O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2012/04/30

CABELÃO DA CASA PRÓPRIA

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 10:12

É por essas e outras que nossa fama de povo exótico ou subdesenvolvido se alastra pelo mundo.
Uma reportagem do jornal britânico “The Daily Mail” deste sábado explora um drama na vida da garota Natasha Moraes de Andrade, de 12 anos, que a publicação chama de “Rapunzel da vida real”.
Fartamente ilustrada, a matéria reforça o estereótipo do qual tentamos nos libertar e conta como um simples corte de cabelo mudou o rumo da vida da menina e sua família.
Natasha vive numa favela no Rio de Janeiro e desde que nasceu nunca havia cortado suas madeixas. A juba já atingia 1 metro e 60 centímetros.
Segundo jornal, a garota “era incapaz de fazer coisas que as crianças normais adoram, como ir à praia. Ela gastava quatro horas toda semana para lavar o cabelo e uma hora e meia para penteá-lo todos os dias, o que transformava sua vida num sofrimento”.
Agora seu cabelo tem 40 centímetros e “são apenas cinco minutos para lavá-lo”, continua a matéria. “Antes do corte, Natasha morava numa sala apertada e sem janelas, mas depois que ela conseguiu R$ 9 mil com a venda de seu cabelo ela comprou uma nova casa para a sua família”.
A garota diz ao jornal que chorou quando chegou ao cabeleireiro. “Tinha medo de que eles não gostassem do meu cabelo e de que eu não conseguisse o dinheiro de que precisava. Mas isso me deu uma nova vida. Sempre que saía ficava com receio de que alguém pudesse me agarrar e cortar meu cabelo, mas agora posso fazer tudo o que não fazia antes”.
Livre da juba, Natasha já faz aulas de ciclismo, pretende aprender inglês e espanhol, vai à praia e pode nadar sem medo de molhar os fios.
“Agora a família planeja construir uma nova casa na mesma favela, desta vez com um quarto com janelas para Natasha. Perfeito para uma princesa”.
De acordo com a publicação, mesmo com o cabelo curto, a antiga fama de Rapunzel na escola continua.
“Pensei que as pessoas parariam de me chamar assim, mas elas continuam me parando na rua. Se eu tiver uma filha ela também será uma princesa, mas a Branca de Neve, e não Rapunzel. Vai ser muito mais prático”, declara Natasha.
Pobre menina. Natasha é livre para conceder entrevistas e posar para fotos para quem ela quiser. Triste mesmo é o jornal britânico tratar o tema com sensacionalismo e vender uma história – corriqueira no Brasil – como novidade ou exemplo de superação.
A matéria rendeu 76 comentários. Num deles, uma pessoa que se identifica apenas como TLM, de Londres, diz: “Que história bizarra. Se a vida dela era essa desgraça, por que não cortou o cabelo antes?”.
Mas o melhor deles é assinado por Amy, também de Londres: “Algumas pessoas trabalham, outras cultivam cabelo”.

2012/04/29

NOS OLHOS DE QUEM VÊ

Arquivado em: Cri-crítica — trezende @ 10:00

A atriz Zezé Macedo tinha motivos para ser a mais infeliz das criaturas. Não pela feiura, que se tornou sua marca registrada, mas porque sua vida foi pontuada por acontecimentos chocantes.
O pior deles acontece aos 18 anos, quando perde seu bebê num episódio que deixa traumas permanentes. Com poucos meses de vida o bebê cai do colo da sogra de Zezé e morre em decorrência de um traumatismo craniano. O choque é tão grande que após um grito desesperado a atriz perde a voz por alguns dias. Ao retornar, a voz apresenta o tom esganiçado que conhecemos.
Esse é um dos episódios do espetáculo “A Vingança do Espelho”, que tem Betty Gofman no papel principal e direção de Amir Haddad.
Os fatos não são narrados cronologicamente, então o autor Flávio Marinho optou por um recurso altamente didático: ele usa a atriz que interpreta a loura burra como alter ego da plateia. É ela quem faz as intervenções e colocações que eventualmente estão na cabeça do público. “Quem é Zezé Macedo? Aquela do ‘só pensa naquilo’?”.
O didatismo se escora também na intensa movimentação e troca de papéis entre os atores, na interação com a plateia e nos recursos de vídeo, texto, áudio e figurino para apresentar a atriz a quem só a conheceu por Dona Bela.
A peça deixa bem claro que Zezé não pensava só naquilo (na TV, no caso). Além de uma passagem pelo rádio, fez mais de uma centena de filmes na época da chanchada e ganhou um Kikito no Festival de Gramado por “As Sete Vampiras”.
Nascida em Silva Jardim (interior do Rio), Zezé sonhava em ser atriz desde a infância. Depois da tragédia com o bebê ela abandona o marido “rústico” e parte para o Rio de Janeiro em busca do sonho.
Não foi fácil. Durante 20 anos ela viveu de bicos. Foi escriturária, assistente de um professor de Química e Física, trabalhou numa pensão e foi secretária de Dias Gomes na Rádio Tamoyo. Paralelamente a tudo isso, nunca deixou de escrever poemas – aliás, foram eles que a levaram ao cinema.
Ah, a feiura. Em 90% das cenas são mencionadas as palavras “feia” ou “feiura”. Há uma ênfase constante na ótima autoestima de Zezé. No entanto, a atriz recorria a cirurgias plásticas a cada dois anos. Justificava-se com o argumento de que sempre era convidada para viver personagens mais novas.
Betty Gofman está na medida e desperta simpatia com sua voz e trejeitos caricatos. Mas o destaque é o ótimo Mouhamed Harfouch, que faz o papel de diretor.
O problema de “A Vingança do Espelho” é que ela resvala em alguns dos clichês que condena: a atriz “bonita” (Marta Paret) interpreta a bonita; Betty Gofman – que não é exatamente um modelo de beleza – faz a feia; Marcelo Varzea (quem?) é o coadjuvante frustrado; e a Tadeu Mello – o genérico do “Trapalhão” Zacarias – cabe fazer gracinhas.
Outro problema é que a peça termina e começa uma série de vezes. Nem a movimentação entre o elenco e as constantes trocas de figurino aliviam o cansaço das duas horas de espetáculo.
Não é uma peça que mereça o Prêmio Shell ou o APCA, mas é uma boa diversão.

