O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2012/08/31

POR QUE SERRA VAI PERDER AS ELEIÇÕES

Filed under: Matutando — trezende @ 09:45

De um dia para o outro as pesquisas mostram uma triste realidade para quem gostaria que a experiência vencesse o populismo.
Russomano segue como líder isolado do campeonato, mas Fernando Haddad está encostando cada vez mais em Serra na disputa pelo segundo lugar à prefeitura de São Paulo.
O que acontece agora com Serra é um déja-vù da campanha de 2008, cujos primeiros colocados eram Marta Suplicy, Alckmin e Kassab.
Enquanto Marta fazia coral com os favelados cantando o jingle “Carrega na catraca”, Alckmin aparecia com os cabelos penteados como se tivesse acabado de sair do banho. Sentado numa poltrona de couro e cercado por retratos de família, discorria, em tom professoral, sobre a importância de Medicina em sua vida e a experiência como jovem prefeito de Pindamonhangaba. E Marta lá na periferia, no meio do povo, com o salto na lama e as veias do pescoço estufadas cantando: “Pra gastar menos tempo, pra gastar menos dinheiro. Pega o bilhete e… Carrega na catraca! Carrega na catraca! Carrega na catraca!”.
Resultado: Alckmin não foi nem para o segundo turno.
Se restava alguma dúvida para os marqueteiros, o recado da população foi bem claro. Ao eleitor brasileiro não interessa se o candidato tem uma família feliz, é casado, divorciado ou escorrega no quiabo – aliás, a insinuação de Marta sobre a orientação sexual de Kassab custou-lhe a derrota no segundo turno.
O eleitor só quer saber de soluções práticas para sua vidinha casa-trabalho-casa.
Desta vez a história se repete – ao que parece, os marqueteiros do PSDB ainda não captaram a mensagem.
Com o mesmo tom de voz de Alckmin e com o mesmo (resto de) cabelo engomado, Serra promete um curso de cuidadores de idosos.
Avisa lá, avisa lá, avisa lá que o povo quer que o idoso se exploda. No ônibus, após carregar na catraca, o cidadão toma seu lugar no “Assento Preferencial” e não há idoso que o retire de lá.
Infelizmente, apesar de ser um candidato sério e de ter deixado saudades como Ministro da Saúde, Serra não chegará nem ao segundo turno. Falta-lhe discurso populista, veia do pescoço estufada e, claro, um bom marketing político.
Até Haddad – ainda pouco conhecido pelo povão – vem com uma promessa que está fazendo os olhos do povão brilharem: o bilhete único mensal. “Com o mesmo cartão vai poder fazer quantas viagens quiser durante o mês inteiro”, diz ele. E Dilma ainda nem entrou na campanha.
Enquanto isso, Russomano segue com a fórmula que deu certo até hoje: a carreira como defensor dos direitos do consumidor. Será praticamente impossível tirarem essa dele.
Aguardem e confiem.

2012/08/30

RISO NERVOSO

Filed under: Cri-crítica — trezende @ 09:44

Mesmo sem ser convidado, Sacha Baron Cohen apareceu no tapete vermelho da cerimônia do Oscar este ano para divulgar seu mais recente filme, “O Ditador”. Vestido a caráter, ele derramou as supostas cinzas do coreano Kim Jong-il em cima de um dos repórteres que fazia a transmissão e foi retirado às pressas pelos seguranças.
Nenhuma novidade para quem conhece Sacha Baron Cohen, o ator, humorista e comediante inglês cujas principais armas são o choque e a ironia. Desta vez não é diferente.
Sacha vive Aladeen, um ditador da República de Wadiya, no Oriente Médio, que atrai a atenção internacional quando seu programa nuclear de armas é descoberto. Aladeen vai para os Estados Unidos para discursar em uma assembleia da ONU e defender a soberania de seu país. Um dos grandes pontos de discussão entre o ditador e o cientista encarregado da construção da bomba é a forma do artefato. Aladeen quer que ele tenha a extremidade pontuda e não arredondada. Teme que seus inimigos achem que ele mandou um vibrador gigante – e não uma bomba.
A diferença de Aladeen para os ditadores que servem de inspiração para Sacha é que ele quase se rende à América. Além de tentar o suicídio numa ponte em Nova York calçado num par de “Crocs”, ele se apaixona por Zoey (Anna Faris, de “Qual Seu Número?”), uma ativista política, vegetariana, feminista e dona de uma loja de produtos orgânicos. Zoey é tão riponga que os pelos de suas axilas são praticamente uma selva. Aladeen a chama de “Hairy Potter”.
“O Ditador” não é tão surpreendente quanto “Borat”  e não tão escatológico e constrangedor quanto “Bruno”. Não provoca exatamente gargalhadas, mas um riso tenso porque Sacha continua associando humor politicamente incorreto e escatologia.
Ele encontrou um meio-termo ao misturar momentos infantis – como o parto que ajuda a fazer ou o degolamento de um defunto para roubar-lhe a barba – com outros que são ininteligíveis para boa parte da plateia – como o discurso sobre a Democracia.
O que nos conquista é a inteligência e a sonsice de Sacha Baron Cohen, capaz de comparações do tipo: “Mulheres que estudam são como macacos de patins: ambos não servem para nada, mas são adoráveis”.
Destaque para as versões de músicas americanas (como “Everybody Hurts”).

2012/08/29

UMA GÊNIA INCOMPREENDIDA

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 08:38

Essa com certeza vai para a lista do balanço 2012 sob o item “Miopia do ano”.
Aconteceu na semana passada: Cecilia Gimenez, de 81 anos, conseguiu um milagre mais impressionante do que tornar água em vinho. Ela transformou Jesus em Chewbacca.
O feito aconteceu no santuário de Nossa Senhora da Misericórdia, em Borja, cidade próxima à Zaragoza, na Espanha.
Cecília fez de “Ecce Homo” – afresco pintado num dos muros da igreja no início do século 19 por Elías García Martínez – uma obra mais famosa do que a “Monalisa”.
Autoridades em Borja disseram que inicialmente pensaram que se tratava de vandalismo, mas depois descobriram que a “restauração” havia sido feita pela velhinha.
Cecília se defende dizendo que o padre sabia e todos que passavam viam seu trabalho. Mais: que não foi a primeira vez que mexeu na pintura. Segundo a neta da “pintora”, ela já havia “consertado” alguns problemas na túnica de Jesus, mas “o problema foi que desta vez ela mexeu no rosto”, disse a neta.
Apesar das boas intenções, Cecilia poderia usar seu talento para, no máximo, pintar panos de prato e capas de liquidificador.
Em poucos dias a intervenção atraiu milhares de visitantes ao santuário, que se espremeram para tirar fotos junto à pintura.
Uma equipe de restauradores está no local para avaliar o tamanho do estrago e o que (ainda) pode ser feito.
O episódio, claro, virou motivo de piada na Internet. Ganhou versões “Cristo Redentor”, “Monalisa” e “O Grito”, de Edward Munch.
Há um site, o “Cecilia Prize”, que permite que os usuários façam suas próprias versões de qualquer obra ou foto à la Cecilia.
Agora o site “Buzzfeed” publicou uma maravilha: 25 paródias à “pintura” de Cecilia. Vale a pena conferir.

