O Mundo Gira, A Lusitana Roda…

2012/03/31

CAFEZINHO DA PAZ

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 08:37

Sempre que escuto alguém dizendo que tomou café para despertar ou para se manter acordado acho que tenho algum desequilíbrio neurológico. No meu organismo, a bebida tem um efeito oposto. É tiro e queda: nada como uma caneca de café caprichada para me fazer dormir como uma anjinha.
Primeiro a sensação de saciedade, depois o aconchego no estômago e, por fim, o efeito tranquilizante que me leva a contar carneirinhos dentro de pouco tempo.
Agora minhas suspeitas de distúrbio neurológico chegam ao fim – e da melhor maneira possível. Um estudo acaba de descobrir que a cafeína não age da mesma forma em todos os indivíduos. Em pessoas já motivadas, o efeito é o oposto.
Pesquisas nem sempre são um bom termômetro para o mundo real. Algumas são óbvias (“Pesquisadores australianos divulgaram a única forma comprovada de perder peso: comer menos e se exercitar mais”) e outras absurdas demais (“Pesquisa conclui que homens tatuados são mais saudáveis”). No caso da cafeína, no entanto, posso confirmar: é tudo verdade.
“Diariamente milhões de pessoas usam estimulantes para acordar, ficar alerta e aumentar a produtividade – de caminhoneiros a estudantes que estudam muito”, diz Jay Hosking, candidato a PhD do Departamento de Psicologia da Universidade de Columbia que conduziu o estudo.
“Os resultados sugerem que alguns estimulantes têm efeito oposto nas pessoas que naturalmente favorecem as tarefas mais difíceis, as que vêm com maiores recompensas”, explica Jay.
Para chegar à conclusão, o estudo – publicado pelo jornal científico “Nature’s Neuropsychopharmacology” – analisou o impacto dos estimulantes nos ratos.
Assim como os humanos, alguns ratos são mais capazes de resolver problemas do que os outros. Nos ratos “ocupados”, café e anfetaminas os deixaram menos ativos. Nos preguiçosos, aconteceu o oposto.
A pesquisa sugere que a quantidade de atenção mental que as pessoas empenham para atingir seus objetivos é importante para determinar como os estimulantes as afetam”, diz Jay.

2012/03/30

DAY SPA

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 07:39

Só de olhar essa cara já dá fome. Todo mundo conhece o Larry, o tiozinho que ilustra as embalagens de aveia Quaker.
O garoto-propaganda já foi confundido algumas vezes. Eu, por exemplo, durante muito tempo achei que ele fosse uma tiazinha – uma versão americana da Dona Benta. Nos Estados Unidos, houve quem achasse que ele era Benjamin Franklin.
Passaram-se vários anos e o rosto dele continua o mesmo, mas os cabelos… também.
Depois de 134 anos, a fabricante Pepsico resolveu dar um tapa no visual de Larry.
O tiozinho emagreceu – perdeu quase dois quilos e meio –, perdeu a papada, ganhou um rosto mais jovem, ombros mais largos e até um corte nas pontas do cabelo que deixou seu pescoço com aparência mais longa. O objetivo é enfatizar as características saudáveis do produto.
É muito difícil notar a diferença no antes e depois de Larry, mas segundo o “Hornall Anderson” – o estúdio de design responsável pela mudança –, o objetivo é esse mesmo.
A “repaginada” em Larry é parte de uma tentativa para manter a marca moderna e inovadora sem abrir mão da tradição.
A “Quaker Oats” tornou-se uma marca registrada de cereal matinal em 1877. Os proprietários, Henry Seymour e William Heston, queriam que seus produtos fossem associados a boa qualidade e honestidade. Então, nada melhor do que usar a imagem de um homem vestido como um “quaker”, cujas qualidades incluiriam integridade, honestidade e pureza.
“Quaker” é um grupo religioso com origem num movimento protestante britânico do século 17. Os quakers também são chamados de “Sociedade Religiosa dos Amigos”.
O esforço da marca para se manter atual no mercado é compreensível, mas se associamos Larry a alguma coisa é à comilança e ao conforto. Ou alguém toma um belo prato de mingau de aveia pensando estar sendo saudável?
Larry tem cara de bolinho de chuva.

2012/03/29

PAROU POR QUÊ?

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 07:35

Há um tipo de informação que deveria ser extirpada da programação de rádios e TVs: a situação do trânsito na capital paulista. Todos os dias os pontos de congestionamento são EXATAMENTE os mesmos.
Entre mensagens de texto e emails, os ouvintes fazem perguntas do tipo: “Como está a Radial sentido centro?”; “Como está a chegada a São Paulo pela Anchieta?”.
Dentro de poucos minutos, as respostas: “A Marginal do rio Tietê sentido Castelo Branco totalmente parada da ponte Cruzeiro do Sul até a Ponte das Bandeiras pela pista local”; “Na Dutra, do 223 ao 225, você anda devagar”; “A chegada a São Paulo pela Imigrantes está complicada”; “Dificuldades também na praça Campo de Bagatele até a avenida do Estado”; “A Brás Leme está congestionada nos dois sentidos”; “A Radial está ruim em direção ao centro desde o viaduto Conselheiro Carrão até o Guadalajara”; “O corredor Norte-Sul travado em direção ao aeroporto”.
Isso é como o Carnaval: se os desfiles das escolas de samba ou os festejos de rua do Recife do ano retrasado forem reprisados por engano ninguém vai notar a diferença.
Em dias de tempestades tudo fica mais óbvio ainda. Os pontos de alagamento também são clássicos, assim como os semáforos que param de funcionar. Acreditem, tem gente que num dia de céu escuro ao meio-dia insiste em circular por essas piscinas.
Seria elementar culpar as estações de rádio ou as TVs pelo lenga-lenga diário, mas existe uma demanda por esse tipo de informação. Por que, já que todo mundo sabe que há trânsito na cidade? Por que os ouvintes insistem em perguntar, diariamente, a situação das avenidas, das pontes, viadutos? Falta do que fazer dentro do carro parado? Masoquismo? Burrice? Ou ter o prazer de ouvir seu nome dito no rádio?
Manchete seria o dia em que todos esses mesmos pontos de engarrafamento amanhecessem livres e desertos. Como isso não acontece nunca, jornalistas e ouvintes poderiam ocupar o tempo reservado ao trânsito com qualquer outro tema: a morte da bezerra ou o horóscopo.
Definitivamente o trânsito na cidade não é notícia e, por esse motivo, em nome do bom Jornalismo, deveria ser um assunto banido. Além de chato, contribui apenas para aumentar a sensação de que vivemos o feitiço do tempo.