2012/04/28

A ILUSÃO DA ESCOLHA

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 10:23

Talvez esteja bem claro que o Corn Flakes e o Sucrilhos são produzidos pela Kellogg’s. Ou que a Nestlé seja dona do Nescafé e que a Coca-Cola fabrique a Fanta.
Mas a relação produto/fabricante é muito mais complexa do que pode imaginar nossa cabeça de consumidor explorado.
Quem diria que o Hot Pocket (no Brasil distribuído pela Sadia) e os produtos L’Oreal têm parentesco com a Nestlé? Ou que a P&G tem algo a ver com o jacarezinho da Lacoste?
A relação é mais ou menos como a de uma famosa campanha promovida pelo governo brasileiro em 1988: “João que amava Tereza, que amava Raimundo, que amava Maria, que amava Joaquim, que amava Sílvio, que amava Ana, que amava Zeca, que amava Rita, que amava Fábio, que morreu de Aids”.
A revelação vem de um blog francês chamado “Convergence Alimentaire”, que preparou um infográfico que mostra que dez multinacionais controlam tudo o que consumimos: Kraft, Coca-Cola, General Mills, Kellog’s, Mars, Unilever, Pepsico, Johnson & Johnson, P&G e Nestlé.
É bem interessante gastar alguns minutos analisando as ligações perigosas que são estabelecidas longe dos olhos do consumidor e descobrir que escolher assim ou assado na prateleira não muda exatamente nada no faturamento dessas empresas. Vivemos a era da ilusão da escolha.
Basta escolher um produto de sua preferência e rastreá-lo. Não diga que não avisei.
Segundo o site “The Huffington Post”, no ano passado um infográfico semelhante deu uma notícia ainda mais chocante. O site “Frugal Dad” revelou que apenas seis companhias controlam a mídia mundial: GE, NewsCorp (Fox, Wall Street Journal e New York Post), Disney, Viacom, The Warner e CBS.
Em 1983, 90% da mídia americana era controlada por 50 empresas. Em 2011, os mesmos 90% são divididos pelas seis citadas acima.
A campanha do governo brasileiro conseguia dar o recado (“Não morra de amor, use camisinha”). Mas, nesse caso, nem um “Não morra pela boca, boicote esses produtos” funciona…

Vejam o infográfico da “Convergence Alimentaire” em detalhes AQUI e do “Frugal Dad” AQUI

2012/04/27

NOTÍCIA DO DIA

Arquivado em: Cri-crítica — trezende @ 09:13

O título é lindo: “Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios”.
Apesar do nome romântico e suave, o filme é pauleira.
A primeira pista é que a direção é de Beto Brant, o mesmo de “Os Matadores” e “O Invasor”.
A segunda é que baseia-se no livro homônimo de Marçal Aquino – autor de “O Invasor” e de outros títulos tão brandos quanto, como “Cabeça a Prêmio” e “O Amor e Outros Objetos Pontiagudos” (ganhador do prêmio Jabuti em 2000).
A conclusão parece, portanto, óbvia: a alegria não reina e o final não é feliz.
Camila interpreta Lavínia, uma garota de programa drogada que é tirada da marginalidade pelo pastor Ernani (ZéCarlos Machado). Graças à missão do marido, que é transferido pela igreja, Lavínia também abandona o Rio e passa a morar numa cidadezinha no interior Pará, onde vê sua vida de regenerada mudar ao conhecer o fotógrafo Cauby (Gustavo Machado).
Narrado de forma não linear, “Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios” é marcado pela tensão. Os personagens não riem, tudo é cinza e sujo, poucos são confiáveis (o personagem de Gero Camilo que o diga) e nem tudo é explicado com clareza – não se sabe, por exemplo, quem é Cauby ou como ele e Lavínia se conheceram.
Além da belíssima fotografia de Lula Araújo, o destaque é o trabalho dos atores, densos e tensos como a história pede.
Camila Pitanga passa boa parte do filme pelada. O desprendimento e a preparação de dois anos para viver a personagem parecem ter sido recompensados: ela faturou o prêmio de Melhor Atriz no Festival do Rio no ano passado.
Sobre a falta de roupa, ela declarou em entrevistas: “É um órgão feminino exposto, não considero difícil. Não tirei a roupa, mostrei a alma da personagem”.
Camila estreia na nudez, mas seu parceiro de cena, Gustavo Machado, já é especialista no assunto desde que subiu aos palcos, em 2000, com “Toda Nudez Será Castigada”.
“Eu Receberia as Piores Notícias dos seus Lindos Lábios” não é uma notícia boa. Nem má. É apenas uma notícia. Confiram.

2012/04/26

AO GOSTO DO FREGUÊS

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 07:41

Quem já sonhou em ser protagonista de uma história mas não tem disposição – ou não se sente capacitado – para começar a escrever a sua própria, já conta com uma muleta: o site “U Star Novels” (“Você estrela de romances”, numa tradução livre).
Aparentemente trata-se de um serviço de ghost writer, mas pode não passar de um “gerador de livros Tabajara”.
Tudo o que o interessado precisa fazer é escolher um título e fornecer alguns detalhes dos personagens.
O site oferece diversas opções tanto de romances quanto de clássicos da Literatura, como “Drácula”, “Romeu e Julieta”, “Frankenstein”, “Jane Eyre”, “Alice no País das Maravilhas”, “Peter Pan”, “Oliver Twist”, “Razão e Sensibilidade” e “Dr. Jekyll e Mr. Hyde”.
Após a escolha do título, a primeira pergunta: “Que versão você gostaria desse livro: ‘leve’ ou ‘selvagem’?”.
Depois basta dar 30 características, como nome e ano de nascimento das personagens, cor dos olhos, dos cabelos, altura, nome do perfume, do melhor amigo, comida favorita, profissão e nome do animal de estimação.
Na seção de perguntas frequentes do site, o aviso: “A tensão sexual acontece a cada encontro entre o herói e a heroína. Por isso nós desenvolvemos o ‘U Star Lovin-O-Meter’, que ajuda a determinar que livro é mais adequado à pessoa para a qual você está comprando. Os livros são sobre duas pessoas apaixonadas, então é natural que eles façam amor em algum momento da história. Então, por favor, confira a classificação recomendada ao livro antes da compra”.
O “U Star Novels” existe desde 2006 e é uma ideia de Katie Olver, que no mesmo ano ganhou o prêmio “Business Plan of the Year” (“Plano de Negócios do Ano”) do “Start Ups Awards”.
Ela conta que passou um ano e meio trabalhando a ideia, que veio quando procurava na Internet um presente para a cunhada. “Ela adora romances e, como eu não sabia qual ela já tinha lido, pensei que seria ótimo se eu a transformasse na estrela de um livro”.
O número de páginas dos romances varia entre 150 e 180. Já a dos clássicos, entre 120 e 520 páginas.
O preço é de 39,95 dólares (cerca de R$ 75) mais as taxas para os romances e de 24,95 (cerca de R$ 47) mais as taxas para os clássicos.
Fiquei bem curiosa para ler uma obra produzida pelo “supergerador de livros Tabajara”.