Visitem o site AQUI

2012/08/28

O MUNDO GIRA, A FILA ANDA

Filed under: Cri-crítica — trezende @ 09:18

Aos poucos estamos superando nosso complexo de vira-lata. Não em relação à Educação, Política, Relações Internacionais ou Saúde, mas no que exige talento para além das quatro linhas do gramado.
Nossa estreia em telas estrangeiras foi com Sônia Braga, mas o sentimento de “eu existo” veio à tona quando Fernanda Montenegro foi indicada ao Oscar de melhor atriz por “Central do Brasil”. Depois passamos a viver uma alegria atrás da outra ao entrarmos no cinema e darmos de cara com Rodrigo Santoro – desde a participação em que entrou mudo e saiu calado em “As Panteras” até o “semi-protagonismo” em “I Love You Phillip Morris”. E Alice Braga rasgando seu inglês com Will Smith?
À exceção de palhaçadas lamentáveis, como os filmes de Bruno Mazzeo, de uma maneira geral nosso cinema está de dar orgulho – mesmo quando a produção não é exatamente nacional. Caso desse “360”, de Fernando Meirelles. Um filmaço.
Modesto, Meirelles disse numa entrevista que o crédito é “80% do Peter Morgan, 3% da peça” e o resto é dele. Peter, o roteirista, também trabalhou em “A Rainha”, “Frost/Nixon” e “O Último Rei da Escócia”.
Inspirado numa peça do dramaturgo austríaco Arthur Schnitlzer, “360” é uma reunião de diversas histórias sobre relacionamentos amorosos. Mais do que isso: é um filme sobre superação e força de vontade. Sofisticado. Sério.
Cada personagem vive um turbilhão de emoções, mas é tudo contido, velado. Não há afetação. Há interpretação – e de um elenco estelar: Anthony Hopkins, Jude Law e Rachel Weisz. Correndo por fora, Juliano Cazarré – o Adauto de “Avenida Brasil” – exibindo um inglês invejável (natural e sem sotaque).
Escrevendo sobre “360”, um desses críticos que se acham o dono da verdade colocou o seguinte título: “Vá ver filme brasileiro, mas não me convide”.
Além de preconceito no pior grau, o tal crítico revela alto nível de desinformação. “360” não é um filme brasileiro, mas anglo-franco-austríaco.
Falado em inglês, alemão, árabe, francês, russo e português e filmado em cinco países, o filme de Meirelles era forte candidato a virar uma babel, mas é música para os olhos e ouvidos.

2012/08/27

O SANTO MAIS OCUPADO DO MUNDO

Filed under: Diário de bordo — trezende @ 09:00

Quatro municípios compõem a ilha de São Luís do Maranhão: Paço do Lumiar, Raposa, a capital, São Luís, e São José de Ribamar.
São José de Ribamar é a terceira cidade mais populosa do Estado – perde para São Luís e para Imperatriz – e é o destino de inúmeros devotos do padroeiro do Maranhão que empresta o nome ao município.
Praticamente todos os filhos da terra levam José ou Maria de Ribamar no nome.
A cidade só pensa “naquilo”: no padroeiro. Coitado, esse deve trabalhar muito para dar conta de tanto descaso.
A preparação para o Festejo 2012 – que acontece entre 31 de agosto e 9 de setembro – está a todo vapor. As barraquinhas e as bandeirinhas coloridas já estão instaladas. Nessa época, a cidade chega a receber mais de 300 mil visitantes por dia.
Além da Basílica de São José, há uma réplica da gruta de Lourdes, uma concha acústica em forma de Bíblia aberta usada em eventos como missas campais e uma espécie de presépio a céu aberto, “As 8 Estações de São José”, que mostra a vida do santo nos mesmos moldes da via crúcis de Aleijadinho, em Congonhas (MG).
Mas o que mais chama a atenção na cidade é a estátua gigante do santo, a 4ª maior do país – atrás do Cristo Redentor, do Padre Cícero e de São Francisco de Canindé.
A estátua tem mais de 17 metros de altura e está acompanhada de um Menino Jesus de 12 metros. A obra é do artista goiano Sinval Veloso.
Não muito distante de toda essa agitação religiosa está a cidade de Raposa. Fundada por pescadores cearenses, é supertranquila e oferece paisagens belíssimas.
Num dos passeios, o barco navega por um dos braços de mar e leva os turistas à deserta Praia de Carimã, na Ilha de Curupu. É na ponta de Curupu que está localizada a mansão de outro Ribamar, José Ribamar Ferreira Araújo da Costa Sarney. Sarney, para os chegados.
Em contraste com as belezas naturais – que misturam mar, dunas e igarapés – está a rua principal da cidade, por onde circulam de forma caótica motos, bicicletas, ônibus e pessoas.
No trânsito, um comentário frequente entre os ludovicenses (os nativos de São Luís) quando estão na traseira de um mau motorista é: “Esse deve ser do Piauí. Não sabe se dirige ou se abana”.
Na rua principal de Raposa também estão as lojinhas e as moradias (sobre palafitas) das mulheres que fazem artesanato de renda de bilro.
Portanto, quem for ao Maranhão já sabe: vá pagar os pecados em São José de Ribamar, espreguiçar-se em Raposa, exercitar-se nos Lençóis e até caçar fantasmas em Alcântara. O importante é passar longe de São Luís.

Vejam fotos AQUI

2012/08/26

CIDADE FANTASMA

Filed under: Diário de bordo — trezende @ 09:03

Nas proximidades de São Luís, há duas cidades interessantes e com perfis praticamente opostos que também merecem uma visita: Alcântara e São José de Ribamar.
Na primeira localiza-se o “Centro de Lançamento de Alcântara”, uma base de lançamento de foguetes da Força Aérea Brasileira.
A base é considerada uma das melhores do mundo pela sua localização geográfica – apenas dois graus da linha do Equador.
O local é objeto de desejo até da Nasa porque, entre outras vantagens, a velocidade de rotação da Terra naquele ponto faz com que o consumo de combustível no lançamento seja menor em comparação a outras bases.
Os guias turísticos fazem questão de frisar que não é possível avistar nem tampouco aproximar-se da base porque “apontam até fuzil”.
Pode-se, no máximo, visitar a “Casa de Cultura Aeroespacial”, que fica numa pracinha em frente à Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos.
Há dois caminhos para Alcântara. Um por terra – em que a viagem dura entre 8 e 9 horas –, e o mais comum, por barco, com saídas pela manhã do terminal hidroviário próximo ao centro histórico de São Luís.
Tanto a ida quanto a volta dependem das condições da maré. Como o Estado está a poucos graus da linha do Equador, a maré chega a variar sete, oito metros, entre o período de cheia e o de seca. É um fenômeno impressionante.
Há dois horários: às 7h e às 8h40. Perdeu, dançou.
São apenas 22 km, mas o percurso dura uma hora e meia. Enquanto o barco desliza a 10km/h os turistas paulistanos exercitam a meditação zen-budista e a paciência.
Na chegada ao píer de Alcântara, são os pássaros guarás quem dão as boas-vindas. Lindos, vermelhíssimos e com as pontas das asas pretas. Com sorte, é possível avistar um golfinho e um peixe curiosíssimo, com quatro olhos. Dois ficam acima e dois abaixo da linha da água, o que permite a ele a visão aérea e aquática simultânea para escapar de predadores. Eles são conhecidos pelo povo de lá como “tralhotos”.
Além da base espacial, Alcântara tem um sítio arqueológico e histórico valioso, mas absolutamente abandonado.
Ainda que cinematográfica, a sensação é que Alcântara é uma cidade fantasma. Tem-se a impressão de que o lugar foi vítima de um terremoto ou da erupção de um vulcão.
Não há uma alma viva pelas ruas. É preciso esticar o pescoço para dentro das janelas das casas para encontrar os moradores – geralmente deitados em redes, assistindo TV ou dormindo (em plena segunda-feira solar).
As poucas casas que parecem produzir algo na cidade são as das costureiras e as das doceiras, que vendem o “doce de espécie”. O doce lembra um bombocado e é feito com uma massa bem fina e coco.
A igreja matriz de São Matias – localizada na imensa praça Gomes de Castro – é apenas uma ruína. O guia informa que a fachada foi o que sobrou de um raio que caiu sobre a igreja em 1901.
Alcântara deve ter sido um lugar lindo no passado. Bucólico, cheio de casarões de endinheirados franceses e portugueses, ladeiras, temperatura e paisagem agradáveis. É para se lamentar tanto descaso.

