O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2012/09/22

DA SÉRIE “GRANDES MISTÉRIOS DO JORNALISMO”

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 10:43

O destaque que o Brasil tem recebido da imprensa internacional – especialmente da americana – ultrapassa o entendimento.
Nesta terça-feira o jornal “The New York Times” dedicou uma página inteira ao trabalho do artista plástico Bel Borba.
Bel não é exatamente um nome conhecido em todo o Brasil. Sua projeção restringe-se a Salvador, onde o artista trabalha com sucata, materiais descartados ou encontrados nas ruas, como telhas quebradas, pedaços de madeira, azulejos, metal enferrujado, garrafas pet. Por isso tem sido chamado de “Picasso do Povo”.
Pois Bel Borba está em Nova York há um mês participando de intervenções nas ruas da cidade. No sábado passado ele criou uma pintura de um lagarto e um astronauta no asfalto de Roosevelt Island e durante a semana fez um mosaico no bairro do Queens. Estão previstas intervenções em Red Hook, no Brooklyn; em Howard Beach e em outros bairros da cidade.
“Foi uma visão estranha para uma rua industrial de Ridgewood, no bairro do Queens, mas caminhoneiros, trabalhadores das fábricas e transeuntes se sentiram na obrigação de parar, olhar e fazer perguntas sobre o que acontecia com uma parede marrom de uma fábrica de móveis – era o artista brasileiro Bel Borba fazendo um grande mosaico de azulejo branco retratando um mundo cercado de objetos que pareciam um cruzamento entre girassóis e ventiladores mecânicos”, escreve o jornal.
“Foram raras as vezes na vida que tive uma oportunidade como essa. Não sei se vou encontrar outra cidade com essa variedade de etnias e com bairros que mudam de cara de uma rua para outra. De um lado podem existir caribenhos, do outro, judeus”, diz Bel Borba ao “The New York Times”.
A matéria é só elogios ao trabalho de Borba. Ele é chamado de “artista em ebulição”, citado como “força da natureza” por um dos entrevistados e definido como “brilhante” por outro.
“O sr. Borba, 55, é de Salvador, no estado da Bahia, a terceira maior cidade do Brasil, onde ruas, muros, praças e praias foram suas telas desde o início dos anos 70. Ele é uma figura bem conhecida e amada por lá, regularmente saudado pelos moradores e convidado para mostrar seu trabalho no bairro”, diz o jornal.
A publicação também divulga a exibição do documentário “Bel Borba Aqui: A Man and a City”, com direção do fotógrafo e cineasta americano André Costantini e Burt Sun, um artista de Taiwan que conheceu Borba numa viagem ao Brasil.
O mistério de tanto destaque talvez se explique pelo autor da matéria: Larry Rother, aquele mesmo que disse que Lula gostava de uma cachacinha.
A louvação a Borba seria um pedido de desculpas – atrasado – de Larry?

Leiam a matéria completa AQUI

2012/09/20

ADEUS, FILÉ MIAU

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 09:43

A pindaíba é global, minha gente. Desta vez é a Inglaterra que mostra a face feia da crise.
Nesta terça-feira a BBC divulgou um vídeo produzido por jornalistas disfarçados que, munidos de câmeras ocultas, conseguiram flagrar comerciantes vendendo carne de rato em Londres em plena luz do dia.
“Carne de rato e quantidades chocantes de outros tipos de carne ilegais e ‘potencialmente perigosas’ estão sendo vendidas à população no leste de Londres (…) Fontes do escritório de vigilância sanitária do oeste da África contaram à BBC que o mercado Ridley Road, em Dalston, tem uma ampla atividade de venda de ‘defumados’ e outras iguarias feitas de ovelhas e cabras preparadas com técnicas proibidas pelas leis europeias”, conta a matéria.
“Isso é chocante. Estou muito chocado de ver isso”, diz Paul Povey, um dos maiores especialistas em higiene e inspeção de carnes do Reino Unido que examinou o material a pedido da reportagem.
Apesar de o mercado ser conhecido, o “Hackney Council”, órgão público responsável pela vigilância sanitária no bairro, diz que não recebe reclamações de venda de carne ilegal desde 2009.
A carne de rato comercializada pelos vendedores é descrita como importada de Gana – onde, de fato, é consumida como iguaria.
Um dos açougueiros flagrados pela reportagem da BBC disse: “Não diga a ninguém senão você terá problemas”.
Mesmo confrontados, os vendedores negam o ato ilegal. O gerente da loja “Great Expectations” diz: “Eu não vendo ratos, eu nunca vendi ratos. Não tenho nenhum rato aqui. Por que veio me filmar?”.
O gerente de outra loja declara: “O que você está dizendo é mentira, 100% mentira. Eu não vendo ratos. Você está acabando com o meu negócio. Você sabe quanto custa pagar todos os impostos?”.
A reportagem conta ainda que o mercado ilegal de carnes é um problema persistente para as autoridades britânicas porque são produtos contrabandeados por meio de passageiros de terminais ferroviários e aeroportos.
Segundo uma matéria do site da “Time”, “comparada a outros tipos de carne silvestre, como gorilas e chimpanzés, a carne de rato não está ameaçada de extinção e tem sido sugerida como alternativa à caça de espécies ameaçadas”.
A “Time” ouviu Stefan Gates, um jornalista que escreve sobre comida, que disse: “A carne é suculenta, doce e macia e também tem baixo colesterol e muita proteína”. Ele sugere comê-la cozida ou assada e acompanhada de bolinhos de mandioca.

Ficou com água na boca? Então assista ao video AQUI

2012/09/19

TÉCNICAS PARA ENGORDAR SEU PORQUINHO

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 08:59

Não são apenas os universitários brasileiros que têm de rebolar para pagar o carnê da faculdade. Arcar com as milhares de prestações para retirar o diploma no guichê ao fim de quatro, cinco anos, virou um drama até para os americanos.
Uma reportagem do site da CNN conta que lá eles têm recorrido a métodos que – parece – ainda não foram descobertos por aqui.
Segundo o site, as famílias americanas têm dinheiro para pagar apenas 30% da mensalidade. Então, o jeito é apelar.
O estudante John McKinley-Campbell não tem emprego, mas quer voltar à faculdade para conseguir seu Ph.D. na Universidade Internacional da Flórida. Para realizar o sonho, ele se tornou uma cobaia de laboratório.
John tem participado de uma série de estudos médicos para companhias farmacêuticas desde que sua tia viu um anúncio na TV. Ele já passou 14 dias em instalações médicas testando medicamentos para artrite e também já se inscreveu para receber injeções de uma nova droga contra o câncer de mama.
Os dois trabalhos lhe renderam 8.500 dólares.
“Se eu não conseguir um emprego, há sempre um remédio para dor de cabeça que eu posso testar”, diz ele ao site da CNN.
Outra “cobaia” citada na matéria é Norah – que pede para não ter o sobrenome revelado. Ela tem 24 anos e conseguiu 6.500 dólares doando um óvulo para uma clínica de reprodução humana em Maryland.
“Com a quantia ela conseguirá pagar o primeiro ano do curso. Mais duas doações lhe darão dinheiro suficiente para cobrir os gastos de todo o programa – algo em torno de 15 mil dólares”, conta o site.
Na mesma linha reprodutiva, a matéria fala de um estudante que fez uma doação de esperma ao “California Cryobank” e ganhou 2.600 dólares.
O “California Cryobank” – que tem diversas unidades pelo país – revela que metade de seus doadores é formada por estudantes universitários.
Até os pais têm recorrido a novos métodos para darem conta dos gastos com as faculdades dos filhos. Eles penhoram bens, cedem a casa para estudantes de intercâmbios e até lucram com vídeos que se tornam sensação no Youtube.
Outros estudantes investem no sex appeal para encontrarem um “patrocinador” para suas despesas educacionais.
Uma estudante de 21 anos – que também prefere não ser identificada – conta à reportagem que é um cara rico de 37 anos quem a financia. Os dois se conheceram num site de encontros. Em troca da companhia, o “patrocinador” banca os 1.500 dólares mensais de sua faculdade.
Esse tipo de “serviço” no Brasil tem outro nome…