Conheçam o site AQUI

2012/04/25

LARICA TOTAL

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 08:51

Jonathan Gold, crítico gastronômico do jornal “Los Angeles Times”, descreve uma experiência inusitada: um jantar com pratos à base de maconha fresca.
“Restaurantes secretos estão em alta em Los Angeles. Você não consegue uma mesa se não conhece alguém ali”, começa o artigo.
Além de conseguir uma mesa, no restaurante comandado pelo chef francês Laurent Quenioux os clientes têm de preencher um questionário que tem o propósito de afastar clientes indesejados. Entre as perguntas, “Se você pudesse ressuscitar ou trazer alguém para esse jantar, quem seria?”.
Se o formulário é aceito, o aspirante a cliente recebe uma resposta por email que inclui uma senha para um site. Lá há uma lista com sugestões de vinho, um alerta para não trazer ninguém, nenhuma substância ou equipamento ao jantar e uma série de instruções.
Segundo Jonathan, o coquetel de entrada era uma espécie de infusão de maconha com óleo de gergelim nada agradável.
Ele diz que, ao convidá-lo para o jantar, o objetivo do proprietário era menos louvar os efeitos psicotrópicos e mais mostrar como os sabores da maconha podem combinar bem com as ervas chinesas tradicionais. “O chef usaria pouca erva fresca para preparar nove pratos para cerca de 30 pessoas”, conta ele.
Jonathan escreve ainda que o perfil dos frequentadores era o que a mídia chamaria de “jovens criativos”. “Na minha mesa estavam um cineasta, um designer que tem um blog de gastronomia, um consultor de restaurantes e Elise McDonough, colunista de um jornal chamado ‘High Times’ e escritora que publicou um livro com receitas à base de maconha”.
“Ninguém sabia exatamente o que esperar, talvez por isso as pessoas estivessem cutucando o peito de pato curado, o peixe e a melancia comprimida tentando compreender se a maconha estava presente na marinada de melão, na guarnição de ervas ou se estaria escondida na mistura de papaia, na perdiz assada ou no porco do mato refogado”, descreve Jonathan.
Segundo ele, a maconha parecia não estar presente em nenhuma das guarnições dos pratos de camarão – cujas cabeças eram fritas à maneira tempurá e o corpo cozido. O sabor aparecia num purê à base de mastruz e numa tigela de mingau de arroz com urtiga e “monkfish” (tipo de peixe).
A sobremesa era uma “panna cotta” com toques cítricos e notas de ervas chinesas com óleo de maconha.
“É engraçado. Mal é possível sentir o gosto da maconha. Geralmente acontece o contrário porque ela tem um sabor forte e adocicado que mascara até os sabores do chocolate. Ou ele é um bom chefe ou eu perdi alguma coisa”, diz a especialista no assunto, a colunista Elise McDonough.
Fica a dica para Paulo Tiefenthaler, do programa “Larica Total”.

2012/04/24

MULA DA SABEDORIA

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 11:04

A ideia é genial: uma universidade na Venezuela está usando um método criativo para levar livros a comunidades remotas e incentivar a leitura.
É o projeto “Bibliomulas”, que são bibliotecas itinerantes que “funcionam” em mulas.
Os animais levam, amarrados ao corpo, um porta-livros com títulos variados e atendem vilarejos isolados na região do Vale do Momboy, no leste da Venezuela, região andina do país.
O projeto – que existe há cerca de cinco anos – é um sucesso.
A ideia é da Universidade de Momboy, uma pequena instituição que se orgulha de suas iniciativas comunitárias e faz muito mais do que se espera das universidades venezuelanas.
O repórter da BBC que acompanhou uma das expedições das “bibliomulas” conta que demorou duas horas para chegar à Calembe, a primeira vila visitada.
“Quem não estava no campo trabalhando aguardava a nossa chegada. As 23 crianças de uma escola estavam excitadas. ‘Bibilomu-u-u-u-las,’ elas gritaram, e já saíram à procura do melhor título dentro da sacola. Dentro de poucos minutos já estavam escutando histórias de Christina e Juana, duas das líderes do projeto”, conta James Ingham.
“Espalhar o prazer da leitura é nossa meta. Mas é um pouco mais do que isso. Estamos ajudando a educá-las sobre outras coisas importantes, como o meio ambiente. Todas as crianças estão plantando árvores”, diz Christina.
A equipe brincou com as crianças, ouviu-as contando histórias, almoçou com os adultos e ouviu sugestões, como a de usar as mulas para o transporte de medicamentos, difíceis de chegarem até a vila.
Graças ao sucesso do projeto, os organizadores equiparam as mulas com laptops e projetores. As “bibliomulas” já viraram “cyber mulas” e “cine mulas”.
Há também a ideia da instalação de rede wireless embaixo das bananeiras.
Existe um projeto semelhante em áreas remotas do Quênia, mas com camelos. Em vez de sacolinhas de plástico, eles carregam pesados caixotes cheios de livros. Trata-se do “Camel Bookmobile”.

Conheçam mais sobre o projeto AQUI

2012/04/23

GOLPE DA PRATELEIRA

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 09:19

Muitas pessoas sabem ignorar emails com golpes do tipo “você foi o vencedor do sorteio da loteria internacional” ou como se manter longe das bolsas de marcas famosas falsas vendidas por camelôs.
Mas de acordo com uma reportagem do site “Yahoo News”, os consumidores estão se tornando presas fáceis no supermercado.
A adulteração, a diluição, a falsificação ou a alteração de rótulos dos produtos das prateleiras é uma tendência em supermercados e lojas que comercializam produtos de uso pessoal.
Apesar de ainda existirem poucos dados a respeito da frequência com que isso acontece, especialistas estão preocupados com essa modalidade de fraude.
Uma pesquisa publicada pelo “Journal of Food Science” analisou os produtos mais alterados e descobriu que eles incluem azeite de oliva, leite e mel. “Há também tomates falsificados, acredite se quiser”, diz Tara Steketee, gerente de uma consultoria de proteção de falsificação.
No caso do azeite, o produto normal é comercializado como se fosse extra virgem ou uma variedade mais barata da Grécia é vendida no lugar de uma italiana de qualidade.
Há também alterações perigosas para a saúde. Um caso famoso citado pela matéria aconteceu na Espanha, onde 600 pessoas tiveram sintomas de intoxicação por consumir azeite que continha lubrificante industrial.
O leite geralmente é alterado com o acréscimo de uma substância química chamada melamina.
O mel representa 7% dos casos de fraude alimentar. No ano passado, testes concluíram que 75% do que estava sendo vendido não continha pólen – a ausência deste componente torna difícil a identificação da origem do produto.
Por que a alteração? Os testes mostram que um terço do mel importado vem da Ásia e é contaminado por chumbo e antibióticos.
Os outros produtos da lista são suco de frutas, produtos para bebês, temperos, álcool e peixe.
Segundo os especialistas, o número crescente de produtos importados consumidos por americanos faz com que a identificação da fraude seja mais complicada.
“A variedade é maior, mas isso aumenta também o risco de as práticas de segurança alimentar serem menos rigorosas”, explica Clare Narrod, da Universidade de Maryland.
Comida é um dos produtos mais fáceis de serem falsificados porque a distinção do real às vezes é muito sutil – um bom exemplo é a venda de tomates normais no lugar dos orgânicos.
Os criminosos sabem que a maioria dos compradores não é capaz de sentir diferenças entre marcas de vinho ou entre variedades de salmão.
Para evitar o problema, os consumidores devem optar sempre por marcas conhecidas. “É a reputação delas que está em jogo”, diz Clare. Outra dica é comprar em locais que não tenham estoques muito grandes.