Amanhã, no último capítulo, São José de Ribamar

Confiram fotos AQUI

2012/08/25

PREGUICINHA

Filed under: Diário de bordo — trezende @ 09:44

Barreirinhas é uma espécie de remédio dois em um. É o lugar perfeito para descansar as vistas das mazelas de São Luís e encher as retinas novamente com as belezas naturais da região dos Lençóis Maranhenses.
Tão brejeiro quanto o nome da cidade é o lugar, localizado a quatro horas da capital. A estrada, bem conservada, é praticamente uma reta só, mas pontuada por lombadas. Talvez o nome do município tenha vindo daí: das inúmeras “barreirinhas” do caminho.
Nada que atrapalhe o sono.
Barreirinhas é uma cidade pobrezinha que (ainda) não explora os turistas.
É em torno do rio Preguiças que tudo acontece. É dele que a população tira seu sustento – seja através da pesca, dos empregos oferecidos por dois resorts às margens do rio ou dos passeios que exploram as belezas de seu curso e de suas margens.
O percurso que leva aos povoados de Mandacaru (onde está o Farol Preguiças, numa área da Marinha do Brasil), Caburé e Atins é uma maravilha. De vez em quando, entre os igarapés, surgem imensas dunas e pequenos povoados.
Só o passeio pelo rio Preguiças já vale a visita.
A entrada para o Parque Nacional dos Lençóis fica a cerca de 2 km de Barreirinhas, do outro lado do rio Preguiças. Portanto, é preciso atravessá-lo de balsa.
A maior aventura não é alcançar a cidade ou subir e descer as imensas dunas de areia. É chegar às dunas em jipões 4×4 cujas carrocerias recebem bancos e se transformam numa espécie de pau-de-arara turístico.
No trajeto, que deve durar cerca de uma hora, os veículos sacolejam por uma longa extensão dentro das trilhas de areia do Parque Nacional dos Lençóis. É preciso agarrar-se com força às barras na frente dos assentos sob o risco de ser jogado para fora do carro.
Como os veículos são proibidos de circularem pelas dunas, eles descarregam os turistas no pé de uma delas e o que prometia ser um passeio contemplativo revela-se um bom teste físico.
São necessárias panturilhas fortes e olhos bem abertos para admirar a beleza das dunas e das lagoas que se formam entre elas – neste ano, apenas duas por causa do baixo índice de chuvas.
Ao fim da caminhada, o brinde é assistir ao por do sol do alto de uma das dunas.
Só depois da experiência do dia passamos a entender o motivo de o rio ter recebido o nome de Preguiças.

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2012/08/24

SÓ JESUS SALVA

Filed under: Diário de bordo — trezende @ 08:32

Uns dizem que o centro histórico de São Luís é tombado pelo Patrimônio Histórico Estadual. Outros, pelo Federal. Na dúvida sobre quem seria o responsável pela conservação dos imóveis, parece que Estado e governo chegaram a um acordo de cavalheiros: o do deixa-que-eu-deixo.
O centro histórico está completamente abandonado. Não estamos falando do patrimônio de Itabiboca do Sul ou Cocalzinho do Norte, mas do da capital do Maranhão, terra de “senhozinho” e de sua família Roseana, Zequinha e tantos outros.
Casas em ruínas, matagal crescendo pela fachada das casas e sobrados, aroma de urina e fezes tomando conta de tudo, ruas desertas e povoadas por mendigos, “elementos” suspeitos e ratazanas atravessando o caminho dos turistas. Dos azulejos originais portugueses – considerados o símbolo da cidade – só sobraram meia dúzia para contar história.
Além do péssimo estado de conservação, do topo da igreja matriz de Nossa Senhora da Vitória sobe até mato.
O único prédio aparentemente bem cuidado é o Palácio dos Leões, a sede do governo. O restante está mais para Casa das Tulhas, uma espécie de mercado central com produtos típicos que lembra – no caos e no aspecto sombrio decorrente das lonas que cobrem os becos – o pavilhão de São Cristóvão, no Rio.
Na rua Portugal, a principal rua de comércio do século 19, está localizado um dos escritórios de informação turística. Num domingo, a agente que estava no local recomendava aos visitantes não permanecerem no centro sozinhos após a uma da tarde.
A rua do Giz está só o pó.
Alguns guias e mapas mantêm uma informação que pode ter sido verdadeira algum dia: a de que São Luís tem os títulos de “Atenas Brasileira”, “Cidade dos Azulejos” e “Capital Brasileira do Reggae”.
Se está longe de ser uma Atenas ou de ter azulejos suficientes para ser chamada de vila, o reggae definitivamente não é um ritmo ouvido por lá. O povo só quer saber de “eu quero tchu, eu quero tchá, eu quero tchu tchá, tchu, tchá…”.
Em lugares mais afastados do centro a situação não é muito diferente. Na avenida Litorânea – motivo de orgulho para os habitantes porque conta com uma orla com quiosques e restaurantes “de luxo” – o lixo e o cheiro do esgoto a céu aberto chamam a atenção.
Enquanto isso, “senhozinho” descansa em sua mansão na Ilha de Curupu.
Será que a Água Sanitária Jesus (R$ 1,18) dá jeito?
Quem tiver curiosidade de conhecer São Luís, vá logo. Antes que acabe.

