O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2012/07/13

PARA MÉDICOS E LOUCOS

Arquivado em: Folheando — trezende @ 10:38

Hoje um tema bem adequado à Sexta-Feira 13: o “Complete Manual of Things that Might Kill You – A Guide to Self-Diagnosis for Hypochondriacs” algo como “O Manual Completo de Coisas que Podem Matá-lo – Um Guia de Autodiagnóstico para Hipocondríacos”.
Segundo o site da “Amazon”, “durante muito tempo o hipocondríaco teve de se contentar com o material de referência médica escrito para as massas, mas esse livro revolucionário é dedicado inteiramente à perspectiva do hipocondríaco”. Afinal, “todos vamos morrer de alguma coisa – então por que não escolher o nome de uma doença rara e difícil de pronunciar?”.
Apesar de superbem ilustrado, organizado e carregado de informações técnicas verdadeiras e muito úteis, no prefácio a editora deixa claro que se trata de um livro com propósitos recreativos.
No início, explicações sobre o que é hipocondria, sua história e como reconhecer um hipocondríaco.
Usado pela primeira vez por Hipócrates no século 4 antes de Cristo, o termo “hipocondria” não se referia àquele que teme doenças em geral. Estava relacionado às desordens digestivas e envolveriam o fígado, o baço e a vesícula.
Acreditava-se que os humores – fluidos corporais – que emanavam do hipocôndrio (que reveste a cavidade gástrica) causavam problemas físicos e emocionais.
A hipocondria só passa a ser relacionada à preocupação excessiva com a saúde no século 2 pelo filósofo e médico romano Galeno, que a associou à melancolia.
O livro traz também um teste para o leitor identificar se sofre do problema, o “The Whiteley Index”. Desenvolvido em 1967 pelo doutor Issy Pilowsky, foi publicado pela primeira vez no “Jornal Britânico de Psiquiatria”.
Os capítulos – divididos de acordo com as partes do corpo e os sintomas – seguem o padrão: “Cabeça: Se você sofre dor de cabeça talvez você tenha…”. As opções são bem animadoras: tumor cerebral, encefalite…
Alguns capítulos são classicamente hipocondríacos (“Aperto de mão mortal: A etiqueta pode ser fatal”), mas outros são muito úteis, como o que fala dos dez erros médicos mais comuns, dos suplementos desnecessários, de intoxicação alimentar e de doenças sexualmente transmissíveis.
Mas o guia não é só tragédia. Ele enumera alguns benefícios de ser hipocondríaco, como aumentar a atenção com a saúde, desenvolver o conhecimento sobre esse assunto, ajudar na vida social e até desenvolver a imaginação.
No fim um extenso glossário com termos médicos e um índice com mais de 300 doenças para o hipocondríaco se refestelar.

2012/06/13

AUTOAJUDA CORPORATIVA

Arquivado em: Folheando — trezende @ 09:56

Dia 31 de julho chega às livrarias americanas o “Book of Business Quotations” (“Livro das Citações dos Negócios”). Editado por Bill Ridgers, um dos editores da revista “The Economist”, é uma coletânea de frases famosas de personagens históricos, políticos, empresários de sucesso e até personagens da ficção compiladas por jornalistas, escritores e professores. Eles pesquisaram inúmeras publicações financeiras e a própria revista “The Economist”.
Como o site da “Amazon” adianta, a obra vai além de opiniões comuns das grandes figuras do mundo dos negócios. “Descobre comentários pouco conhecidos de especialistas esquecidos, políticos, novelistas e outras fontes não-tradicionais”, como Homer Simpson e Dilbert.
Talvez tudo não passe de uma sessão de autoajuda em forma de livro, mas não por isso pouco interessante. É o tipo de obra que pode ser útil para quem dá palestras ou costuma fazer  “pronunciamentos corporativos”.
Ou como diz Bill Ridgers, “Nós gostamos de citações assim porque desejamos ter essa sabedoria alheia destilada e também porque adoramos um comentário mordaz”.
Segundo a editora, “o livro traz a espirituosidade e a sabedoria das maiores mentes do mundo dos negócios, de Steve Jobs e Warren Buffett a Coco Chanel e Don Draper”.
De Peter Drucker, considerado o pai da Administração moderna: “A disciplina real vem ao dizer não às oportunidades erradas”.
De Andy Warhol: “Ser bom dos negócios é a mais fascinante forma de arte. Fazer dinheiro é uma arte. Trabalhar é arte e bons negócios são arte da melhor qualidade”.
De Homer Simpson: “Se você não gosta do seu trabalho, não entre em greve. Apenas vá todos os dias e o faça bem meia-boca. Esse é o jeito americano”.
Do ex-presidente Ronald Reagan: “As melhores cabeças não estão no governo. Se estivessem, o mundo dos negócios as levariam”.
Do gângster Virgil Sollozzo, de “O Poderoso Chefão”: “Eu não gosto de violência. Sou um homem de negócios e sangue é uma grande despesa”.
De John Gotti, ex-chefão nova-iorquino do crime organizado: “Se você acha que seu chefe é estúpido, lembre-se: você não teria esse emprego se ele fosse mais esperto”.

2012/05/30

HISTÓRIAS NATURAIS

Arquivado em: Folheando — trezende @ 09:25

O tema de hoje é o mesmo de um post publicado no blog do jornalista Marcelo Duarte. Trata-se do livro “Dry Store Room Nº 1: The Secret Life of The Natural History Museum”, de Richard Fortey.
A obra, publicada em 2008, é cheia de curiosidades – Marcelo Duarte se restringe a citar insetos que foram batizados com nomes de famosos, como a mosca “Scaptia beyoncea”, em homenagem a Beyoncé.
Mas o livro é um mergulho no Museu de História Natural de Londres, tanto de sua história quanto de sua comunidade local – cientistas, curadores –, coleções e exposições.
O “Dry Room” do título é uma área localizada no subsolo que abriga o “lixo” do museu, uma verdadeira miscelânea de itens de exposições passadas, espécies dissecadas, caixas etc. “Dizem até que é um lugar de encontros amorosos – apesar de o amor à sombra de um peixe-lua ser mais necessitado do que romântico”, diz Richard.
O acervo de um museu de história natural nada mais é do que uma coleção de espécies. Mas o autor vai além das caixas com insetos ou réplicas de dinossauros. Ele fala como é o trabalho de cientistas que se dedicam ao sequenciamento de DNAs para a reconstrução de árvores evolucionárias a partir de seus organismos de pesquisa.
No livro também há espaço para várias anedotas e “causos” envolvendo funcionários e toda a comunidade do museu. Um desses personagens é o especialista em anchovas Peter Whitehead, que apesar de ter um ego do tamanho do mundo “e ser magro como uma ripa, com bolsas de gordura bem definidas abaixo dos olhos”, misteriosamente chamava a atenção das mulheres.
Outro funcionário que merece a atenção do autor é Herbert Wernham, curador da área de Botânica, que tinha uma queda por colecionar lembranças de amantes. Ele mantinha um arquivo, em ordem alfabética, que trazia raminhos dos pelos pubianos de cada uma delas.
O mais notável e enigmático deles era Richard Meinertzhagen. Soldado, piloto, espião e ornitologista que serviu de inspiração para a criação do personagem James Bond. Uma das salas do British Museum recebe seu nome em sua homenagem. No entanto, Meinertzhagen era tão importante quanto pouco confiável. Ele chegou a roubar centenas de pássaros preservados do British Museum e de outros museus, renomear as espécies com o seu nome e devolvê-los.
Outra curiosidade diz respeito a uma diversão comum entre os universitários da área: identificar com que tipo de organismo os cientistas se parecem. Dizem que o fenômeno é parecido com o que acontece entre cães e seus donos. Com o passar do tempo ambos começam a adquirir semelhanças físicas.
O autor Richard Fortey – palaeontólogo e atualmente presidente da Sociedade Geológica de Londres – trabalhou no Museu de História Natural por 35 anos até sua aposentadoria, em 2006.