2012/03/28

O HOMEM QUE NÃO ESTAVA LÁ

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 10:28

As fotos são surpreendentemente chocantes – daquelas que nos demoramos alguns segundos observando.
Primeiramente nos concentrando na parte física e depois imaginando o sofrimento – físico e psicológico – da vítima.
Esse é Richard Lee Norris, um americano que em 1997 deu um tiro no próprio rosto e perdeu o nariz, os lábios e grande parte do movimento da boca. Depois da tragédia, viveu recluso durante 15 anos escondendo-se por trás de uma máscara e só saindo à noite.
Sua nova cara é resultado do mais amplo transplante de rosto já realizado. Foram 36 horas de procedimentos.
A cirurgia envolveu dez anos de pesquisas da Universidade de Maryland e investimentos da Marinha americana e servirá de modelo para ajudar veteranos de guerra feridos por explosivos no Iraque e no Afeganistão.
Taí a intervenção mais bizarra e impressionante que a Medicina já inventou – depois, é claro, das maldades feitas no rosto de Elza Soares.
Richard não era um homem exatamente bonito (foto 1). Comum, apenas. Depois do acidente passou por uma série de cirurgias, amargou uma fase Markito (foto 2) e mesmo com tanto estica e puxa seu rosto ficou perfeito. Exceto pelo zíper no topo da cabeça, poderíamos jurar estarmos diante de um lutador de MMA pós-embate com Junior Cigano.
Curiosamente Richard ganhou um rosto, mas não um perfil. É como se sua face não tivesse pátria. É um ele que não está lá; um perfil sem identidade. José Dirceu saberia explicar isso melhor.
Richard deve estar muito feliz por poder sair de casa, mostrar seu rosto, fazer careta, aparar a barba, se olhar no espelho. Por outro lado, apagou o passado até das coisas boas. Se encontrar um velho amigo não será mais reconhecido – o que pode ser uma ótima pedida em certos casos. Estará protegido dos duas caras, dos caras de pau. Fará apenas uma cara de tacho e seguirá adiante.
Ganhar um rosto é diferente de receber um fígado, uma córnea, um coração novo. É – paradoxalmente – uma mudança muito mais profunda. Nessse caso, o risco de rejeição independe do órgão transplantado. A rejeição maior reside em sua própria cabeça.

2012/03/27

A CAPA QUE FALTAVA

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:22

Uma matéria do “The Wall Street Journal” diz: “Se a mulher que está ao seu lado no trem parece excepcionalmente distraída no seu livro eletrônico, talvez exista uma boa razão”.
Segundo o artigo, a “boa razão” seria a privacidade garantida pelos livros eletrônicos e outros gadgets. Gêneros românticos e eróticos estão vivendo um boom de vendas.
“Kindles, iPads e Nooks são os mais recentes papéis de embrulho marrom”, diz Brenda Knight, editora-associada da “Cleis Press”, especializada em literatura erótica desde 1980.
As editoras tradicionais também estão lançando versões digitais destes gêneros por causa da grande demanda. Até o final do mês, a “HarperCollins UK” lançará uma coleção com um slogan bem ambíguo: “prazeres privados com o aparelho manual”.
Uma das entrevistadas, Tori Benson, “casada, 41 anos, mãe”, lê de 10 a 15 livros por semana, metade deles de conteúdo erótico. Ela começou a ler romances quando era jovem e migrou para o gênero quando comprou seu primeiro Kindle. Hoje ela tem dois. A filha de 10 anos se refere a um deles como ‘o leitor mal comportado da mamãe’.
Tori Benson diz que o formato digital a ajuda a superar o constrangimento. Ela escreve resenhas sobre romances para os sites “Smexybooks.com” e “Heroes and Heartbreakers”.
Ela conta que não leria esses livros nas versões impressas se estivesse na frente de outras pessoas. “Algumas capas são muito explícitas”, conta.
Na seção de erotismo do site da editora “Mischief Books” os títulos são marcados por ícones. As algemas querem dizer “pervertido”. Uma palma da mão levantada significa “disciplina”.
A editora “HarperCollins” diz que planeja lançar pelo menos 60 títulos do gênero este ano. “As pessoas percorriam um longo caminho até o balcão da seleção erótica, mas isso hoje é passado”, fala Adam Nevill, diretor editorial da “Mischief Books”.
O gênero já tem até um best-seller, “Fifty Shades of Grey” (“50 Tons de Cinza”, ao pé da letra), de E L James, uma mãe britânica e ex-produtora de TV.
Trata-se de um romance sobre um caso de amor entre uma universitária e um bilionário executivo com várias referências contemporâneas, como computadores da Apple, personal trainers e músicas de bandas como Snow Patrol e Kings of Leon.
“Fifty Shades” foi lançado em maio por uma editora australiana independente e no outono já era a grande sensação nos Estados Unidos.
Na semana passada, a “Vintage Books” adquiriu os direitos de publicação da editora australiana para as próximas duas edições da série.
A facilidade de baixar o conteúdo para os e-livros é outro grande fator de crescimento das vendas dos títulos eróticos.
As fãs do gênero contam que além das histórias de amor, gostam das heroínas – “educadas, profissionalmente bem sucedidas e moralmente centradas que são pegas por um inesperado e intenso desejo sexual”.
Outro título de sucesso é “Flat-Out Sexy”, que mostra a tórrida atração entre um corredor do circuito Nasca e a viúva de um motorista que morreu num acidente.
O gênero romântico – que inclui o romance tradicional, passa pelo romance cristão e chega ao erotismo – representa 17% das vendas dos livros de ficção, diz Brent Lewis, vice-presidente da área digital da editora “Harlequin”.
Agora cerca de 40% dos leitores compram a versão digital.
Sabrina e Julia são coisa do passado. Ou do futuro?

2012/03/26

À MODA ANTIGA

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 08:56

Aos 8 anos de idade Hannah Brencher já dizia à mãe que o mundo precisava de mais cartas de amor.
O mundo girou, Hannah cresceu e aos 23 anos de idade as cartas de amor entraram de vez em sua vida – e na de outras pessoas.
Em outubro de 2010 Hannah estava no trem, indo para o trabalho, quando notou uma mulher que parecia sozinha. “Eu realmente queria alcançá-la e ter uma conversa franca com ela”. Em vez disso, Hannah escreveu uma carta e a deixou discretamente para a moça. “Eu me senti ótima, como se eu tivesse feito aquilo minha vida inteira e decidi que nunca mais pararia”.
Depois disso ela começou a deixar cartas de amor em vários lugares de Nova York – bolsos de casacos, bancos de igreja, dentro de livros e cafeterias – e a narrar essas experiências.
Hannah nunca esperou uma carta-resposta. Pelo contrário. Expandiu sua experiência de escrever para estranhos num blog. Nele, ela prometia mandar uma carta escrita a mão para qualquer um que se cadastrasse. Dentro de nove meses ela enviou 250 cartas para pessoas de vários lugares do mundo.
Quando alcançou a marca de 400 cartas enviadas, em setembro do ano passado, ela fundou o site e a organização “The World Needs More Love Letters” (“O Mundo Precisa de Mais Cartas de Amor”). Em quatro meses o número de cartas quadruplicou: 1.600.
Para Hannah, uma carta de amor é “uma carta-agradecimento por estar viva e algo do fundo do coração. Algo que me inspirou a escrever também para as minhas melhores amigas”.
Logo que começou com o site, Hannah surpreendeu-se ao receber uma carta com um “obrigado” e um pacotinho com selos.
Hannah gosta de se dirigir às pessoas que se sentem solitárias na cidade grande. Uma das que ela mais gostou foi a de um garoto que solicitou uma carta porque estava se mudando para Nova York para fazer faculdade. Além da carta, ela mandou um guia de sobrevivência na cidade, cheio de dicas e macetes que ela gostaria de ter recebido.
A carta mais difícil que ela teve de redigir foi para uma pessoa que ela conhecia havia muitos anos. “Eu não esperava, mas ela estava passando por um período muito difícil. Eu fiquei nervosa e percebi que é mais fácil escrever para um estranho do que para uma pessoa que você conhece bem”.
Atualmente Hannah não escreve as cartas sozinha. Ela conta com uma equipe de 12 pessoas e mais de mil voluntários que, por email, representam todos os continentes.
Sua ideia é estender o envio das cartas para “sem-tetos, povos pouco representados, crianças que nunca sentiram ou não conhecem o amor”. Segundo ela, “há uma profunda pobreza – mais interior do que física – dentro daqueles que não sabem como é uma palavra de carinho”.
Quem se interessar por ajudar Hannah a mandar cartas – ou mesmo se cadastrar para receber uma –, é só visitar o site: http://www.moreloveletters.com

