfim, o primeiro assunto palpitante do ano: a concessão de asilo político ao terrorista italiano Cesare Battisti. Além da indignação italiana com o episódio, o Itamaraty não conseguiu disfarçar a cara feia.
As opiniões são divergentes. Os que jogam no time de Tarso Genro alegam que o Brasil tem tradição diplomática no assunto e que só estamos agindo de acordo com a Constituição.
Os que são contra argumentam que apesar de já termos dado guarida para figuras como o ex-ditador paraguaio Alfredo Stroessner, o asilo político não se aplica em casos que envolvam mortes.

Esse tema é tão polêmico quanto a questão envolvendo palestinos e israelenses: ambos têm razão, mas o difícil é chegar a um acordo.
De fato, Battisti não seria o que se pode chamar de perseguido político – ele é acusado por quatro assassinatos. Além disso, o Brasil tem um histórico meio gaiola das loucas. Já serviu de refúgio para Ronald Biggs, Alfredo Stroessner, Josef Mengele e outros nazistas durante o período militar. É bom lembrar ainda que vários outros espíritos do mal devem estar escondidos em alguma mata brasileira – se os Estados Unidos procurarem bem é capaz de acharem Bin Laden em Bertioga.

Se no Brasil não tivéssemos pizza ou se Cacciola ainda vivesse na Itália até entenderia a decisão de Tarso Genro. Poderíamos tentar algo como “me dá seu Cacciola que te devolvo teu Battisti. Depois te pago uma pizza”. Mas o banqueiro está no Brasil desde o ano passado.

A ordem de soltura de Battisti foi publicada ontem no “Diário Oficial”. A qualquer momento o italiano deve deixar o presídio da Papuda, em Brasília.
O ideal seria um meio-termo. Cesare Battisti poderia até ficar no Brasil. Mas preso – e costurando bola atrás das grades. Mas Battisti pretende retomar sua carreira de escritor e lançar seu segundo livro, “Pé de Muro”. Com a decisão brasileira, até poderia mudar o nome para “Meu pé de coelho”.

A verdade é que o bondoso espírito de Natal se instalou nas mentes e corações de nossas autoridades. Além de protegerem Battisti, libertaram Marcos Valério.

Isso aqui está realmente uma gaiola das loucas.

 

2009/01/15

FARO DIGITAL

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 12:05

 

smell

 

gambaSe você é daqueles que mete o nariz até onde não é chamado, enfim um local onde sua napa será muito bem-vinda: o “Nioi-bu”.

“Nioi-bu” é um site japonês que tem como objetivo mapear os odores pelo mundo. Lançado no fim do ano passado, seus 200 membros-farejadores já registraram mais de 160 cheirinhos de diversos países. Cada um é identificado com uma bandeirinha no Google Maps.

Além de enviarem suas impressões, os usuários podem discutir suas experiências nasais com os demais colaboradores. As fragrâncias já identificadas variam entre “vapor de arroz cozido” e “meias usadas durante o verão”.
Um relato de Fujisawa – sudoeste de Tóquio – dá conta de um “agradável cheiro de excremento de vaca”. Em Kamadura – ao leste – “gato com mau hálito”. Mas nem todos falam de odores fétidos. Há também “pratos que dão água na boca”, “lavanderia fresquinha”, “folhagem” e “sabonete cheiroso”.
Em algum canto de Paris há “sabonete de verbena perto de mosteiro”. Na Tailândia, uma mistura de “incenso, capim, sujeira e cães selvagens”.

A responsável pelo site diz que o próximo passo é disponibilizar a “função cheiro”.

A invenção dos japas parece estéril a princípio, mas essa tecnologia pode ser útil num futuro próximo.
Precisando de referências para decidir sobre a aquisição de um imóvel residencial? Com o endereço em mãos, é só acessar o “Nioi-bu” para descobrir se a rua escolhida conta com um matadouro na esquina. Ou se seu vizinho é chegado num churrasquinho de gato.

Se eu entendesse japonês ia tratar de enviar alguns aromas paulistanos. Afinal, debaixo de qualquer viaduto, escadaria do centro antigo ou saída de estação do metrô reina o forte cheiro de urina. Entre os agradáveis, destaque para dois na região da rua 25 de Março: o do abacaxi vendido descascado sobre blocos de gelo e o da linguiça frita com cebola na chapa. Tudo ao ar livre.
Já numa parte específica de Brasília é até difícil escolher o que registrar no “Nioi-bu”. Poderia ser “pizza”, “batata assando”, “bafo de cachaça” ou algo ainda mais podre.