2012/05/03

FAKE IN CHINA

Arquivado em: Folheando — trezende @ 08:43

Constatei que estou com mania de livros sobre a China. O da vez é “China – O Despertar do Dragão”, de Luís Giffoni.
Fácil e agradável de ler, é cheio de curiosidades.
Giffoni esteve na China pela primeira vez em 1989. Na ocasião, o país ainda estava traumatizado com o massacre da Praça da Paz Celestial.
Agora o escritor narra seu retorno ao país 18 anos depois. Ao voltar à China, em 2007, Giffoni encontrou um lugar totalmente diferente. Segundo ele, o livro não tem a finalidade de explicar como aconteceu essa transformação. É mais um relato de suas impressões.
A parte mais surreal é o último capítulo, que trata da indústria da falsificação na China. Ele diz que “os chineses transformaram a falsificação numa arte”.
O escritor fala pouco sobre as cópias fajutas já conhecidas, como a de marcas famosas de relógios, bolsas, óculos, perfumes, cigarros, jogos eletrônicos, filmes e software. Ele descreve falsificações inacreditáveis, aquelas acima de qualquer suspeita.
As informações de Giffoni são valiosas porque nos deixam com os olhos bem abertos na hora de programar uma viagem ao país.
Na China até os hotéis são falsificados. Assim que Giffoni desembarcou no aeroporto de Xangai, procurou o centro de atendimento ao visitante. A plantonista indicou-lhe o “Holliday Inn”.
O escritor – crente de que iria se hospedar na tradicional cadeia hoteleira – surpreendeu-se ao chegar ao hotel: nem de longe as instalações eram parecidas. Segundo ele, o governo chinês simplesmente copiou o nome e inaugurou o hotel induzindo os visitantes ao erro.
Até no banco é preciso ficar esperto. Ao realizar uma operação de câmbio no “Banco Mercantil da China” Giffoni recebeu duas notas de cem yuans falsificadas. Mas ele só descobriu a maracutaia dois dias depois. Ao pagar uma taxa no aeroporto, ouviu de uma funcionária: “O senhor devia selecionar melhor suas casas de câmbio. Cuidado. Tentar passar notas falsas dá até pena de morte”.
Disseram a Giffoni que provavelmente o dinheiro falsificado havia saído da própria Casa da Moeda.
O jornalista conta também que marcas como Sony, Sanyo, Philips ou Toshiba nada têm a ver com as originais, mas sim com as indústrias dedicadas à cópia estabelecidas nas Zonas Econômicas Especiais.
O cúmulo dos cúmulos é que os chineses falsificam até as histórias de Harry Potter. Depois de editar as originais – que são traduzidas sem o devido pagamento dos direitos autorais – eles inventam novos livros de J.K. Rowling.
Fica a dica para quem frequenta a região da rua Santa Ifigênia, em São Paulo, o paraíso dos eletrônicos “baratos”.

2012/04/21

REALIDADE FANTÁSTICA

Arquivado em: Folheando — trezende @ 09:11

É impossível passar batido por essa capa.
O livro: “Let’s Pretend This Never Happened” (“Vamos Fazer de Conta que Isso Nunca Aconteceu”).
O subtítulo: “Memórias quase verdadeiras”.
A autora: Jenny Lawson.
Jenny é uma jornalista bem popular na Internet. Conhecida por seu senso de humor, ela tem milhões de seguidores no Twitter e mantém o blog “The Bloggess”, cujo subtítulo é: “Como madre Teresa, só que melhor”.
Em 2011 Jenny ficou em segundo lugar no ranking das “mães blogueiras” mais influentes do ano divulgado pelo site Babble (Babble.com), de conteúdos para pais.
Ela mantém ainda uma coluna familiar no jornal “Houston Chronicle” e é colunista de sexo.
Apesar de escritora popular, Jenny levou 11 anos para escrever seu primeiro livro: “É uma carta de amor para a minha família”, diz ela. Particularmente para filha Hailey, de 7 anos. “Tenho uma memória terrível, então quando for avó isso servirá como um lembrete”.
No livro, ela leva os leitores a uma jornada à sua terra, o Texas, contando fatos de sua adolescência, os anos escolares, a relação tortuosa de 15 anos com o marido Victor, a filha, seus gatos de estimação e a estranha coleção de animais empalhados fantasiados.
Ela também fala de suas tentativas de aprender como confiar nas mulheres – após passar uma semana numa vinícola californiana acompanhada de outras blogueiras
“Cresci como uma menina negra e pobre em Nova York. Exceto pelo fato de ter que trocar “negra” por “branca” e “Nova York” por “interior do Texas”, os assuntos abordados são sobre funções corporais e animais mortos temperados com obscenidades”, diz ela.
No ano passado Jenny levou um rato morto e fantasiado num voo para Nova York. Hamlet von Schnitzel viajou com a jornalista porque ela queria convencer seu editor de que um rato morto é muito mais fotogênico do que ela e poderia se transformar na capa do livro.
A fixação por bichos mortos talvez se explique pelo fato de Jenny ser filha de um taxidermista profissional.
Mas nem tudo no livro de Jenny é piada. Ela conta passagens sobre seus problemas com a depressão e a artrite reumatoide e conclui que os momentos mais vergonhosos de nossas vidas – aqueles que a gente finge que nunca aconteceram – são os que nos definem de verdade.
Enfim, tudo o que precisamos é aprender a rir da desgraça.

P.S.: Amanhã estarei offline. Até segunda!