2012/03/25

AH, O AMOR

Arquivado em: Absurdos nossos de cada dia — trezende @ 10:25

O título diz que se trata de um presente. Na verdade, um presente de grego.
“A Gift For Muslim Couple” (“Um Presente Para Casais Muçulmanos”) recomenda aos maridos baterem em suas mulheres “com as mãos ou com uma vara e puxá-las pelas orelhas”.
Escrito por Maulavi Ashraf Ali Thanvi, um “prolífico escritor em quase todos os assuntos islâmicos”, o livro afirma ser útil para recém-casados ou casais que vivem juntos há alguns anos.
A obra virou motivo de polêmica nesta sexta-feira, após uma reportagem publicada pelo jornal “Toronto Sun”. Segundo a matéria, tudo começou depois que um marido procurando um presente viu o livro, deu uma lida e descobriu do que se tratava.
A sinopse diz: “O livro lida com a questão do casamento e da relação pós-casamento, bem como as diversas armadilhas de uma relação e casos de término”.
Também afirma mostrar exemplos “de fatos reais, dá conselhos sobre diferentes aspectos da vida familiar e de como fazer com que a instituição do casamento seja bem-sucedida”.
Logo no início, o autor diz que “talvez seja necessário reprimir a força dela ou até ameaçá-la”.
“O marido deve tratar a mulher com bondade e amor mesmo quando ela tende a ser estúpida e lenta algumas vezes”.
A obra também menciona os “direitos do marido” e fala da impossibilidade de a mulher sair de casa sem a permissão do esposo.
Quando for o caso, “bater nela com a mão ou com uma vara, confiscar o dinheiro ou puxá-la pelas orelhas” – ainda que não excessivamente.
Quanto à mulher, ela deve dar conta dos desejos do esposo e estar sempre bonita.
O proprietário da livraria em que o livro foi encontrado, em Toronto, no Canadá, conta ao jornal que a edição já está esgotada. No entanto, ela pode ser encontrada em livrarias islâmicas online por 6,46 dólares ou no eBay.
Até integrantes da comunidade muçulmana local acharam que o livro incita à violência doméstica.
O político canadense Tarek Fatah disse ao jornal “Toronto Sun”: “Pode ser algo novo para vocês, mas na comunidade islâmica é bem conhecido que os homens batem em suas mulheres. Os líderes muçulmanos negarão isso, mas…”.
De acordo com algumas interpretações do Alcorão, a violência doméstica é permitida na Sharia Law (código de Direito derivado do Alcorão).
A violência contra as muçulmanas foi enfatizada esta semana depois de uma reportagem dando conta de que mil paquistanesas foram assassinadas no ano passado. Segundo a Comissão de Direitos Humanos do Paquistão, milhares foram mortas pelos pais, maridos ou irmãos.
Muitos casos foram encobertos por familiares ou policiais simpatizantes, portanto, esse número deve ser muito maior.

2012/03/24

O LUXO DO LIXO

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 10:33

Parece que o troço é um sucesso de vendas em vários países e existe no Brasil, mas para mim foi uma agradável descoberta.
Trata-se do “Garbage Pail Kids” (no Brasil, “Gang do Lixo”), personagens criados na década de 80 nos Estados Unidos que ilustravam figurinhas de chiclete. Depois transformaram-se em álbum de figurinhas e ganharam até filme.
Agora virou livro, com 206 imagens.
Os desenhos são sensacionais e politicamente incorretíssimos. Os nomes são sugestivos – “Glandular Angela”, “Half-Nelson”, “GuilloTina” – e as personagens sempre apresentam alguma anormalidade, sofrem de algum transtorno e geralmente estão fazendo o que não devem.
“Leaky Lindsay”, por exemplo, espalha catarro para todos os lados quando espirra. “Drippy Dan” é um bebê todo furado. Quando toma a mamadeira, o leite vaza pelos buracos de seu corpo. “Fred Thead” tem a barriga costurada, mas mesmo assim suas vísceras vazam. “Juicy Jess” usa o pus das espinhas do rosto como pasta de dente.
Assim fica mais fácil entender porque a turma foi banida de muitas escolas. Uma série chegou a ser transmitida na TV americana, mas ficou pouco tempo no ar por causa dos protestos de pais.
Hoje as ilustrações são feitas por um time de artistas, mas a ideia original foi do cartunista Art Spiegelman, em 1985. A primeira série foi desenhada por John Pound.
Os desenhos já foram relançados diversas vezes e neste mês foi anunciado que será lançado um novo filme com as personagens. Promete.

