O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2012/05/17

OS (DIS) SABORES DA ÍNDIA

Filed under: Cri-crítica — trezende @ 08:15

Por que certos filmes insistem em abusar da inteligência do espectador?
Esse é o caso de “O Exótico Hotel Marigold”. Elenco de primeira, cartaz supersimpático, zilhões de sessões exibindo blockbusters como “Battleship – A Batalha dos Mares” ou “Piratas Pirados”… taí uma ótima opção. Água.
Dirigido pelo britânico John Madden (de “Shakespeare Apaixonado”), é baseado no romance “These Foolish Things”, da também britânica Deborah Moggach, uma das responsáveis pela adaptação do romance “Orgulho e Preconceito”. Esse, com Keira Knightley, levou quatro Oscar. Nenhum dos quatro pelo roteiro adaptado, mas o notável trabalho de Deborah contribuiu para o sucesso de “Orgulho e Preconceito”.
Desta vez, no entanto, Deborah derrapa feio. A produção inglesa é um lugar comum atrás do outro. Até na fórmula: após a apresentação dos dramas dos personagens, eles viajam à Índia, tomam contato com outra realidade, compartilham experiências e descobrem que nunca é tarde para ser feliz. Afinal, como diz a principal mensagem do filme, “no final dá tudo certo. Se não deu, é porque ainda não chegou o fim”. Tão profundo quanto um pires.
A história é sobre um grupo de aposentados que, do nada, resolvem conhecer o “The Best Exotic Marigold Hotel”, em Mumbai. A expectativa era encontrar um resort cinco estrelas, mas dão de cara com um “Formule 1” – ou pior.
O hotel é administrado pelo jovem Sonny (Dev Patel), que inacreditavelmente corre mais do que em seu filme anterior, “Quem Quer Ser um Milionário?”.
O leque de dramas dos protagonistas é variado – e o esforço para que isso aconteça é visível: Evelyn (Judi Dench) é uma viúva endividada que se recusa a morar com o filho; Muriel (Maggie Smith, de “Chá com Mussolini”), é xenófoba e tem preconceitos de todo tipo; o casal Douglas (Bill Nighy) e Jean (Penelope Wilton) está desgastado pelos vários anos de casamento; Graham (Tom Wilkinson) é gay; Norman (Ronald Pickup) e Madge (Celia Imrie) são os inconsequentes e felizes.
Com tanto personagem, claro que nenhum dos problemas é explorado em profundidade. O filme limita-se a mostrar o caos da paisagem urbana de Mumbai e a tentar desenvolver um pouquinho da história de superação de cada um deles. Depois de duas horas, “O Exótico Hotel Marigold” assume ares de novela: tudo é resolvido em questão de segundos e todos vivem felizes para sempre.
De inédito mesmo só dois pontos: 1) Judi Dench não faz papel de espiã; 2) apesar de se passar na Índia ninguém dança no final. Só a gente mesmo.

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