Metam o nariz AQUI

2009/01/14

DESTILANDO O VENENO

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 12:04

 

estetoscopio1O mundo está cheio de doutores Dolittles. Além de beijinhos e carinhos sem fim, alguns donos realmente acreditam que seus animais de estimação são seres humanos. Conversam, desabafam, dizem segredos ao pé do ouvido e vez ou outra chamam a atenção dos que têm uma tendência a Marley.
Denúncias de maus-tratos existem e não são raras, mas alguém já presenciou algum dono falando tudo o que seu bicho não gostaria de ouvir? Humilhando-o? Dizendo tantas verdades que o animalzinho precisou marcar consulta com um analista junguiano?
Essa é a idéia do blog “Fuck you, Penguin”, que começou a ser escrito em dezembro do ano passado. O objetivo do autor é dizer poucas e boas para os bichos fofos a partir de imagens de animaizinhos em poses, olhares e situações meigas.
Os posts têm um formato bem simples – uma foto e um texto analisando a cena – e são brindados com a graça do politicamente incorreto.
Se por um lado os animais são insultados até pedirem pra sair, por outro podem se dar por felizes por serem analfabetos.
Abaixo, os posts mais curiosos (sorry, mas mantive os palavrões. Eles são fundamentais):

guaxinim2

O que esse babaca tá fazendo?  É mais difícil ficar sobre as patas traseiras ou abraçar o rabo? Pelo amor de Deus, você tá parecendo um ladrão! Não quero nem saber o que você fez pra chegar nesse ponto, Guaxinim, mas é melhor você sair de trás da porra dessa árvore!

castor3

Eu acho que você tem algum plano na manga, Castor. Eu ainda não sei o que é, mas castores não saem por aí batendo os dedos como gênios do mal à toa. Ainda não sei como reagir, mas estou de olho em você, Castor…
Ah, seu rabo tá aparecendo.

fox

Ummm… Dá licença? Panda Vermelho? Quem você está tentando enganar? O fato de você segurar um bambu não faz de você um panda. Acredite em mim, eu já fiz isso. Você é uma raposa, um guaxinim, outro tipo de roedor ou qualquer outra coisa!


canguru2

Você provavelmente está se achando super cool. Mas eu sei, Canguru, você está tão alto quanto uma pipa. Canguru, você alguma vez já parou pra pensar em ter filhos? Já pensou em outra pessoa a não ser em você próprio? Não, porra nenhuma. Então foda-se Canguru. Você deveria ter vergonha de si mesmo…

dupla2

Pônei, honestamente eu não sei o que as garotas vêem em você. Você parece um burro que precisa de um corte de cabelo. Eu não tenho interesse em incluí-lo no “Fuck You, Penguin”.
Espera. Isso aí é um cachorro? Tem um cachorro montado em você? Você tá tão desesperado assim, Pônei?
Bom, taí seu maldito post. Mas não me apareça chorando quando o cachorro quiser 50% do seu saldo.


alce21

Alce, obviamente você não tem espelho em casa pra poder ensaiar esse sorriso. Sério, você tá parecendo uma vagina. Você é um alce sortudo. Não precisa mais ir à escola desde que foi expulso outro dia. Que outro tipo de animal sorri para uma câmera? Supostamente era pra você ser agressivo, vagar por aí batendo em outros alces ou em carros. Eles te olham e acham graça. Não era pra bancar a porra da Cindy Crawford. Vira homem, Alce.

Gostaram? Mais infortúnios AQUI

2009/01/13

AMO MUITO TUDO ISSO

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 12:06

 hamburger5

fiodental2Quem tem entre 25 e 35 anos deve se lembrar de um quadro do “Domingo no Parque” em que a criança ia para uma cabine, recebia um fone de ouvido para isolá-la do contato com o auditório e tinha de dizer “sim” ou “não” sempre que a lâmpada vermelha se acendia lá dentro.

Assistíamos ao convidado trocar uma bicicleta Monark por um pregador de roupas com uma dose elevada de sadismo.

É bem provável que o senhor Abravanel tenha roubado a idéia de algum programa que viu em suas andanças por Miami. De qualquer forma, quem quer que tenha criado o quadro é um gênio.
Pois a lanchonete “Burger King” inventou uma campanha de marketing com princípio semelhante. Sem cabine, sem luz vermelha, mas com uma troca tão absurda quanto um tênis Montreal por uma esponja de aço enferrujada.