Vejam as fotos AQUI

Leiam uma matéria sobre a tristeza AQUI

2012/08/15

PARA REFLETIR

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 08:33

Quando você se olha no espelho, o que realmente vê? O reflexo condiz com o que sente internamente? Ou você nunca parou para pensar nisso?
A série de fotos “Reflections”, do americano Tom Hussey, levanta a questão para quem ainda não se deu conta disso.
As imagens mostram senhoras e senhores – sozinhos ou cercados por alguém da família – em atividades cotidianas e com diferentes estilos de vida diante do espelho. Alguns com uma ponta de nostalgia, contemplativos, outros com um olhar mais sério ou triste.
Tom Hussey contou ao blog “NPR” que a inspiração para a série surgiu na casa do pai dele, a partir de um comentário de Gardner, um amigo da família veterano da 2a Guerra Mundial.
“Ele estava para completar 75 ou 80 anos. Estávamos sentados conversando e ele disse ‘Não posso acreditar. Eu ainda me sinto como se tivesse voltado da guerra, com meus 20 anos. Quando me olho no espelho, vejo essa cara e não me reconheço’”.
Tom quis capturar esse sentimento e pediu que Gardner posasse para uma foto. Para conseguir a versão dele mais jovem, Tom contratou um modelo muito parecido.
“As imagens provocam uma reação em todo mundo, em praticamente todas as culturas. Porque todos têm uma hora na vida em que pensam como estão naquele momento. Pode ser no dia do casamento, no dia da formatura ou nos tempos de colégio”, diz Tom.
“Eu meio que gosto de envelhecer. Só odeio que meus joelhos agora doem, mas o que vou fazer?”, reclama o fotógrafo, próximo dos 50 anos de idade.
Vencedora do prêmio “Communication Arts Photography Annual”, de 2010, a série foi vista por uma agência de publicidade, que contratou Tom para fazer a campanha do “Exelon Patch”, um medicamento para Alzheimer da “Novartis”.

Confiram as fotos AQUI

Nos próximos dias estarei offline. Novos posts a partir do dia 24/08. Até!

2012/08/14

22 CASAMENTOS E NENHUM FUNERAL

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 08:34

Eles são uma espécie de Ana Maria Braga e Marcelo Frisoni da Inglaterra. O casal Gant e Pelling decidiu se casar várias vezes e em lugares diferentes.
Em julho do ano passado Gant e Pelling demitiram-se de seus respectivos empregos para se dedicarem a algo mais interessante: casar-se em vários países para vivenciar culturas diferentes.
A meta era de 30 casamentos em um ano, mas como a dupla não conseguiu cumprir o objetivo – foram 22 cerimônias em 13 países –, vai estender o período de viagem para três anos. Eles planejam mais de 50 enlaces até 2014.
Em vez de presentes, eles pedem doações ao Unicef.
“Nós estamos no Chile no momento e nosso próximo destino é a Argentina para um casamento à meia-noite, dançando tango. Depois disso vamos para o Brasil, que é nosso destino final na América Latina”, diz Pelling ao site “The Huffington Post” via “Skype”.
Depois da América Latina, o casal voltará aos Estados Unidos para enlaces em Estados do sul e Nova York. De lá, eles seguem para a Europa, nordeste da África, Índia e China.
Para o casamento em ritmo portenho o casal conta com a ajuda de um fotógrafo, um cinegrafista e um instrutor de dança. “Mas ainda não temos o local. Vamos bater em várias portas e perguntar: ‘Podemos fazer um casamento aqui?’. Por enquanto não temos nem as roupas tradicionais nem a habilidade para dançar tango”, conta Pelling.
A jornada começou sem muito planejamento, no Canadá, onde o casal comprou um trailer velho para realizar as viagens. Como a grana é curta, eles contam com a bondade de vendedores locais para cumprirem o objetivo. Quando o vestido é muito relevante para determinada cultura, Gant empresta o vestido. Senão, casa-se com o tradicional branco.
Cada cerimônia tem um tema. Em Los Angeles o dia caiu bem no Halloween, então os dois vestiram-se como vampiros e casaram-se num bar com cerca de 50 convidados.
No interior do Canadá o “sim” foi em cima de um cavalo, na base de uma montanha. O cenário era lindo, mas os mosquitos, péssimos, dizem eles.
Apesar das inúmeras cerimônias, a dupla ainda não se casou oficialmente. Eles estão esperando o fim da viagem para escolherem o melhor local para legalizar a união.
Até o momento, o enlace preferido deles aconteceu no Peru, onde casaram-se sob as bênçãos de um xamã. “A cerimônia envolveu óleos aromáticos, música, fumaça. Foi muito intenso. Acho que todo mundo deveria se casar lá”, diz Pelling.

O casamento no México (acima) foi debaixo d´água

Vejam as fotos AQUI

2012/08/13

O FATOR SORTE

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 10:24

Superstições: todo mundo tem as suas.
Após a conquista do tricampeonato olímpico, o técnico de ouro Zé Roberto Guimarães revelou ao site “IG” que além de muita reza, tem uma história de sorte com corcundas. “Quando estava chegando à Vila Olímpica e fui passar no scanner, minha credencial não passou. Aí, olhei do lado e vi um corcunda. Pensei: ‘ a mesma coisa de Barcelona”. Em 1992, num jantar com o Amauri (um dos jogadores) e com as esposas, tinha um garçom corcunda. E aí, cheguei, fiquei batendo papo e quando botei as mãos nas costas dele, tem que fazer um desejo. Aqui, vi este rapaz corcunda, que era um dos voluntários e trabalhava no credenciamento, e vi que tinha que tocar nas costas dele também”, contou.
Até os astronautas têm as suas, como revela um artigo do site da “Wired”: “Peanuts, Blackjack and Pee: Strangest Space Mission Superstitions” (algo como “Amendoins, 21 (o jogo de cartas) e Pipi: As mais estranhas superstições das missões espaciais”.
O artigo enumera tradições de astronautas americanos e russos.
“Todos têm seus rituais e nós criamos valores para associar a eles. Durante uma fase, instituições adotam convenções morais para inserir pessoas no grupo ou definir a organização. Não acho que essas tradições foram criadas conscientemente com este propósito, mas as pessoas tendem a identificar-se como parte disso e querem perpetuá-las”, diz o historiador espacial Roger Launius, do Museu Nacional Aéreo e Espacial.
A mais conhecida é a de levar amendoins para o centro de controle nos momentos de tensão seguidos de boas notícias – exatamente como aconteceu na semana passada durante o pouso do robô “Curiosity” em Marte.
A tradição começou em 1960, durante as missões do JPL (Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa).

Dentre outras tradições da Nasa estão:
- No dia de um lançamento muitos astronautas comem ovos mexidos com carne como tributo ao colega Alan Shepard, que saboreou o prato no café da manhã no dia da partida do “Mercury Freedom 7”, em 1961.
- Antes do almoço o comandante tem de jogar cartas (preferencialmente “blackjack”, o nosso “21”) com sua tripulação até perder. A origem disso é um mistério, mas é provável que tenha surgido durante a missão “Gemini”.
- A “suit-up room” (sala em que os astronautas se trocam e esperam por cerca de uma hora antes da partida enquanto “expurgam” seus corpos do nitrogênio) contém a mesma cadeira reclinável da era Apollo.
- Depois que o ônibus que entrará em órbita é transportado do hangar até o prédio em que será realizado o lançamento, os gerentes devem providenciar uma rodada de donuts e bagels à equipe. “Talvez isso tenha a ver com o fato de que essas comidas são redondas como as rodas do veículo que transportou o ônibus”, diz o artigo.
- Após um lançamento bem sucedido no “Kennedy Space Center”, os controladores comem uma refeição com feijões e pão de milho. O costume começou quando o ex-diretor de testes Norm Carlson chegou com um pote cheio de feijões após o lançamento da “STS-1”.
- Desde as missões “Apollo” os astronautas são acordados no espaço com músicas selecionadas pela missão de controle, como “Going Back to Houston”, de Dean Martin.
- Gene Kranz, famoso controlador de voo da “Apollo 13”, ganhava um novo colete da esposa a cada nova missão.
- Após toda decolagem no “Kennedy Space Center”, é comum diretores de lançamento, diretores de teste e engenheiros terem suas gravatas cortadas bem rente ao pescoço. A tradição é emprestada da Força Aérea Americana.