Leiam a matéria completa AQUI

2012/09/18

NÃO RECLAME DE BARRIGA CHEIA

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 09:32

O senso comum adora espalhar a ideia de que as mulheres são seres complicados. Mas há muito mais situações estranhas e surreais no mundo masculino do que imagina nossa vã filosofia.
Existem pelo menos três preocupações masculinas que ultrapassam a fronteira do entendimento: a perda de cabelo; a situação do time do coração no campeonato e o tamanho do pênis.
Para eles, imaginar-se careca, com o time rebaixado para a segunda divisão e ainda por cima pouco provido do item-mor da masculinidade é pior do que perder o emprego, ficar sem dente, sem comida ou morar na rua.
Pois agora vem a pá de cal: uma pesquisa realizada na Inglaterra mostrou que um terço dos homens britânicos não conseguem enxergar seu próprio pênis.
A pesquisa foi realizada pelo site “We Love Our Health” (“Nós Amamos Nossa Saúde”) com mil homens entre 35 e 60 anos. A conclusão: 33% dos homens que ficam em pé e olham para baixo não dão notícias de seu “mini me”. O número aumenta para 44% entre os que têm entre 51 e 60 anos.
Se levarmos em consideração o fato de que desses mil muitos devem ter faltado com a verdade, o número real é preocupante.
A culpada é a pança.
A partir de dados que dão conta de que mais de 5,6 milhões de homens na Inglaterra estão acima do peso, sob o risco de reduzir suas expectativas de vida em nove anos e de sofrerem de doenças do coração, o site lançou uma campanha chamada “Big Check Campaign”.
O objetivo era encorajá-los a fazer um “teste salva-vidas” com a pergunta: “Você é capaz de ver seu pênis?”.
O site é uma ideia de três mulheres: Daryl Taylor, Rhona Pearson e Anna Woolf.
“Os resultados são preocupantes e os homens devem ser incentivados a abrir os olhos aos potenciais riscos à saúde. Um obeso que não é capaz de enxergar seu próprio pênis tem cinco vezes mais chances de desenvolver diabetes do tipo 2, três vezes mais chances de ter cancer de cólon e mais de duas vezes e meia de pressão alta – a maior causa de infarto e doenças do coração”, diz o médico e consultor do síte, Johan du Plessis.
Portanto, os que ainda conseguem dar um oi ao amigo – ainda que na versão “mini me” – podem se dar por satisfeitos. Não reclamem de barriga cheia.

2012/09/10

FASHION QUEEN

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 08:28

A celebrada “Semana de Moda de Nova York” começou na semana passada.
Enquanto uns analisaram as tendências que surgiram nas passarelas, a “Global Language Monitor” (GLM) – empresa americana de análise de mercado – publicou o resultado de sua pesquisa anual sobre as capitais mais “fashion” do mundo. E a surpresa: São Paulo está muito bem na fita.
No site da GLM, em 7º lugar, São Paulo é chamada de “a rainha da América Latina”. A capital paulista subiu 18 posições no ranking e superou Milão.
A boa colocação entre as “top ten” é uma ótima notícia e um consolo para quem vê a “SP Fashion Week” como um circo com atrações que variam entre o “ver” e o “ser visto”.
É também um incentivo para quem gosta de ostentar gratuitamente grifes na lapela – como a coroinha da Osklen (jacarezinho não vale).
Londres foi eleita a mais “fashion” pelo segundo ano consecutivo, batendo Nova York e Barcelona.
Bekka Payack, uma das diretoras do instituto, diz que a permanência da capital britânica no primeiro lugar se deve “a duas circunstâncias extraordinárias”: o aparecimento de Kate Middleton como um ícone da Moda e o término de uma Olimpíada “extremamente bem-sucedida”.
Em quarto lugar ficou Paris, seguida de Madri e Roma.
Segundo Christopher Breward e David Gilbert – autores do livro “Fashion’s World Cities” e citados no artigo do site “Atlantic” –, a Moda tem se tornado cada vez mais um traço da competição entre as maiores cidades do mundo.
“Em alguns casos o nome da capital é até incorporado à marca. Talvez o caso mais famoso seja o ‘DKNY’, de ‘Donna Karan New York’”, dizem eles.
Outro indicativo é que os anúncios destas marcas nas revistas frequentemente mostram as modelos nas ruas das grandes cidades, próximas aos táxis.
O ranking da GMC é elaborado com base em vários sites, blogs e outros meios de mídia social, como o Twitter, e inclui 175 mil veículos de comunicação impressos e eletrônicos.