2012/04/19

SANSÃO NÃO ESTÁ SÓ

Arquivado em: Folheando — trezende @ 08:16

O “Livro do Cabelo”, da jornalista, escritora e pesquisadora Leusa Araujo, é um tapa da cara de quem acha que cabelo é um assunto fútil restrito às desocupadas que frequentam o salão numa terça-feira à tarde e discutem temas como escova de chocolate ou cauterização.
O livro é de-li-ci-o-so e contextualiza o cabelo em diversos períodos históricos e em diferentes sociedades.
Segundo a autora, o cabelo deixa pistas valiosas em diferentes épocas e partes do mundo. Como ele não se decompõe facilmente graças à queratina e continua a crescer mesmo após a morte do indivíduo, o cabelo tornou-se símbolo de ressurreição para muitos povos.
“Esse ‘poder mágico’ fez com que inúmeros povos temessem os fios de cabelo quando separados da pessoa e acreditassem que mantivessem uma comunicação com o sobrenatural. Prova disso são os rituais de expulsão dos maus espíritos que acompanham o corte de cabelo nas sociedades tradicionais, o uso de fios nos feitiços e sortilégios e sua oferta nas promessas religiosas”, diz um dos capítulos.
O livro fala também sobre o xampu – uma invenção relativamente nova (do século 20).
Antes de existir esse poderoso detergente, a saída era “empoar” a peruca, ou seja, jogar uma nuvem de talco sobre os fios para que ele absorvesse a gordura do couro cabeludo (foto acima).
O talco – à base de polvilho ou pó do Chipre – era borrifado com a ajuda de alguém, já que o “empoado” precisava cobrir o rosto com um cone de papel para resguardar o nariz e impedir a aspiração no momento da aplicação. Os homens preferiam o tom branco. As mulheres, rosa, violeta ou azul.
Já as perucas nascem com um significado ritualístico ou cerimonial. Nas sociedades tradicionais há uma peruca para o casamento, para a guerra, para determinada festa ou comemoração. Numa tribo da Papua Nova Guiné, até hoje os jovens usam uma peruca especial no dia do casamento – feita com o próprio cabelo do noivo após dois anos de crescimento.
Muito tempo depois as perucas se tornam uma alternativa à calvície, na França, e aos poucos começam a ser utilizadas como ornamento pelas francesas. Algumas perucas tinham proporções arquitetônicas: chegavam a pesar cerca de oito quilos e eram sustentadas por armações de ferro tão altas que era necessário rebaixar o assento das carruagens. Algumas vezes elas recebiam adornos como pedras preciosas, fitas, flores e até legumes.
Leusa conta também da existência de um lugar curioso na Índia: o templo de Sri Venkateswara, na cidade de Tirupati, sul do país. Lá acontece uma peregrinação de fiéis (mais de 50 mil por dia) que oferecem seu cabelo ao deus Vishnu. Há 600 barbeiros oficiais para corte total das madeixas. O templo vende as aparas de cabelo e arrecada dinheiro. Resultado: é o mais rico do continente.
A origem da palavra “dreadlocks” também é interessante. Ela teria surgido nos tempos da escravidão e vem de “dreadful” (“horrível”, “pavoroso”), que era o estado apresentado pelos cabelos dos negros que chegavam nos navios negreiros após meses de viagem.
Por volta de 1860, nos Estados Unidos, surge uma elite mulata conhecida por “bonafide” que leva a discriminação interracial ao extremo.
Em algumas igrejas havia o “teste do pente”: um pente fino era pendurado na porta da frente. Cada pessoa que quisesse entrar tinha de passar o pente pelas madeixas. Se o pente deslizasse, a entrada na igreja era permitida.
Ricamente ilustrado, o “Livro do Cabelo” é imperdível.

2012/03/15

SE AS PAREDES FALASSEM

Arquivado em: Folheando — trezende @ 08:07

Assuntos relativos à monarquia britânica sempre despertam a curiosidade mundial. Do Tampax de Camilla passando pelo vestido de Kate e a partida de polo de Harry no Brasil, tudo é motivo de manchete.
O livro “If Walls Could Talk: An Intimate History of the Home” (“Se as Paredes Falassem: A História Íntima da Casa”, ao pé da letra) sacia parte deste infindável interesse.
Escrito pela historiadora Lucy Worsley, trata-se de uma espécie de história da vida privada inglesa.
O quarto, o banheiro, a sala de estar e a cozinha são as lentes através das quais Lucy apresenta a história da arquitetura, da tecnologia e da sociedade desde a era medieval até os dias de hoje. A parte social engloba temas que variam entre moda, comida, sexo, higiene e etiqueta.
Por que a descarga dos banheiros demorou dois séculos para se tornar popular? Por que as pessoas da era medieval dormiam sentadas? Por que o gás das lâmpadas causavam desmaios nas mulheres vitorianas? Por que, durante séculos, os ricos temiam as frutas?
Na introdução, a autora conta que foi um espanto descobrir que no passado os quartos eram espaços semipúblicos. A ideia de lugar reservado é relativamente moderna. Foi apenas no século 19 que eles tornaram-se espaços íntimos reservados ao sono e ao sexo.
Já o banheiro não existia como um cômodo separado até quase o fim da era Vitoriana. A sala de estar só foi aparecer depois que as pessoas passaram a ter tempo livre e dinheiro para gastar nela e com ela. A história da cozinha está ligada à história da segurança alimentar, do transporte, da tecnologia e das relações de gênero.
Entre 1550 e 1750 tomar banho era algo considerado desnecessário e perigoso – a água quente podia abrir os poros e, supostamente, facilitar a entrada de um “miasma” (segundo o dicionário, miasma é uma emanação a que se atribuía, antes das descobertas da microbiologia, à contaminação das doenças infecciosas e epidêmicas).
Outra curiosidade são os métodos para a escovação de dentes no século 17. Lucy conta que a maioria não dava certo. Mas um que funcionava bem era uma mistura de alecrim com sal que era aplicada com uma toalha e seguida de um gargarejo de vinagre.Mas a melhor receita era à base de “cuttlefish” (espécie de molusco semelhante à lula), que rendia um pó excelente para a escovação.
Lucy Worsley é curadora-chefe dos Palácios Históricos Reais, uma instituição de caridade que zela pela Torre de Londres e por uma série de prédios históricos ingleses.
Graças ao livro, ela apresentou uma série na BBC em que recriava as épocas e testava rituais e processos descritos em sua obra. Ela usou urina para remover manchas, experimentou um remédio feito a partir de água do esgoto e dormiu numa cama do período dos Tudor.

2012/03/13

É IMORTAL

Arquivado em: Folheando — trezende @ 09:50

Por que é tão difícil nos livrarmos de um hábito?
Cortar a sobremesa, estabelecer uma rotina de exercícios físicos, parar de fumar, de comer doce à tarde? Tudo muito difícil, muito sofrido, mas não impossível.
Algumas respostas estão no recém-lançado “The Power of Habit” (“O Poder do Hábito”), de Charles Duhigg, repórter do “The New York Times”.
Uma vez instalado, é muito difícil livrar-se de um hábito. Ele nunca morre. Segundo o autor, os hábitos são 40% de nossa rotina.
O processo que o cria dentro do nosso cérebro é um círculo vicioso de três passos: o gatilho, a rotina e a recompensa.
O gatilho é o que dá o sinal verde para o cérebro funcionar no modo automático. A rotina pode ser física, mental ou emocional. E a recompensa é o que ajuda o cérebro a perceber que vale a pena ele se lembrar desse círculo vicioso no futuro.
Com o passar do tempo esse ciclo – gatilho-rotina-recompensa- gatilho-rotina-recompensa – fica mais e mais automático.
O mais difícil nesse processo de gatilhos e recompensas é que ambos são muito sutis e difíceis de serem identificados.
Portanto, quem não está muito determinado a lutar contra um hábito, fará com que ele volte. Hábitos não são destino – eles podem ser ignorados, mudados ou substituídos. Mas nunca desaparecem. Apenas adormecem.
Exemplo: se você quer começar a correr todas as manhãs é essencial escolher um gatilho (colocar os tênis antes do café ou deixar as roupas de corrida ao lado da cama) e uma recompensa (um agradinho no meio da tarde ou simplesmente a sensação de dever cumprido após o exercício).
Quando o cérebro começa a antecipar a recompensa passará a ter um mensurável impulso neurológico que vai lhe ajudar a colocar os tênis todas as manhãs.
O próprio Charles Duhigg dá seu depoimento ao site “Amazon”. Desde que começou a escrever o livro, perdeu quase 14 quilos porque aprendeu a diagnosticar seus hábitos e conseguiu mudá-los.
Atualmente ele corre em dias intercalados e está treinando para a Maratona de Nova York.
Charles conta que tinha um péssimo hábito sempre às 3h30 da tarde: comer biscoitos de chocolate. Depois de prestar atenção a seu comportamento e a submeter-se a testes que ele mesmo se propunha, descobriu que a razão que o levava à cafeteria não era a vontade de comer biscoitos. Ele estava, no fundo, querendo conversar com os amigos da empresa enquanto mastigava. Sua recompensa não era o prazer proporcionado pelo biscoito, mas a socialização com os colegas.
Ciente disso, “reconstruiu” o hábito. Hoje, sempre às 3h30 da tarde, ele se levanta de sua mesa, dá uma volta, conversa uns 10 minutos com alguém e nem pensa no que está fazendo. Está no automático. Diz que não come um cookie há seis meses.
Mais impressionante do que entender a formação dos hábitos na nossa vida é perceber como as empresas usam a “ciência do hábito” para estudar e influenciar o que compramos.
Nós, consumidores, somos verdadeiros ratos de laboratório.
As grandes corporações usam diversos métodos invasivos para descobrir nossos hábitos de consumo, tornar o momento da compra mais atraente e nos fazer comprar mais – tanto fisicamente, nas lojas, quanto pela Internet.
O caso mais revelador citado no livro é o da rede de supermercados “Target”, que criou um sistema secreto que descobria – baseado no padrão de compras das mulheres – quando elas estavam grávidas. Daí a “Target” passava a enviar cupons de desconto de produtos relacionados ao cuidado de bebês.
O problema é que o supermercado começou a mandar promoções para uma adolescente antes mesmo que o pai dela soubesse da gravidez.
O caso acabou rendendo na imprensa americana e causou até uma briga entre o “The New York Times” e a revista “Forbes”, que deu a notícia sem citar a fonte.
Agora é esperar pelo lançamento de “The Power of Habit” no Brasil.