Já o pipi do título do artigo se refere a uma superstição russa. Os astronautas têm o costume de urinarem na roda direita dianteira do ônibus de transferência – algo supostamente feito por Yuri Gagarin.

Leiam a matéria completa AQUI

2012/08/12

É PRECISO SUAR A CAMISA

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 09:46

Hoje um artigo interessantíssimo publicado no site “Smithsonian” que trata do surgimento dos desodorantes: “Como os anunciantes convenceram os americanos de que eles cheiravam mal”.
Segundo o artigo, tudo começou em 1910 com uma estudante de Cincinnati chamada Edna Murphey, que tentou promover sem sucesso o antitranspirante inventado por seu pai.
O pai era um cirurgião que recorria ao produto para manter suas mãos livres de suor durante seu trabalho no centro cirúrgico.
Edna testou o antitranspirante nas axilas e descobriu que ele evitava o suor e o odor e o batizou como “Odorono” (Odor? Oh No!).
Logo que abriu a empresa os negócios não saíram como o esperado. Então ela pegou 150 dólares emprestados de seu avô, alugou um escritório, mas teve de se mudar para o porão da casa de seus pais porque seu time de vendedoras estilo “Avon” não lhe davam renda suficiente.
Edna tentou emplacar o produto nas farmácias. Também sem êxito.
O artigo conta que na década de 10 desodorantes e antitranspirantes eram invenções relativamente novas.
O primeiro desodorante a matar as bactérias que causavam odor chamava-se “Mum” e virou marca registrada em 1888. Já o primeiro antitranspirante – que eliminava o suor e o freava o desenvolvimento da bactéria – foi lançado em 1903 e foi batizado de “Everdry”.
Mas a maioria das pessoas consideravam esses produtos desnecessários ou pouco saudáveis – ou ambos.
“Era ainda algo parecido à sociedade Vitoriana”, explica Juliann Silvulka, historiadora especialista em publicidade americana. “Ninguém falava sobre transpiração ou qualquer outra função do corpo em público”.
A solução que as pessoas encontravam para tratar dos odores era lavar o corpo regularmente e inundar qualquer cheiro com perfume. Os mais preocupados com a pizza debaixo do braço usavam almofadinhas de algodão ou borracha sob as axilas em dias muito quentes.
Quase cem anos depois, a indústria de desodorantes e antitranspirantes vale 18 bilhões de dólares.
O crédito desta transformação é todo de Edna, cujo negócio chegou perto da falência.
Segundo os documentos da “Odorono” – que estão nos arquivos da Universidade de Duke – outro passo decisivo foi o estande da empresa que Edna montou numa exposição em Atlantic City em 1912.
“O expositor não vendeu muitos ‘Odorono’, mas chamou a atenção para os cremes, que cobriram as despesas”, registram os documentos.
Felizmente a exposição durou o verão inteiro e de repente Edna conquistou consumidores em todo o país. Os 30 mil dólares em vendas foram aplicados em promoções.
Apesar de o produto frear o suor por até três dias – sim, os desodorantes do passado eram poderosos – o “Odorono” tinha um ingrediente ativo capaz de irritar as axilas e estragar a roupa. Para completar, ele tinha corante vermelho que podia manchar o tecido.
De acordo com os registros da companhia, os consumidores reclamavam que o produto causava queimadura, inflamação nas axilas e arruinava o guarda-roupa de muita gente.
Para evitar esses problemas, os clientes eram aconselhados a evitar a depilação antes de usá-lo e esfregá-lo na pele antes de dormir para dar tempo de ele secar.
Diante de tantos problemas, Edana teve a ideia de contratar uma agência de publicidade de Nova York chamada “J. Walter Thompson Company”, que trabalhava junto com um redator chamado James Young.
Apesar de ótimo vendedor, James não tinha um treinamento em publicidade. Ainda assim se transformou num dos redatores publicitários mais famosos do século 20 graças à campanha que desenvolveu para o “Odorono”.
Os anúncios criados por James combatiam a ideia de que impedir a transpiração fazia mal à saúde e mostravam que o suor excessivo era algo embaraçoso.
Dentro de um ano as vendas do “Odorono” saltaram para 65 mil dólares e ele foi exportado para a Inglaterra e para Cuba.
Após alguns anos as vendas estacionaram e em 1919 James enfrentou a pressão: ou fazia algo diferente ou perdia o contrato.
James foi radical. Contratou uma pesquisa que revelou que “toda mulher conhecia o Odorono e cerca de um terço era cliente. Mas o restante ainda achava que não precisava”, explica a historiadora Juliann Sivulka.
Para convencer os dois terços, James precisava apresentar a transpiração como algo que nunca ninguém falaria diretamente ao “portador”, mas que comentaria pelas costas em tom de fofoca. Enfim, ele precisava explorar a insegurança feminina.
Um dos anúncios dizia: “O braço da mulher! Poetas já o cantaram, grandes artistas já pintaram sua beleza. Ele deveria ser a coisa mais delicada e doce do mundo. Mas, infelizmente, não é sempre assim”.
Os cartazes chocaram a sociedade em 1919, que ainda não se sentia confortável para mencionar os fluidos corporais. Cerca de 200 assinantes da revista “Ladies HomeJournal” sentiram-se tão insultadas que cancelaram suas assinaturas.
O fato é que a estratégia funcionou e as vendas de “Odorono” cresceram 112% no ano seguinte. Em 1927 a empresa de Edna vendia 1 milhão de dólares.
Não demorou muito para as marcas da concorrência copiarem a ideia – mas de maneira nada sutil. Um anúncio de 1939 dizia o seguinte: “Bonita, mas estúpida. Ela nunca aprendeu a primeira regra do charme duradouro”.
Para os homens a estratégia foi a mesma. O primeiro desodorante masculino foi lançado em 1935: o “Top-Flite”.
E tudo isso graças a quê? À invenção do papai de Edna. Feliz Dia dos Pais!