Visitem o site AQUI

2012/03/23

VIAJAR É OURO, PAGAR É PLATINUM

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 08:42

Quem paga mais, pode mais. Sempre foi assim – e será.
Quem compra passagem aérea na primeira classe come melhor, dorme melhor, embarca antes e chega ao seu destino alegre e faceiro.
Quem paga o estacionamento vip leva o manobrista e o conforto de ter sempre uma vaga à disposição.
Mas e quando esse atendimento cinco estrelas resvala para um serviço público?
Essa é a questão levantada pelo escritor americano Michael Lind, que faz um desabafo num artigo para o site “Salon”.
Michael está bravo. Muito bravo.
“Outro dia, no aeroporto de Bergstrom, em Austin (Texas), presenciei uma surpreendente manifestação da nova plutocracia americana”, diz ele.
Ele conta que em Austin, a Delta Airlines tem duas filas na barreira alfandegária na área da Administração de Segurança nos Transportes (TSA). Uma fila mista em termos de raça, classe social e idade. A outra, para privilegiados, está geralmente vazia.
“De vez em quando um homem branco e de meia-idade pode aparecer e ir direto para a área da TSA”.
Na ocasião ele travou o seguinte diálogo:
“Quem são esses caras?”, perguntei a um funcionário.
“A Delta tem o controle total sobre a linha de passageiros até este ponto. Eles decidiram deixar passageiros com prioridade, pilotos e tripulação seguirem antes dos outros”, respondeu-me.
“Então essa é a fila do cara rico e branco?”, perguntei
O funcionário da TSA riu. “Na sua fila todo mundo é igual”.
“Muito da segurança aeroportuária, claro, é teatro desenvolvido para fabricar álibis para burocratas e políticos em situações como um ataque terrorista. Mas apesar de podermos debater com uma certa racionalidade o sistema de segurança nos aeroportos, nenhum sistema racional discrimina passageiros a partir de sua habilidade para pagar”, afirma Michael.
“Atualmente, o modelo patético, predatório e deteriorado da indústria aérea parece estar transpirando moedas de cinco e dez centavos brincando cruelmente com seus clientes usando duas filas nos terminais de embarque chamadas por várias companhias de Gold, Platinum, Elite etc.
Nem Toqueville – que comentou o contraste entre as obsessões de status dos americanos e seus professados igualitarismos – nem Veblen – que cunhou o termo ‘consumismo ostentatório’ – se surpreenderiam com esse novo método de exibição. Tanta tolice é algo para ironizar, não para processos ou marchas de protesto”.
Segundo Michael, entrar numa fila de segurança aeroportuária não é uma escolha, como pertencer ao programa de milhagem de uma companhia aérea. Passar pelo raio-x é uma tarefa cívica árdua e, como outras, deve ser compartilhada igualmente por ricos e pobres.
“Esse é o futuro que nós americanos queremos? Duas filas em todas as áreas de alfândega? O apartheid econômico promovido pela aviação civil é uma má ideia. (…) Se você não voa com frequência não pode participar deste esquema público governamental”.
Michal diz ainda que o programa está sendo anunciado como “experimental”, mas nunca será extendido às massas. “Isso se transformará em outro benefício permanente da elite, cujos membros nunca incentivarão para que o lobby se democratize”.
Para ele, este sistema do “viajante de confiança” não fará da América um lugar mais seguro. “Vai dar errado. Osama bin Laden e Mohamad Atta eram integrantes da elite social e educacional de seus países e viajavam com frequência”.
Michael sugere a oficialização desta nova forma de discriminação baseada nas classes sociais. “Deixemos o governo lançar o cartão ‘Cidadão Elite Premium’, válido para vários fins. Pelo preço certo você ficará livre para furar fila não só em aeroportos, mas em qualquer lugar: pontos de táxi, teatros e restaurantes”.
Se a moda pega…

2012/03/22

O PODER DO TUTU

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 07:49

O que seria da nossa vida sem os caras-de-pau? Com certeza os dias seriam mais sisudos, as horas demorariam mais para passar e tudo seria bege.
Uma dessas pessoas capazes de transformar um dia chocho num evento é o fotógrafo Bob Carey, que desde 2003 está produzindo a série fotográfica “The Tutu Project”. Nas imagens ele aparece em diversas locações vestindo apenas um tutu rosa.
Tutu (pronuncia-se “too-too” ou “titi”) é a saia transparente das bailarinas – na maior parte das vezes branca.
As imagens de Bob viraram um fenômeno na Internet esta semana. O sucesso é garantido graças ao tipo físico do “modelo” e às poses singelas que tentam transmitir leveza.
Mas Bob não está colocando sua dignidade em risco à toa. Sua mulher, Linda, está na luta contra um câncer de mama reincidente. Então, a ideia dele é lançar um livro com as fotos e reverter o dinheiro da venda para instituições que atendem pacientes com o problema.
Bob já exibiu seu corpinho em inúmeros lugares: no Grand Canyon, na Times Square, em plantações, estacionamentos, plataforma de metrô e várias paisagens pelos Estados Unidos.
“Bob não é como a maioria dos homens. Ele não tem medo de se mostrar vulnerável”, diz Linda ao “Daily News”.
Além das fotos, o livro – “Ballerina” – trará histórias curiosas das aventuras dele vestido com o tutu rosa. O objetivo é conseguir 75 mil dólares.
Certa vez, numa balsa para Delaware, ele decidiu tirar uma foto com o tutu no meio da neblina. Os passageiros aplaudiram e a tripulação mexeu com Bob. Quando eles desembarcaram, um policial acompanhado de cães farejadores pediu para revistar a van em que o casal estava.
Em Atlantic City, avisos sobre um homem “vestido de tule” se espalharam na frequência de rádio da polícia. Rapidamente seis viaturas surgiram no encalço de Bob.
“Um dia um policial me perguntou: ‘Você está usando algo aí embaixo?’. Mostrei a ele meus shorts rosa e ele disse: ‘Okay, só queria conferir’”, conta Bob.
Ele explica que a conexão entre o tutu rosa e o câncer foi uma tremenda coincidência. Antes do diagnóstico de Linda ele já estava produzindo as imagens.
A ideia veio há nove anos, quando o casal estava de mudança do Arizona para Nova York. Bob tinha acabado de fazer um trabalho relacionado a balé e tirou uma foto dele usando o tutu numa estrada. Depois que chegou à cidade, posou para mais algumas fotos. A brincadeira só se transformou no projeto quando Linda recebeu a má notícia.

Vejam mais fotos AQUI

2012/03/21

SOCORRO, ROCKY

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:50

Quando pensamos em boxe as primeiras imagens que vêm à cabeça são homens suados, ensanguentados, com olhos inchados, como se tivessem sido picados por uma abelha bem malvada.
O boxe nunca é imediatamente associado a mulheres – especialmente as do Afeganistão.
Mas segundo uma reportagem do jornal canadense “The Globe and Mail” essa prática esportiva já é uma realidade.
Depois que o regime talibã foi para as cucuias a vida das afegãs dá sinais de melhora. Lentamente, já que elas ainda podem parar na cadeia se abandonarem o marido – a pena varia entre 5 e 7 anos de prisão.
Durante o período em que a milícia comandou o país, as mulheres eram proibidas de praticarem esportes – dentre outras restrições.
Se a vingança é um prato que se come frio, ele já está sendo preparado. Não na cozinha, batendo o bife, mas na academia.
A primeira equipe feminina de boxe do país treina pesado. Três vezes por semana, cerca de 20 meninas se preparam no ginásio de Ghazi, em Cabul – local que já foi usado pelo Talibã como palco para suas punições públicas. Era lá que as mulheres acusadas de adultério eram apedrejadas.
As irmãs Shabnam e Sadaf Rahimi fazem parte do time. “Ouvi dizer que muitas mulheres eram mortas aqui. Às vezes, quando treino sozinha, entro em pânico”, diz Sadaf.
O lugar é bem simples, com espelhos quebrados, pintura descascada e piso com forração desbotada.
“Era um sonho virar boxeadora. No início meu pai não concordou, falou que boxe não era para mulheres. Depois que ganhei minha primeira medalha, ele mudou de ideia”, conta Sadaf, de 18 anos.
Enquanto as garotas dão suas pancadas nos sacos, os meninos espiam pela janela. Mas nem todos com olhar de curiosidade. “Dois anos atrás alguém ligou para o meu pai ameaçando nos sequestrar e matar se ele continuasse nos deixar treinando”, diz a irmã de Sadaf, Shabnam Rahimi, de 19 anos.
Por conta disso, elas ficaram um mês longe dos treinos até que o técnico passou a oferecer transporte para as meninas. O governo também está ajudando a cuidar da segurança.
A equipe foi criada há cerca de quarto anos pelo Comitê Olímpico do Afeganistão e o objetivo é desafiar os estereótipos e encorajar as meninas a lutarem pelo o que acreditam.
“Queremos mostrar ao mundo que as afegãs também podem ser líderes; que elas podem fazer de tudo – até boxe”, diz o técnico, Mohammad Saber Sharifi.
O time recebe apoio financeiro do comitê olímpico e de um grupo local não-governamental. Mesmo assim as condições são críticas. Algumas meninas usam até máscara para se protegerem da poeira que sobe do chão.
O técnico, ex-campeão professional, espera a chegada de mais recursos para construírem um ringue, melhorar os equipamentos e mandar as atletas para encontros internacionais.
A maior esperança é chegar aos Jogos Olímpicos de Londres, no qual o boxe feminino estreará como modalidade com direito a medalhas. Segundo a BBC, o boxe era o único esporte olímpico que não contava com uma categoria feminina.
A julgar pelos anos de opressão, as afegãs devem ter “punch” de sobra.