2012/03/04

À MESA COM TIO SAM

Arquivado em: Folheando — trezende @ 10:00

Lá se vão mais de 70 anos invejando o “american way of life”. Principalmente nós, brasileiros, que adoramos tudo o que tenha o carimbo “made in USA”: do hambúrguer ao iPhone.
Agora uma autora tenta desvendar o estilo americano de alimentar-se. Trata-se de “American Way of Eating”, de Tracie McMillan.
O livro revela histórias que vão além do prato.
A fim de tentar entender os hábitos de seus conterrâneos à mesa, a autora aborda certos aspectos da indústria alimentícia. Ela conta sobre os funcionários do “Walmart” – que gastam horas depenando folhas de alface estragadas para depois colocá-las de volta na prateleira –; conta também sobre os imigrantes ilegais que não têm nenhum direito trabalhista; e até sobre os chefs do “Applebee’s”, que não cozinham nada porque recebem tudo pré-preparado. Basta colocar no micro-ondas.
Tracie pode relatar tudo isso porque ela trabalhou durante um ano, escondida, em plantações de uva, pêssego e alho na Califórnia e foi funcionária do “Walmart” em Detroit e do “Applebee’s”, no Brooklyn.
Para Tracie, comida cara exige mais tempo no preparo. Um dos pontos centrais do livro é esse: pessoas que trabalham na área são as que se alimentam pior. A maioria está muito exausta para cozinhar.
“Se eu disser a uma mãe para cozinhar mais estarei sendo estúpida. Não tenho direito de dizer como ela deve conduzir a vida. Acho que o uso da palavra ‘deveria’ é realmente problemática, principalmente numa sociedade em que ela é tão falada”, diz ela. “Se você quer entender porque algumas crianças preferem laranjas a biscoitos Oreo você tem de passar um tempo vivendo com elas”.
Existe, de fato, um “american way of eating”? Segundo ela, essa resposta é complicada. “As pessoas tendem a procurar algum ponto para serem moralistas sobre certos assuntos que elas querem ser moralistas. Acho que realmente existe um grupo emergente que está vendo a questão da alimentação saudável como uma proposta elitista”.
Tracie não critica as pessoas mais humildes pelo fato de comerem tanto fast food. Também não finge que toda refeição tem de ser saudável. Para ela, essa escolha não é motivada só pelo dinheiro, mas também pelos hábitos e pelo paladar.

2012/02/12

RECEITA DE SUCESSO

Arquivado em: Folheando — trezende @ 08:58

A comida está fortemente ligada a muitos aspectos de nossa vida. Comemos para festejar, para relembrar e até para matar a fome. Os cineastas sabem disso e, às vezes, há pratos que mereceriam destaque nos créditos porque são importantes para a história. Alguns viram inclusive o título do filme, como “American Pie”.
Há referências clássicas, como o macarrão de “A Dama e o Vagabundo” e o sanduíche turbinado que Harry e Sally devoram na Kat’z Delicatessen, em Nova York.
Inúmeras vezes os cineastas nos deixam com água na boca. Quem não saiu da sessão de “My Blueberry Nights” com vontade de saborear um bom pedaço de torta com sorvete?
Pensando nessa categoria de cinéfilo – o esfomeado – a escritora Becky Thorn coletou diversas receitas marcantes de filmes e lançou “Movie Dinners: Reel Recipes from Your Favourite Films” (no Brasil traduzido para “Jantares de Cinema: Receitas de Seus Filmes Favoritos”).
O livro demorou cerca de um ano e meio para ser escrito porque todas as receitas foram testadas. Nele, Becky revela as receitas de 70 filmes (e também as de alguns programas de TV) e dá suas dicas.
Algumas são mais óbvias e não poderiam ficar de fora, como os pratos de “Tomates Verdes Fritos”, “American Pie”, “Ratatouille” e “A Festa de Babette”.
Outras já precisaram de mais pesquisa, como a “french toast” de “Kramer vs Kramer”, o hambúrguer de “Pulp Fiction” e o strudel de maçã de “A Noviça Rebelde”.
Os favoritos de Becky são o macarrão com espaguete de “Os Bons Companheiros”, o “boeuf bourguignon” de “Julie e Julia”, o drinque à base de hortelã de “E o Vento Levou” e o fígado com favas de “O Silêncio dos Inocentes”.
“Quando você pergunta às pessoas sobre comida e cinema, esse é um prato que vem sempre no topo da lista. Apesar de ter conotações sinistras, é uma refeição deliciosa”, diz ela, que adora fígado.
Sobre os sanduíches “afrodisíacos” de “Harry & Sally”, Becky conta que Meg Ryan comia um de peito de peru e salada e Billy Crystal, um de pastrami no pão de centeio.
“É provavelmente minha cena favorita porque foi uma das primeiras que eu vi e me fez começar a pensar na relação entre comida e cinema”.
Becky Thorn tem 45 anos, é professora primária, mãe de duas filhas e mora em Surrey (sul da Inglaterra).
Ela conta que as filhas – de 15 e 13 anos – foram resistentes na hora de experimentar o coelho ensopado de “Atração Fatal”. Já ela, teve cuidado ao provar o coquetel de vodca, gim, suco de mariscos e Tic Tac hortelã de “O Guia do Mochileiro das Galáxias”.
Pois eu confesso que jamais experimentaria aquele banquete de “Indiana Jones e o Templo da Perdição”.