Você troca dez amigos por um “Whopper”? Siiiiim!
Com o slogan “A amizade é forte, mas o ‘Whopper’ é mais forte ainda”, a lanchonete se aliou ao site de relacionamentos “Facebook” e inventou o “Whopper Sacrifice”.
O aplicativo está disponível no “Facebook” e funciona da seguinte maneira: após remover dez amigos de sua lista você recebe um cupom que lhe dá direito a um hamburguer “Whopper” de graça.

Os colegas excomungados recebem uma notificação em seus perfis – “você foi sacrificado por um ‘Whooper’ grátis” – que os estimula a fazer o mesmo. É o que os publicitários chamam de marketing viral.
De acordo com o site especializado em marketing “Brand Republic”, mais de 15 mil downloads já foram realizados.
Por enquanto a ação está disponível somente para o mercado norte-americano – e possivelmente não vai dar as caras por aqui.
No Brasil não teria o efeito desejado. Em uma semana o aplicativo teria de ser removido pelo excesso de perfis falsos que iriam surgir – as trapaças utilizando o Orkut são a maior prova disso.

E mais: quebraríamos o “Burger King”.

E vocês? Perdem o amigo, mas não o hamburguer? Vejam o site AQUI

2009/01/12

JESUS, ALEGRIA DAS MULHERES

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 12:09

jesus

freiraO modelo brasileiro Jesus Luz caiu nas graças de Madonna de tal forma que até já conta com assessores contratados pela cantora para cuidar de sua carreira internacional.

A História nos mostra, entretanto, que nem todo Jesus achou sua Madonna. O mais famoso deles encontrou foi Judas.
Não faltariam candidatos para passar um dia na pele de Jesus Luz. Mas quem se arriscaria a viver um ano como Jesus, o de Nazaré? Foi o que fez o pastor aposentado Ed Dobson, de Michigan. E seu veredicto: ser Jesus é duro.

O reverendo passou um ano tentando comer, rezar, falar e até votar como Jesus. A experiência, relatada ao jornal “USA Today”, o afetou profundamente de várias maneiras. E o fez concluir que é sim um seguidor, mas não o melhor deles.
Ele frequentou bares em que Jesus esteve, deu carona a desconhecidos e até votou em Obama – apesar de discordar da posição do candidato sobre o aborto. O reverendo acredita que o democrata era o que melhor refletia os ensinamentos Dele.
Nem a enfermidade descoberta em 2001 – Doença de Lou Gehrig, um tipo de esclerose – acabou com os planos do reverendo de ter seus dias de Jesus.
A idéia surgiu após a leitura de “The Year of Living Biblically” (“O Ano em que Vivi Biblicamente”), do jornalista americano A.J. Jacobs. Nele, o jornalista seguiu à risca todos os preceitos bíblicos durante um ano.
O reverendo pensou que se um judeu não-praticante podia, ele também seria capaz de vivenciar o Cristianismo.

Após observar alguns preceitos da dieta “kosher” dos judeus – como o de não misturar carne com derivados do leite – o reverendo Dobson deu adeus a um prato que adorava: burritos de frango com queijo. Mas na época de publicação da reportagem – 02 de janeiro – não via a hora de retomar seu cardápio.
Apesar de abstêmio, ocasionalmente ele se permitia beber alguma coisa. “Se estava numa festa e me ofereciam cerveja, eu aceitava”, disse o reverendo. “As pessoas num bar são abertas a todo tipo de assunto, inclusive Deus”.

Além da dieta, o reverendo parou de aparar a barba. Deixou que ela crescesse longa e desgrenhada como o dos rabinos ortodoxos. “É um pé no saco comer espaguete”, brincou.
Mas, segundo ele, a barba por fazer é a parte mais simples de ser Jesus. O mais difícil é viver de acordo com os ensinamentos. Além de reler os quatro evangelhos toda semana, ajudava os pobres e visitava prisioneiros.
Apesar de aguardar ansiosamente por um trato na barba e por voltar a comer burritos, o reverendo não vai se esquecer do que aprendeu. “Pretendo continuar seguindo os ensinamentos no ano novo. Mais seriamente do que agora, se possível”.