Confiram alguns pôsteres AQUI

2012/08/11

UM SONHO DE LOJA

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 08:14

Na infância, meu pai sempre fazia uma proposta tentadora para meu irmão e eu toda vez que visitávamos lojas de departamento como as falecidas “Sears” e “Mesbla” – ambas costumavam ter lindos showrooms de cama, mesa e banho.
“Se vocês se deitarem naquela cama ali em exposição – e ainda se cobrirem com o edredom – assino um cheque em branco”.
Meu irmão e eu nos entreolhávamos e ficávamos pensativos diante do desafio, mas nunca tivemos a ousadia necessária.
Quase trinta anos depois, a certeza: na China meu pai iria à falência.
Pessoas de todas as idades transformam a “Ikea” em sua própria casa. Deitam-se em sofás, camas e vão além até do desafio paterno: dormem.
Quem comenta é uma matéria do inglês “The Daily Mail” a partir de outra, de um site chinês.
“Longe de ser julgado como algo chocante ou inacreditável pelos outros compradores, parece que esse tipo de comportamento é comum na nação oriental”, diz o jornal. “A indiferença dos compradores que passam pelas pessoas que dormem sobre os móveis que estão sendo examinados demonstra como os padrões culturais são diferentes na China se comparados ao Reino Unido”.
“Fiquei chocada com todos os tipos de posição em cada cama e sofá. Profundamente chocada. De 0 a 80 anos, todos se davam ao luxo de dormir! As camas que não estavam ocupadas estavam uma bagunça (…). Ikea, estou realmente impressionada com a sua tolerância!”, diz o comentário de uma leitora.
Ora, mas se o sonho de toda loja é deixar que o cliente se sinta em casa e vender a ideia de que seus produtos são bons, confortáveis e duráveis, a “Ikea” está no caminho certo. É propaganda da boa.

Confiram as fotos AQUI

2012/08/10

VOU DE TÁXI

Filed under: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 09:25

O transporte público em São Paulo, apesar de lotado, não apresenta grandes problemas no quesito falta de educação.
Nos ônibus a maior preocupação são os roubos tipo arrastão. No metrô, alguns pedintes – dependendo do horário.
Vandalismo, pouco. Sujeira, idem (o povo prefere jogar latas e papéis pela janela). Há, no máximo, rabiscos a caneta nos bancos e um ou outro cortando a unha ou dormindo com a cabeça encostada na janela.
Pois em São Francisco há quem arme uma rede no meio do vagão do metrô, coloque o cachorro para se sentar num dos bancos, enrole um baseado, vomite, durma entre as poltronas impedindo a circulação e até quem equilibre uma tigela com leite e cereais numa mão enquanto segura a bicicleta com a outra.
Graças a tanta cordialidade, um grupo resolveu tomar uma providência e criou uma página no Facebook com a missão de mostrar ao mundo o péssimo comportamento de certos passageiros e, quem sabe, intimidá-los.
Na página são publicadas fotos de inúmeros mal educados que passam pelo Bart (“Bay Area Rapid Transport”), o sistema de transporte público na região de São Francisco.
O painel de imagens recebeu o nome de “Bart Idiot Hall of Fame” (algo como “O Hall da Fama dos Idiotas do Bart”).
Do perfil do grupo no Facebook: “Poste fotos de idiotas, estúpidos e babacas do Bart que merecem publicidade por arruinar nossa viagem e não respeitar as regras! Este é um espaço para debater, rir e discutir assuntos ligados ao Bart de uma maneira construtiva”.
A comunidade já conta com quase 2.500 integrantes e parece ser apenas uma pequena amostra do número de gente incomodada.
“Se você viaja com alguma regularidade pelo Bart é inevitável que você tenha sido tomado pela vontade de bater num dos passageiros. Mas isso não deve ser motivo de constrangimento. É completamente normal imaginar sovar o idiota esparramado no corredor de um trem lotado enquanto ele usa o fone de ouvido como um amplificador para espalhar música tecno da pior qualidade para todo mundo ouvir e teoricamente tolerar”, começa a matéria indignada do site “The Huffington Post”.
“O problema é que você nunca sabe se esse idiota é um faixa preta de caratê e pode te processar ou te matar por você socá-lo da maneira que ele merece”.
Que medo. Vou de táxi.

Vejam algumas fotos AQUI

2012/08/09

NAS ONDAS DO RÁDIO

Filed under: Matutando — trezende @ 10:26

“Isso é um absurdo! Não vamos questionar o direito deles à greve. Mas o que o motorista que está na Dutra agora tem a ver com isso? Eles estão atrapalhando a vida das pessoas erradas. Eles deveriam ir encher o saco de quem anda de carro blindado, de helicóptero… Por que eles não vão protestar na porta do ministro? Descobrir onde a mulher do ministro faz chapinha, ir lá e jogar água?”.
O comentário acima, sobre a greve dos policiais rodoviários que travou a Dutra e outras estradas do país, é uma das inúmeras opiniões pertinentes e lúcidas do jornalista Ricardo Boechat na “Band News FM”.
Diariamente fico indignada, dou risada, faço questionamentos e formo opiniões com a ajuda de Boechat. Ele é, sem dúvida, um dos cinco grandes jornalistas do país.
Ele é o diferencial na programação matutina da “Band News FM”.
Entre uma manchete e outra faz valer sua independência editorial dando opiniões polêmicas e pagando o preço por isso – ele tem inúmeros processos de políticos nas costas.
Além disso – e principalmente – Boechat humaniza o noticiário contando, sem querer até, muito sobre sua vida pessoal. Num dia fala sobre a família e no outro sobre seu Twingo velho. Há pouco tempo não sabia onde havia estacionado o carro.
A mãe, Mercedes, e as filhas pequenas Catarina e Valentina – de seu terceiro casamento com a “doce Veruska” – são sempre citadas pelo jornalista.
Pai aos 50 anos, ele é um corujaço. Outro dia chegou para trabalhar com as unhas azuis e foi motivo de gozação. Defendeu-se dizendo que estava brincando com as filhas e permitiu que elas pintassem suas unhas de azul.
Em certos dias é perceptível a impaciência de seus companheiros de bancada. É comum Boechat empolgar-se com suas observações e avançar alguns bons minutos no horário.
Sem contar que vira e mexe ele chega atrasado. Dia desses, apareceu bem depois das oito da manhã (seu horário de entrada é às sete). Quando alcançou o microfone, esbaforido e sem cerimônia, disse que havia perdido a hora. A “doce Veruska” tinha viajado e ele se esquecera de que precisava por o relógio para despertar.
A coluna de José Simão não tem a mesma graça sem ele, que realmente se diverte com as piadas do colunista. Na ausência de Boechat, os outros dois apresentadores riem forçadamente e conseguem deixar o risível sem riso.
Boechat é também o único a não demonstrar irritação e tensão com as provocações de Milton Neves. Trata-o com a ironia que ele merece.
Enquanto os dois outros apresentadores – bitolados e cumpridores de horário – leem notas, Boechat questiona. Outro dia um de seus parceiros informou que, com dois anos de atraso, o aeroporto de Congonhas ganharia uma nova torre de controle. Entre as melhorias, a obra acabaria com os pontos cegos da torre. E Boechat, interrompendo: “Para, para, para. Peraí, você tá querendo me dizer que a torre de controle do aeroporto mais movimentado do país tem pontos cegos? E até hoje a gente não sabia disso? Ah, que ótimo! Gente, isso é um absurdo”.
O mais interessante é que ficou muito claro que o jornalista que havia lido a nota não tinha se dado conta disso. Simplesmente ligou o piloto automático e leu a nota que lhe passaram.
Mas, como jornalista, temos sempre de ouvir os dois lados. Portanto, é preciso dizer que Boechat não é santo. Em 2001 ele foi demitido do jornal “O Globo” e da TV Globo (onde tinha uma coluna no “Bom Dia Brasil”) por comportamento antiético.
Boechat teve seu telefone grampeado e descobriu-se que ele havia lido o texto que seria publicado no dia seguinte para Paulo Marinho (assessor de Nelson Tanure, jornalista e principal acionista do “Jornal do Brasil”) sobre a disputa no setor de telefonia. Boechat também explicava detalhes dos procedimentos internos do jornal.
Ops.