2012/02/02

SAUDADES DO TONY

Arquivado em: Folheando — trezende @ 09:24

Apesar de serem vendidos como saudáveis, os cereais foram perdendo esse status ao longo do tempo. Atualmente são toneladas de açúcar, ingredientes artificiais e grãos refinados todos juntos numa caixinha bem linda.
Eu sou do tempo em que o Sucrilhos reinava absoluto. Não só nas prateleiras, mas na mesa da minha casa. Todos os dias, após o jantar, tomava uma quantidade generosa de leite com Sucrilhos como sobremesa.
A nostalgia não é tanto pelo Sucrilhos, mas da época em que açúcar não causava estragos à minha silhueta. Minto. Tenho saudades das caixinhas, que traziam brincadeiras (prontamente “brincadas”) na contracapa.
Quem é ou já foi fã de cereais vai adorar “The Great American Cereal Book: How Breakfast Got Its Crunch” (“O Grande Livro Americano do Cereal: Como o Café da Manhã Ficou Crocante”), de Marty Gitlin e Topher Ellis.
A dupla gastou 15 anos de pesquisas para contar detalhadamente a história dos cereais – de 1863 a 2010 – por meio de textos e imagens raras. Há fotos das 400 variedades já comercializadas por diversas marcas: General Mills, Kellogg’s, Nabisco, Nestlé, Post, Quaker e Ralston.
Marty Gitlin é fã de cereais desde os 8 anos, “quando a sociedade associava cereais matinais com diversão”. Hoje a guerra de milhares de crianças americanas é contra a balança, diz ele.
O livro é dividido em seis capítulos. O primeiro fala sobre os pioneiros – Dr. James Caleb Jackson, o criador do primeiro cereal, “Granula” – e de John Harvey Kellogg, inventor dos cereais em flocos.
Entre as curiosidades, no segundo capítulo está a história de C.W. Post, que sofreu com as críticas de fundamentalistas religiosos depois que deu o nome de “profeta Elijah” ao seu produto.
No capítulo que compreende o período de 1949 a 1970 o livro menciona a introdução do açúcar para atrair o interesse das crianças. Já entre 1971 e 1980 descreve o momento em que os americanos começaram a seguir uma dieta pouco saudável.
Na última parte (de 1981 a 2010), a dupla fala a condição do cereal hoje e cita nomes que não são familiares para nós, brasileiros. Eles dedicam mais de cem páginas aos cereais “Batman”, da Ralston; “ET”, da General Mills; e “Incrível Hulk”, da Post.
Quem não pode se dar ao luxo de saborear um Sucrilhos, se contenta em admirar as caixinhas.

P.S.: nos próximos dias estarei em Belo Horizonte. Novos posts a partir de 07/02. Até!

2012/02/01

OS CHURROS DO TARZÃ

Arquivado em: Folheando — trezende @ 09:55

Quem quer ficar lindo e magro precisa aprender a fazer dieta como os gays.
Todas as dicas estão no recém-lançado “Gay Men Don’t Get Fat” (“Homens Gays Não Engordam”), de Simon Doonan.
Simon tem 59 anos e é diretor criativo da “Barneys”, uma das mais sofisticadas lojas de departamento de Nova York. Ele também é autor de vários livros e colunista de estilo do site “Slate” e do jornal “The New York Observer”.
No livro – claramente inspirado no best-seller “Mulheres Francesas Não Engordam” – ele explica o que constitui a “comida gay” e por que, de uma maneira geral, o homem hetero ganha peso com mais facilidade do que o gay.
Segundo Simon, os alimentos podem ser divididos em duas, e não quatro categorias: gay ou hetero. O segredo está em misturar os dois tipos.
A comida do gay é mais leve, tem menos carboidratos e gordura. A escolha dos ingredientes é feita de modo consciente antes de ser levada ao prato.
Numa entrevista ao “The New York Times”, comentando a comida escolhida pelo repórter, ele diz: “As batatas do gay são assadas, as do hetero, fritas”.
“Os gays não ficam em forma só porque comem comida gay. Eu não vivo à base de macarons e alface”.
Segundo ele, macarons – aqueles bolinhos que lembram um bem-casado – são o mais recente delírio gastronômico dos gays. “Não acredito que um hetero entre numa loja de macarons. Se você quer arruinar a carreira de um político, publique uma foto dele num lugar desses”.
Simon admite que no livro faz generalizações sobre os heterossexuais mas, segundo ele, “as generalizações são a chave para tudo e elas geralmente têm nuggets de verdade”.
A alimentação clássica de um hetero é pesada, cheia de proteína e gordura.
As dicas para quem quer perder peso “à la gay” são: comer salada com molho bem leve, carne com pouca gordura ou sushi, e escolher frutas na sobremesa. Para beliscar, frutas secas. Mas ele alerta: “Tenham cuidado com os damascos porque eles realmente causam gases”.
Comida mexicana? A mais recente cozinha hetero. Sushi? O oposto. Comida japonesa é a mais gay do planeta.
E amêndoas? “Uma ou duas. Não a mão cheia. Sabe quando ganhamos aquele mix de castanhas no avião? Se estou sentado ao lado de um hetero ele basicamente leva a latinha à boca”, explica Simon ao repórter do “The New York Times”.
Quanto à sobremesa, churro é tão hetero quanto o Tarzã.

2011/12/07

UM PRATO CHEIO

Arquivado em: Folheando — trezende @ 09:27

Qual foi o cardápio servido na última ceia do Titanic? Quem inventou um dos maiores curingas das cozinheiras, o caldo de carne em cubinhos?
Essas e outras histórias estão em “O Ganso Marisco e Outros Papos de Cozinha”, de Breno Lerner, uma delícia para quem gosta de comer e ler – ou comer lendo.
O capítulo que dá nome ao livro já justifica a leitura. Ele fala de uma lenda envolvendo uma espécie de ganso que vive nas regiões árticas e, no inverno, para procriação, migra para as costas da Inglaterra, Escócia e Irlanda. Ao migrarem, eles se alojam em árvores e troncos de rochedos à beira-mar. Os pais nunca alimentam seus filhotes. Eles têm de descer para comer algas e outras plantas. Ou seja, têm de pastar.
Hábito tão peculiar acabou gerando a lenda de que esses gansos nasciam em árvores – pendiam de conchas ali penduradas. Quando estavam com o corpo já formado, caíam na água e saíam nadando ou voando.
Segundo Breno, a história acabou indo tão longe que padres da época (por volta do ano de 675) permitiam que seus fiéis comessem o ganso marisco nos períodos de abstinência da carne já que marisco não podia ser considerado bicho.
O famoso e folclórico Baile da Ilha Fiscal também é citado no livro.
Realizado com o intuito de mostrar ao Brasil e ao mundo que tudo ia bem com o Império, o megaevento teria custado 150 mil contos de réis. O detalhe é que 100 mil foram retirados de uma doação de emergência criada para os flagelados da seca no Ceará.
Ao descobrir que havia perus no cardápio, o ministro das Relações Exteriores ficou preocupado com o que pensaria a comitiva do governo peruano. Mandou então que escondessem as aves no porão e que não fossem servidas. A notícia vazou e um grupo de nobres senhores subornou o dono de uma embarcação para furtar os perus, mas acabaram descobertos pela polícia e presos.
Há diversas outras curiosidades no livro de Breno, que é superintendente da Editora Melhoramentos.
Suas pesquisas duraram 12 anos e não se restringiram ao Brasil. Ele conta que “desgraçou” diversas viagens de férias da família porque sempre queria passar em alguma biblioteca, museu ou entrevistar alguém que pudesse lhe tirar uma dúvida. No Cairo, foi parar na delegacia depois que fez fotografias (proibidas) de inscrições e pinturas de cenas culinárias num sítio arqueológico.
Breno revela também que já está escrevendo seu próximo livro, que vai tratar de Inquisição e culinária, “um período no qual uma pessoa podia ser morta pelo o que ela comia ou pelo que ela deixava de comer”, diz o autor.
A Alheira – uma típica receita portuguesa – foi inventada pelos judeus nessa época. Para que a recusa deles em comer linguiça não fosse vista com estranheza, eles criaram um embutido que era recheado com miolo de pão, alho e gordura de galinha.