Vejam a lista completa AQUI

2012/09/03

ASTRONAUTA DE MÁRMORE

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 09:02

Antony Dubber trabalha num dos lugares mais remotos, perigosos e, ao mesmo tempo, lindos do planeta.
Há três anos ele é chef de cozinha na “Halley Research Station is Britain”, a base britânica na Antártida. É ele quem prepara a comida dos 14 cientistas, engenheiros, médicos e equipe de apoio que vivem na estação.
“O inverno dura de fevereiro a dezembro e nós já tivemos 100 dias de escuridão total e temperaturas de 50 graus negativos. Se você pisa lá fora, mesmo que por alguns segundos, você tem que usar óculos de proteção para evitar que seus olhos congelem quando você pisca”, diz ele ao jornal “The Daily Mail”.
No fim de fevereiro, um barco traz todos os suprimentos necessários para a equipe. “O verão é a época mais ocupada por aqui. É quando tenho que cozinhar para 90 pessoas diariamente”. Segundo ele, os funcionários comem cinco vezes por dia.
Antes de se tornar chef na base britânica, Antony Dubber trabalhava numa indústria farmacêutica e tinha uma função “previsivelmente entediante”: basicamente preparar canapés.
Um dia, folheando uma revista, viu um anúncio que lhe chamou a atenção: “Você vai achar nosso freezer um pouco maior do que o que está acostumado”.
A “Halley Research Station is Britain” é o centro para pesquisas atmosféricas e glaciais. Foi lá, em 1985, que foram descobertos os buracos na camada de ozônio.
Antony ganha 30 mil euros por ano e diz que apesar do inverno, a noite pode ser espetacular.
“A Antártida é extraordinária. Este é o meu terceiro ano aqui. Amo o frio, a neve e as impressionantes auroras. À noite o céu se ilumina com os satélites e as estrelas cadentes, mas só através das fotos as pessoas podem ter uma noção de como é a vida aqui. Elas pensam que a Antártida é um branco sem fim, mas está em constante mudança”.
Ele se orgulha de conseguir preparar um menu variado.
“Tenho que imaginar o quanto de comida vou precisar para aguentar até o fim do inverno. Todo mundo sabe que uma vez que o navio com os suprimentos vai embora, não tenho como ir ao supermercado mais próximo”.
O estabelecimento mais perto fica a mais de 3 mil km dali – no Chile.
A maior parte da carne é congelada, mas Antony aprendeu como conservar frutas e vegetais para durarem de fevereiro a agosto.
“Temos freezers imensos e despensas secas. A única coisa de que sinto falta são ervas frescas porque estragam com muita facilidade. Também sinto falta de carne com osso, mas aqui há uma política de ‘não-osso’ por causa do tratado de proteção ambiental”.
Ele explica que como os restos de comida são enterrados no gelo, até os ossinhos de aves podem estar infectados com vírus e podem afetar a colônia de pinguins imperadores.
O consumo de álcool é limitado a duas latinhas de cerveja por dia. O champanhe é reservado para aniversários e datas especiais.
Quando o Sol se vai, Antony garante que não se chateia. “Há uma academia aqui e nós assistimos muitos filmes, jogamos muito. Mas sinto realmente falta é de um banho. Cada gota d’água aqui é gelo derretido. Todos os dias temos de derreter um pouco. Podemos tomar um banho de dois minutos por dia”, conta.
“Já passei três aniversários aqui e sempre acampo sob as estrelas. A temperatura chega a 45 graus negativos, mas não há nenhum outro lugar na Terra onde eu gostaria de estar”.

Vejam as fotos feitas por Antony AQUI

2012/08/11

UM SONHO DE LOJA

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 08:14

Na infância, meu pai sempre fazia uma proposta tentadora para meu irmão e eu toda vez que visitávamos lojas de departamento como as falecidas “Sears” e “Mesbla” – ambas costumavam ter lindos showrooms de cama, mesa e banho.
“Se vocês se deitarem naquela cama ali em exposição – e ainda se cobrirem com o edredom – assino um cheque em branco”.
Meu irmão e eu nos entreolhávamos e ficávamos pensativos diante do desafio, mas nunca tivemos a ousadia necessária.
Quase trinta anos depois, a certeza: na China meu pai iria à falência.
Pessoas de todas as idades transformam a “Ikea” em sua própria casa. Deitam-se em sofás, camas e vão além até do desafio paterno: dormem.
Quem comenta é uma matéria do inglês “The Daily Mail” a partir de outra, de um site chinês.
“Longe de ser julgado como algo chocante ou inacreditável pelos outros compradores, parece que esse tipo de comportamento é comum na nação oriental”, diz o jornal. “A indiferença dos compradores que passam pelas pessoas que dormem sobre os móveis que estão sendo examinados demonstra como os padrões culturais são diferentes na China se comparados ao Reino Unido”.
“Fiquei chocada com todos os tipos de posição em cada cama e sofá. Profundamente chocada. De 0 a 80 anos, todos se davam ao luxo de dormir! As camas que não estavam ocupadas estavam uma bagunça (…). Ikea, estou realmente impressionada com a sua tolerância!”, diz o comentário de uma leitora.
Ora, mas se o sonho de toda loja é deixar que o cliente se sinta em casa e vender a ideia de que seus produtos são bons, confortáveis e duráveis, a “Ikea” está no caminho certo. É propaganda da boa.

Confiram as fotos AQUI

2012/07/31

O IMPORTANTE É COMPETIR?

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 11:41

Nesta semana, dois episódios curiosos marcaram a participação de atletas brasileiros nas Olimpíadas.
O primeiro foi Cesar Cielo, que estreou com o décimo melhor tempo e se declarou preocupado com o resultado e, claro, com seu desempenho.
O outro foi o que envolveu a judoca Rafaela Silva, que depois de ser eliminada da competição, perdeu totalmente o controle e a compostura e foi desabafar no Twitter. Xingou seguidores e, segundo sua técnica, ela apenas se defendeu: “Chamaram ela de macaca, que tinha de estar na jaula, que ela era uma vergonha e devia voltar rastejando para o Brasil. Não estou justificando, mas explicando”.
O fato é que em ambos os casos fica evidente a dificuldade em lidar com a derrota.
Um artigo que acaba de ser publicado pela BBC trata desse assunto: “Londres 2012 – Os atletas devem se preparar para a derrota?”.
“Até recentemente, a psicologia do Esporte treinou a mente para vencer. Mas a maioria dos competidores olímpicos, incluindo os melhores, como o nadador Michael Phelps e o ciclista Mark Cavendish, perdem. Agora especialistas acreditam que encarar essa possibilidade pode salvá-los da decepção devastadora. Dos 1.500 atletas que batalham pelo ouro nos Jogos Olímpicos de Londres, apenas 302 serão vencedores. Os outros terão de encarar a frustração, a raiva e a vergonha que acompanha a derrota”, começa o artigo.
Apesar de muitos atletas lidarem com a perda de maneira saudável e usarem essa decepção como inspiração para um treino mais pesado, outros ficam profundamente deprimidos.
“Nas Olimpíadas, para alguns, ficar em segundo ou o terceiro lugar não é o bastante. Em certos países eles são considerados um fracasso. É lamentável que o vencedor seja o único a se sentir feliz”, diz a corredora norte-americana Suzy Favor Hamilton, que participou do evento três vezes.
Suzy tem péssimas lembranças das Olimpíadas. Em 2000, em Sydney, percebendo que havia sido ultrapassada por duas adversárias, ela se jogou no chão faltando pouco para o fim da corrida dos 1.500 metros.
“Aquelas duas meninas levaram meu sonho e a minha vida embora. Aquele foi o momento em que eu pensei ‘Não vou vencer, não foi como eu planejei’”, conta ela. Depois do episódio, ela chegou a começar a treinar para as Olimpíadas de 2004, mas desistiu, entrou numa depressão profunda e chegou a considerar o suicídio.
Assim como muitos atletas, ela nunca antecipou a sensação da perda. “Era sempre ‘Suzy, esse é o plano, você vai ganhar essa corrida’. Nunca havia a opção de eu não vencer”.
A questão é polêmica. Alguns especialistas creem que concentrar-se na vitória é parte essencial da psicologia para os atletas. “O problema é que se você pensa que vai perder, talvez você perca mesmo. Não acho que é possível preparar alguém para a derrota”, diz o médico do Esporte Jordan Metzl, do Instituto da Medicina do Esporte de Jovens Atletas de Nova York.
Recentemente, no entanto, alguns psicólogos de atletas de elite têm acreditado que pensamentos de derrota não podem ser evitados. Um exemplo é o trabalho de “supressão do pensamento” do psicólogo Daniel M. Wenger.
Em seu estudo, conhecido como “experimento do urso branco”, ele prova que se dizem para alguém evitar pensar em alguma coisa arbitrária, como um urso branco, o urso vai vir à mente dessa pessoa toda hora.
“Quanto mais você evita um pensamento, mais ele vai vir à tona”, opina Peter Haberl, psicólogo da delegação americana nas Olimpíadas.
“De uma certa maneira, é como as fases do luto. Em determinado momento é importante estar com o atleta e ajudá-lo a entender isso. Apesar de extremamente doloroso, vai passar”, diz Peter.
Os atletas lidam de forma diferente com a derrota graças a alguns fatores. Segundo Peter, o primeiro deles é ter interesses fora do mundo esportivo. Ele também vê diferenças entre gêneros – as mulheres se culpam muito mais – e entre derrotas coletivas – entre times é mais fácil encarar o sofrimento.

