O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2012/07/26

PARECE, MAS NÃO É

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 08:59

As Olimpíadas têm um novo método para testar se os atletas são homens ou mulheres. É justo? Pergunta-se um artigo no site “Slate”.
Segundo o site, o Comitê Olímpico International (COI) tem uma nova regra este ano para decidir quem pode concorrer como mulher. O COI quer evitar espetáculos como o que aconteceu em 2009, no Campeonato Mundial de Atletismo, com a sul-africana Caster Semenya.
Após conquistar o ouro nos 800 metros, ela teve sua sexualidade questionada e se submeteu a testes de DNA. Ela ficou sem competir durante quase um ano. Os exames comprovaram que a atleta sul-africana tem uma deficiência cromossomática que lhe confere características masculinas e femininas. Ela não tem útero nem ovários, seus genitais externos são femininos, mas internamente ela tem testículos.
Ninguém quer repetir o episódio. A questão, no entanto, é se a Ciência é clara o suficiente para justificar o mais recente critério do Comitê.
O plano do COI é o seguinte: mulheres que fizerem o teste de testosterona e tiverem um alto índice do hormônio talvez não possam competir nas categorias femininas. O “talvez não” é porque essas mulheres podem baixar os níveis da testosterona através de medicamentos – como dizem que a sul-africana está fazendo.
O Comitê não especifica que nível de testosterona invalidaria a participação da atleta – em parte porque o índice pode variar muito. “Deixaremos essa decisão com os especialistas”, disse Arne Ljungqvist, presidente do comissão médica do COI, ao “The New York Times”.
O objetivo é nivelar a competição prevenindo pessoas que apesar de se identificarem como mulheres tenham uma ligeira vantagem masculina e dominem a categoria.
Historicamente as autoridades do esporte sempre exigiram que as atletas femininas fossem examinadas nuas ou que fizessem o teste do cromossomo. Nesse teste eles procuram por uma estruturada chamada “Barr body”, que indica a presença de mais de um cromossomo X.
No entanto, atletas como a sul-africana não seriam aprovadas de acordo como esse critério. Apesar de viver como mulher, tem os cromossomos X e Y.
No ano de 2000 o endocrinologista britânico Peter Sonksen analisou os níveis de testosterona de cerca de 650 atletas olímpicos. O resultado mostrou que 5% das mulheres e mais de 6% dos homens apresentaram índices de testosterona que não condiziam como seus gêneros. “Em outras palavras”, diz o site “Slate”, “a testosterona não é diagnosticada de acordo com o sexo”.
No entanto, alguns estudos suportam a ideia de que essas atletas de elite que naturalmente têm níveis de testosterona mais altos se saem melhor do que as demais.
“Mas nós realmente não sabemos. As presunções lógicas sobre hormônios nem sempre são verdadeiras”, diz Allan Mazur, da Syracuse University.
Se a testosterona é tudo para os esportes, o que fazer? Mesmo que um alto índice de testosterona ofereça alguma vantagem, por que essas mulheres devem ser tratadas de forma diferente de outras atletas – das mais altas ou das mais resistentes?
O “Slate” tem uma opinião definitiva: “Pessoas que têm o cromossomo XX e vivem como mulheres devem competir em categorias femininas, não importa como seus corpos se apresentem ou que níveis de testosterona tenham”.
Taí uma discussão interessante. É justo?
O enigma do parece, mas não é, persiste.

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2 Comentários »

  1. Não sabia que distinguir homem de mulher era tão complicado. Se bem que, olhando para a judoca brasileira Edinaci Silva, a distinção é, de fato, uma tarefa bem difícil.

    Comentário por Joubert — 2012/07/26 @ 10:01

  2. O teste genético é, sem dúvida, a ferramenta mais adequada CIENTIFICAMENTE, para definir o gênero de uma pessoa. Pessoas com as características da atleta sul-africana são tidas como hermafroditas e esta é uma condição rara na espécie humana e é um impeditivo para a reprodução. Na maioria dos casos um sexo se sobressai ao outro e a pessoa é criada de acordo com ele. É o caso da Caster Semenya, que foi criada e se entende como mulher, porque seus órgãos genitais externos indicaram isso quando ela nasceu. Mas, para mim, a discussão vai mais além: sendo os esportes considerados importantes ferramentas inclusivas, como excluir pessoas simplesmente por serem diferentes? Passeremos a apreciar esportes de acordo com os níveis hormonais? Essa condição NATURAL será vista como deslealdade esportiva? Sinceramente, não acho nada disso proveitoso, se considerarmos que a maioria dos hermafroditas do mundo não são atletas e não têm que se submeter a testes e exposição de sua vida e genética. A ciência não pode e não deve ser utilizada como uma ferramenta discriminatória e impeditiva para as atividades e os interesses de ninguém – será um erro se isso acontecer. Viva a diversidade!!

    Comentário por Vaninha — 2012/07/26 @ 14:24


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