2011/10/26

MUITO ALÉM DOS MUROS DO PALÁCIO

Arquivado em: Folheando — trezende @ 10:35

Nunca saberemos se o príncipe Harry é mesmo filho do professor de equitação de Diana ou se a Rainha realmente odeia Camilla Parker-Bowles, mas um livro que está para ser publicado vai revelar alguns segredinhos mais amenos da família real britânica.
Trata-se de “Not In Front Of The Corgis”, de Brian Hoey.
O jornalista – autor de mais de 20 livros sobre o clã e que cobre os assuntos da realeza outras tantas décadas –, conta curiosidades do tipo “Por que a Rainha não tem carteira de motorista?”, “Que músicas ela gosta de dançar?” ou “Quem é o integrante mais popular da realeza?”.
Segundo Brian, ninguém sabe mais sobre a família real do que seus 1.200 funcionários.
Esses mais de mil empregados dividem-se em postos de trabalho pelas cinco residências de que é composto o palácio de Buckingham. Cerca de 339 deles trabalham em período integral, mas apenas alguns têm contato regular com a Rainha.
Um deles tem uma tarefa bem peculiar: remover, diariamente, a lâmina do mata-borrão da Rainha. Assim ninguém pode examinar a caligrafia dela ao analisar cuidadosamente a almofadinha.
Apesar de não o salário não ser tão alto – o mais bem remunerado ganha 180 mil libras por ano –, eles têm algumas regalias. Podem praticar sete modalidades esportivas e usar a piscina do palácio. No entanto, se estiverem nadando e algum integrante da família aparecer, devem se retirar – a menos que sejam convidados para ficar. Além disso, o cinema do palácio conta com filmes que ainda nem estrearam.
Quanto aos soldadinhos mal-humorados que ficam na frente do palácio, eles têm de ser magros e ter pelo menos 1m72 – até para caberem no traje já existente. Novos uniformes custariam em torno de 2 mil libras cada.
Outra curiosidade é que os membros da família são avaliados segundo uma tabela elaborada pelos funcionários que vai do mais popular ao mais antipático. A Rainha não faz parte da lista.
No topo da relação, o príncipe Philip, considerado o mais leal à equipe. Quando seu motorista morreu, no início do ano, ele quebrou a tradição e, em vez de mandar um representante, compareceu ele mesmo ao funeral.
Em segundo lugar vem a falecida princesa Margaret, que costumava levar seus funcionários mais chegados para uma refeição natalina num caríssimo restaurante inglês. Ela chegou, inclusive, a pagar uma cirurgia plástica para a esposa de um de seus cozinheiros.
Já a princesa Anne – filha de Elizabeth II e Philip – é conhecida por sua falta de noção e temperamento forte.
Abaixo dela, apenas Charles – muito detalhista – Camilla, e o duque de York, André.
O príncipe Edward é tido como o mais pomposo. Insiste sempre na mais absoluta formalidade.
Outra fofoca sobre o príncipe Charles é que nunca escolheu ou tirou as próprias roupas. Ele tem três camareiros só para a função. Se tem três visitas num dia, por exemplo, os funcionários deixam diversas gravatas no carro para que ele as troque durante o trajeto.
O príncipe geralmente gosta de usar a gravata da organização ou do estabelecimento militar que vai visitar. Outra função dos camareiros é passar a ferro os cadarços dos sapatos de Charles.
Segundo Brian Hoey, a realeza odeia quando um convidado abusa da hospitalidade. Para tanto, desenvolveu uma técnica para apressar a saída de hóspedes do tipo.
Eles chamam um mordomo e perguntam se o carro do convidado já chegou. O funcionário sai e reaparece alguns momentos depois anunciando que sim, o carro já estava à espera.
Quer chatear algum integrante da família real? Basta convidá-lo para abrir um negócio.

2011/09/26

IMAGEM & AÇÃO

Arquivado em: Folheando — trezende @ 10:02

Muita gente, quando viaja para um país no qual não fala a língua, apela para a mímica. Meio engraçado, meio patético, meio útil, o hábito pode causar saias-justas. Um dedinho a mais ou a menos acompanhado de uma cara marota é capaz de estragar uma viagem.
Um livro lançado no início do mês dá uma força: “Rude Hand Gestures of the World”, cujo subtítulo é “Um guia para ofender sem palavras”.
O guia traz os gestos mais rudes, deselegantes ou obscenos que podemos fazer sem querer por pura ignorância. Ele ensina desde a demonstrar interesse sexual no Oriente Médio até chamar alguém de louco na Itália.
Escrito por Romana Lefevre – uma autora do Texas que passa pelo menos metade do ano viajando – o livro é ilustrado com imagens feitas por Daniel Castro, fotógrafo de São Francisco. Vejam:

“Corna”
Significado: “Sua mulher é infiel”
Usado nos Países Bálticos, Brasil, Colômbia, Itália, Portugal e Espanha
O clássico gesto do chifre que nós conhecemos representa os chifres do búfalo. Em alguns países pode expressar boa sorte ou afeição

“Le Camembert”
Significado: “Cale a boca”
Usado na França
O gesto é o mesmo usado pelos marionetistas: quatro dedos unidos com o polegar embaixo

“Moutza”
Significados: “Vá para o inferno!”; “Vou esfregar m… na sua cara”; “Vou c… sua irmã”; “Vou c… sua família inteira, incluindo o seu cachorro!”
Usado na Grécia, África e Paquistão
O gesto é representado pela foto acima. Originalmente usado para provocar criminosos, recentemente adquiriu conotação sexual e tem muitas variações. Mostrar a palma da mão aberta relembra uma prática bizantina de esfregar fezes no rosto dos criminosos enquanto eles desfilavam algemados pela cidade

“Nose Brush”
Significado: “Desejo uma troca romântica”
Usado na Jordânia
Esfregar o dedo indicador no nariz indica interesse em “saliência”

“Papo Furado”
Significado: “Isso é uma bobagem”
Usado no Brasil
A autora inclui no livro nosso “papo furado” – aquele gesto que fazemos batendo as costas da mão sob o queixo. Em outras partes do mundo quer dizer “estou por aqui”

“Pepper Mill”
Significado: louco
Usado no sul da Itália
Com o cotovelo sobre uma das mãos, o gesto sugere o uso de um moedor de pimenta

“Tacano”
Significado: “Você é pão-duro”
Usado no México e alguns lugares da América do Sul
Segundo a autora, em algumas regiões, esfregar o cotovelo com a mão é um gesto ligado à “pãodurice”. “Para mais ênfase, você pode bater o cotovelo na mesa”. Na Áustria e na Alemanha o mesmo gesto quer dizer “Você é um idiota”

“Thumbs up”
Significado: “Vá se f…”
Usado na Grécia, América Latina, Oriente Médio, Rússia, Sardenha e África Ocidental
Dependendo de onde você está, o “joinha” é sinal de aprovação, mas em alguns países é uma ofensa grave

“Dick Head”
Significado: “Você é um babaca”
Usado no Reino Unido
O gesto é o mesmo que fazemos no Brasil quando queremos representar um sorvete na testa

“V The Palm-Back”
Significado: “Vá se f…”
Usado na Grã-Bretanha, Austrália, Nova Zelândia e Itália
O mesmo gesto que Gisele Bünchen costuma portar em todas as fotos, só que com a mão virada. Em 1992 George Bush cometeu a gafe na Austrália achando que estava fazendo o símbolo da paz.

