
Diariamente somos bombardeados com a publicação de estudos e pesquisas absurdas. Algumas são absolutamente inconclusivas e polêmicas – o ovo, afinal, faz bem ou mal à saúde? – e outras são uma bobagem – “cabelo abdominal é o principal responsável pelo acúmulo de sujeira no umbigo”.
Pesquisas inúteis sempre existiram e vão continuar a ser feitas. A dúvida é por que jornalistas insistem em publicá-las. Falta de assunto ou marketing descarado? Segundo o jornalista Daniel Engber, a segunda opção.
Num artigo para o site “Slate” intitulado “Dodgy Boffins” (algo como “Cientistas Suspeitos”), Daniel questiona o que há de errado com o Jornalismo científico na Inglaterra.
No início ele diz que sua ideia era escrever uma coluna sobre um estudo chamado “Regra dos Cinco Segundos”. De acordo com esse estudo – realizado por cientistas da Universidade Manchester Metropolitan – se um certo tipo de alimento cai no chão ele pode ser consumido sem problemas se for apanhado em até cinco segundos.
O estudo constatou que os alimentos com teor elevado de sal ou açúcar (como biscoitos ou presunto) são mais seguros porque a chance de bactérias nocivas sobreviverem é menor. Já itens como frutas secas e macarrão cozido contaminam-se com facilidade.
“O ‘Huffington Post’ publicou a história, assim como (o site) ‘Gizmodo’, o ‘Good Morning America’ e o ‘Today Show’. Mas a pequisa – se esta for a palavra mais apropriada para usar aqui – é podre desde o início”, diz Daniel Engber.
Ele escreve que o primeiro sinal de alerta é o assunto: “A ‘Regra dos Cinco Segundos’ já foi testada, explicada e desmascarada várias vezes desde que sou jornalista”. Até uma menina de 9 anos explicou a um correspondente científico que a bactéria se desenvolve no próprio queijo.
Pior ainda são os rumos da história fora do país. “A ‘Regra dos Cinco Segundos’ chegou à imprensa americana pelo ‘The Daily Mail’. A matéria aconselhava os leitores a substituir seus esfregões a cada três meses para minimizar os riscos de contaminação por bactérias”, diz Daniel.
“Falsas fórmulas matemáticas fabricadas por empresas compõem o Jornalismo científico britânico. Recentemente nos falaram sobre o ovo cozido perfeito, o dia perfeito, os seios perfeitos e muitos outros exemplos produzidos por cientistas que são pagos para transformar a álgebra em realidade”.
Vince Kierman, um repórter veterano que atualmente estuda a história e a prática do Jornalismo científico na universidade de Georgetwon, cunhou um termo interessante: o “labvertisement” (junção de laboratório e anúncio).
Daniel Engber desconfia que nos Estados Unidos o problema é menor. “Acho que não encontraria essas histórias pagas no nosso jornal mais inexpressivo”. E conclui: “Jornalistas britânicos tendem a enxergar-se mais como homens de negócios do que como profissionais. Eles aprendem na prática. Estão mais interessados em contar histórias e em entreter do que em seguir um padrão”.
Poderíamos chamar Daniel Engber de nacionalista ou bairrista se não conhecêssemos muito bem as matérias publicadas pelo “The Daily Mail”.
No Brasil, não que sejamos blindados, mas esse tipo de ocorrência (ainda) é menos recorrente.



Desde que o mundo é mundo as pessoas sonham em prever o futuro. Os mais sensíveis ou românticos gostariam que fosse possível antever o sucesso de um relacionamento e recorrem à cigana, às cartas, às runas e à bola de cristal.
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Na polêmica e reveladora entrevista de Xuxa ao “Fantástico” a apresentadora mencionou – pelo menos três vezes e sem perceber – a importância dos cheiros em sua vida.
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