
De um dia para o outro as pesquisas mostram uma triste realidade para quem gostaria que a experiência vencesse o populismo.
Russomano segue como líder isolado do campeonato, mas Fernando Haddad está encostando cada vez mais em Serra na disputa pelo segundo lugar à prefeitura de São Paulo.
O que acontece agora com Serra é um déja-vù da campanha de 2008, cujos primeiros colocados eram Marta Suplicy, Alckmin e Kassab.
Enquanto Marta fazia coral com os favelados cantando o jingle “Carrega na catraca”, Alckmin aparecia com os cabelos penteados como se tivesse acabado de sair do banho. Sentado numa poltrona de couro e cercado por retratos de família, discorria, em tom professoral, sobre a importância de Medicina em sua vida e a experiência como jovem prefeito de Pindamonhangaba. E Marta lá na periferia, no meio do povo, com o salto na lama e as veias do pescoço estufadas cantando: “Pra gastar menos tempo, pra gastar menos dinheiro. Pega o bilhete e… Carrega na catraca! Carrega na catraca! Carrega na catraca!”.
Resultado: Alckmin não foi nem para o segundo turno.
Se restava alguma dúvida para os marqueteiros, o recado da população foi bem claro. Ao eleitor brasileiro não interessa se o candidato tem uma família feliz, é casado, divorciado ou escorrega no quiabo – aliás, a insinuação de Marta sobre a orientação sexual de Kassab custou-lhe a derrota no segundo turno.
O eleitor só quer saber de soluções práticas para sua vidinha casa-trabalho-casa.
Desta vez a história se repete – ao que parece, os marqueteiros do PSDB ainda não captaram a mensagem.
Com o mesmo tom de voz de Alckmin e com o mesmo (resto de) cabelo engomado, Serra promete um curso de cuidadores de idosos.
Avisa lá, avisa lá, avisa lá que o povo quer que o idoso se exploda. No ônibus, após carregar na catraca, o cidadão toma seu lugar no “Assento Preferencial” e não há idoso que o retire de lá.
Infelizmente, apesar de ser um candidato sério e de ter deixado saudades como Ministro da Saúde, Serra não chegará nem ao segundo turno. Falta-lhe discurso populista, veia do pescoço estufada e, claro, um bom marketing político.
Até Haddad – ainda pouco conhecido pelo povão – vem com uma promessa que está fazendo os olhos do povão brilharem: o bilhete único mensal. “Com o mesmo cartão vai poder fazer quantas viagens quiser durante o mês inteiro”, diz ele. E Dilma ainda nem entrou na campanha.
Enquanto isso, Russomano segue com a fórmula que deu certo até hoje: a carreira como defensor dos direitos do consumidor. Será praticamente impossível tirarem essa dele.
Aguardem e confiem.


Com a CPI do Cachoeira tão fria quanto um defunto e tão ineficiente quanto manda a tradição de investigações e punições em nossas casas legislativas, um assunto dominou as atenções na semana: o vídeo pornô de Denise Leitão Rocha, assessora do senador Ciro Nogueira.
Quando Luiza Erundina foi a candidata do PT à prefeitura de São Paulo, em 1988, eu tinha 12 anos e uma incrível capacidade para decorar os jingles das propagandas eleitorais gratuitas.


O que é uma CPI senão um grande circo? A comissão recebe os poderes de investigar, de ouvir testemunhas e investigados, de requisitar documentos sigilosos e até de quebrar os sigilos bancário e fiscal dos acusados. Ao final de seis meses entrega suas conclusões ao Ministério Público e aí… só Deus sabe. Raramente o desprendimento de dinheiro público e a energia da imprensa e da população que acompanha as investigações são recompensados. Quando muito, um paga o pato e pronto. Vamos pedir uma pizza.
Ano de eleição é dose. Vale tudo. Desde beijar criancinhas catarrentas até falar com o dedo em riste num dia para, na manhã seguinte, se esvair em lágrimas.


A primeira vez que li sobre Luiza fiquei com uma estranha sensação de ter perdido a piada.


Todo Natal é a mesma coisa. Enquanto as propagandas de TV falam no “espírito do Natal”, o povo se mata no supermercado por um cacho de uva Itália ou um peru em promoção. No trânsito, em vez de juntar os polegares para fazer a pomba da paz, o pessoal desenrola o dedo médio. Tudo assim bem natalino.


Há exatamente uma semana identificamos uma característica peculiar de Carlos Lupi: a 
No último dia do ano, na lista-retrospectiva que este blog prepara, já está eleita a não-ação de 2011: a ocupação das favelas da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu.
Palmas para quem botou o bloco na rua neste feriado e participou da “Marcha Contra a Corrupção” que aconteceu em diversas cidades do país.
Ontem, duas mulheres-símbolo do Brasil causaram celeuma: Gisele Bünchen e Gretchen – uma desconstruindo a outra.
Existe um tipo de homem que é quase a ararinha-azul: quando já está dado como extinto, eis que aparece um espécime – provavelmente fugido de seu cativeiro. É o homem-moletom.