O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2012/03/13

É IMORTAL

Filed under: Folheando — trezende @ 09:50

Por que é tão difícil nos livrarmos de um hábito?
Cortar a sobremesa, estabelecer uma rotina de exercícios físicos, parar de fumar, de comer doce à tarde? Tudo muito difícil, muito sofrido, mas não impossível.
Algumas respostas estão no recém-lançado “The Power of Habit” (“O Poder do Hábito”), de Charles Duhigg, repórter do “The New York Times”.
Uma vez instalado, é muito difícil livrar-se de um hábito. Ele nunca morre. Segundo o autor, os hábitos são 40% de nossa rotina.
O processo que o cria dentro do nosso cérebro é um círculo vicioso de três passos: o gatilho, a rotina e a recompensa.
O gatilho é o que dá o sinal verde para o cérebro funcionar no modo automático. A rotina pode ser física, mental ou emocional. E a recompensa é o que ajuda o cérebro a perceber que vale a pena ele se lembrar desse círculo vicioso no futuro.
Com o passar do tempo esse ciclo – gatilho-rotina-recompensa- gatilho-rotina-recompensa – fica mais e mais automático.
O mais difícil nesse processo de gatilhos e recompensas é que ambos são muito sutis e difíceis de serem identificados.
Portanto, quem não está muito determinado a lutar contra um hábito, fará com que ele volte. Hábitos não são destino – eles podem ser ignorados, mudados ou substituídos. Mas nunca desaparecem. Apenas adormecem.
Exemplo: se você quer começar a correr todas as manhãs é essencial escolher um gatilho (colocar os tênis antes do café ou deixar as roupas de corrida ao lado da cama) e uma recompensa (um agradinho no meio da tarde ou simplesmente a sensação de dever cumprido após o exercício).
Quando o cérebro começa a antecipar a recompensa passará a ter um mensurável impulso neurológico que vai lhe ajudar a colocar os tênis todas as manhãs.
O próprio Charles Duhigg dá seu depoimento ao site “Amazon”. Desde que começou a escrever o livro, perdeu quase 14 quilos porque aprendeu a diagnosticar seus hábitos e conseguiu mudá-los.
Atualmente ele corre em dias intercalados e está treinando para a Maratona de Nova York.
Charles conta que tinha um péssimo hábito sempre às 3h30 da tarde: comer biscoitos de chocolate. Depois de prestar atenção a seu comportamento e a submeter-se a testes que ele mesmo se propunha, descobriu que a razão que o levava à cafeteria não era a vontade de comer biscoitos. Ele estava, no fundo, querendo conversar com os amigos da empresa enquanto mastigava. Sua recompensa não era o prazer proporcionado pelo biscoito, mas a socialização com os colegas.
Ciente disso, “reconstruiu” o hábito. Hoje, sempre às 3h30 da tarde, ele se levanta de sua mesa, dá uma volta, conversa uns 10 minutos com alguém e nem pensa no que está fazendo. Está no automático. Diz que não come um cookie há seis meses.
Mais impressionante do que entender a formação dos hábitos na nossa vida é perceber como as empresas usam a “ciência do hábito” para estudar e influenciar o que compramos.
Nós, consumidores, somos verdadeiros ratos de laboratório.
As grandes corporações usam diversos métodos invasivos para descobrir nossos hábitos de consumo, tornar o momento da compra mais atraente e nos fazer comprar mais – tanto fisicamente, nas lojas, quanto pela Internet.
O caso mais revelador citado no livro é o da rede de supermercados “Target”, que criou um sistema secreto que descobria – baseado no padrão de compras das mulheres – quando elas estavam grávidas. Daí a “Target” passava a enviar cupons de desconto de produtos relacionados ao cuidado de bebês.
O problema é que o supermercado começou a mandar promoções para uma adolescente antes mesmo que o pai dela soubesse da gravidez.
O caso acabou rendendo na imprensa americana e causou até uma briga entre o “The New York Times” e a revista “Forbes”, que deu a notícia sem citar a fonte.
Agora é esperar pelo lançamento de “The Power of Habit” no Brasil.

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