2012/04/21

REALIDADE FANTÁSTICA

Arquivado em: Folheando — trezende @ 09:11

É impossível passar batido por essa capa.
O livro: “Let’s Pretend This Never Happened” (“Vamos Fazer de Conta que Isso Nunca Aconteceu”).
O subtítulo: “Memórias quase verdadeiras”.
A autora: Jenny Lawson.
Jenny é uma jornalista bem popular na Internet. Conhecida por seu senso de humor, ela tem milhões de seguidores no Twitter e mantém o blog “The Bloggess”, cujo subtítulo é: “Como madre Teresa, só que melhor”.
Em 2011 Jenny ficou em segundo lugar no ranking das “mães blogueiras” mais influentes do ano divulgado pelo site Babble (Babble.com), de conteúdos para pais.
Ela mantém ainda uma coluna familiar no jornal “Houston Chronicle” e é colunista de sexo.
Apesar de escritora popular, Jenny levou 11 anos para escrever seu primeiro livro: “É uma carta de amor para a minha família”, diz ela. Particularmente para filha Hailey, de 7 anos. “Tenho uma memória terrível, então quando for avó isso servirá como um lembrete”.
No livro, ela leva os leitores a uma jornada à sua terra, o Texas, contando fatos de sua adolescência, os anos escolares, a relação tortuosa de 15 anos com o marido Victor, a filha, seus gatos de estimação e a estranha coleção de animais empalhados fantasiados.
Ela também fala de suas tentativas de aprender como confiar nas mulheres – após passar uma semana numa vinícola californiana acompanhada de outras blogueiras
“Cresci como uma menina negra e pobre em Nova York. Exceto pelo fato de ter que trocar “negra” por “branca” e “Nova York” por “interior do Texas”, os assuntos abordados são sobre funções corporais e animais mortos temperados com obscenidades”, diz ela.
No ano passado Jenny levou um rato morto e fantasiado num voo para Nova York. Hamlet von Schnitzel viajou com a jornalista porque ela queria convencer seu editor de que um rato morto é muito mais fotogênico do que ela e poderia se transformar na capa do livro.
A fixação por bichos mortos talvez se explique pelo fato de Jenny ser filha de um taxidermista profissional.
Mas nem tudo no livro de Jenny é piada. Ela conta passagens sobre seus problemas com a depressão e a artrite reumatoide e conclui que os momentos mais vergonhosos de nossas vidas – aqueles que a gente finge que nunca aconteceram – são os que nos definem de verdade.
Enfim, tudo o que precisamos é aprender a rir da desgraça.

P.S.: Amanhã estarei offline. Até segunda!

2012/04/20

E DE PENSAR QUE EXISTIU

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 09:52

Até Barack Obama ser eleito o homem mais poderoso do mundo, os negros americanos já passaram por maus bocados.
Um museu que está prestes a ser inaugurado – no dia 26 de abril – conta por meio de milhares de objetos e documentos como as ideias racistas dominaram a cultura americana por décadas.
O “Jim Crow Museum of Racist Memorabilia” (“Museu das Lembranças do Racismo Jim Crow”), em Michigan, é um local que deve ser evitado por pessoas sensíveis.
Acredita-se que seja a maior coleção de artefatos da era da segregação do país.
Atualmente o acervo conta com 9 mil objetos – nem todos expostos ao público – que mostram afroamericanos por meio de diversos estereótipos. Em alguns casos exaltam a violência contra eles e os representam como seres preguiçosos. As mulheres, por exemplo, são retratadas como “mamas” gordas com aventais e lenços na cabeça.
O nome Jim Crow é comumente relacionado às leis de segregação racial que surgiram entre o fim do período da Reconstrução americana (em 1877) e duraram até o meio dos anos 60.
David Pilgrim, fundador e curador do museu que começou a recolher os objetos ainda na adolescência, não faz apologias. Segundo ele, o objetivo da exposição – avaliada em 1,3 milhão de dólares – é levar às pessoas a pensarem. “É uma exposição educativa, não um santuário racista”, explica.
David – ex-professor de Sociologia na universidade de Ferris State – iniciou sua coleção na década de 70, no Alabama. Durante todo esse tempo, conta ter gastado mais tempo em antiquários e mercados de pulga do que as próprias pessoas que trabalham nesses lugares. “De repente minha coleção virou tudo. Era a maneira que eu encontrava para relaxar”, diz ele.
Em 1996, David doou suas 2 mil peças à universidade após concluir que elas precisavam de “uma casa real”.
Durante 15 anos os objetos ficaram expostos numa única sala e podiam ser vistos após agendamento. Graças à ajuda da universidade e de outros doadores, a coleção ganhou um lugar permanente.
Alguns visitantes deixam o museu ofendidos ou nervosos.
Um dos estudantes da universidade ficou particularmente “mexido” com uma série de itens sobre o presidente Obama. Uma camiseta numa vitrine com a inscrição “Obama 08” é acompanhada de uma ilustração de um macaco segurando uma banana.

