O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2012/04/06

BASEADO EM FATOS REAIS

Filed under: A real do mundo real — trezende @ 09:54

Quando narramos algum fato de nossas vidas a tendência é sempre aumentarmos um ponto – ainda que inconscientemente.
É o que defende o recém-lançado “The Storytelling Animal: How Stories Make Us Human” (“O Animal Contador de Histórias: Como as Histórias nos Tornam Humanos”, numa tradução livre).
No livro, o autor Jonathan Gotschall discute por que nos interessamos tanto por histórias e explica que todos nós somos grandes narradores – e mentirosos também. Mesmo sem perceber, a maioria das pessoas mentem primeiramente para si mesmas.
Gostamos de histórias principalmente porque somos “viciados em significados” – elas têm a função de nos ajudar a acreditar que nossas vidas têm sentido. “A mente do contador de história é alérgica à incerteza, à aleatoriedade e à coincidência”, escreve Jonathan.
Se não gostamos de acreditar que a vida é algo acidental, histórias nos permitem instalar a ordem em meio ao caos.
Segundo ele, histórias são úteis para quem conta e são instrutivas para ouvintes e leitores. Das fábulas de Esopo às matérias das revistas femininas, todas elas nos incentivam a pensar no que acontece na vida das pessoas. Histórias socializam através da demonstração das relações humanas. Memórias e romances também nos encorajam a ensaiar o que faríamos ou diríamos em diversas situações.
Todo mundo inventa histórias. Segundo o autor, mesmo aqueles que nunca conseguem prender a atenção de uma sala cheia de pessoas contando um caso bizarro.
“Alguns pensadores – seguidores de Darwin – argumentam que a fonte evolucionária da história é a seleção sexual. Não a natural”, diz Jonathan. “Talvez as histórias… não sejam obcecadas por sexo; talvez sejam meios de se conseguir sexo demonstrando de um jeito chamativo nossas habilidades, inteligência e criatividade – as qualidades de nossa mente”.
“Psicólogos sociais destacam que quando encontramos um amigo a conversa geralmente fica em cima de fofocas. À noite, quando nos reunimos com as pessoas que amamos, dividimos as pequenas comédias e tragédias do dia”, explica o autor. Privadamente, estamos trabalhando num tipo mais sério de projeto: memórias que nunca serão levadas a público ou mesmo escritas.
Todos os dias – algumas vezes com a ajuda do Twitter ou do Facebook – selecionamos grandes narrativas de nossas vidas. De acordo com o autor, essas fábulas de identidade são fabricadas.
“Cientistas descobriram que as memórias que usamos para formar nossas histórias de vida são ousadamente ficcionais”, diz o autor.
Quanto mais contamos a mesma história, mais ela se distancia da realidade.
“Passamos a vida confeccionando histórias que nos tornem nobres protagonistas de nossos dramas em primeira pessoa. Uma história de vida não é um relato objetivo, é uma narrativa moldada repleta de esquecimento estratégico e habilidosos significados”.
Portanto, por essa razão, o autor acredita que tudo o que contamos deveria vir com um aviso: “Baseado numa história real”.

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