2012/07/26

PARECE, MAS NÃO É

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 08:59

As Olimpíadas têm um novo método para testar se os atletas são homens ou mulheres. É justo? Pergunta-se um artigo no site “Slate”.
Segundo o site, o Comitê Olímpico International (COI) tem uma nova regra este ano para decidir quem pode concorrer como mulher. O COI quer evitar espetáculos como o que aconteceu em 2009, no Campeonato Mundial de Atletismo, com a sul-africana Caster Semenya.
Após conquistar o ouro nos 800 metros, ela teve sua sexualidade questionada e se submeteu a testes de DNA. Ela ficou sem competir durante quase um ano. Os exames comprovaram que a atleta sul-africana tem uma deficiência cromossomática que lhe confere características masculinas e femininas. Ela não tem útero nem ovários, seus genitais externos são femininos, mas internamente ela tem testículos.
Ninguém quer repetir o episódio. A questão, no entanto, é se a Ciência é clara o suficiente para justificar o mais recente critério do Comitê.
O plano do COI é o seguinte: mulheres que fizerem o teste de testosterona e tiverem um alto índice do hormônio talvez não possam competir nas categorias femininas. O “talvez não” é porque essas mulheres podem baixar os níveis da testosterona através de medicamentos – como dizem que a sul-africana está fazendo.
O Comitê não especifica que nível de testosterona invalidaria a participação da atleta – em parte porque o índice pode variar muito. “Deixaremos essa decisão com os especialistas”, disse Arne Ljungqvist, presidente do comissão médica do COI, ao “The New York Times”.
O objetivo é nivelar a competição prevenindo pessoas que apesar de se identificarem como mulheres tenham uma ligeira vantagem masculina e dominem a categoria.
Historicamente as autoridades do esporte sempre exigiram que as atletas femininas fossem examinadas nuas ou que fizessem o teste do cromossomo. Nesse teste eles procuram por uma estruturada chamada “Barr body”, que indica a presença de mais de um cromossomo X.
No entanto, atletas como a sul-africana não seriam aprovadas de acordo como esse critério. Apesar de viver como mulher, tem os cromossomos X e Y.
No ano de 2000 o endocrinologista britânico Peter Sonksen analisou os níveis de testosterona de cerca de 650 atletas olímpicos. O resultado mostrou que 5% das mulheres e mais de 6% dos homens apresentaram índices de testosterona que não condiziam como seus gêneros. “Em outras palavras”, diz o site “Slate”, “a testosterona não é diagnosticada de acordo com o sexo”.
No entanto, alguns estudos suportam a ideia de que essas atletas de elite que naturalmente têm níveis de testosterona mais altos se saem melhor do que as demais.
“Mas nós realmente não sabemos. As presunções lógicas sobre hormônios nem sempre são verdadeiras”, diz Allan Mazur, da Syracuse University.
Se a testosterona é tudo para os esportes, o que fazer? Mesmo que um alto índice de testosterona ofereça alguma vantagem, por que essas mulheres devem ser tratadas de forma diferente de outras atletas – das mais altas ou das mais resistentes?
O “Slate” tem uma opinião definitiva: “Pessoas que têm o cromossomo XX e vivem como mulheres devem competir em categorias femininas, não importa como seus corpos se apresentem ou que níveis de testosterona tenham”.
Taí uma discussão interessante. É justo?
O enigma do parece, mas não é, persiste.

2012/07/23

FEIURA INTERIOR

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 08:59

Aos poucos a gordura está sendo absolvida.
Recentemente a discussão se ela faz bem ou mal à saúde foi parar numa capa da “Veja”. De acordo com a revista, a “Ciência da Nutrição” está passando por uma reviravolta ao afrouxar as restrições ao consumo de carnes, queijos e manteiga.
Agora é a vez da revista “The New Scientist” soltar os grilhões da vilã.
Segundo um especialista em ressonância magnética abdominal, pessoas com mais gordura no corpo podem até serem mais saudáveis do que as que têm menos. Tudo depende de onde ela está localizada.
Na entrevista, o Dr. Jimmy Bell, da “Imperial College London”, diz que olhar a gordura como algo totalmente bom ou totalmente ruim é uma má ideia. O importante é prestar mais atenção na localização da gordura em nosso corpo e menos na quantidade geral dela.
“Ela não é apenas um depósito de energia – como a maioria das pessoas a vê – mas um lindo órgão que interage com o seu organismo e ajuda a manter o equilíbrio geral. A gordura controla e modula a fertilidade, o apetite e o humor. Sua resposta imunológica não funcionará perfeitamente se você não tem a quantidade certa de gordura”, diz o Dr. Jimmy.
Ele menciona que excesso de gordura no fígado é ruim, mas no bumbum ou sob a pele é ótimo.
Pessoas que têm alto índice de gordura dentro dos órgãos podem ser magras. Esse perfil de paciente é o que ele denomina “Tofi” (thin on the outside, fat inside). Por outro lado, há pacientes que podem aumentar o peso corporal e isso ter pouca influência na quantidade de gordura interna.
Gordura acumulada internamente está relacionada a diabetes do tipo 2 e doenças do coração.
Por isso é importante prestar a atenção na ingestão de gordura trans (a pior delas) e da saturada. As mono e as poli-insaturadas podem ser boas porque aumentam o bom colesterol. Mas todas elas devem ser consumidas com moderação.
Só falta a “Ciência da Nutrição” inventar a pílula da distribuição da gordura. Você come, toma a pílula e ela encaminha a banha para os locais mais necessitados.

P.S.: Legenda da foto acima: “Cansado de ser gordo e feio? Seja apenas feio!! Academia. Telefone: 251-7928”.