2012/08/08

A PEQUENA LOJA DOS HORRORES

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 09:27

Hoje os brinquedos preferidos pelas crianças envolvem alguma tecnologia: videogame, joguinhos eletrônicos portáteis e até o iPad dos pais.
A tecnologia jogou a pá de cal sobre os brinquedos “que não fazem nada” – como um carrinho ou um ursinho de pelúcia. Talvez as crianças do futuro nem conheçam uma boneca de pano.
Uma pena. Porque elas já se divertiram com brinquedos muito legais.
Em vez da casa da Barbie ou do posto de gasolina com rampas, os inglesinhos da era Vitoriana brincavam com algo que pode ser classificado como pouco infantil para os padrões de hoje: um miniaçougue com direito a carcaças e linguiças penduradas em ganchos de ferro, sangue e pedacinhos de carne misturados à sujeira do chão.
Se a Peta (“Pessoas pelo Tratamento Ético aos Animais”) existisse na época cairia de pau em cima dos artesãos.
A foto acima é o modelo de um açougue de 1840 e está exposto no “Museu da Infância” do “Victoria and Albert Museum”.
Segundo Sarah Louise Wood, curadora do museu, brincar com a carne de um animal não era chocante porque era como ela era exposta e comprada. Com métodos limitados de refrigeração, as crianças estavam acostumadas a ver peças de carne em exposição.
O livro “O Mundo dos Brinquedos”, de Robert Culff, também sugere que a ideia de fatiar uma peça de carne não era algo assustador para os pequenos.
Robert escreve que essas réplicas elaboradas de açougues de meados do século 19 eram muito populares. No entanto, ele acredita que elas não eram exatamente destinadas às crianças. É provável que tenham sido criadas com outro propósito: os açougueiros costumavam colocá-las em suas janelas para mostrar aos clientes o que havia dentro da loja.
Mas assim como as casinhas de boneca e cenários em pequena escala de outros tipos de comércio, as réplicas passaram a ser confeccionadas como brinquedos. Eles permitiam às crianças brincarem de adultos e aprender sobre dinheiro e comida.
Os vitorianos adoravam documentar seu mundo em miniatura. Praticamente todo comerciante tinha seu negócio em forma de réplica em pequena escala: o vendedor de tecidos, o verdureiro, o peixeiro, o padeiro, o chapeleiro e o açougueiro.
O impulso de “miniaturizar” o mundo começou com as casas de boneca. “Era a expressão da riqueza. Todas as pecinhas tinham de ser valiosas e chamativas”, explica Sarah Louise Wood ao site “Collector’s Weekly”.

Vejam mais fotos AQUI

2012/08/07

VELHA É A SUA ROUPA

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 09:10

O “The Sartorialist” é um blog de Moda muito famoso nos Estados Unidos. O site, do fotógrafo Scott Schuman, caiu no gosto do povo fashion. A ideia é simples, mas original: ele clica anônimos estilosos e cheios de atitude nas ruas de Nova York e coloca as fotos no blog.
Virou tendência – há quase sete anos.
É mais ou menos por aí o trabalho de outro fotógrafo, Ari Seth Cohen. Ele criou o “Advanced Style” (“Estilo Avançado”, literalmente), um blog dedicado a clicar velhinhos estilosos que passeiam pelas ruas de Nova York e de outras cidades, como Paris, Londres e Roma.
“Meu projeto não é apenas sobre ser bonito e fashion. É sobre o espírito”, diz Cohen ao site de Oprah Winfrey.
“Fotografo pessoas com mais de 50 anos, mas geralmente foco mais nos que têm 70, 80 e 90. Pouca gente presta atenção nessas pessoas incríveis, cujos estilos permaneceram ao tempo. Elas são confiantes, criativas, vitais e inspiradoras”, conta ele numa entrevista à “Vogue”.
Cohen tem apenas 30 anos, mas sempre se interessou pelos mais velhos – especialmente por sua relação com a avó, Bluma, com quem passava horas assistindo a filmes antigos e olhando antigos álbuns de fotos. Cohen diz que ficava impressionado com a elegância das pessoas na época da Depressão americana. “As mulheres não tinham dinheiro, mas usavam roupas incríveis”, conta.
Logo após a morte da avó Bluma, em 2007, Cohen saiu de San Diego e se mudou para Nova York. A avó – formada pela Universidade de Columbia – havia lhe dito que todas as pessoas criativas deveriam morar lá.
Cohen começou a trabalhar numa livraria e, no tempo livre, andava pela área do Upper East Side vendo e fotografando velhinhos bem vestidos. Em 2008 lançou o blog e dois anos depois deixou o emprego para se dedicar integralmente ao blog.
Hoje o “Advanced Style” tem 50 mil visitantes diários, Cohen já publicou um livro com suas fotos preferidas e prepara um documentário.
“Eu geralmente não fotografo senhoras que estejam vestindo roupa de marca e não têm senso de estilo. Também não gosto de clicar mulheres que tenham feito muita plástica. Gosto das que envelhecem naturalmente. São essas que me inspiram de alguma forma”, explica ele.
Cohen diz que a abordagem aos “modelos” na rua é tranquila e ele sempre fica impressionado como essas pessoas são abertas. “Até me convidam para ir à casa delas”.
Segundo ele, o que os retratados ensinam de mais importante é que devemos nos vestir para nós mesmos – e não para os outros. “Correr riscos até encontrar o que funciona para você e vestir o que te deixa confortável. Confiança é o melhor acessório”, diz.