Confiram mais fotos AQUI

2012/04/19

SANSÃO NÃO ESTÁ SÓ

Arquivado em: Folheando — trezende @ 08:16

O “Livro do Cabelo”, da jornalista, escritora e pesquisadora Leusa Araujo, é um tapa da cara de quem acha que cabelo é um assunto fútil restrito às desocupadas que frequentam o salão numa terça-feira à tarde e discutem temas como escova de chocolate ou cauterização.
O livro é de-li-ci-o-so e contextualiza o cabelo em diversos períodos históricos e em diferentes sociedades.
Segundo a autora, o cabelo deixa pistas valiosas em diferentes épocas e partes do mundo. Como ele não se decompõe facilmente graças à queratina e continua a crescer mesmo após a morte do indivíduo, o cabelo tornou-se símbolo de ressurreição para muitos povos.
“Esse ‘poder mágico’ fez com que inúmeros povos temessem os fios de cabelo quando separados da pessoa e acreditassem que mantivessem uma comunicação com o sobrenatural. Prova disso são os rituais de expulsão dos maus espíritos que acompanham o corte de cabelo nas sociedades tradicionais, o uso de fios nos feitiços e sortilégios e sua oferta nas promessas religiosas”, diz um dos capítulos.
O livro fala também sobre o xampu – uma invenção relativamente nova (do século 20).
Antes de existir esse poderoso detergente, a saída era “empoar” a peruca, ou seja, jogar uma nuvem de talco sobre os fios para que ele absorvesse a gordura do couro cabeludo (foto acima).
O talco – à base de polvilho ou pó do Chipre – era borrifado com a ajuda de alguém, já que o “empoado” precisava cobrir o rosto com um cone de papel para resguardar o nariz e impedir a aspiração no momento da aplicação. Os homens preferiam o tom branco. As mulheres, rosa, violeta ou azul.
Já as perucas nascem com um significado ritualístico ou cerimonial. Nas sociedades tradicionais há uma peruca para o casamento, para a guerra, para determinada festa ou comemoração. Numa tribo da Papua Nova Guiné, até hoje os jovens usam uma peruca especial no dia do casamento – feita com o próprio cabelo do noivo após dois anos de crescimento.
Muito tempo depois as perucas se tornam uma alternativa à calvície, na França, e aos poucos começam a ser utilizadas como ornamento pelas francesas. Algumas perucas tinham proporções arquitetônicas: chegavam a pesar cerca de oito quilos e eram sustentadas por armações de ferro tão altas que era necessário rebaixar o assento das carruagens. Algumas vezes elas recebiam adornos como pedras preciosas, fitas, flores e até legumes.
Leusa conta também da existência de um lugar curioso na Índia: o templo de Sri Venkateswara, na cidade de Tirupati, sul do país. Lá acontece uma peregrinação de fiéis (mais de 50 mil por dia) que oferecem seu cabelo ao deus Vishnu. Há 600 barbeiros oficiais para corte total das madeixas. O templo vende as aparas de cabelo e arrecada dinheiro. Resultado: é o mais rico do continente.
A origem da palavra “dreadlocks” também é interessante. Ela teria surgido nos tempos da escravidão e vem de “dreadful” (“horrível”, “pavoroso”), que era o estado apresentado pelos cabelos dos negros que chegavam nos navios negreiros após meses de viagem.
Por volta de 1860, nos Estados Unidos, surge uma elite mulata conhecida por “bonafide” que leva a discriminação interracial ao extremo.
Em algumas igrejas havia o “teste do pente”: um pente fino era pendurado na porta da frente. Cada pessoa que quisesse entrar tinha de passar o pente pelas madeixas. Se o pente deslizasse, a entrada na igreja era permitida.
Ricamente ilustrado, o “Livro do Cabelo” é imperdível.

2012/04/18

O BAFO DE CADA DIA

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 09:55

Listerine, Cepacol, Colgate Plax, Periogard, Oral-B, Colgate Luminous White… Na seção de higiene pessoal do supermercado encontramos diversas marcas de enxaguantes bucais com uma promessa dois em um: o sorriso fresco e a alegria de viver do comercial de TV.
Alguns deles pegam emprestado frases dos rótulos dos protetores solares e desodorantes e oferecem “12 horas de proteção” contra a placa bacteriana e as bactérias que causam o mau hálito. Outros juram que os dentes ficam 50% mais fortes.
Mas deixando de lado todos os milagres oferecidos pelos especialistas em marketing: os enxaguantes bucais são realmente essa Coca-Cola toda? Ou tudo não passa de uma falácia de uma indústria que movimenta 689 milhões de dólares por ano só nos Estados Unidos?
Um artigo do site “The Atlantic” volta no túnel do tempo e explica que a nossa obsessão pelo hálito fresco tem uma história que remonta séculos. Ainda que a conclusão sobre a eficácia dos enxaguantes seja frustrante, o artigo é interessante.
Os chineses antigos eram conhecidos por enxaguarem a boca usando urina de criança para deixarem a gengiva limpa. Já estudiosos gregos como Hipócrates e Pitágoras sugerem uma solução à base de sal, alume (tipo de mineral) e vinagre.
Em alguns lugares, livrar-se da halitose significava mastigar substâncias naturais em vez de enxaguar a boca: “A Bíblia (Gênesis) menciona a ‘mástique’, uma resina aromática usada em países mediterrâneos por milhares de anos que talvez tenha dado origem ao chiclete. Outros costumes incluem salsinha (Itália), dentes de alho (Iraque), casca de goiaba (Tailândia) e casca de ovo (China). O Talmud (“Livro Sagrado dos Judeus”) sugere grãos de pimenta”, conta o artigo.
Com o Renascimento as pessoas “evoluíram” para o álcool e passaram a enxaguar a boca com vinho ou cerveja. Cinco séculos depois o álcool permanece como o principal ingrediente da maioria das marcas disponíveis no mercado.
Acredita-se que o Listerine original – “cor de ouro” – tenha 26,9% de álcool na fórmula.
Os enxaguantes à base de álcool são constantemente relacionados às altas taxas de câncer de boca, mas os fabricantes afirmam que nada está clinicamente comprovado.
Os especialistas dizem que o álcool sozinho não provoca câncer, mas uma enzima do organismo o transforma numa substância que pode eventualmente alterar as células da boca e causar tumores.
Desde a metade da década de 80 experiências têm demonstrado que o enxaguante bucal realmente tem efeito sobre a placa bacteriana e a gengivite – ainda que em diferentes graus.
Conclusão: ninguém sabe, ninguém viu. Pode ser, pode não ser. Pode ser que sim, pode ser que não. Depende. Ou não.
Na dúvida, escove os dentes, passe o fio dental e imagine que sua vida é um comercial da Kolynos.