2012/03/20

QUEM FAZ A HORA

Arquivado em: Entrevista — trezende @ 08:34

Matt Ramos tem 21 anos, é estudante de Psicologia e tem um projeto interessante e criativo.
Ele é autor do blog “30 Vanquish”, cujos subtítulos já explicam tudo: “Destruindo barreiras sociais através de experimentos. A corrida por viver livre de obstáculos até os 30 anos”.
 No site ele explica que seu objetivo é participar de tudo que o coloque fora de sua zona de conforto social. Serve desde falar com estranhos, encontrar pessoas da Internet ou chamar meninas para sair. “Regras sociais não-escritas precisam ser quebradas quando se quer viver livremente”, diz ele, que mora perto de São Francisco, Califórnia.
Mas por que 30 anos? “Levando-se em consideração que a média de vida – não garantida – de uma pessoa é de 67,2 anos, as atitudes precisam ser tomadas rapidamente”.
O “O Mundo Gira, a Lusitana Roda” entrevistou Matt por email.
“Que barato. Seria legal se você pudesse me mandar uma versão em inglês do seu post”, diz ele.
Matt conta que tudo começou com a “Rejection Therapy” (“Terapia da Rejeição”). Apesar do nome, trata-se de um jogo. Segundo o site, “um jogo da vida real. Para todo mundo que quer adquirir mais confiança e encarar o medo da rejeição”.
Matt diz que a única regra é “ser rejeitado uma vez ao dia, durante um mês. Se você é rejeitado, você ganha o jogo. Daí comecei a fazer vários tipos de experimentos sociais”.
Ele está nessa há pouco mais de um ano. Alguns dos desafios que ele se autoimpôs já foram cumpridos, como dizer “obrigado” a todas as pessoas diariamente, durante um mês; calçar sapatos ridículos para reforçar que a opinião das pessoas é exagerada; ficar no Facebook por 5 minutos ou menos por 30 dias.
Ele diz que a parte mais difícil é falar com mulheres atraentes. “Mas já tenho feito isso com relativa facilidade porque estou me expondo cada vez mais. Percebi que nada de ruim acontece – mesmo quando a menina diz não. Eu continuo vivo”.
No blog ele diz: “O medo me roubou os momentos mais definitivos de minha vida”. Quando questionado sobre que momentos seriam esses, a resposta: uma bela dor de cotovelo:
“Ter o amor da sua vida à sua frente, mas nunca conseguir expressar seus sentimentos porque você é muito tímido. Daí por causa de seus erros a garota termina com você, vai para o outro lado do país e acha outro cara lá. Tudo porque você não se respeitou o bastante e disse o que estava sentindo. A aceitação e a rejeição desses sentimentos não importa. A ausência de expressão é a coisa mais frustrante”.
No blog, Matt relata em seus posts as diversas experiências a que já se submeteu “online, offline, de opinião, ideias, tarefas, não importa”.
Dentre os experimentos que ainda seguem em processo estão: “Apostar 100 dólares num cassino. Em caso de vitória, usar o dinheiro para algo bom”; “Parar de reclamar por 21 dias” ou “Ser rejeitado por 100 meninas”.
Inspirem-se.

Visitem o blog de Matt AQUI

2012/03/19

ENTREVISTA COM A VAMPIRA

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 09:46

Milhões de chineses estão de luto. É que um dos programas de maior sucesso na TV da província de Henan, na China central, saiu do ar.
Era algo assim bem leve: “Interviews Before Execution” (“Entrevistas Antes da Execução”).
A atração, apresentada por Ding Yu, era uma espécie de “Marília Gabriela Entrevista” só com condenados à morte.
Depois de cinco anos de sucesso, ele foi retirado do ar na sexta-feira, dia 9 de março.
Transmitido todo domingo à noite, “Interviews Before Execution” sempre esteve entre os dez mais assistidos da TV da província de Henan, chegando a 40 milhões de telespectadores.
Além do sucesso da atração, a apresentadora Ding Yu virou uma estrela. Alguns se referiam ao programa como “A Bela com as Feras”.
Segundo os idealizadores, o objetivo era encontrar casos que servissem de alerta às pessoas. O slogan falava no despertar da natureza humana e na percepção do valor da vida.
Toda segunda-feira pela manhã Ding Yu e sua equipe vasculhavam casos para serem exibidos no programa – e eles tinham de ser rápidos, já que na China os prisioneiros são executados sete dias após a sentença.
Apelativo? Ding discorda: “Eles querem ser ouvidos. Alguns me disseram: ‘Estou muito orgulhoso. Disse tantas coisas que estavam no meu coração. Na prisão nunca havia uma pessoa para a qual eu pudesse contar coisas que me aconteceram no passado”.
O programa concentrava-se exclusivamente em entrevistas com presos condenados por assassinatos violentos. Ding nunca entrevistou prisioneiros políticos ou aqueles cuja sentença ainda não havia sido dada.
Na China, 55 crimes são punidos com a morte, como assassinato, traição, rebelião armada, suborno e contrabando. Muitos dos casos exibidos no programa foram motivados por dinheiro.
Depois de 226 entrevistas, pouco surpreende Ding.
“Sinto pena e pesar, mas não simpatizo com eles. Eles têm de pagar um preço alto pelo o que fizeram de errado. Eles merecem isso”, diz ela. “Entrevistei criminosos muito jovens – alguns com apenas 18 anos. Essa é a idade mínima para ser condenado à morte”.
A homossexualidade é um grande tabu na China. Em 2008, quando o programa mostrou o caso de Bao Ronting, um gay que matou a mãe, a audiência foi lá para cima.
“Nunca havia tido contato tão próximo com um gay. Apesar de ser homem, ele me perguntou num tom de voz feminino: ‘Você se sente estranha falando comigo?’. Na verdade, me senti bem incomodada”, relembra Ding.
A atração apresentou três episódios sobre o caso Bao Ronting e o seguiu até o dia de sua execução, em novembro de 2008.
Num dos encontros Bao perguntou à Ding: “Eu vou para o céu?”.
Ao lembrar-se da frase ela reflete: “Eu testemunhei a transição da vida para a morte”.
No seu último dia de vida, Bao Ronting desfilou em carro aberto com uma placa no pescoço que detalhava o crime que havia cometido. Essa prática é ilegal na China moderna – mas nem sempre a lei é seguida.
“Devemos abolir a pena de morte? Se a sentença de morte é um ato violento em si, deveríamos abolí-la. No entanto, não acho que nosso país esteja preparado para isso. No futuro pode ser uma boa”, diz Ding.
Alguma dúvida de que “Interviews Before Execution” era exibido por um dos 3 mil canais estatais da China?