Leiam a matéria completa AQUI

P.S.: A história da mostarda rendeu. Soube de gente que já vai se mergulhar na banheira na tentativa de aliviar dores lombares.
Outro leitor, Agenor Tonussi, além de usar o condimento em pó com pimenta-do-reino moída para espantar esquilos que destroem seus brotos de legumes, enviou uma receita saborosa com mostarda Dijon:

 

GRAVLAX
Salmão marinado, em sueco
Grav = preparar peixe com sal, açúcar, pimenta e dill
Lax= salmão

Ingredientes: 
Um salmão médio (2 quilos) dividido ao meio em dois filés sem as espinhas
Colocar numa travessa de madeira e temperá-lo com:
300 gramas de sal grosso,
300 gramas de açúcar,
Pimenta branca moída (20 gramas),
2 feixes de dill fresco,
Vinagre branco.
Preparo: Juntar os dois filés pelas partes internas e colocar uma folha de alumínio sob o salmão para que o suco não escorra. Levar à geladeira por 72 horas e, a cada 24 horas, virar os filés. Checar sempre para não endurecer (depois de o suco sair). Para servir, o ideal é uma faca com lâmina muito fina e longa para filetar.
 
Molho:
Cebola vermelha (doce) bem picadinha,
Dill bem picadinho,
Mostarda Dijon (não usem a comum, a do hot-dog),
Vinagre de vinho tinto, 
Misturar tudo e servir sobre as fatias do salmão.

Acompanhamento: vinho branco ou uma super água mineral.
O autor alerta: se vocês não acertarem no genuíno sabor escandinavo, não se preocupem. Ficará melhor que o sushi japonês.

 

2009/01/11

MIDAS NA PRATELEIRA

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 12:07

 

themask

 

hotdog1O post de hoje não tem a menor comprovação científica. Li algo na linha “cultura inútil” num blog chamado “Life Hackery” e resolvi traduzir.

É sobre a mostarda. Segundo o autor, o condimento não só realça o sabor das guloseimas. Torna mais confortável a vida doméstica pois tem vários usos alternativos – a maioria deles relacionados à saúde.
O tempero pode ser utilizado para prevenir ou aliviar algumas doenças. É provável que o uso medicinal não seja tão poderoso quanto o dos remédios prescritos por um médico, mas quebra o galho numa emergência.

Além do uso terapêutico, a mostarda pode funcionar como uma espécie de “cosmético provisório” e removedor de odores.

Abaixo, 12 usos quase milagrosos para a mostarda:

 

1) Alívio para dor de garganta – basta misturar a mostarda com um pouco de suco de limão, uma colher de sal, mel e meia xícara de água quente. Depois de deixar a solução descansar por dez minutos, gargareje até sentir a garganta limpa. O efeito dura ainda por alguns dias.

 

2) Desodorizadora de garrafas / frascos – essa é para quem quer reutilizar a embalagem de outro produto. Coloque um pouco de mostarda no recipiente, adicione água quente e agite bastante. Enxague e o cheiro terá desaparecido.

 

3) Descongestionante de peito – ajuda na eliminação de catarro. Espalhe mostarda sobre o peito e ponha uma toalha umedecida com água quente por cima. A promessa é que em poucos minutos o paciente se sentirá melhor. O mesmo pode ser feito em caso de dores nas costas ou sinusites.

 

4) Máscara cosmética – realça a beleza da pele, principalmente a do rosto. Espalhe uma fina camada de mostarda sobre a face, deixe agir por alguns minutos e enxague. Você vai sentir a pele mais macia e brilhante. Entretanto, antes do “tratamento facial” é bom ter certeza de que a pele não é altamente sensível.

 

5) Removedora de cheiro de gambá – remova o odor do bicho misturando mostarda com água quente e esguichando sobre o carro ou partes atingidas. Deixe agir por alguns instantes, enxague e adeus cheiro de gambá.

 

6) Bomba fedorenta – afim de ir a um comício político? Misture mostarda, vinagre, óleo de peixe, coloque num saco plástico, encha-o de ar e feche. Depois é só mirar bem no alvo escolhido.

 

7) Banho relaxante para os músculos – encha a banheira, jogue mostarda e um tal de “Epsom Salt” (sal amargo / sulfato de magnésio). A mostarda é capaz de ampliar o efeito terapêutico do composto químico aliviando as dores musculares.

 

8) Alívio para pés cansados – mergulhe os pés por cerca de uma hora numa bacia com água quente e duas colheres de mostarda. É tempo suficiente para as dores sumirem.