2012/04/17

TREINAMENTO PARA FAQUIR

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 08:18

Tudo o que uma noiva sonha é subir ao altar linda num vestido sereia, nem que para isso tenha de passar um mês à base de água e alface. Ou como um paciente de UTI – com um tubo enfiado no nariz e uma bolsinha a tiracolo.
Nos Estados Unidos, as noivinhas determinadas a perderem os quilos extras têm recorrido a um novo e controverso método de emagrecimento, a chamada “Dieta K-E”.
A dieta – que promete eliminar 9 quilos em dez dias – tornou-se uma alternativa aos tradicionais métodos de contagem de calorias como o dos “Vigilantes do Peso”.
A “técnica” consiste em inserir um tubo no nariz que alcança o estômago. Durante os dez dias, o tubo transporta em doses homeopáticas uma mistura de proteína, gordura e água que não contém carboidratos e soma 800 calorias por dia.
“A gordura corporal é queimada através de um processo que deixa o músculo intacto. É um método sem fome e eficaz. Dentro de poucas horas a fome e o apetite somem completamente, então os pacientes não ficam exatamente famintos durante os dez dias. Isso é o mais inacreditável sobre essa dieta”, explica à rede de TV americana ABC o médico Oliver Di Pietro.
Ele diz ainda que os pacientes ficam sob constante supervisão médica – apesar de não permanecerem hospitalizados durante o processo. Basta andar com a bolsinha que traz a “solução”.
Segundo o médico, há poucos efeitos colaterais: mau hálito e prisão de ventre, já que não há fibras na alimentação. Pobre noivo.
Pessoas com problemas nos rins devem evitar a dieta.
Outro efeito colateral é no bolso. O dr. Oliver cobra 1.500 dólares pelo plano de dez dias.
Uma das noivas entrevistadas pela reportagem conta que não sentiu fome, mas que emocionalmente foi muito difícil não comer nada durante o período. “Algumas vezes tive de inventar desculpas às pessoas que me perguntavam se eu estava doente. ‘Não estou doente, não estou morrendo, estou bem’”, diz Jessica Schnaider, de 41 anos.
Apesar de estar em alta nos Estados Unidos, a “Dieta K-E” já é realidade na Europa há alguns anos.
Alguns críticos da dieta alertam que perder peso rapidamente pode ser perigoso. “Se você emagrece muito rápido seu cérebro não é capaz de visualizar o novo e magro visual”, explica a psicanalista Bethany Marshall.

2012/04/16

COMLURB E COM AFETO

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 07:59

Lixão é o assunto da moda. Na novela ele serve até como palco para o romance, mas na vida real é um drama verdadeiro.
Para chamar a atenção para os problemas gerados pelo lixo em Cingapura, a fotógrafa Zinkie Aw produziu a série “The Republic of Pulau Semakau”.
Em 1999, após os lixões de Cingapura apresentarem-se com suas capacidades esgotadas, as autoridades não viram problema: inauguraram um novo. O local escolhido foi uma ilha inteira: a ilha de Pulau Semakau, ao sul de Cingapura.
O aterro sanitário Semakau foi construído depois da interdição da ilha e de uma ilha adjacente com a ajuda de uma barreira rochosa.
A maior parte do descarte recebido no aterro é de cinzas resultantes da incineração de plantas. As autoridades garantem que se trata de um local limpo e sem cheiro.
Em 2005 a ilha foi aberta para “atividades recreativas”, virou ponto turístico e recebeu mais de 13 mil visitantes em 2010. A previsão é que ela terá condições de receber toneladas de lixo até 2045.
O trabalho de Zinkie reúne imagens de 26 residentes de Cingapura pertencentes a diversas classes sociais, profissões e idades. Cada um deles – sem mostrar o rosto – posa com seus descartes em seus respectivos “habitats”.
Lindas e coloridas, as fotos trazem a reboque a mensagem sobre como nossos hábitos de consumo têm impacto sobre o planeta.
“Nunca nos ocorre onde todo esse lixo vai parar num lugar de pouca extensão de terra e cheio de gente”, diz a artista em seu site. “As coisas que jogamos fora dizem muito sobre quem somos. Cestos de lixo são quase que uma ‘autópsia da identidade’”.

Confiram o site de Zinkie AQUI

2012/04/15

DE PERNAS PRO AR

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 09:22

Quem já esteve num bairro de periferia sabe que eles invariavelmente ajudam a compor o quadro caótico. Entre casinhas simples, gatos de eletricidade e gatos reais, os tênis que pendem dos fios de eletricidade são parte integrante do cenário.
De acordo com uma reportagem do site “Environmental Graffiti”, “seria fácil dar de ombros diante da visão de um ou dois pares de tênis pendurados nos fios, mas é um fenômeno mundial que não pode ser ignorado. A quantidade deixa claro que não se trata apenas de uma brincadeira entre amigos ou da vingança de alguém que foi alvo de bullying. Existem várias teorias a respeito, mas nenhuma conclusão evidente”.
Tênis que balançam no ar são encontrados nos Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Austrália, Nova Zelândia, Argentina, México, Equador e Brasil.
A teoria que prevalece é a de que se trataria de uma atividade ligada a gangues. Acredita-se que tênis nos fios de alta tensão indicam o ponto de drogas da rua, assassinato no local ou ainda sirvam para demarcar a fronteira entre gangues rivais.
No entanto, há lugares em que existem vários pares de tênis nos fios e não há atividade de gangues ou traficantes. “Um artigo sobre lendas urbanas indica que a polícia não encontrou relação entre tênis e atividade de gangues”, diz a matéria.
Os tênis – ou sapatos, em alguns casos – poderiam representar também um rito de passagem. Estudantes que concluíram o primeiro ano no colégio ou na faculdade comemorariam o fato arremessando os tênis nos fios. “Na Segunda Guerra Mundial os soldados jogavam suas botas sobre os fios ou sobre cabines telefônicas ao fim do treinamento básico ou do período do serviço militar. Nesses casos, a bota era pintada de laranja”.
“Mas o mais legal é pesquisar fóruns na Internet que discutem o tema. Os leitores comentam que há blogs voltados para a prática – chamada de ‘shoefiti’. Na Colômbia, os tênis nos fios têm a ver com a recuperação da saúde de uma criança; na Venezuela, com a esperança de ganhar um par novo; na Espanha, para que a chuva venha em tempos de seca; na Guatemala, para espantar morcegos; na Escócia, para simbolizar a perda de virgindade dos meninos”.
Acredita-se que o termo “Shoefiti” tenha sido inventado pelo fotógrafo americano Ed Kohler, que em 2005 criou um blog com diversas imagens dessa “arte” pelo mundo.

