O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2012/05/30

HISTÓRIAS NATURAIS

Arquivado em: Folheando — trezende @ 09:25

O tema de hoje é o mesmo de um post publicado no blog do jornalista Marcelo Duarte. Trata-se do livro “Dry Store Room Nº 1: The Secret Life of The Natural History Museum”, de Richard Fortey.
A obra, publicada em 2008, é cheia de curiosidades – Marcelo Duarte se restringe a citar insetos que foram batizados com nomes de famosos, como a mosca “Scaptia beyoncea”, em homenagem a Beyoncé.
Mas o livro é um mergulho no Museu de História Natural de Londres, tanto de sua história quanto de sua comunidade local – cientistas, curadores –, coleções e exposições.
O “Dry Room” do título é uma área localizada no subsolo que abriga o “lixo” do museu, uma verdadeira miscelânea de itens de exposições passadas, espécies dissecadas, caixas etc. “Dizem até que é um lugar de encontros amorosos – apesar de o amor à sombra de um peixe-lua ser mais necessitado do que romântico”, diz Richard.
O acervo de um museu de história natural nada mais é do que uma coleção de espécies. Mas o autor vai além das caixas com insetos ou réplicas de dinossauros. Ele fala como é o trabalho de cientistas que se dedicam ao sequenciamento de DNAs para a reconstrução de árvores evolucionárias a partir de seus organismos de pesquisa.
No livro também há espaço para várias anedotas e “causos” envolvendo funcionários e toda a comunidade do museu. Um desses personagens é o especialista em anchovas Peter Whitehead, que apesar de ter um ego do tamanho do mundo “e ser magro como uma ripa, com bolsas de gordura bem definidas abaixo dos olhos”, misteriosamente chamava a atenção das mulheres.
Outro funcionário que merece a atenção do autor é Herbert Wernham, curador da área de Botânica, que tinha uma queda por colecionar lembranças de amantes. Ele mantinha um arquivo, em ordem alfabética, que trazia raminhos dos pelos pubianos de cada uma delas.
O mais notável e enigmático deles era Richard Meinertzhagen. Soldado, piloto, espião e ornitologista que serviu de inspiração para a criação do personagem James Bond. Uma das salas do British Museum recebe seu nome em sua homenagem. No entanto, Meinertzhagen era tão importante quanto pouco confiável. Ele chegou a roubar centenas de pássaros preservados do British Museum e de outros museus, renomear as espécies com o seu nome e devolvê-los.
Outra curiosidade diz respeito a uma diversão comum entre os universitários da área: identificar com que tipo de organismo os cientistas se parecem. Dizem que o fenômeno é parecido com o que acontece entre cães e seus donos. Com o passar do tempo ambos começam a adquirir semelhanças físicas.
O autor Richard Fortey – palaeontólogo e atualmente presidente da Sociedade Geológica de Londres – trabalhou no Museu de História Natural por 35 anos até sua aposentadoria, em 2006.

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