2012/03/18

TESOUROS DE UMA VIDA

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 10:27

As fotos – publicadas hoje no jornal “The Daily Mail” – chamaram a atenção. Trata-se da casa de Olive Taylor, de 87 anos, ex-empregada doméstica e moradora de Brighton (Inglaterra).
“A porta de entrada da casa dela é um cânion de lixo em decomposição. Roupas velhas, latas de doce e brinquedos estão empilhados até quase o teto”, diz a matéria.
Olive tem um mês para se livrar da bagunça ou será despejada. A ordem chegou depois da reclamação de vizinhos sobre pilhas de frutas estragadas, embalagens de comida e jornais fora de casa.
Olive, no entanto, justifica-se dizendo que não oferece nenhuma ameaça de saúde ou que exista algum sinal de animais daninhos em sua casa. Segundo ela, o acúmulo é intencional: tudo será doado para a reciclagem. Ela conta já ter conseguido 90 mil libras em objetos de metal que juntou desde 1978. Diz ainda que doa o dinheiro para uma instituição que cuida de cachorros-guia para cegos.
Olive é uma “hoarder”.
“Hoarders” são pessoas que juntam de tudo dentro de casa durante uma vida. Tudo mesmo. As montanhas de lixo chegam ao teto, entopem todos os cômodos da casa, atulham escadas e até o jardim ou o quintal. Em português, as palavras mais próximas seriam “acumulador”, “colecionador”.
Mais do que falta de organização ou reles bagunça, “hoarding” é uma doença na qual o portador sofre de aquisição excessiva e é incapaz de descartar objetos que parecem sem uso ou sem valor.
A casa vira um chiqueiro e o problema acaba limitando atividades básicas da pessoa, como cozinhar, andar dentro de casa ou dormir e pode se tornar perigoso porque gera riscos de incêndio, desabamento e problemas de saúde.
Ainda não está claro se o comportamento é um distúrbio isolado ou sintoma de outra condição, como o transtorno obssessivo compulsivo (toc).
No Brasil, um caso famoso foi de uma velhinha no bairro do Itaim Bibi há muitos anos.
Depois de sumir por alguns dias, ela foi encontrada dentro de um Fiat 147 que estava na garagem. Quando entraram na casa descobriram lixo acumulado havia 20 anos. As autoridades sanitárias retiraram 24 caminhões de lixo de dentro do sobrado.
Quem quiser conhecer mais sobre o assunto, há uma série impressionante no canal “A&E”, além de DVDs com as temporadas completas.

Vejam um trecho AQUI

2012/03/17

EU ACREDITO EM DUENDES

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 10:40

Hoje comemora-se o Saint Patrick´s Day (Dia de São Patrício). Em São Paulo, diversos bares se preparam para a festa que, tal o Halloween, pouco tem a ver com a nossa cultura – ela celebra a chegada do Cristianismo na Irlanda.
Sabendo ou não das motivações da festa, vários paulistanos lotarão “pubs” vestidos de verde com apenas um objetivo: tomar cerveja (segundo a tradição, quem não usa verde é beliscado).
As informações sobre a vida de Saint Patrick são desencontradas e fantasiosas. Sabe-se que ele nasceu no País de Gales, mas foi sequestrado e levado para a Irlanda – como escravo – aos 16 anos. Durante o tempo em que permaneceu prisioneiro, trabalhou como pastor de animais, longe das pessoas. A religião teria sido seu consolo nesse período solitário.
Depois de seis anos – ao ouvir uma voz que acreditou ser de Deus – ele conseguiu escapar e caminhou mais de 320 quilômetros até alcançar a costa irlandesa.
Daí Saint Patrick teria tido sua segunda revelação: um anjo teria aparecido em seus sonhos para dizer que ele deveria retornar à Irlanda como missionário.
Então ele começa seu treinamento religioso e em 15 anos é ordenado padre. Preparado, volta à Irlanda.
Originalmente a cor associada ao santo era o azul. O verde começou a ser usado no século 17. Segundo a lenda, Saint Patrick utilizava um trevo de quatro folhas para explicar a Santíssima Trindade aos irlandeses pagãos. Dizem ainda que o santo teria livrado a ilha de cobras venenosas.
Sua morte teria ocorrido em 17 de março de 461.
O dia é marcado por celebrações religiosas – na parte da manhã – seguida de muita comida, bebedeira, danças e músicas típicas. O prato tradicional da festa é carne enlatada com repolho.
Os mascotes da festa são os duendes irlandeses. Conhecidos como “leprechauns”, são guardiões de vários tesouros escondidos. Dizem que eles sinalizam com laços verdes a árvore que guarda um pote de ouro.
Os “leprechauns” gostam de álcool e segundo algumas tradições, trabalham em destilarias.
Diversas paradas em homenagem ao padroeiro da Irlanda acontecem em todo mundo – cem apenas nos Estados Unidos.