Visitem o site de Ed AQUI

2012/04/14

A VIDA É UM DOCE

Arquivado em: Cultura inútil — trezende @ 09:48

E lá se vão 100 anos que o “inaufragável” naufragou. No dia 14 de abril de 1912 o noticiário só tinha páginas para o Titanic.
Cem anos depois, as notícias e curiosidades do dia parecem ter afundado junto com ele. Na maré da falta de assunto de hoje, só sobra espaço para um pouco de cultura inútil. Portanto, nos afundemos nela.
Segundo um estudo publicado pelo “Journal of Personality and Social Psychology”, pessoas que gostam de doce têm predisposição para serem mais agradáveis, amigáveis e prestativas – açucaradas, enfim – do que os que preferem outros tipos de sabores, como comidas apimentadas ou ingredientes amargos.
“Nossos resultados sugerem que há uma forte relação entre sabores doces e comportamento social”, diz Michael D. Robinson, da Universidade de Dakota do Norte.
As conclusões foram tiradas a partir de cinco testes envolvendo universitários.
Uma das experiências comparou pessoas que comeram um tipo de chocolate com um grupo que comeu um biscoito salgado ou não comeu nada. Aqueles que comeram o doce se mostraram mais dispostos a ajudar os outros.
Quem simplesmente desconsidera, ignora ou acha óbvio demais o estudo americano, o jornal “Baltimore Sun” elaborou um guia divertido – e verdadeiro até. “O que seu doce favorito revela sobre sua personalidade”.
De acordo com o jornal, gostar de “Snickers” é sinal de indecisão: “Você quer chocolate? Ou as castanhas? Você não sabe. Ou sabe?”. Já os amantes do torrone são fazendeiros frustrados. “No fundo você é uma alma doce que ama cultivar ervilhas e fazer xarope de ‘maple’ (bordo)”.
Os demais chocolates citados no guia não são tão populares por aqui, então elaboremos nosso próprio guia personalidade x chocolate:
- Suflair: convence-se fácil por comerciais e compra tudo o que vê na TV. O sonho de todo publicitário;
- Bis: típica pessoa esforçada. Pretende comer só um, mas devora quase a caixa inteira;
- Amandita: distraído. Não sabe, mas gosta mesmo é de manteiga com sabor;
- Confeti: metódico. Tem toda uma técnica para comer o pacotinho. Primeiro os amarelos, depois os verdes, os brancos e assim por diante;
- Sonho de Valsa: o eterno apaixonado;
- Chocolate com barra de cereal: o que se engana que está sendo saudável;
- Diamante Negro: tradicional ao extremo, é o mesmo tipo que come Prestígio e Sensação;
- Kit Kat: come para dizer que é chique, já que só de uns tempos para cá apareceu nas nossas prateleiras;
- Chocolates amargo e meio amargo: chato de galocha. Sua frase típica é: “não gosto de doce muito doce”;
- Chocolate Surpresa: quem comprava o Surpresa na infância estava mais preocupado em completar o álbum dos animais do que em comer o chocolate;
- Talento: liberal, gosta de novas experiências;
- Toblerone: bon vivant. Gasta R$ 30 numa barrinha de 30 gramas porque tem dinheiro para tanto.

Novas sugestões?

2012/04/13

ASSIM PEDIU ASTOLFO

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 08:41

Anos depois de a palavra “metrossexual” entrar para o nosso vocabulário, em 2003, nada impressiona mais no fato de os homens irem à manicure ou recorrerem a tratamentos faciais.
No entanto, ultimamente, os cuidados masculinos com a beleza deram um passo em direção ao que anteriormente era reservado unicamente às mulheres: a depilação dos países baixos.
Segundo uma reportagem do “The New York Times”, a depilação de virilha tem se tornado popular não apenas entre nadadores profissionais e modelos de moda íntima. “É geral. É a comunidade gay, a comunidade hétero, os caras mais conservadores, os caras mais liberais. Está muito maior do que podíamos imaginar”, diz Mike Indursky, presidente de uma rede de spas em Nova York que oferece uma depilação masculina brasileira chamada “Ultimate He-Wax” por 125 dólares.
Desde que Mike passou a oferecer o tratamento – em fevereiro do ano passado – o número de clientes quase dobrou. A maioria deles é brasileiro.
Em outra rede de salões voltada aos homens – a “Face to Face” – cerca de 70% do atendimento semanal é de depilação íntima. “Quando comecei, há oito anos, pensei que ninguém fosse vir, mas o negócio cresceu. De dois anos para cá tem sido uma loucura”, diz Enrique Ramirez, o proprietário.
O salão de Enrique oferece a “Brazilian” completa – também chamada de “South of the Border” (“Sul da Fronteira”, ao pé da letra). Também está no menu o “Pejazzling”, que é a colocação de pequenos cristais em formato de estrelas e golfinhos na parte depilada.
Um dos entrevistados da matéria, o músico e produtor musical Evan Scott, de 32 anos, tem feito a depilação básica há cerca de dois anos. “Gosto de me apresentar sem roupa, então acho que isso é uma extensão da minha apresentação”, diz ele.
Alguns homens acham que há um benefício extra em fazer a depilação: aumentar os encantos da “atração principal”.
Mas como nós mulheres sabemos, a depilação da virilha pode doer um bocado. Para evitar o sofrimento, alguns homens tomam um “Advil” ou um copo de vinho antes da sessão.
Para os homens que se sentem incomodados em tirar as calças num salão de beleza – independentemente de a esteticista ser homem ou mulher – foram lançados diversos equipamentos depilatórios masculinos.
“Não é exatamente um nicho, mas diversos homens estão nessa”, explica Kristi Crump, diretor de marketing do setor de produtos pessoais da “Philips Norelco América do Norte”.
No ano passado, as vendas desses produtos cresceram 22% e, segundo uma pesquisa com clientes citada por Kristi, a maioria usa para a virilha.
Apesar da dificuldade de manutenção, os donos de salão dizem que os homens sempre voltam. “Eles dizem: ‘É melhor do que ter aquela bagunça lá embaixo’”, conta Mike Indursky. “Você se sente mais confiante, te deixa mais masculino até. Soa como um paradoxo, mas não é”, completa Mike.
Vaidade? Que nada. Os homens que fazem a depilação íntima dizem que é por sugestão da mulher.
Melhor não perguntar o nome da moça. Podemos ouvir um “Astolfo” como resposta.