 

9) Banho para dor nas costas – encha a banheira com água quente e cerca de 200 gramas de mostarda. Misture bem e fique de molho por uns 20 minutos.

 

10) Prevenção a ervas daninhas – segundo os cientistas, as substâncias desprendidas no solo pelas sementes de mostardas brancas podem prevenir o desenvolvimento de ervas daninhas. Plante um punhado de sementes de mostarda perto de suas plantas. Ervas daninhas brotarão, mas em quantidade infinitamente inferior.

 

11) Cheiro indesejável de homens – para combater pragas de jardim ou animais selvagens como veados, basta recriar o cheiro do suor dos trabalhadores do campo. Espalhe pratos de lata com generosas porções de mostarda pela propriedade. Os bichos reconhecerão seus limites.

 

12) Condicionador de cabelos – óleo de mostarda é um dos melhores condicionadores que existem. Aplique-o, massageie o couro cabeludo e deixe agir por oito horas ou um dia inteiro. Enxague com xampu. Seu cabelo ficará igual aos dos comerciais de xampu.

Façam os testes se forem capazes e mandem os resultados para cá. Boa sorte!

  

2009/01/10

LIGUE DJÁ!

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 12:51

 

spray

 

saltpepperNão deem* risada se vocês ouvirem alguém com os olhos brilhantes afirmar euforicamente que encontrou o amor de sua vida com a justificativa da “química” no relacionamento. Começam a surgir evidências científicas de que esse papo pode não ser discurso de apaixonado.
O professor Larry Young, da Universidade de Emory, na Geórgia, dedica-se ao assunto há alguns anos. Esta semana escreveu um artigo na revista “Nature” sobre o que já está sendo chamado de “spray do amor”.
O corpo humano é um laboratório químico ambulante. Qualquer desarranjo nas substâncias que o compõem provoca problemas hormonais ou doenças mais graves, como a depressão. Ora, se somos uma reação química, por que o mesmo não valeria para os sentimentos?
Testes em animais ajudam a demonstrar os componentes genéticos e neurológicos do amor do mesmo jeito que auxiliaram a desenvolver terapias farmacológicas contra ansiedade, fobias ou desordens pós-traumáticas.
Ou seja, é possível que dentro de pouco tempo o excesso de amor – ou a falta dele – seja tratado como a depressão ou a ansiedade.
Um simples borrifo nasal de oxitocina é o suficiente para a mudança de comportamento das fêmeas. Segundo os cientistas, o hormônio aumenta a confiança e “sintoniza as pessoas nas emoções das outras”.
No teste, a fêmea exposta à oxitocina rapidamente criou laços com o macho. Já ao ter rebaixados os níveis naturais do hormônio ela rejeitou o macho como parceiro – mesmo depois de diversas cópulas.
No caso dos camundongos-machos, a
vasopressina foi a responsável por estimular a ligação com a parceira.

Segundo Larry, alguns sites na Internet já estão comercializando produtos como o “Confiança Líquida Reforçada”, uma espécie de colônia que mistura oxitocina e feromônios. Ele acha possível também chegar a um remédio eficaz até nas terapias de casais.

O que é motivo de comemoração para cientistas, empresários, apaixonados, xavequeiros ou insensíveis já deve causar dores de cabeça em proprietários de agências de encontro ou matrimoniais.
O papo do “não rolou uma química” só poderá ser usado se o estoque nas farmácias estiver desfalcado.

 

* este blog já tenta seguir a nova ortografia da língua portuguesa


2009/01/09

NO CAPÍTULO DE HOJE

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 18:58

 