2012/03/16

BIG GIRLS DON’T CRY

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:47

Cleópatra: a “Serpente do Nilo”; Agrippina: “Atroz e Feroz”; Mary Tudor: “Bloody Mary” (“Maria Sangrenta”); Catherine de Medici: a “Rainha Negra”; Maria Antonieta: “Madame Déficit”; Cixi: a “Imperadora do Dragão”.
Com os grandes poderes vêm não tão nobres apelidos.
Mas essas mulheres merecem essas alcunhas? Elas foram julgadas de forma diferente por causa da época em que viveram? Foram condenadas por características que são perdoadas ou louvadas nos homens poderosos?
Essas questões vêm à tona em “The Thinking Girl’s Treasury of Dastardly Dames”, uma coleção de livros sobre as mulheres mais fascinantes da História dedicada a crianças entre 9 e 13 anos. A edição é de Shirin Yim Bridges.
“Se um homem é poderoso e entrou para a História, acreditamos que nossas crianças devem aprender sobre ele. Mas em relação às mulheres as histórias não são contadas porque elas não são boas o bastante”, diz Shirin.
A série começa com Cleópatra, que se tornou extremamente rica e com uma coleção extravagante de jóias. Ela fazia seus seguidores acreditarem que ela era a encarnação da deusa egípcia Ísis.
Apesar de não ser considerada um modelo de beleza, Cleópatra era tão inteligente e charmosa que conseguiu seduzir homens influentes de sua época, como Julio Cesar e Marco Antônio.
Cleópatra expandiu o controle de seu governo a quase toda a costa leste mediterrânea, mas também foi conivente com o assassinato de dois de seus irmãos e de uma irmã.
Agrippina, a imperatriz romana, teve ligações com diversos homens poderosos da época. Irmã de Calígula, esposa (e sobrinha) de Claudio, mãe de Nero (que tentou matá-la), ela sempre foi vista com desprezo e tida como arrogante e rude. Sobre ela pesam suspeitas de ter matado seus rivais políticos, pessoas que invejava e até seu marido, o imperador Claudio.
“Encontrar humanidade nela foi difícil. Não há muito que tenha sobrado a respeito de sua vida, especialmente porque o que está escrito foi registrado por testemunhas hostis a ela. Mas encontrei indícios de que ela foi sim admirável”, diz Shirin.
Shirin conta que a maioria dessas mulheres foram condenadas porque terminaram do lado errado da História. Como exemplo, ela cita outra estrela da série, Mary Tudor.
Conhecida como “Bloody Mary”, ela reinou a Inglaterra no período de intensas brigas entre católicos e protestantes. Ela acreditava que o Catolicismo era a única fé verdadeira e queria que fosse a religião da nação. Durante seu reinado mandou diversos protestantes para a fogueira.
Já sua irmã e sucessora, Elizabeth, executou milhares de católicos. Como ela era protestante, o Protestantismo se tornou a religião dominante no país.
Shirin diz às crianças que geralmente os vencedores tornam-se os autores da História. Seu objetivo é fazer com que os pequenos leiam os livros e se perguntem: “Há algo mais que eu possa descobrir em vez de ficar na superfície do estereótipo?”.

2012/03/15

SE AS PAREDES FALASSEM

Arquivado em: Folheando — trezende @ 08:07

Assuntos relativos à monarquia britânica sempre despertam a curiosidade mundial. Do Tampax de Camilla passando pelo vestido de Kate e a partida de polo de Harry no Brasil, tudo é motivo de manchete.
O livro “If Walls Could Talk: An Intimate History of the Home” (“Se as Paredes Falassem: A História Íntima da Casa”, ao pé da letra) sacia parte deste infindável interesse.
Escrito pela historiadora Lucy Worsley, trata-se de uma espécie de história da vida privada inglesa.
O quarto, o banheiro, a sala de estar e a cozinha são as lentes através das quais Lucy apresenta a história da arquitetura, da tecnologia e da sociedade desde a era medieval até os dias de hoje. A parte social engloba temas que variam entre moda, comida, sexo, higiene e etiqueta.
Por que a descarga dos banheiros demorou dois séculos para se tornar popular? Por que as pessoas da era medieval dormiam sentadas? Por que o gás das lâmpadas causavam desmaios nas mulheres vitorianas? Por que, durante séculos, os ricos temiam as frutas?
Na introdução, a autora conta que foi um espanto descobrir que no passado os quartos eram espaços semipúblicos. A ideia de lugar reservado é relativamente moderna. Foi apenas no século 19 que eles tornaram-se espaços íntimos reservados ao sono e ao sexo.
Já o banheiro não existia como um cômodo separado até quase o fim da era Vitoriana. A sala de estar só foi aparecer depois que as pessoas passaram a ter tempo livre e dinheiro para gastar nela e com ela. A história da cozinha está ligada à história da segurança alimentar, do transporte, da tecnologia e das relações de gênero.
Entre 1550 e 1750 tomar banho era algo considerado desnecessário e perigoso – a água quente podia abrir os poros e, supostamente, facilitar a entrada de um “miasma” (segundo o dicionário, miasma é uma emanação a que se atribuía, antes das descobertas da microbiologia, à contaminação das doenças infecciosas e epidêmicas).
Outra curiosidade são os métodos para a escovação de dentes no século 17. Lucy conta que a maioria não dava certo. Mas um que funcionava bem era uma mistura de alecrim com sal que era aplicada com uma toalha e seguida de um gargarejo de vinagre.Mas a melhor receita era à base de “cuttlefish” (espécie de molusco semelhante à lula), que rendia um pó excelente para a escovação.
Lucy Worsley é curadora-chefe dos Palácios Históricos Reais, uma instituição de caridade que zela pela Torre de Londres e por uma série de prédios históricos ingleses.
Graças ao livro, ela apresentou uma série na BBC em que recriava as épocas e testava rituais e processos descritos em sua obra. Ela usou urina para remover manchas, experimentou um remédio feito a partir de água do esgoto e dormiu numa cama do período dos Tudor.

2012/03/14

A TÁTICA DO DINOSSAURO

Arquivado em: A real do mundo real — trezende @ 09:20

Na busca por uma posição no mercado de trabalho não basta ser o melhor. É preciso, além de ser mais forte e preparado do que os concorrentes, ter o perfil para a vaga. Aí entra a dose de subjetividade que apenas os especialistas em Recursos Humanos e empregadores podem medir.
Nos Estados Unidos e em alguns lugares da Europa, para conseguir o emprego dos sonhos o candidato precisa primeiramente descobrir que tipo de dinossauro é.
Isso porque é crescente o número de empregadores que estão usando “técnicas de entrevista extremas” com perguntas como “Se você fosse um dinossauro, de que tipo seria?”.
Apesar de afirmarem que o jeito que o candidato responde é mais importante do que a resposta em si, as chances de o aspirante não conseguir a vaga se disser que gostaria de ser um Tiranossauro Rex são grandes. Podem classificá-lo como predador canibal.
Responder que poderia ser um “Diplodocus” também não o levará muito adiante no processo. Podem chamá-lo de sexista.
A tática do dinossauro é a preferida dos entrevistadores que têm usado a nova técnica. A resposta geralmente é “T-Rex”.
A técnica – usada para distinguir um candidato excepcional de um capaz – começou a ser praticada pelas empresas do Vale do Silício, na Califórnia. Um dos pioneiros foi Steve Jobs.
O “Google”, por exemplo, é reconhecido por ter um intenso processo seletivo. Os candidatos primeiramente têm de responder a um dossiê de 50 páginas sobre sua vida.
Uma das recentes questões feitas a um candidato é: “Você foi mandado para uma ilha deserta e tem 60 segundos para escolher pessoas de dez profissões diferentes para ir com você. Quem você escolheria?”.
Já a “Hewlett-Packard” (HP) elabora perguntas do tipo: “Se os alemães fossem as pessoas mais altas do mundo, como você provaria isso?” – uma referência a um trecho do hino nacional alemão, “Deutschland Deutschland über alles” (“Alemanha, Alemanha acima de tudo”).
David Moyle, caça-talentos do “Eximius Group”, em Londres – admite que Steve Jobs sacava a “pergunta dinossauro” durante o recrutamento.
“Se estivesse à frente de um candidato que ele considerava fraco, Jobs imitava um frango – balançando os braços e até cacarejando – para avaliar a reação do aspirante. Tentamos dar a oportunidade de eles mostrarem sua personalidade em vez de apenas demonstrarem como agem durante uma entrevista”, diz David.
Outras perguntas comuns desta nova modalidade de recrutamento são: “Se você fosse um biscoito, que tipo gostaria de ser?”; “Dê cinco usos para um grampeador sem grampos”; “Diga três músicas da Lady Gaga”; “Com uma ampulheta com duração de quatro minutos e outra de sete minutos, como você calcula exatamente nove minutos?”; “Numa escala de zero a dez, o quão estranho você é?”; “Que personagem de TV mais se parece com você?”; “Você está expelindo ar quente?”; “A vida te fascina?”; “Sala, mesa ou carro – o que você limpa primeiro?”; “O que você acha dos gnomos de jardim?”.
Se a técnica é moda no Vale do Silício, imaginem em quanto tempo chegará por aqui. Já dá para vocês irem ensaiando as respostas…