2012/04/12

PARA A NOSSA TRISTEZA

Arquivado em: Matutando — trezende @ 07:40

Alguém arrisca um palpite sobre quem seria a Scarlett Johansson do Brasil?
a) Ângela Bismarchi
b) Loira do Tchan
c) Joelma
d) Geisy Arruda
e) a ex-BBB Renateenha
Nenhuma das anteriores. A resposta é surpreendente: Sônia Abrão.
Nesta semana fomos agraciados com uma pérola: a apresentadora vestida apenas com um maiô preto posando de frente para o espelho. A foto, tirada pela própria Sônia, foi feita com o seu celular.
Mas ao contrário de Scarlett – cuja imagem comprometedora vazou na Internet em circunstâncias não esclarecidas – a própria apresentadora “flagrou-se” no momento íntimo. Fato. O motivo é que é um mistério. Qual seria a real intenção de Sônia Abrão?
Pelo o que ela diz, nenhuma. Foi só uma distração misturada à desinformação.
Numa entrevista ao site “Ego”, a apresentadora se mostrou surpresa com a repercussão que a imagem gerou – forte candidata a “meme”, como o vídeo do “Para a nossa alegria” ou Angelina Jolie e seu vestido com fenda na festa do Oscar.
Sônia Abrão declarou que pensou que o “Instagram” era fechado. Hã hã.
“Fiz essa foto durante um ensaio para uma revista de dieta, mas a própria capa foi de roupa porque não me senti tão à vontade”, explicou. Hã hã. E que revista publicaria na capa uma foto desfocada, escura e sem produção como essa?
A desculpa esfarrapada continua: “Estava mexendo em umas fotos de uma viagem, achei essa e resolvi publicar. Achei que ninguem iria ver, fiquei surpresa”. Hã hã.
Rata de TV, Sônia conhece exatamente a receita para chamar a atenção de seus colegas fofoqueiros. Portanto, essas justificativas não convencem. Restam outras opções:
a) uma tentativa de mostrar que em sua vida também há espaço para a sensualidade – apesar de só falar em desgraça e ter uma língua ferina disfarçada num tom de voz sereno
b) “causar”, porque está incomodada com a audiência da concorrente de horário e de emissora Adriane Galisteu
c) talvez esteja prestes a publicar um livro de receitas ou algo parecido e precisa de publicidade. Pegou carona na compra do “Instragam” pelo “Facebook” e deu certo
d) homenagear Wando
Como jornalista, Sônia deveria estar mais informada sobre as facilidades da Internet.
Se o objetivo era só “sensualizar”, ela conseguiu – no máximo e muito ao longe – lembrar uma Morticia Adams. E como já estão dizendo, trair a “TecPix”.

2012/04/11

VIAJAR É PRECISO

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 08:51

O que você faz em voos de longa duração? Lê, assiste a um filme, enche o saco dos outros levantando-se a cada 10 minutos para ir ao banheiro, abre e fecha a persiana mesmo sem ter o que olhar lá embaixo, chama a comissária e pede água, refrigerante ou pergunta quando vai sair a merenda?
A artista californiana Nina Katchadourian não faz nada disso. Ela produz autorretratos com a câmera de seu celular – especialmente no banheiro da aeronave.
A série “Seat Assignment” começou há cerca de dois anos. Num voo doméstico, ela espontaneamente colocou na cabeça o lenço de papel que recobre a poltrona do avião e tirou uma foto em frente ao espelho. “A imagem evocou um retrato belga do século 15”, conta Nina em seu site.
Depois disso ela decidiu fazer mais imagens do tipo e aproveitar um longo voo entre São Francisco e Auckland (Nova Zelândia) para criar dentro do toalete “imaginando que provavelmente haveria longos períodos em que ninguém usaria o banheiro num voo de 14 horas”.
“Fiz diversas investidas no banheiro e quando o avião pousou tinha uma grande quantidade de novas fotografias intituladas ‘Autorretratos no Toalete ao Estilo Belga’. Eu usava um cachecol preto e algumas vezes o colocava atrás para criar o fundo negro típico desses retratos”.
Segundo ela, em nenhuma das imagens há iluminação especial, apenas a luz do próprio banheiro.
Além do lenço que recobre a poltrona, Nina utiliza papel higiênico, copinhos, o plástico que envolve os talheres, o cobertor, papel para secar as mãos, travesseiro inflável e o que mais estiver à mão – até um reflexo dela no cinto de segurança do passageiro ao lado rendeu-lhe uma fotografia.
No site há 18 imagens, mas o projeto todo já conta com mais de 2.500 fotografias e vídeos realizados em mais de 40 voos.
O trabalho ganhou uma exposição que fica em cartaz entre 14 de abril e 26 de maio na Catharine Clark Gallery, em São Francisco.

Vejam mais fotos AQUI

2012/04/10

SHAVE THE WORLD

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 08:04

Nos últimos anos, salões de beleza e clínicas no Paquistão encontraram um mercado promissor nas maiores cidades do país e têm contribuído para alimentar uma indústria poderosa: a de beleza masculina.
Como em qualquer outra cidade do mundo, a indústria da beleza se dedica às mulheres, mas na segunda maior cidade do Paquistão, Lahore, a correspondente do site da CCTV (Televisão Central da China), Farzana Fiaz, descreve uma realidade um pouco diferente. Aparência é algo que preocupa – e muito – os homens paquistaneses.
Segundo ela, “o senso comum diz que Lahore é a capital de estilo do país”.
Aamer Bhukari, dono de um dos salões visitados pela reportagem, conta que os tratamentos capilares mais pedidos são os para caspa e para queda de cabelos. Depois vêm os de pigmentação e problemas para a pele escura seguidos dos liftings faciais. “Mas a mais procurada atualmente é a depilação para peito. Se você tem músculos mas seu torso é peludo você não pode mostrar seus contornos”.
Esses cuidados com a aparência não saem barato.
Os preços chegam às milhares de rúpias para tratamentos médios – ou quatro vezes o que ganha um paquistanês por dia. No entanto, a maioria dos homens acha que vale a pena.
Segundo alguns especialistas ouvidos pela reportagem, o mercado dos salões de beleza no Paquistão vale mais de 400 milhões de dólares e cresceu 300% nos últimos seis anos.
Grande parte dos clientes são noivos e convidados para festas de casamento.
No Paquistão, a maioria dos cerimônias dura alguns dias e geralmente leva as economias de uma vida inteira, o que faz a indústria de beleza milionária.
A beleza pode ser inclusive um assunto de vida ou morte. Uma matéria publicada ontem pelo jornal “The Telegraph” conta a história de Amir Muhammad Afridi, que foi obrigado a deixar a cidade em que morava para salvar seu bigode.
Amir – que cultivava um bigodão havia 18 anos – foi capturado por um grupo de extremistas e, cercado por homens armados, viu seu objeto de adoração ser reduzido a algo “ordinário”, como ele descreve.
Na época, seu bigode tinha cerca de 30 centímetros e era o orgulho dele e de toda a tribo. Ele até recebia uma quantia mensal das autoridades para fazer a manutenção do bigode.
Para não correr risco de vida, Amir se mudou com a família para a cidade de Peshawar, onde vive anonimamente.
“Prometi a mim mesmo que rezaria até a morte, mas nunca entregaria meu bigode”, diz Amir ao jornal.

Leiam a matéria do “The Telegraph” AQUI

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