2012/07/19

CAVALO DE TROIA

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 09:44

Em São Paulo há uma van de hot dog em praticamente toda esquina movimentada. O “dogão”, como é conhecido, é o almoço de muita gente. Afinal, é tudo, menos um cachorro-quente.
Além dos itens tradicionais – salsicha, maionese, catchup e mostarda – é incrementado com batata palha, lascas de bacon, milho verde, estrogonofe, molho vinagrete, cheddar, catupiry, frango desfiado, cenoura ralada, ervilha, azeitona e queijo ralado.
No entanto, é provável que a maioria dos fãs do “dogão” pensaria duas vezes antes de comê-lo se soubesse como uma salsicha é feita.
Uma matéria do “The Daily Mail” conta que em resposta ao processo tradicional de fabricação, alguns gourmets no Reino Unido lançaram um movimento a favor dos hot dogs genuínos – os “frankfurters” ou “haute dogs”, feitos com salsichas alemãs.
A “nova geração” de salsichas seria feita a partir de cortes de carne de qualidade, defumada do jeito alemão e com condimentos de primeira linha.
Originais da cidade de Frankfurt, no início dos tempos os hot dogs eram simples salsichas de carne de porco no pão repartidos fora do olhar público, de graça, durante as coroações imperiais.
Vários imigrantes alemães alegam que foram eles os responsáveis pela introdução do sanduíche na América no século 19. Depois disso o lanche sofreu inúmeras mutações e se transformou no que conhecemos hoje.
“Eles são uma das coisas menos naturais que posso pensar”, diz Charlie Powell, do grupo alimentício “Sustain”.
De fato. Em grandes tonéis de metal, toneladas de aparas de carne de porco são misturadas a carcaças de frango ou peru. As carnes são trituradas até virarem uma pasta e depois recebem água, conservantes, aromatizantes e corantes.
O processo foi banido para carne vermelha depois do episódio da doença da vaca louca, mas é permitido para porcos e aves. A carne produzida a partir desse processo é dez vezes mais barata do que a normal. E, surpreendentemente, não é prejudicial à saúde. Mas recebe no rótulo a indicação de que se trata de “carne recuperada mecanicamente”.
Além da água, acrescentada para que a pasta chegue à consistência exata, são adicionados amido – fécula de batata, farinha de trigo ou farinha de rosca torrada – para que a salsicha ganhe volume. Outros ingredientes são a proteína do leite – que também ajuda na consistência do produto – nitrato de sódio – para evitar que escureçam –, aromatizantes – ervas, temperos, aipo, pó de alho, glutamato de sódio – inúmeros aditivos e estabilizantes e corantes carmin e extrato de páprica.
Além de não serem saborosas, se comidas em excesso as salsichas podem ser disastrosas à saúde.
Já existem evidências científicas de que os hot dogs – assim como toda carne processada – aumentam o risco de câncer no intestino.
A dra. Rachel Thompson, do “The World Cancer Research Fund”, diz: “Se todo mundo comesse menos de 70 gramas por semana – dois hot dogs – teríamos 4 mil casos a menos de câncer de intestino no Reino Unido todos os anos”.
Carne de cavalo? Antes fosse.

2012/07/18

OCUPADOS DA SILVA

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 09:47

A porta da geladeira é o retrato perfeito da vida da classe média. Pelo menos da americana.
É o que conclui um estudo de arqueólogos e antropólogos da Universidade da Califórnia (UCLA), em Los Angeles, que acaba de virar livro: “A vida caseira no século 21: 32 famílias abrem suas portas”.
Os cientistas passaram quatro anos acompanhando todos os passos de 32 famílias de classe média em Los Angeles e parte de Boston e concluíram que as pessoas estão muito ocupadas – e desorganizadas. Estão ocupadas demais para irem a seu próprio quintal, jantarem juntas e até para estacionar o carro porque a garagem está lotada de outras coisas – que não seus automóveis.
Os pesquisadores filmaram as atividades dos integrantes das famílias (1.540 horas de vídeo), documentaram suas casas (20 mil fotografias), jardins e algumas atividades fora de casa. Amostras de saliva foram retiradas para medir os níveis de hormônios do estresse.
Os resultados mostram que o crescimento de lojas de venda por atacado proporcionaram o armazenamento de tudo – de alimentos a produtos de limpeza. Dar conta da quantidade de pertences virou um grande problema e chegou a elevar os níveis de estresse de algumas das mães analisadas.
Apenas 25% das garagens podem receber um carro – a maioria virou depósito.
Outro ponto que chamou a atenção dos pesquisadores foi a quantidade de brinquedos que as crianças têm.
Mesmo famílias que investem em decoração externa estavam muito ocupadas para irem lá fora e curtirem seu novo deck.
Comida? Só congelada. E a porta da geladeira não mente: lotada de ímas, fotos de família, números de telefones e contas a pagar indica que o resto da casa está num caos similar.
“O objetivo era documentar o que está bem na nossa frente, mas invisível. O que temos é uma cápsula do tempo da América. Nenhum outro estudo assim foi feito antes. Imagine como seria excitante voltarmos a 1912 e ver como as pessoas viviam dentro de casa. Este é o âmago de qualquer sociedade”, diz Jeanne E. Arnold, professora de Antropologia da UCLA e chefe do estudo.
Jeanne conta que ficou admirada com o jeito que as famílias lidam com suas vidas ocupadas, mas mesmo assim o livro apresenta um quadro de uma sociedade consumista, crianças que raramente saem de casa, pilhas de tranqueiras e paredes inteiras cheias de brinquedos.
“Cerca de 50 de 64 pais que participaram de nosso estudo nunca saíram de casa no espaço de uma semana. Quando apresentavam a casa para a gente diziam: ‘Aqui é o quintal, mas eu não tenho tempo para vir aqui’. As pessoas têm trabalhado muito em casa. O tempo de lazer é gasto em frente da TV ou do computador”.

2012/07/14

O HERÓI NO DIVÃ

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 10:42

Ele usa máscara e capa de morcego em público. Na infância presenciou o assassinato de seus pais. Na fase adulta coloca a vida em risco.
Batman pode até ser um personagem de ficção, mas a personalidade dele é um terreno fértil para a análise de psicólogos.
Robin (!?) Rosenberg, psicanalista da Califórnia, lançou-se no desafio e escreveu o livro “What’s the Matter With Batman?: An Unauthorized Clinical Look Under the Mask of the Caped Crusader” (“O que há de errado com Batman?: Um olhar clínico não-autorizado por baixo da máscara do paladino de capa”).
O livro – lançado em junho nos Estados Unidos – é altamente indicado para estudantes de Psquiatria, Psicologia e afins, já que faz uma análise de certos aspectos da personalidade do Homem-Morcego. Não se trata de uma obra conclusiva a respeito da saúde mental dele.
Robin baseou seus estudos nos filmes e nas histórias em quadrinhos. Cada capítulo do livro aborda um transtorno ou um espectro de transtornos que Batman possivelmente tenha: depressão, transtorno obsessivo-compulsivo, estresse pós-traumático, distúrbio de personalidade pós-traumático.
Entre 8 e 10 anos de idade ele foi testemunha do assassinato de seus pais durante um assalto. Como resultado, ele comprou a briga contra o crime. “Ele é o garoto-propaganda do crescimento pós-traumático”, define Robin Rosenberg.
Ela explica que o termo descreve o processo de fortalecer-se e desenvolver novos objetivos e crenças tirando proveito de experiências traumáticas. “No mundo real não é incomum certas pessoas se envolverem com o ativismo social. Acho que é isso o que faz dele um personagem tão persuasivo”, diz Robin. “Assim como várias pessoas colocam a vida em risco diariamente – bombeiros, policiais ou militares – há algo cativante neste nível de dedicação”.
Mas a capacidade de Batman de se colocar à prova em nome dos outros também levanta a questão: o altruísmo ao extremo é um distúrbio?
Em sua análise, Robin se dedica a traços que parecem estranhos no herói, características que talvez possam ser interpretadas como sinais de distúrbio psicológico.
Sobre a capa, Robin diz que a fantasia é antes de tudo um uniforme. “Como um uniforme policial, pretende intimidar, chamar a atenção e mandar uma mensagem particular às vítimas e aos criminosos”, explica ela.
Já o temperamento sério, o sentimento de culpa em relação à morte dos pais e seu desapego podem ser lidos como sinais de transtorno de estresse pós-traumático (em inglês, PTSD).
“Entorpecimento emocional é um sintoma de PTSD e isso envolve um senso de distanciamento de terceiros e expressão de sentimentos limitada”, diz Robin.
“No entanto, essas características não são sinais conclusivos do transtorno – ainda que nossa tendência cultural seja a de rotular comportamentos distintos como resultado de problemas psicológicos”.
A verdade é que o senso comum já diz tudo: um homem que veste a cueca por cima da calça não pode ser normal.
A dra. Robin Rosenberg é fissurada no tema e a psicologia de heróis e personagens populares é seu assunto favorito. Ela é autora e editora de uma série a respeito do tema em parceria com a editora da Universidade de Oxford e já escreveu, por exemplo, “A Psicologia da Garota com a Tatuagem de Dragão”.