teve

controleA programação vespertina da TV aberta é lastimável. As opções são tão vastas quanto o cardápio do boteco da esquina.
Pode-se escolher entre ovo colorido – os programas femininos, – coxinha – os telebarracos de Márcia Goldschmit ou “Casos de Família” – ou pastel-surpresa – telejornais que são uma mistura dos dois anteriores, com fofocas e baixarias jornalísticas.
O representante-mor dessa categoria de jornalismo é José Luís Datena. Ontem, de castigo em casa aguardando os técnicos-furões da Net, me propus a um castigo duplo: assistir a “Brasil Urgente!”, na Band.
Em vez de desfrutar de uma tarde tranquila, comendo pão amanhecido na chapa com Toddy e rindo dos absurdos nossos de cada dia, fiquei tensa, com taquicardia. A abordagem dos acontecimentos é tão sinistra e o tom de voz do apresentador é tão porta-de-cadeia que não é difícil entender o chavão “violência gera violência”.
Se um telespectador está com um problema grave, desiludido da vida, pensando besteira, sem dinheiro, sem perspectivas, com crianças chorando à sua volta e ouve o apresentador na TV, em cinco minutos é capaz de apontar o revólver para a cabeça.
Ontem Datena gastou boa parte do programa revoltado com o caso do motoboy que entrou numa academia de ginástica e matou a ex-namorada com tiros à queima-roupa.
Indignados ficamos todos nós. O que foge aos padrões é um jornalista demonstrar sua parcialidade tão grotesca e escancaradamente.
O apresentador – ao que tudo indica fã de Claudia Leitte – xingou o réu de safado, cachorro, sem-vergonha e outros adjetivos de sua própria lavra.
Dizia Datena: “Põe na tela a foto desse vagabundo de novo. Quem tiver qualquer informação sobre esse sujeito, pode ligar pra cá. Pode ligar para o Disque-Datena. Disseram que ele é bacharel em Direito. Bacharel em Direito? Não, esse assassino é baixaria em Direito”.
Três segundos depois: “Olha, tenho informações de que o telefone da produção não pára de tocar”. Na volta dos comerciais: “Gente, prenderam o assassino. Põe o delegado aí de novo. Quero falar com ele. Claro que ele não foi preso por causa da foto que a gente mostrou aqui, né, gente. Quero dar parabéns à polícia”.
Não há mistério sobre a aceitação que programas como esse têm entre sua audiência. Datena fala o que o povão quer ouvir. Xinga, acusa sem ter provas, fala o que faria no lugar da vítima, propõe a pena e até dá voz de prisão ao vivo, se for o caso.
Vejam vocês o que a carência do poder público pode causar. Se dormirem no ponto, Datena sai candidato a presidente. Te cuida, Dilma!

2009/01/08

REFEIÇÃO INDIGESTA

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 11:45

 

lastsupper

welcomePode-se dizer que o ano ainda não começou. No Brasil, aguardamos o Carnaval. Nos Estados Unidos, a posse de Obama.
O que se tem no momento é a ansiedade do público, que busca um bom lugar para conferir todos os detalhes do espetáculo. Enquanto as cortinas não são descerradas, alguns shows de abertura dão conta de fazer o tempo passar mais rápido, como o da Polícia Civil de São Paulo, que descobriu uma quadrilha especializada em escutas telefônicas.
Mas o espetáculo está marcado para mais tarde.
Obama já se movimenta em seu camarim. Reuniu-se ontem com três ex-presidentes americanos para um almoço na Casa Branca. Entre os presentes, Bush pai, Bush filho, Bill Clinton e Jimmy Carter.
O prato principal? Provavelmente o que restou de um tubarão branco dissecado em praça pública ontem, na Nova Zelândia. 
Após a refeição, enquanto saboreavam charutos trazidos por Clinton, o grupo demonstrou solidariedade ao novo presidente – sim, a idéia do evento era que os ex-governantes dessem conselhos a Obama.
Resta-nos a expectativa de que Barack Obama tenha um ouvido seletivo.
Lula também faz seu aquecimento. Enviou uma carta aos 5.563 prefeitos eleitos por aqui em que convida a todos para um encontro de dois dias em Brasília – marcado, claro, para depois do Carnaval.
O prato principal pouco importa. O que os presentes querem mesmo é saber a que tipo de trago a reunião será regada.
No ano retrasado, numa de minhas andanças pelo Nordeste do país, conheci alguns prefeitos de cidades interioranas. Um deles, sem que tivesse notado minha presença, comentou com o vice sobre sua participação num encontro semelhante em Brasília.
Declarou que nada foi resolvido ou discutido, mas desfrutou de um bom hotel e bebeu “muita cachaça”.
No nosso caso, o ano nem precisa começar para sabermos o que nos aguarda no palco.

2009/01/07

MARLEY. MAS PODERIA SER DYLAN

Arquivado em: Cri-crítica — trezende @ 11:53

cooldog2

claqueteDepois de “O Código da Vinci”, “O Segredo” e “O Caçador de Pipas” chega às telas “Marley e Eu”, baseado no best-seller que, de acordo com a revista “Época”, está há 110 semanas na lista dos mais vendidos.