Visitem o site AQUI

2012/08/06

O 007 DE NOVA YORK

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 09:00

Durante o dia, Bob Egan trabalha como corretor de imóveis comerciais em Nova York. Mas à noite e nos finais de semana ele se transforma numa espécie de detetive da cultura pop. Ele se dedica a encontrar certos locais da cidade que serviram de cenário para capas de discos e outras imagens do mundo pop.
Há cerca de um ano ele começou o site “PopSpotsNYC”, no qual ele mostra o resultado de suas buscas.
A paixão de Bob por capas de discos começou em 1977. Na época ele morava num apartamento em Greenwich Village e descobriu que a um quarteirão dali, em 1963, havia sido tirada a foto da capa do álbum The Freewheelin’, de Bob Dylan, na qual o cantor aparece de braços dados com sua namorada, Suze Rotolo, num dia frio de fevereiro.
“Eu estava encharcado de anos de informação até que no meio dos anos 90 eu entrei na Bleecker Bob’s (uma conhecida loja de discos) e perguntei se eles sabiam onde havia sido clicada a foto do álbum ‘Blonde on Blonde’ (de Bob Dylan). Quando eles disseram que não, me perguntei, ‘Bom, por que eu mesmo não descubro?’”, explica Bob ao site “Open Culture”.
O cenário de “Blonde on Blonde” permanece um mistério, mas Bob encontrou várias outras locações de capas de seu xará, como “Highway 61 Revisited” (em frente às escadas de um sobrado em Gramercy Park West), “Another Side of Bob Dylan” (na esquina da Rua 52 com a Broadway), e “I Want You” (num bairro de armazéns na Jacob Street).
Uma das mais difíceis de serem encontradas foi a capa de “Saturday Evening Post”, também de Bob Dylan. “Procurei em cada curva de Nova York e finalmente a encontrei online, numa foto antiga de uma biblioteca. A rua inteira, que é perto da Ponte do Brooklyn, foi demolida há 50 anos, mas quando cliquei sobre a imagem da biblioteca me vi de frente com o exato local em que Dylan estava na foto. Soltei um berro”, diz Bob.
Ele conseguiu localizar os cenários de capas de vários artistas, como Bruce Springsteen, Neil Young, The Who e Simon & Garfunkel.
As escolhas, claro, refletem o gosto musical de Bob. “Cresci durante a época do classic rock. Minha trilha sonora era Dylan, Van Morrison, Lou Reed e The Grateful Dead”.
No momento, Bob está em busca da capa de “Workingman’s Dead” (disco do The Grateful Dead de 1970).
“Supostamente a foto foi tirada perto de um ponto de ônibus no bairro de Mission, em São Francisco. Comprei um mapa antigo da rota do ônibus em 1969 no museu dos transportes de São Francisco e já procurei todas as linhas que passavam por ali no ‘Street View’, mas ainda não achei”, conta Bob.
Encontrar a faixa de pedestres da capa de “Abbey Road”, dos Beatles, é só para os iniciantes.

Visitem o site AQUI

2012/08/05

PARA COMER COM OS OLHOS

Filed under: Mentes brilhantes — trezende @ 08:45

À primeira vista, a foto acima parece apenas um punhado de panquecas apetitosas que escorrem manteiga e mel. Mas olhando mais detalhadamente percebe-se que a massa mistura-se a um recheio de modelos.
Assim é o trabalho de Filippo Ioco, fotógrafo e pintor de corpos que mora e tem um estúdio em Los Angeles: cheio de cores vibrantes e com resultado provocativo.
A foto acima e outras cerca de 30 estiveram recentemente em Miami numa mostra chamada “Fun Foods”, que retratou o corpo como iguaria. Há imagens de pessoas escondidas em hambúrgueres, bananas split, marshmallow e outras tantas guloseimas e alimentos.
Mas Filippo não é um reles pintor de Globelezas.
“Ao contrário de outros artistas, eu não pinto pessoas para que se pareçam a animais ou outras criaturas estranhas. Pintar um corpo humano e ver o resultado é realmente assistir à arte ganhar vida”, diz ele a um blog chamado “The M Report”.
Segundo ele, a inspiração para trabalhar com o corpo surgiu do nada. “Sempre fui fascinado pelo corpo humano, então um dia ouvindo Madonna veio a ideia de acrescentar pessoas às minhas pinturas. Minha primeira exposição foi um grande sucesso e tudo começou a partir daí. Nunca imaginei que me levaria a onde estou hoje”.
Desde então seu trabalho tem aparecido em eventos de Moda, capas de livros, revistas e inúmeras campanhas publicitárias – como da “Axe” e da cerveja “Coors Light”. Filippo também já trabalhou em TV, em programas como “Larry King Live”, “Good Morning America” e “Ripley’s Believe it or Not”.

Confiram os trabalhos de Filippo AQUI

2012/08/04

A PRÁTICA LEVA À PERFEIÇÃO

Filed under: Entrevista — trezende @ 10:40

A corrupção não é uma invenção brasileira, mas nossa história com a maracutaia é tão arraigada que a tomamos como coisa nossa. Desde o santo do santo do pau oco, percorremos um longo caminho até chegarmos a aprimoramentos como Dirceus, Demóstenes e tantos outros.
Mas como e por que a relação brasileira com a corrupção começou?
Nireu Cavalcanti – arquiteto e doutor em História – tem uma explicação simples. A principal causa foi o excesso de fiscalização e punições severas por parte da Coroa Portuguesa na época do Brasil colônia. Mas até a invasão holandesa no Nordeste ajudou a nos contaminarmos com essa doença de que sofremos até hoje.
Alagoano, Nireu é um apaixonado pela história do Rio de Janeiro e autor de alguns livros sobre o assunto.
Durante o ano em que morou em Lisboa para realizar pesquisas para sua próxima obra sobre a cidade, Nireu fuçou diversos arquivos. No processo de trabalho, esbarrou em vários exemplos que provam a existência de casos de corrupção já no Brasil do século 16.
Segundo ele, para manter o controle sobre a colônia à distância, a Coroa precisava fiscalizar. Quem estava aqui, tinha de se virar para burlar tanto controle.
Na conversa com este blog, Nireu ressalta a participação de personagens conhecidos, como o conde holandês Maurício de Nassau e a Marquesa de Santos.
Nireu descobriu documentos que mostram que Nassau – apesar de constantemente associado ao desenvolvimento do Nordeste – apoiava práticas como o suborno e a tortura. Num dos registros, Nassau recomenda a compra de pessoas na aristocracia de Pernambuco, mas que elas deveriam parecer como as maiores inimigas dos holandeses para não levantar suspeitas. Os padres, de preferência.
No caso da Marquesa, há registros de que ela era altamente “subornável”. Consta que ela teria pedidos alguns contos de réis para interceder junto a D. Pedro I e liberar a embarcação de um capitão francês que havia sido capturada no Rio da Prata com mercadorias ilegais.
Ah, o contrabando. Esse sempre existiu. Além do de pedras preciosas, outro comum era o de camisinhas (feitas a partir de tripa de carneiro) e livros pornográficos que eram trazidos especialmente da França.
Durante três séculos – do Descobrimento até a abertura dos portos, em 1808 – a Coroa coibiu a presença de estrangeiros em território brasileiro. Nós só podíamos negociar com sócios da Coroa. Mesmo sendo vendidas aqui, as mercadorias tinham seus impostos pagos em Portugal. Todas as transações eram registradas em relatórios minuciosos.
Pelo menos uma vez ao ano a Coroa Portuguesa mandava para cá um profissional para fazer “residência” que, na verdade, realizava uma devassa sigilosa nas contas públicas e privadas.
Outra prática instituída pelos portugueses é o que Nireu chama de “dedurismo”. Se um cidadão denunciasse irregularidades alheias podia ter suas dívidas com a Coroa perdoadas ou receber até 50% dos bens do denunciado. Até padres entravam na dança.
O caso mais conhecido é o de Joaquim Silvério dos Reis, que diante da possibilidade de ter suas dívidas zeradas com a Coroa, delatou os Inconfidentes.
Talvez precisemos de mais alguns séculos para nos desintoxicarmos de tanta maracutaia. Mas a julgar pelo rumo dos acontecimentos, nós só estamos nos especializando.
A prática leva à perfeição.

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