2012/07/09

VOCÊ TEM MEDO DE QUÊ?

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 08:59

Medo de altura, de escuro, de avião, de lugar fechado são fobias tradicionais. Comprovadas, não são motivo de chacota, mas de discussões sérias e “psicologizações”. Ninguém tira o sarro de uma pessoa que tem pavor de entrar num elevador, por exemplo. Ou de alguém que não gosta de lugares com muita gente.
Os alvos frequentes das piadinhas são os que têm medo de palhaço ou de anão. Esses sofrem.
O fato é que todo mundo tem medo de alguma coisa. Pode ser da morte ou da barata voadora.
“Você tem medo de quê?”. Essa é a tradução para o português do livro do inglês Tim Lihoreau chamado “Fobias Modernas”. Tim é colaborador dos jornais “The Independent” e do “Daily Telegrah”.
A publicação não é exatamente uma novidade – foi lançada em 2006 – mas é muito curiosa porque nos faz perceber como a mente humana pode ser desequilibrada e perigosa.
Fronsofobia, versurfobia, rusmusofobia, nimitempofobia, arcafobia, ilenomofobia, paremusofobia, forlatrifobia, abcelofobia, amipartofobia, bulifobia, ilerogofobia, antefamafobia e outras que dão até medo são algumas das fobias descritas no livro.
O autor reconhece que ele tem os sintomas de várias delas. A primeira a se manifestar foi a “Fronsofobia” (medo de preparar chá). No prefácio ele conta que se lembra vividamente da ocasião: um Natal de 1977 em que ele foi convocado para preparar um chá para três tias, um tio, dois vizinhos, seus pais e alguns agregados.
Abaixo algumas fobias estranhas, porém reais:

“Fucuphobia”: medo de operadoras de caixa maquiadas
“Genviafobia”: medo de pesquisadores de rua
“Holusofobia”: medo de vegetais
“Insistofobia”: medo de estacionar (geralmente prefere o transporte público)
“Invimedicofobia”: medo de ir ao médico (mais comum entre homens)
“Hebdomofobia”: medo dos domingos à noite
“Antefamafobia”: medo de que estejam falando mal de você
“Rusmusofobia”: medo de música sertaneja
“Agmenofobia”: medo de que a fila em que você está ande mais devagar do que a outra

Sofro de uma forte “hebdomofobia”. E vocês?

2012/07/08

NO FUNDO, UM PADRE DE SUNGA

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 10:48

Um dos assuntos de maior repercussão da semana foi o fim do casamento de Tom Cruise. Menos pela separação e mais pelo fator motivador: a religião do galã.
Katie Holmes estaria de saco cheio – e com medo, dizem – da ligação dele com a seita.
Agora aparece mais uma personagem para reforçar a ideia de que Tom Cruise não bate muito bem da cabeça: sua ex-agente Eileen Berlin conta ao jornal “The Daily Mail” que sabia desde o início que a relação com Katie Holmes estava fadada ao fracasso. E revela também algumas bizarrices.
Eileen quebrou o silêncio pela primeira vez desde que assinou contrato com o ator (então com 18 anos) e tornou-se sua mãe substituta e mentora quando ele estava no ápice da fama.
Segundo Eileen, tudo é culpa da raiva contida de Tom, motivada por uma infância problemática e três casamentos desfeitos.
Na infância, o astro – batizado como Thomas Cruise Mapother IV – sofria de dislexia, era alvo de bullying, apanhava do pai e depois foi abandonado por ele. Aos 15 anos entrou para o seminário e tinha a intenção de tornar-se padre.
Carregando um violão e uma mochila de lã entre seus poucos pertences, Tom Cruise mudou-se para o apartamento de sua agente em Manhattan onde morou por três meses.
Em 1981 ele assinou seu primeiro contrato cinematográfico para atuar em “Taps”.
“Quando eu o encontrei ele já tinha decidido a se tornar um astro. Ele queria ser tratado assim e já agia como tal. Ele costumava andar só de sunga pela minha casa. Eu tinha uma parede de espelhos e via que ele ficava se olhando, flexionando o bíceps e se admirando. Eu ficava um pouco constrangida, mas ele gostava de mostrar o corpo. Tinha muito orgulho disso”, revela Eileen.
Apesar de temperamental, o inquilino também tinha um lado encantador. “Ele era doce, respeitoso e sempre se referia a mim como ‘ma’am’ e ao meu marido como ‘sir’. Mas ele era reservado, não era capaz de demonstrar verdadeiramente seus sentimentos. Você podia tentar se aproximar, mas ele se fechava. Tenho certeza de que suas ex-mulheres tiveram de conviver com essa barreira”.
Segundo ela, Tom era capaz de canalizar sua raiva para os personagens. Para “Taps” ele se trancou num armário. “Disse que precisava pensar em alguém estuprando a irmã antes de filmar a cena em que ele dava um tiro”.
“Uma vez meu marido e eu o levamos para almoçar num dos intervalos das filmagens e uma garçonete perguntou se ele era um dos atores. Tom disse a nós: ‘Por favor, diga a ela para não me fazer questões. Ainda estou dentro do personagem’”.
Outra vez a chapa esquentou quando Eileen deu a ele um presente de aniversário – um álbum em que ela colou fotos dele em diversas revistas. “Ele gritou: ‘Não gostaria de estar em revistas de adolescentes’. E atirou o álbum na minha cara”.
“A mãe dele pediu que ele saísse de casa. Acho que é porque ele tinha um problema com bebida na adolescência”, conta Eileen. “Ela se casou novamente e ele alimentou muita raiva e ressentimento pelo pai, que o abandonou junto com suas três irmãs”, diz Eileen.
“Toda vez que eu o via ele estava acompanhado de uma garota, mas nunca o vi com a mesma menina duas vezes.  É como se ele quisesse provar que ele era desejado – ou talvez quisesse sentir-se amado”.
Eileen conta que não ficou chocada quando Katie terminou com ele. “Fiquei surpresa por ter durado tanto. Aliás, fiquei boquiaberta quando ele se casou pela primeira vez, com Mimi Rogers, e depois com Nicole Kidman. Tom era temperamental e ficava nervoso com um estalar de dedos. Era como algo que estava sendo cozido em fogo lento e a qualquer hora ferveria e explodiria”.
A relação profissional de Eillen e Tom terminou em 1983, mas eles mantiveram contato durante algum tempo. Durante um jantar ele mencionou a Igreja da Cientologia e creditou a ela o fato de ter superado seus problemas de adolescência.
Depois disso, Eileen conta que passou a receber convites para participar de eventos na igreja.
“Acho que Tom era o perfeito candidato para a Cientologia. Não acreditava em terapia, mas obviamente precisava dela. Ele não era capaz de se relacionar. O mundo o vê como um cara bonito e que vale milhões de dólares. Eu o vejo apenas como um menino”.