2011/08/21

O DONO DO MUNDO

Arquivado em: Folheando — trezende @ 10:03

Raramente um diretor de Recursos Humanos ou o dono de uma empresa admite que a aparência – principalmente para a mulher – é fundamental na conquista de uma vaga. O Brasil é exceção.
Reza a hipocrisia que boa formação cultural e acadêmica, domínio de idiomas e experiência profissional são os itens que mais pesam no momento da seleção.
Foi preciso aparecer uma socióloga provando por A + B – ou no caso por meio de extensas pesquisas acadêmicas – que um “tchan” a mais faz diferença sim.
Esse “tchan” é o que Catherine Hakim define como “capital erótico” no livro “Honey Money: The Power of Erotic Capital”, que será lançado em setembro na Inglaterra.
Catherine – socióloga da Escola de Economia de Londres – diz que o “capital erótico” não se resume à aparência. Segundo ela, tanto homens quanto mulheres têm essa qualidade (ou possibilidade), que pode ser dividida em seis categorias: beleza; atratividade sexual; “habilidades” sociais como graça, charme e flerte; vivacidade (uma mistura de boa forma física, energia e senso de humor); apresentação social; e a sexualidade em si.
O tema não é novo. O livro é a versão expandida de um artigo que Catherine escreveu no ano passado para a revista “Prospect” e que rendeu bastante assunto para a imprensa.
O escritor Will Self – que publicou uma resenha do livro no jornal “The Guardian” desta semana – conta que o título é uma expressão usada por prostitutas de Jacarta: “No money, no honey”.
Para Catherine, o “capital erótico” está sendo cada vez mais valorizado na sociedade atual – individualista e sexualizada.
Apesar de as mulheres terem mais condições de desenvolvê-lo e explorá-lo, o sexo nunca foi encorajado por causa do patriarcalismo. “Ideologias patriarcais banalizaram sistematicamente o capital erótico feminino a ponto de desencorajá-las – para prejuízo dos homens”, diz Catherine.
Neste ponto ela introduz o conceito de “déficit do sexo masculino”: como os homens são mais entusiasmados para o sexo do que as mulheres, isso as torna controladoras de um “ativo” cada vez mais valioso. Resultado: os homens farão de tudo para conseguí-lo – mesmo que a mulher não invista em seu “capital erótico”.
Mais polêmica ainda é a visão de Catherine em relação aos gordos. “A obesidade não traz nenhum benefício e ainda destroi o capital erótico”, diz ela.
Mas por que essa “moeda” é tão importante? Porque pessoas com maior “capital erótico” são mais persuasivas, quase sempre vistas como mais competentes e o principal: ganham, em média, 15% mais.
É o dinheiro, estúpido!

2011/07/27

COMO SER MULHER

Arquivado em: Folheando — trezende @ 11:49

Por que tenho de fazer depilação cavada? Devo colocar botox? Os homens nos odeiam secretamente? Por que as pessoas vivem nos perguntando quando vamos ter bebê?
Essas são algumas das perguntas de “How to be a Woman” (“Como Ser Mulher”), da jornalista britânica Caitlin Moran.
O livro – de uma das colunistas mais lidas do jornal britânico “The Times” – está na lista dos mais vendidos do site “Amazon” desde o lançamento, há cerca de quatro semanas.
Mas segundo as resenhas já publicadas, não se trata de uma obra feminista clássica.
Caitlin não apresenta estudos sobre as diferenças entre os gêneros masculino e feminino ou entrevista mulheres que sofreram abuso doméstico. Seu objetivo não é esse.
A jornalista parte de suas experiências pessoais para examinar traços da feminilidade.
Segundo Caitlin, nunca houve época melhor para ser mulher. “Temos o direito ao voto e à pílula e não somos queimadas na fogueira como em 1727”. Entretanto, algumas questões permanecem, e Caitlin toca em pontos polêmicos: saltos não deixam a mulher poderosa. Pelo contrário, são uma bobagem e é impossível de se caminhar sobre eles. A “brazilian bikini” – como nosso estilo de depilação na virilha é conhecido lá fora – “é um horror”. Ter uma faxineira não é uma atitude antifeminista, assim como pornografia não é algo tão terrível.
Caitlin ainda diz que ensina às suas duas filhas a sentirem pena das meninas da MTV porque há consequências em se vestirem como elas quando ainda são muito novas: “Os caras não vão ouvir o que vocês estão falando, só vão olhar para suas pernas”.
A jornalista conta que teve uma adolescência difícil. A mãe, uma riponga, além de vestí-la com roupas da cor do arco-íris, dizia-lhe que desodorante causava câncer e que o sutiã era algo desnecessário na vida da mulher.
Quando ficou menstruada pela primeira vez, sangrou em silêncio por três meses.
Caitlin foi alfabetizada em casa e, apesar de jornalista premiada e escritora precoce – publicou seu primeiro romance aos 15 anos – nunca frequentou a universidade.
Sua família era grande e pobre – Caitlin é a mais velha de oito irmãos. Como se alimentavam mal, sofriam de obesidade. Caitlin tinha pouquíssimas roupas e começou a sofrer bulling aos 13 anos. “Não tinha amigos e os meninos me jogavam pedra quando me viam”.
Tudo isso, no entanto, não a impediu de ter uma vida e uma carreira bem-sucedidas. Caitlin é colunista do “The Times” há quase 20 anos e já recebeu diversos prêmios. Este ano ela ganhou o de melhor entrevistadora de 2011 da imprensa inglesa por causa de sua entrevista com Lady Gaga. Dentre as revelações, a cantora admitiu que tinha lúpus.
Segundo Caitlin, o segredo é levar tudo com humor. Rir de tudo, de si mesma e sempre é uma arma infalível.

2011/06/13

PAPO DE COROA

Arquivado em: Folheando — trezende @ 10:05

Que a família real está na moda ninguém tem dúvidas. Depois do casamento de William e Kate, mais uma integrante do clã chama a atenção da mídia: Margaret Rhodes, prima e amiga de infância da rainha Elizabeth II. Rhodes está lançando sua autobiografia: “The Final Curtsey” (“A Reverência Final”).
O livro – que revela detalhes da convivência de Rhodes com a família mais pop do momento ao longo de oito décadas – começou a ser publicado em capítulos pelo jornal “Daily Mail” neste domingo.
Além de pequenos segredos, a autobiografia traz fotos deliciosas de momentos informais da família – como essa da rainha comendo com um pratinho no colo. Segundo o jornal, a rainha leu e deu sinal verde para os relatos.
Rhodes tem 86 anos, é a filha mais nova do lorde Elphinstone e de sua esposa Mary e mora desde 1980 nas cercanias do parque de Windsor numa casa dada a ela pela rainha-mãe.
“Margaret, a rainha (a II) e eu crescemos juntas. Quando nova, Margaret já era promissora, tinha beleza, inteligência e charme. Na infância ela era extremamente mimada, especialmente pelo pai. Se se comportasse mal, ela invariavelmente superava a situação fazendo todo mundo rir. Era difícil resistir a Margaret, mas ela não teve a mesma sorte com os homens”, conta Rhodes.
De acordo com o jornal, um dos capítulos mais notáveis é uma descrição vívida e emocionante da morte da tia e rainha-mãe em 2002.
Rhodes – que trabalhou num dos escritórios do Serviço Britânico de Inteligência durante a guerra – narra o momento em que foi registrar o falecimento da tia. Perguntaram: “Qual era a ocupação do marido?”. Depois de alguns segundos de hesitação ela responde: “Rei”.
“Fui uma espécie de dama de honra e companhia da minha tia de 1991 até seus últimos dias. Eu costumava chegar ao palácio por volta de 11 da manhã, meio-dia, para almoçar com ela. A refeição era servida na sala de visitas, em cima da mesa de carteado. Eu tentava distraí-la com fragmentos de notícias que pudessem interessá-la – era difícil fazê-la alimentar-se”, revela Rhodes.
Ela conta ainda que a rainha-mãe tinha o incrível dom de fazer as pessoas acreditarem que durante uma conversa elas eram as únicas com as quais ela gostaria de falar no mundo. Uma mulher que nunca admitia uma doença e que “considerava a aspirina uma droga perigosa”.
Outra curiosidade é que a rainha-mãe não se importava com as pessoas fumando ao seu lado. Dizia que isso a fazia lembrar-se de seu marido, de seu pai e de seus irmãos, todos fumantes.
“À noite, enquanto jantávamos sozinhas, ela gostava de assistir TV – particularmente ‘Two Fat Ladies’ (‘Duas Senhoras Gordas’) e programas de humor”.  
Segundo Rhodes, a rainha-mãe recebia inúmeras correspondências – e nenhuma delas era ignorada. Além de responder a todas as missivas, a rainha tinha “uma caverna do Alladin de presentes”, um armário cheio de bibelôs que vez ou outra eram embalados e mandados juntos com a carta.
E não é que a família real também tem sua versão de Bolsa-família? 