Mesmo quem nunca conviveu com um animal de estimação tem vontade de sair da sessão, passar no primeiro pet shop que encontrar pelo caminho e levar para casa um filhote de labrador. O cão é realmente um fofo.

“Marley e Eu” é previsível, linear, honesto. Melodramático sim, mas o que esperar de um filme cujas personagens principais são uma família feliz e um cachorro senão crianças fazendo guerrinha de neve e um cão trapalhão aprontando das suas?

Lembrem-se: a direção não é de David Lynch, o roteiro não foi escrito por uma stripper e nem o cachorro quer ser John Malkovitch.

Um best-seller pede um elenco à altura. O de “Marley e Eu” não deixa ninguém chupando o dedo. Além de Owen Wilson e Jennifer Aniston – evidentemente botocada –, há Alan Arkin – o vô doidão de “Pequena Miss Sunshine” – e Kathleen Turner – uma massa disforme irreconhecível.

Mas o coerente numa história sobre um cão é que os humanos não roubem a cena. E Marley sem dúvida é o astro, um cão indomável, tarado, ou como os donos preferem chamá-lo, “cão de liquidação” – ele era o exemplar mais barato de sua ninhada.

Sua única característica “paz e amor” se resume ao nome. Marley é um cão rock and roll.

No fim da sessão, além das lágrimas, uma explicação plausível para a “predileção” de nossos diretores por enredos pauleiras baseados em fatos reais – como “Última Parada 174”, “Meu Nome Não É Johnny” e o inédito sobre o assassinato de Jean Charles de Menezes.

O cinema brasileiro precisa de histórias baratas que possam ser rodadas em cenários naturais como favelas ou fazendas. Além da falta de dinheiro, há o agravante de não contarmos com a opção-coringa: os best-sellers – em língua portuguesa do Brasil.

Seria cruel levar às telas Zíbia Gasparetto enquanto os gringos filmam “O Código da Vinci” ou “Marley e Eu”. Cada um no seu quadrado.

 

2009/01/06

FRED ASTAIRES DO MEU BRASIL

Arquivado em: Matutando — trezende @ 10:36

 

globodanca1

 

bamboleandoO diminutivo tem uma função muito ambígua. Em alguns casos serve para demonstrar carinho, apreço. Em outros, evidencia ironia ou descaso. O que distingue os significados é o contexto ou a entonação dada ao “inho”.

Graças às festas de fim de ano me peguei pensando na diferença entre a dança e a dancinha.

Dança é uma das artes que se pratica com o corpo e que pode ser realizada apenas por seres superiores. Independentemente do estilo – salão, balé ou sapateado –, dom é um requisito primordial.

Já a dancinha é praticada em festas – geralmente no fim delas. Lá pelas tantas começam as dancinhas da garrafa, da manivela, do carrinho de mão, da cordinha, do vampiro, do quadrado, da “motinha”, do maxixe – que é indissociável do refrão “é um homem no meio com duas mulheres fazendo sanduíche” – e a da Macarena.

A dancinha tem ainda outras duas características: não necessita de ensaio e nem do uso de sapatilha. O que importa é a coordenação motora e uma certa dose de cara-de-pau – daí a explicação para o fato de serem tocadas quando os convivas já estão com o grau alcóolico propício.

Como surgiram é um grande mistério, mas a verdade é que a origem das dancinhas é remota. Antes do Menudo povos primitivos já faziam a sua – a da chuva – para garantir a colheita e a prosperidade das tribos.

Nossa iniciação no mundo das dancinhas é praticamente um ritual – tal o dos índios. Quando ainda somos projetos de gente elas entram nas nossas vidas através da dança das cadeiras. Mente quem afirma nunca ter participado. Escapar à brincadeira é tão improvável quanto achar uma nesga de carne nos molhos à bolonhesa dos pratos servidos nas praças de alimentação.

Daí para frente as coreografias só vão se aprimorando. Ganham em inventividade ao mesmo tempo em que o lirismo das letras vai na direção inversa.

Os que não têm o dom da dança podem se conformar com a funcionalidade da dancinha, a dança típica brasileira, a que ensina o brasileiro suas principais atividades na luta pela sobrevivência: o rebolado e o jogo de cintura.