2012/06/26

O FATOR ARGH

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 09:11

A cozinha do futuro estará mais para Flintstones do que para Jetsons.
É o que prevê um artigo do sempre novidadeiro site “Slate”.
Cerca de 200 anos atrás muitos americanos consideravam a lagosta algo sujo e pouco apropriado para o consumo de gente civilizada. Frequentemente usado como fertilizante, o crustáceo era comum na mesa dos pobres. Em algumas colônias, inclusive, a lagosta era assunto de leis – uma delas proibia que ela fosse servida mais de uma vez na semana aos prisioneiros porque se tratava de um tratamento “cruel e incomum”.
Hoje a lagosta é tida como uma iguaria suprema pelos apreciadores da alta gastronomia.
“Estou contando essa história da lagosta porque é um ótimo exemplo do triunfo do fator nojo”, escreve Bee Wilson, autor do artigo “Por que você deve amar tacos de gafanhotos e massa com alga – De que forma superar o fator nojo ajudará a salvar o mundo”.
Muito do que se fala sobre a resolução da crise de alimentos causada pelo aumento da população, pelo esgotamento de recursos e pelo aquecimento do planeta concentra-se em tecnologia, redução de desperdício e a melhora dos métodos de distribuição. Mas, segundo o autor, “urgência igual precisa ser dedicada à ampliação de nosso apetite”.
Bee Wilson diz que duas fontes de comida podem ter um papel fundamental não só na alimentação dos 2,5 bilhões de humanos extras esperados para 2050 como no quesito sustentabilidade: insetos e algas marinhas.
“Com exceção do mel (vômito de abelha)”, diz Bee Wilson, os insetos sempre são personagens do que ele chama de “bug-food phobia” (algo como medo de comida com insetos).
Mas esse preconceito está começando a mudar lentamente. Há um crescente número de pessoas reconhecendo o valor proteico deles. Muitos insetos poderiam até ser chamados de “supercomida”: ricos em proteína, pobres em gordura e colesterol, cheios de vitaminas essenciais e minerais como cálcio e ferro.
“Eles têm a mesma quantidade de proteína do que carne de vaca ou porco. Uma porção de 100 gramas de gafanhoto tem 20,6 gramas de proteína – apenas 7 gramas a menos do que a mesma quantidade de carne de vaca”, diz o artigo.
“Se a quantidade de proteínas não te move a experimentar um gafanhoto grelhado, considere isso: os insetos usam uma fração mínima de água e terra se comparados à criação animal. Além disso, são amigos do clima”.
Quem se anima?

Leiam o artigo completo AQUI

2012/06/25

REGIME DE GUERRA

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 08:33

A medalha de ouro pode ser dúvida. Garantia mesmo é a rotina disciplinada de treinos dos atletas que estão na reta final de preparação para as Olimpíadas de Londres, que acontece daqui um mês.
Tão correta quanto os treinamentos pesados é a alimentação desses superhomens e supermulheres.
Uma matéria do jornal britânico “The Daily Mail” mostra, por meio de fotos, a rotina alimentar de alguns atletas da delegação turca – a maior até hoje, com 85 competidores.
Mais interessante do que enxergar detalhadamente o que eles comem é perceber que 3 mil calorias – a média consumida por cada um deles diariamente – é coisa pra caramba.
“A estrada para os jogos é pavimentada com uma grande quantidade de alimentos ricos em proteínas e carboidratos”, diz a reportagem.
Fatih Avan, atleta turco do arremesso de dardos, diz que é cuidadoso com o que coloca no estômago durante os treinos.
“Posso me tornar um atleta de elite pelas minhas boas performances, mas só posso ser um atleta sensacional se eu ganhar a medalha de ouro”.
Fatih, de 23 anos, complementa sua rigorosa rotina de treinos com um programa nutricional em que consome 3.500 calorias – a maioria formada por alimentos ricos em proteína.
“Uma boa dieta é essencial para o poder. Uma correta e consistente dieta prova seu valor durante o treinamento”, conta o atleta.
Bahri Tanrikulu, lutador de taekwondo três vezes ganhador da medalha de prata olímpica, além da ingestão de 3 mil calorias, apela para o consumo de suplementos vitamínicos que melhoram a performance.
“Se eu não tomasse esses suplementos, teria de comer quilos de carne e dúzias de frutas para dar conta da minha necessidade diária de proteínas e vitaminas. Passaria o dia comendo, e não treinando”, revela Bahri.
Nur Tatar, de 22 anos, também atleta do taekwondo, luta para reduzir seu consumo diário para 1.500 calorias. Isso porque ela precisa atingir o peso certo para concorrer na categoria em que está inscrita.
O campeão mundial de levantamento de peso Mete Binay, de 27 anos, consome 3.500 calorias. Ele bebe pelo menos dois copos de leite por dia, mas sua dieta é composta basicamente de carne vermelha e alimentos orgânicos. Ele nunca pula o café da manhã e se dá o prazer de comer sobremesa todos os dias. Apesar dos cuidados, também toma suplementos vitamínicos.
Elif Jale Yesilirmak, levantadora de peso, tem uma dieta de 3 mil calorias, mas com algumas diferenças. “Em vez de carne vermelha eu geralmente como salmão. Acho que peixe é mais saudável e nutritivo. E água, muita água. Bebo, no mínimo, cinco litros diariamente”, diz ela.
E claro, antidoping neles!