Leiam o capítulo completo AQUI

2011/05/07

COLCHA DE RETALHOS

Arquivado em: Folheando — trezende @ 07:43

O assunto de hoje é para quem gosta de se sentar na janelinha.
Trata-se do livro “Window Seat: Reading the Landscape from the Air” (“Assento na Janela: Lendo a Paisagem do Ar”), disponível nas versões americana e europeia.
Lançada em 2004, a obra é do jornalista Gregory Dicum, especializado em temas como Gastronomia, Turismo e Meio Ambiente e colaborador de diversas publicações, como o “The New York Times” e o “San Francisco Chronicle”.
Na primeira versão, o autor divide os Estados Unidos e o Canadá em regiões e descreve acidentes geográficos, formações aquáticas e transformações feitas por humanos em áreas nativas. Ele também explica de que maneira as formações geográficas tiveram peso na atividade humana e até como a cultura e a História modificaram a paisagem.
Além disso, Gregory responde a dúvidas comuns, como por que algumas áreas são organizadas em quadrados e outras em círculos, dá dicas sobre como identificar paisagens famosas – como o Grand Canyon e a DisneyWorld – e outras nem tão conhecidas, como prisões, minas e rodovias interestaduais.
As 70 fotografias aéreas foram feitas a partir de 35 mil pés (cerca de 10.500 metros de altura) e mostram as principais rotas aéreas da América do Norte.
No capítulo do Texas, por exemplo, o autor ensina a identificar poços de óleo, a fronteira com o México e as cidades fundadas por alemães.
Mas quem compraria um livro desses? Basicamente pessoas que viajam com frequência, apaixonados ou estudiosos da Geografia. No entanto, a melhor resposta sobre o perfil do leitor está na seção de resenhas do site “Amazon”.
Um deles diz: “Sim, eu sou um daqueles chatos que em voos transcontinentais ouve o seguinte pedido da aeromoça: ‘O senhor pode fechar a persiana?’. Como disse um colega meu, também  louco para se sentar na janelinha, ‘Você tá brincando? A vista do Grand Canyon vale esse tipo de transtorno e o custo do voo”.
Outro escreve que não se trata de um livro técnico e é perfeito para adolescentes inteligentes – “a menos que você saiba identificar blocos e montanhas de gelo, lagos formados por degelos e consiga explicar como 100 mil anos de ação glacial formaram as lindas paisagens que vemos do alto”.
“Já que os salgadinhos, as bebidas grátis e os filmes nos foram retirados, olhar pela janela é a melhor diversão dentro de um avião”, acredita outro leitor.
Os que ficaram desapontados com o livro criticam o fato de que as fotografias de satélite, além de pequenas, não terem semelhança com o que, de fato, é visto da janela.
Há cerca de três anos Gregory Dicum esteve no Brasil para realizar pesquisas para o livro “The Coffee Book”. Num artigo para o “The New York Times” sobre o Rio de Janeiro ele escreveu que os botequins são “instituições de bairro” que funcionam como café, balcão para almoço e bistrô. “O cafezinho é a alma do botequim, e o botequim é uma ligação direta com a era de ouro do Rio”, diz o jornalista, que também cita a Confeitaria Colombo como exemplo desse período dourado.

Quem se interessou pelo livro pode comprá-lo AQUI

2011/05/04

O DIA INTEIRO A TRAÇA PASSA

Arquivado em: Folheando — trezende @ 10:02

Dizem que no caso de um desastre nuclear somente as baratas sobreviveriam.
A discussão é tão controversa quanto o poder afrodisíaco que certos insetos teriam. Certeza mesmo é de que as baratas estão na face da Terra há 350 milhões de anos – para nossa sorte, apenas 5% delas têm potencial para interagir conosco. E outro dado importante: sim, elas podem entrar pelos nossos ouvidos.
As informações fazem parte do livro “Wicked Bugs: The Louse That Conquered Napoleon’s Army & Other Diabolical Insects” (“Insetos Terríveis: O Piolho que Dominou o Exército de Napoleão e Outros Insetos Diabólicos”), de Amy Stewart.
Das pulgas dos morcegos até as mosquinhas da banana, a autora detalha os mais infecciosos e terríveis insetos do planeta.
Segundo Amy, na escala humana de catástrofes, um único mosquito foi o responsável pelos maiores horrores da História. “Matou mais gente através da malária do que todos os outros insetos juntos”.
Entre curiosidades bem pontuais – como uma traça que devorou praticamente todo o arquivo de cartas de Albert Einstein na Biblioteca da Universidade Nacional de Israel – Amy traz informações que nos fazem coçar as canelas.
O Japão é o lar do maior inseto do mundo – e o que causa mais dor: a vespa. Com uma envergadura de mais de três polegadas, a vespa asiática pode até ser confundida com um pássaro pequeno. Apesar de aparentemente inocente, sua picada pode ser fatal, já que ela injeta na vítima uma neurotoxina mortal.
No entanto, a vespa é muito mais ameaçadora para os demais insetos do que para o ser humano. Além de aprisionar o louva-a-deus, ela rouba o mel das abelhas.
O mais curioso é como as abelhas se defendem. Elas atraem a vespa para dentro da colmeia e começam a voar ao redor dela em velocidade rápida até elevarem sua temperatura a 116º F (cerca de 46º C) – o suficiente para matar a vespa, mas não as outras abelhas.
Já as pulgas trazidas pelos morcegos – parasitas que são parentes próximos dos percevejos – têm um violento e estranho ritual de acasalamento.
Os machos apunhalam repetidamente o abdômen das fêmeas para tentar depositar seu esperma diretamente na corrente sanguínea delas.
“Obviamente elas não gostam muito. Quando há colônias isoladas dessas pulgas em laboratório elas acabam se matando”, explica Amy.
Para se protegerem, as fêmeas desenvolveram um falso órgão sexual no abdômen e assim evitam as agressões. “Isso funcionou, mas os cientistas descobriram que os machos também procuram outros machos. Então eles também desenvolveram seus falsos órgãos sexuais. Há uma estranha mudança de gênero no mundo das pulgas de morcego. E, pelo visto, ainda não chegou a um fim”, diz Amy.
Já uma outra espécie de vespa – conhecida como “Jewel Wasp” – é um terror na vida das baratas.
Basta uma ferroada para que a barata faça tudo o que sua mestra mandar. Com a picada, a vespa injeta o veneno no cérebro da barata, que fica completamente dócil e parasalizada.
Depois que a vítima está sob controle, a vespa a leva para um lugar mais reservado, onde pode tranquilamente depositar seus ovos dentro da barriga da barata – não sem antes comer todos os seus órgãos internos.

Aviso aos navegantes: a mosca espanhola tem reputação de afrodisíaca, mas a verdade é que se consumida por homens pode causar inflamação urinária e levar ao priapismo – estado de alerta permanente do amigão.

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