 

2009/01/05

EXTREME MAKEOVER PENITENCIÁRIO

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 11:57

wantedposter

algemas1Quando eu era pequena sempre ouvia falar de Hosmany Ramos. Uma única informação bastava para minha mente infantil: era um médico que fazia plásticas. Depois, fiquei anos sem ouvir o nome e só recentemente o relacionei ao crime.

Esta semana, acompanhando as notícias envolvendo o ex-cirurgião plástico, chego à conclusão de que nem a mais imaginativa das crianças poderia dar conta de tanta história surreal.

A vida, os crimes e as declarações de Hosmany Ramos chocaram os que viveram nas décadas de 70 e 80. E apesar dos crimes cabeludos que ocorrem diariamente, as peripécias do ex-cirurgião ainda impressionam.

Nos anos 70 Hosmany era famoso, rico, gozava de prestígio na área médica – chegou a ser assistente de Ivo Pitanguy – e de espaço nas páginas policiais. Em 1981 foi condenado a 530 anos de prisão por roubo de aviões, contrabando de automóveis e 15 assassinatos. Gente fina.

Um pouco antes do Natal, beneficiado pelo indulto concedido aos presos nesta época do ano, Hosmany contratou um assessor de imprensa e convocou uma coletiva num hotel na região dos Jardins, bairro nobre de São Paulo.

Ele deu o cano, mas enviou uma carta para avisar que não voltaria à penitenciária. Disse que pretendia se refugiar num país muito pobre para voltar a praticar a medicina. Também falou em ir para a Noruega.

Por onde anda Hosmany hoje? Ninguém sabe, ninguém viu.

Só no Brasil um criminoso tem assessor de imprensa, avisa que vai sumir – talvez para a Noruega! –, toma chá de sumiço e as autoridades não tiram o traseiro da cadeira.

Que o episódio sirva, pelo menos, para o governo repensar a concessão do indulto de Natal. Hosmany foi apenas um dos beneficiados.

 

2009/01/04

A FALTA QUE FAZ UM CANTINHO DA DISCIPLINA

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 14:54

chucky

algemasJá faz tempo entrevistei José Percílio, um humilde adestrador de aves de rapina do interior do Sergipe.

Sem fazer qualquer curso ou trabalhar em circos, ele aprendeu aos 7 anos de idade a compreender a linguagem de gaviões, falcões e corujas apenas com o olhar.

O dom surgiu após ganhar de presente um ovo de falcão que colocou para chocar debaixo de uma galinha. O filhote – que já deve ter mais de 20 anos – virou praticamente filho de Percílio. Até dormia no quarto com ele.

O adestrador contou que além da observação, os sons emitidos pelas aves dão todas as dicas de que precisa para estabelecer um diálogo. Há os sons de ataque, os que servem para pedir carinho ou os que avisam sobre a chegada de pessoas.

Mas o que ficou guardado na memória foi uma situação relatada por ele que ilustra muito bem o significado da palavra índole.

Questionado sobre se qualquer ave podia ser treinada, ele respondeu: “Só as boas. Têm umas que quando saem do ovo eu já sei, só pelo jeito de elas olharem, que não vão dar em boa coisa. Já nascem ruins, com aquele olhinho ruim”.

A entrevista com Percílio veio à tona ao saber da décima ocorrência policial envolvendo o mesmo menor – um menino de 12 anos que furta carros na zona sul de São Paulo. Na sexta-feira ele foi preso pela décima vez.

De acordo com a Polícia Civil, o garoto tem uma ficha criminal maior do que seu 1,60 m de altura. Encaminhado à delegacia, ele foi liberado. Na saída, agrediu jornalistas jogando objetos que encontrou pela rua e ameaçou matar um dos repórteres se tivesse um revólver.

É lamentável ter de reconhecer, mas esse garoto não tem mais jeito. Infelizmente ele nasceu com o olhinho ruim ao qual Percílio se referia.

Na melhor das hipóteses, seu destino será a Febem ou outra instituição para recuperar menores infratores. Mas a verdade é que o lugar desse Christiano F. dos automóveis é num presídio de segurança máxima.

O que a Vara da Infância e da Juventude está esperando para tomar alguma providência sobre o comportamento do menor? Um revólver cair na mão dele para que cumpra a promessa de dar cabo em alguém?

Há crianças e adolescentes infratores. Mas esse menor não é nem um, nem outro. É um profissional do crime. Não precisa de um pijama do Homem-Aranha, mas daquele outro, o listrado.

 

Próxima Página »

O tema Rubric. Blog no WordPress.com.