Confiram as fotos AQUI

2012/06/22

TUDO O QUE NÃO FOI DITO

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 11:04

O livro dos sonhos dos praticantes de happy hour já existe: “Drink As Much As You Want And Live Longer: The Intelligent Person’s Guide to Healthy Drinking” (“Beba o quanto você quiser e viva mais: O guia inteligente para a bebedeira saudável”).
Em tudo, parece livro de humor, mas não é.
Do site da “Amazon”: “Parece que tudo o que fazemos hoje em dia é um prelúdio para o problema. Não fume ou seus pulmões serão infestados por pontos cancerígenos. Não coma sua comida preferida ou suas artérias ficarão duras. Nem vamos mencionar as drogas recreativas. Mas há algo que sobra. Você pode beber. Sim, bebida alcoólica. Uma caninha. Um destilado. E você pode beber o quanto quiser”.
Escrito pelo nutricionista Frederick Beyerlein, foi lançado há 13 anos.
Segundo o autor, o objetivo não é incentivar ninguém a encher a cara, mas ensinar como isso deve ser feito de forma correta. E compara a preparação para a bebedeira à preparação de um boxeador ou a um tratamento médico.
“Tudo o que é feito quando um cara muito bêbado chega ao hospital é colocarem um band-aid. Então um médico ou um assistente social chega e diz a ele: ‘Ei, você tem que parar de beber. Eles realmente acham que o cara vai parar. Claro que a pessoa continua e depois volta ao hospital com outros problemas. Então vi esse assunto sob um ponto de vista nutricional e pensei: ‘Por que focamos sempre na abstinência? Por que nos preocupamos se o cara bebe ou não? Nunca nos preocupamos com o cara que deita no sol. Apenas dizemos: ‘Use protetor solar. Proteja-se’. Como podemos olhar para a bebida e minimizar os riscos para quem bebe?”.
Frederick ajuda o leitor a identificar que tipo de bebedor é; ensina a preparar o corpo para a bebedeira; recomenda comidas que devem ser evitadas e suplementos para ajudar o corpo a repor o que perdeu; explica como o álcool pode prevenir ataque cardíaco e derrames; como prevenir a barriga e ainda continuar tomando cerveja; dá dicas e destrói mitos.
“Um mito comum é que não se deve misturar tipos de álcool. Total nonsense. Se você toma cerveja ou rum o corpo identifica tudo como álcool”, diz Frederick.
Outro mito desfeito é o da pança de cerveja. Segundo ele, a barriga não é causada pela bebida, mas pela quantidade de porcarias consumidas junto com o álcool.
No prefácio, uma frase do jornalista inglês Walter Bagehot: “O maior prazer da vida é fazer o que as pessoas dizem para você não fazer”.

2012/06/19

O PREÇO DE UM SUTIÃ

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 09:22

Maldita a hora em que as mulheres resolveram queimar os sutiãs. Depois desse dia todas nós passamos a pagar o preço da infeliz ideia. Além de conquistarmos o direito de trabalhar fora de casa ganhamos o acúmulo de todas as outras tarefas, como a maternidade, os cuidados com a beleza, os compromissos sociais, financeiros e, claro, a carreira profissional.
O resultado é que os homens têm ocupado – com muito gosto – o posto deixado vago por nós.
“Is Dad the New Mom? The Rise of Stay-At-Home Fathers” (“O Pai é a Nova Mãe? O Aumento do Número de Pais que Ficam em Casa”) é o título de uma matéria que foi ao ar na “ABC News” e que foi publicada pelo site “Yahoo! News”.
De acordo com o mais recente “Census” feito nos Estados Unidos, apesar de ainda serem exceção, o número de pais que ficam em casa triplicou nos últimos dez anos. Eles já estão sendo chamados de “pais-troféu”.
A reportagem mostra a vida da advogada Erica Howard-Potter, do marido Jake Howard-Potter, e da filha Skyler, de 2 anos.
Todos os dias Jake cuida de todas as tarefas envolvendo a filha e se declara um pai muito orgulhoso. Apesar disso, é comum receber olhares críticos – inclusive de membros da família.
A matéria diz ainda que de acordo com um estudo recente, as mulheres têm ocupado postos de trabalho cada vez mais altos e que o salário nesse caso é maior do que o de homens.
Eles confirmam a informação. A maioria dos pais entrevistados diz que tinha um salário menor do que o da esposa quando decidiu pela vida doméstica.
Mas os maridos não ficam apenas esfriando a barriga no tanque e esquentando no fogão. Criaram até uma associação para discutir esportes, política e troca de fraldas: o “NYC Dads Group” (“Grupo dos Pais de Nova York”).
Outro entrevistado, Greg Jobson Larkin, trabalhou na Marinha por 12 anos e atualmente cuida dos quatro filhos enquanto sua mulher é CEO de uma grande companhia.
“Meus parentes acham que eu sou um vagabundo, mas estou bem. Já trabalhei, tive uma carreira. Hoje continuo trabalhando”, conta ele.
O marido de Erica fala que se sente um “sortudo” e um “privilegiado”. “Não vejo isso como um desafio, mas como uma oportunidade”, diz ele. Erica aprova: “Fico muito agradecida. O que ele fornece para a nossa filha não tem preço”.
Atenção, mulheres, não vamos queimar mais nada. Só o arroz.

2012/06/16

NOSSOS FILHOS AINDA SÃO OS MESMOS

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 09:00

Apesar da evolução tecnológica, dos avanços da Ciência e de tudo o que inventam para facilitar nossa existência na Terra, nossos grandes problemas não evoluíram: drogas, aborto, celibato… Além de continuarem os mesmos, recorremos a soluções do passado na tentativa de resolvê-los.
Queimar pessoas na fogueira é um hábito que parece ter sido deixado de lado, mas outra prática comum na Idade Média continua ativa: abandonar um recém-nascido nas chamadas “caixas para bebês” – com a garantia do anonimato.
A Alemanha foi o primeiro país da Europa a tirar a ideia das telas do cinema instalando a “babyklappe” numa instituição em Hamburgo. Depois disso, a prática se espalhou aos poucos entre os outros dez membros a União Europeia.
Cerca de 400 bebês abandonados depois, a ONU começa a dar sinais de preocupação.
Nesta semana, durante a reunião do Comitê de Direitos das Crianças das Nações Unidas, uma das psicólogas da organização, Maria Herczog, disse ao site da revista “Time”: “Esta é definitivamente uma prática crescente na Europa. Muitas instituições têm usado isso como uma maneira barata e populista para resolver a questão do abandono de crianças”.
Maria tem razão. Por volta de 200 caixas já podem ser encontradas em igrejas, prefeituras e outras instituições de cidades da Áustria, República Tcheca, Suíça e Polônia.
Elas são fixadas na parede e têm uma abertura de vidro transparente. Dentro, um colchão, uma câmera e um alarme que deve ser acionado pela pessoa que coloca o recém-nascido. Uma vez virado para dentro, o mecanismo não pode ser mais acionado. O alarme avisa o hospital mais próximo sobre a presença de um bebê à espera de socorro.
Os defensores das “caixas para bebês” argumentam que elas ajudam a prevenir o infanticídio protegendo as crianças. Já os críticos da ideia dizem que elas não têm nenhum impacto sobre as taxas de infanticídio.
A matéria da “Time” informa que entre 30 e 40 bebês morrem todos os anos na Alemanha vítimas do abandono. Segundo a “StemiPark”, a instituição em Hamburgo que já conta com três caixas, são esses também os números de bebês que foram deixados nas caixas.
Em janeiro deste ano a Rússia também implantou suas caixas – lá elas têm a aparência de uma porta de forno. As três primeiras foram instaladas nas cidades de Sochi, Novorossiysk e Armavir.
A iniciativa russa, no entanto, espelhou-se não nas da Europa, mas da África do Sul.
O futuro dos bebês varia de acordo com o país, mas na maioria deles os pais têm até oito semanas para voltar atrás. A identificação da mãe ou do pai é feita através das digitais colhidas na criança assim que ela é retirada da caixa.
Na Suíça, o prazo de arrependimento pode ser estendido em até dois anos. Neste período, a criança permanece sob a tutela do Estado e depois é submetida à adoção.
Sem dúvidas, estamos diante de um problemão. Live and let die? Já pensaram se a moda pega na China? No Brasil? Vai faltar espaço – e dinheiro do Estado. Não é à toa que a ONU está com dores de cabeça.
As “caixas para bebês” têm origem nos tempos medievais da Itália onde as “rodas do abandono” eram comuns.

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