O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2012/05/15

EU VEJO FLORES EM VOCÊ

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 10:04

Um convite, algumas lembranças e muita imaginação. Foi tudo o que a artista plástica Anna Schuleit precisou para transformar um hospital psquiátrico desativado num lugar agradável e colorido.
Em 2003, convidada pela administração do antigo “Centro de Saúde Mental de Massachusetts” para resgatar a memória do local, Anna criou a a instalação “Bloom” (“Florescer”), com 28 mil vasos de flores.
O resultado foi lindo: todas as salas do prédio receberam milhares de flores naturais que funcionaram como um carpete vivo.
Por mais de 90 anos a instituição foi referência no tratamento psiquiátrico nos Estados Unidos. “Milhares de pacientes passaram por aquelas portas e centenas de médicos foram treinados ali”, diz um artigo do “The New York Times”.
Depois que os administradores resolveram fechar o prédio definitivamente e quiseram  marcar o momento, recorreram a Anna Schleit, que já havia feito uma instalação – “Habeas Corpus” – para comemorar o encerramento das atividades de outro hospital.
Ao buscar por informações nos arquivos do prédio, Anna descobriu que ele havia sido inaugurado em 1912. Além das flores, ela realizou gravações de tudo o que ouvia fora do escritório montado no terceiro andar do prédio: passos, o abrir e fechar de portas e conversas.
Além disso, ela recordou de algo que sua mãe – também artista – lhe disse quando era pequena: “Eu me lembro de perguntar no que ela pensava quando cochilava e ela me respondeu que se imaginava deitada sob um cobertor de ervas que a protegiam e a acalmavam. Uma espécie de cobertor curativo”.
Durante três meses Anna contou com a ajuda de dezenas de voluntários para retirar a mobília, os equipamentos de escritório, papéis que haviam sido esquecidos e cobrir todas as salas com os 28 mil vasos de flores naturais.
Quando tudo ficou pronto o hospital foi reaberto ao público pela última vez forrado pelas milhares de tulipas laranjas, begônias amarelas, crisântemos brancos e açucenas vermelhas. O subsolo ficou coberto por grama bem verdinha. A piscina vazia ficou cheia de milhares de violetas africanas.
O som ambiente captado por Anna durante semanas tocava ininterruptamente. “É como se as flores estivessem fazendo todo aquele barulho”, diz ela.
Depois de quatro dias, a instalação foi desmontada. As flores foram doadas para hospitais da região, instituições públicas, abrigos e asilos onde continuaram a florescer.

Confiram algumas fotos AQUI

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