2012/03/13

É IMORTAL

Arquivado em: Folheando — trezende @ 09:50

Por que é tão difícil nos livrarmos de um hábito?
Cortar a sobremesa, estabelecer uma rotina de exercícios físicos, parar de fumar, de comer doce à tarde? Tudo muito difícil, muito sofrido, mas não impossível.
Algumas respostas estão no recém-lançado “The Power of Habit” (“O Poder do Hábito”), de Charles Duhigg, repórter do “The New York Times”.
Uma vez instalado, é muito difícil livrar-se de um hábito. Ele nunca morre. Segundo o autor, os hábitos são 40% de nossa rotina.
O processo que o cria dentro do nosso cérebro é um círculo vicioso de três passos: o gatilho, a rotina e a recompensa.
O gatilho é o que dá o sinal verde para o cérebro funcionar no modo automático. A rotina pode ser física, mental ou emocional. E a recompensa é o que ajuda o cérebro a perceber que vale a pena ele se lembrar desse círculo vicioso no futuro.
Com o passar do tempo esse ciclo – gatilho-rotina-recompensa- gatilho-rotina-recompensa – fica mais e mais automático.
O mais difícil nesse processo de gatilhos e recompensas é que ambos são muito sutis e difíceis de serem identificados.
Portanto, quem não está muito determinado a lutar contra um hábito, fará com que ele volte. Hábitos não são destino – eles podem ser ignorados, mudados ou substituídos. Mas nunca desaparecem. Apenas adormecem.
Exemplo: se você quer começar a correr todas as manhãs é essencial escolher um gatilho (colocar os tênis antes do café ou deixar as roupas de corrida ao lado da cama) e uma recompensa (um agradinho no meio da tarde ou simplesmente a sensação de dever cumprido após o exercício).
Quando o cérebro começa a antecipar a recompensa passará a ter um mensurável impulso neurológico que vai lhe ajudar a colocar os tênis todas as manhãs.
O próprio Charles Duhigg dá seu depoimento ao site “Amazon”. Desde que começou a escrever o livro, perdeu quase 14 quilos porque aprendeu a diagnosticar seus hábitos e conseguiu mudá-los.
Atualmente ele corre em dias intercalados e está treinando para a Maratona de Nova York.
Charles conta que tinha um péssimo hábito sempre às 3h30 da tarde: comer biscoitos de chocolate. Depois de prestar atenção a seu comportamento e a submeter-se a testes que ele mesmo se propunha, descobriu que a razão que o levava à cafeteria não era a vontade de comer biscoitos. Ele estava, no fundo, querendo conversar com os amigos da empresa enquanto mastigava. Sua recompensa não era o prazer proporcionado pelo biscoito, mas a socialização com os colegas.
Ciente disso, “reconstruiu” o hábito. Hoje, sempre às 3h30 da tarde, ele se levanta de sua mesa, dá uma volta, conversa uns 10 minutos com alguém e nem pensa no que está fazendo. Está no automático. Diz que não come um cookie há seis meses.
Mais impressionante do que entender a formação dos hábitos na nossa vida é perceber como as empresas usam a “ciência do hábito” para estudar e influenciar o que compramos.
Nós, consumidores, somos verdadeiros ratos de laboratório.
As grandes corporações usam diversos métodos invasivos para descobrir nossos hábitos de consumo, tornar o momento da compra mais atraente e nos fazer comprar mais – tanto fisicamente, nas lojas, quanto pela Internet.
O caso mais revelador citado no livro é o da rede de supermercados “Target”, que criou um sistema secreto que descobria – baseado no padrão de compras das mulheres – quando elas estavam grávidas. Daí a “Target” passava a enviar cupons de desconto de produtos relacionados ao cuidado de bebês.
O problema é que o supermercado começou a mandar promoções para uma adolescente antes mesmo que o pai dela soubesse da gravidez.
O caso acabou rendendo na imprensa americana e causou até uma briga entre o “The New York Times” e a revista “Forbes”, que deu a notícia sem citar a fonte.
Agora é esperar pelo lançamento de “The Power of Habit” no Brasil.

2012/03/12

MEIO HOMEM?

Arquivado em: Mentes brilhantes — trezende @ 09:43

Dizem que a moda já pegou na Europa: homens usando meia-calça. A tendência aparece principalmente nas pernas dos “ragazzi”.
Será que os brasileiros também estão prontos?
A ideia é do estilista italiano Emilio Cavallini.
“Se você acha que homem de meia-calça é coisa de bobo da corte medieval, pense de novo”, diz uma reportagem do “The Daily Mail”.
Ao custo de 18 euros, as meias (unissex) são fabricadas a partir de uma mistura de algodão e nylon e foram lançadas em junho de 2009 em butiques selecionadas de Londres a Tóquio.
Os modelos são basicamente em preto e branco, mas as opções de desenho são bem variadas: estrelas, listras, bolinhas, caveiras, xadrez.
“Quando começamos as vendas online percebemos que várias meias nos tamanhos médio e grande estavam sendo compradas por homens… Então fiz uma pesquisa na Internet e descobri que havia uma busca ‘cult’ pela meia-calça masculina”, conta o vice-presidente da fabricante (Stilnovo), Francesco Cavallini. Segundo ele, os homens são responsáveis por 2% a 3% da produção da marca.
As meias são testadas pelos próprios funcionários da empresa. Esse cuidado levou à criação de um tecido especial, mais elástico e “respirável”, perfeito para os níveis de transpiração mais elevados dos homens. “Se é bom para os homens italianos, então é bom para o mundo”, diz ele.
O designer acredita que a maioria de seus clientes masculinos quer é se esquentar e usa as meias por baixo das calças. Para justificar-se, ele conta que as meias são mais populares em lugares frios como Alemanha, França, Escandinávia, Canadá e Estados Unidos. No entanto, revela que também já viu homens usando as meias com shorts.
Nascido em Pisa, Emilio Cavallini é especialista em meias de todos os tipos, lingeries e collants. Ele tem mais de 40 anos de carreira e já produziu meias finas para Dior, Gucci, Balenciaga e Alexander McQueen. Sua mais recente coleção foi apresentada dia 13 de fevereiro no “Risque Business: Luxury Legwear Designed to Thrill”, em Nova York.
As meias femininas são um arraso. Já as masculinas… Melhor deixá-las para os bobos da corte mesmo.

Confiram os modelos unissex AQUI

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